Queimando na água, afogando-se na chama

| 31 agosto 2017 | 10 Comentários |
"ela levantava, me disse
às 5 da manhã
e escrevia poemas
ou pintava
e quando era tomada por uma vontade de chorar
tinha um banco especial
junto ao rio."

Charles Bukowski mais uma vez derrama sobre minha mente uma torrente de pensamentos angustiantes toda vez que me deparo com seus escritos. Seja em prosa ou em poesia, é inegável o poder de sua escrita sobre minha formação/apreciação literária. Queimando na água, afogando-se na chama carrega - além de um titulo peculiar - o peso das décadas de 1950 a 1970 transmutados em versos amargos, crus e de teor - de certa forma - autobiográficos.

Dividido em quatro partes, Meu coração tomado em suas mãos reúne sua produção poética dos anos 1955 a 1963, Crucifixo em uma mão morta data de 1963 a 1965, Na rua do terror e no caminho da agonia são os versos escritos entre 1965 e 1968 e Queimando na água, afogando-se na chama - que dá nome ao compilado da L&PM Editores - data de 1972 a 1973.

"acho que quando uma mulher manteve suas pernas fechadas
por 35 anos
é tarde demais
tanto para o amor
quanto para a
poesia."

O sexo depravado, desprovido de felicidade, abandonos, bebidas, falta de perspectiva existencial são temas correntes em sua produção literária, e com a poesia não seria diferente. Bukowski, ou o Velho Buk - como é conhecido pelos leitores mais íntimos -  sabe tratar das banalidades humanas com certa resignação, como se risse dos próprios dissabores. Parafraseando Caio Abreu "que se há de fazer?" 

"e eu me sento no frio
maravilhado com as flores púrpuras
ao longo da cerca
enquanto o resto deles
acumula ouro
e Cadillacs e
amantes,
eu me deixo ocupar por palmas
e por lápides
e pela preciosidade de um sono
como se dentro de um casulo;"

Desde muito cedo Bukowski se sentia alheio aos que circundavam seu cotidiano. Há metáforas em seus escritos que demonstram essa condição de outsider em seu meio, em que seus desejos e devaneios em muito se distanciavam dos daqueles com quem ele precisava conviver. Para ele era como se sentir confortável num canto enquanto os demais brincavam de se fazer aceitos em sociedade, mesmo que de maneira supérflua, valorizando coisas fúteis e sem alma.

"se embebedar
embebedar
até que tudo
se faça em pedaços
mais uma vez
em imensa tristeza."

Queimando na água, afogando-se na chama é uma leitura de entrelinhas. A linguagem áspera se faz presente, mesclada a certo romantismo idealista, discorrendo sobre os anos sombrios do pós-guerra, com notas de melancolia e sarcasmo, já tão conhecidos e apreciados por seus leitores... Buko desvela o lado triste do sonho americano, descortinando o que há de mais vil nas interações humanas, camufladas de 'boas maneiras' e convenções sociais...

"hoje caminhei ao sol pelas ruas
desta cidade: vendo nada, aprendendo nada, sendo
nada, para depois voltar ao meu quarto."

Se identificar com as palavras de Bukowski é desesperança. Daquelas tristes, poéticas, bonitas... 

12 Meses de Poe [Poema] A cidade no mar / A city by the Sea

| 29 agosto 2017 | 7 Comentários |

"Olhai! a Morte edificou seu trono
numa estranha cidade solitária
por entre as sombras do longínquo oeste.
Lá, os bons, os maus, os piores e os melhores,
foram todos buscar repouso eterno.
Seus monumentos, catedrais e torres
(torres que o tempo rói e não vacilam!)
em nada se parecem com os humanos.
E em volta, pelos ventos olvidadas,
olhando o firmamento, silenciosas
e calmas, dormem águas melancólicas.

Ah! luz nenhuma cai do céu sagrado
sobre a cidade, em sua imensa noite.
Mas um clarão que vem do oceano lívido
invade dos torreões, silentemente,
e sobe, iluminando capitéis,
pórticos régios, cúpulas e cimos,
templos e babilônicas muralhas;
sobe aos arcos templos magníficos, sem conta,
onde os frios se enroscam e entretecem
de vinhedos, violetas, sempre-vivas.

Olhando o firmamento, silenciosas,
calmas, dormem as águias melancólicas.
Torreões e sombras tanto se confundem
que é tudo como solto nos espaços.
E a Morte, do alto de soberba torre,
contempla, gigantesca, o panorama.
Lá, os sepulcros e os templos se escancaram
mesmo ao nível das águas luminosas;
mas não pode a riqueza portenhosa
dos ídolos com olhos de diamante,
nem das jóias que riem sobre os mortos,
tirar as vagas de seu leito imóvel;
pois, ai! nem leve movimento ondula
esse imenso deserto cristalino!
Nem ondas falam de possíveis ventos
sobre mares distantes, mais felizes;
ondas não contam que existiram ventos
em mar de menos espantosa calma.

Mas, vede! Um frêmito percorre os ares.
Uma onda... Fez-se ali um movimento!
e dir-se-ia que as torres vacilaram
e afundaram de leve na água turva,
abrindo com seus cumes, debilmente,
um vazio nos céus enevoados.
As ondas têm, agora, luz mais rubra,
as horas fluem, lânguidas e fracas.
E quando, entre gemidos sobre-humanos,
a cidade submersa for fixar-se no fundo,
o Inferno, erguido de mil tronos,
curvar-se-á, reverente."

Caixa de Correio Julho/2017

| 23 agosto 2017 | 10 Comentários |
Olá, pessoas queridas. Ultimamente ando bem atrasada para postar essa coluna, que deveria ter saído bem no começo do mês... Mais um pouquinho e ela emendava com a de agosto... Mas vamos lá, antes tarde do que nunca... Andei comprando, ganhando, trocando muita coisa legal... Tem leitura garantida por muitos meses... só me basta pegar o ritmo...

Em parceria com a Companhia das Letras recebi o quadrinho Persépolis, de Marjani Satrapi. Já tem resenha dele e você pode conferir minhas impressões clicando neste link... Já adianto que se trata de uma leitura maravilhosa...


Ainda em parceria com eles, recebo o titulo O teatro de Sabbath, do autor Philip Roth. Nunca li nada dele até o momento e espero apreciar sua narrativa... Logo teremos resenha dele por aqui...


A Editora Hyria me enviou um exemplar de Estêvão, o desconectado. Um livro infantil que traz uma importante mensagem para os adultos... Tem resenha dele aqui...


Os correios me trazem uma bela surpresa: cartinha de minha amiga Mara Vanessa. Além do carinho, ela me enviou um lindo estojo de lápis... Tão fofo que dá até pena de usar...


Ainda pelos correios, recebi de cortesia da Editora Leya o exemplar de Clube da Luta 2, para ser resenhado no Blog Poesia na Alma. A postagem já saiu por lá e esses dias sai aqui também...Fiquem de olho...


Fiz as compras do mês na banca de revistas aqui da cidade e confesso que me excedi um pouco... quem nunca? Além de livros e HQs, comprei mais duas miniaturas de One Piece para a coleção que estou montando... Encontrei uma coleção sobre Segunda Guerra em três volumes e resolvi adicionar no acervo, além de um livro sobre Mitologia Nórdica... Ainda comprei um livro sobre Patrimônio Histórico e o titulo Amy - Clube dos 27... São duas leituras que estou ansiosa pra fazer...





Andei trocando algumas coisas no Sebo do Dedê e trouxe para casa as seguintes HQ's: Fantasma, Preacher, Urtigão e uma edição Disney Especial... 


Adquiri alguns livros que estão sendo lidos e resenhados aos poucos... Neil Gaiman, Clarice Lispector, entre outros autores... Algumas leituras já foram feitas e você pode encontrar as resenhas nos posts mais recentes...





Ao longo do mês acabo trazendo muitas obras a nível de experimentação, e comprei títulos de autores que pretendo conhecer em breve... 





Mais um título que li e resenhei aqui... 



Ganhei de presente do meu amigo Ireno os livro Memórias de o que já não será, de Aldyr Garcia Schlee. Mais uma vez, grata pelo presente...



Para encerrar as loucuras de julho, fiz uma visita a casa do meu amigo sebeiro e garimpei preciosidades, confesso que deu trabalho pra carregar as sacolas até minha casa... Voltei repleta de livros que poderiam caber num post só para eles... Ainda peguei alguns para presentear minha amiga Lilian Farias ♥♥. Alguns já foram lidos e aos poucos vou soltando as resenhas por aqui... Foram ao todo 32 títulos num dia só... Me superei, eu sei... Parecia compra de bienal... HAHAHA 



Chega, né? Quais vocês gostariam de ver resenhados por aqui? Quais já leram? Deixem sua opinião nos comentários... Beijos e até o próximo post... 


Escritores e Bicicletas...

| 16 agosto 2017 | 11 Comentários |


"Quando eu vejo um adulto em uma bicicleta, eu sinto esperança na raça humana.”
H. G Wells

Eis uma frase que resume bem a ideia dessa postagem: O hábito saudável de andar de bicicleta praticado por grandes escritores. Quem disse que bicicletas não combinam com o amor pelos livros?


Julio Cortázar posando com sua magrela...


Patti Smith, poeta, cantora, compositora e admiradora de passeios de bicicleta...


Ray Bradbury, autor de livros como o clássico distópico Fahrenheit 451...


a poeta Sylvia Plath...


Ernest Hemingway se equilibrando na bike...



Em 1895, Leon Tolstoi já era entusiasta da prática...


Registro de Arthur Conan Doyle em 1892, na companhia de sua esposa...


Famoso pelo livro Um bonde chamado desejo, que ganhou adaptação para o cinema trazendo Marlon Brando em cena, Tenessee Williams, em 1970, andando de bicicleta...


Não poderia faltar o autor da frase que deu início ao post... H. G. Wells, andando com sua esposa e um amigo... 


Marilyn Monroe e seu marido Arthur Miller, escritor...


Henry Miller pedalando em Santa Monica.



Ítalo Calvino, autor italiano.









E você, tem o hábito de pedalar como lazer ou prática de exercícios? Além de fazer bem à saúde, não polui o ambiente e dá pra se divertir com a paisagem... Andar de bicicleta traz uma verdadeira sensação de liberdade... 
O bom mesmo é encher a cesta com sacolas de livros... hehehe...


Beijos e até a próxima...


Estive em Lisboa e lembrei de você, de Luiz Ruffato

| 15 agosto 2017 | 12 Comentários |
Recentemente fiz a leitura de uma obra intitulada Estive em Lisboa e lembrei de você, do escritor Luiz Ruffato, a quem eu já tinha me familiarizado com a escrita depois da leitura de Eles eram muitos cavalos, um livro de contos que - salvo alguns textos - não me prendeu a atenção como eu gostaria... Mas eis que por insistência resolvo revisitar suas letras e me deparo com uma escrita apaixonante, que me fez ter vontade de voltar à primeira obra...


A história inicialmente é ambientada em Minas Gerais e divide-se entre o momento em que o protagonista Serginho deixa de fumar até o momento em que ele volta a fumar. Entre essa recaída, muitas coisas hilárias acontecem com o personagem, fatos corriqueiros mas que de tão inverossímeis parecem ser frutos de uma grande invenção. 

A verdade é que a partir de alguns infortúnios a vida de Serginho vai tomando rumos inacreditáveis e o destino faz com que ele vá morar em Lisboa. Ele tem esperança que as coisas vão mudar para melhor se ele for tentar ganhar a vida em terras europeias mas da teoria para a prática não é muito fácil chegar a esse intento...

Serginho se depara com um casamento após uma vida de boêmia, com a paternidade, insanidade, morte e mudança. Sua aventura rumo ao amor e prosperidade passa por humilhações e dificuldades que - contadas pelo autor - se tornam leves pela ironia que carregam. A prosa de Luiz Ruffato se revela poderosa e conduz o leitor por uma leitura frenética que almeja um desfecho inusitado. Um baque seco definiria o final de Estive em Lisboa e lembrei de você. Daqueles baques que nos deixam em suspenso ao chegar no ponto que encerra a ficção com ares de realidade crua e nua. 


O estranho [e louco, absurdo] mundo de Tim Burton...

| 12 agosto 2017 | 11 Comentários |
Publicado pela Editora Leya e relançado em outra roupagem um tempo depois, O estranho Mundo de Tim Burton é mais um titulo que tive o prazer de ter em mãos... Admiro o trabalho do diretor há muito tempo e conhecer um pouco sobre o processo de construção de sua filmografia foi uma bela e prazerosa experiência...


Escrito por Paul A. Wood, o livro nos traz uma pequena amostra da figura mítica do cinema Tim Burton, de sua estranheza desde a infância até o estrelato em que assina obras como O estranho mundo de Jack, A noiva-cadáver e Os fantasmas se divertem. Ao longo dos anos como diretor, firmou parcerias com nomes importantes como Danny Elfman, vocalista do Oingo Boingo, que compôs a trilha sonora de vários de seus filmes. Johnny Depp é outro nome que figura entre os trabalhos de Burton, dando vida a personagens icônicos que entraram para a história da sétima arte, entre eles Edward Mãos de tesoura, Willy Wonka de A fantástica fábrica de chocolate e Ichabod Crane, em A lenda do Cavaleiro sem cabeça.


"O Edward Mãos de Tesoura pode parecer o oposto do Freddy Krueger para algumas pessoas. Suas mãos são igualmente perigosas, mas ele não tem como ser mais doce e triste."

De maneira cronológica, o leitor é apresentado ao Estranho mundo de Tim Burton e seus cabelos desgrenhados à la Robert Smith do The Cure, a sua genialidade por vezes subestimada e a Fantasia que permeou seus sonhos de criança e que ganharam vida nas telas, seja com efeitos em computação gráfica, stop-motion ou interpretações surreais em cenários mórbidos.


O livro é um excelente compilado de informações sobre os bastidores de seus filmes, válido para fãs de seu trabalho, apaixonados pelo Cinema ou mesmo para aqueles curiosos que sentem fascínio em saber como funcionam os olhares por trás da câmera. Traz imagens e curiosidades notáveis, além de algumas entrevistas realizadas com o diretor ao longo dos anos... Sem sombra de dúvidas, uma obra interessante de se ter na estante...


Da Poesia de Hilst

| 11 agosto 2017 | 8 Comentários |
A poesia de Hilda Hilst foi compilada num volume lançado recentemente pela Editora Companhia das Letras e com prazer me deleitei numa leitura densa e poética de uma das mais significativas escritoras que nossa literatura já teve... 



Da Poesia reúne textos que datam desde a década de 1950 até sua obra escrita pouco tempo antes de sua morte, em 2004. Foi na poesia que Hilst começou sua carreira. Em seus versos ela retratava o amor, a amizade, sexo e morte mescladas à doses de solidão e existencialismo. Há um quê de espiritualidade e busca pelo divino pairando em sua obra. Publicada inicialmente por editoras menores, Hilda almejava ser lida, sua escrita febril e mítica não possuía irreverência. 

Fábulas, prosa, poesia são parte de sua contribuição literária. 

"Me mataria em março
se não fosse a saudade de ti
e a incerteza de descanso."

Somos ainda presenteados com desenhos criados pela própria Hilda no título Da morte. Odes mínimas, de 1980. Da Poesia traz as publicações em ordem cronológica, além de poemas inéditos e seus esboços. Hilda criou palavras, é possível encontrá-las ao longo de seus textos, tais como malassombros e vezenquando.

Lendo Hilda, sentimos o quanto ela necessitava dialogar com o leitor, indo além... Hilda desejava dialogar com a arte em si. "Hilda escreveu com a tinta da melancolia, a pena da galhofa e, sobretudo, um corpo humano. De mulher."  

"Uns ventos te guardaram. Outros guardam-me a mim. 
[E aparentemente separados
Guardamo-nos os dois, enquanto os homens no tempo
 [se devoram."


A ode de Fagner à Florbela

| 10 agosto 2017 | 16 Comentários |
Fagner é um renomado artista brasileiro, aclamado por gerações que apreciam música de qualidade e seus versos apaixonados são cantados por uma legião de apaixonados por suas canções. Seu amor pelas letras se reflete em alguns de seus trabalhos, verdadeiras odes à poesia, e nesse post falo em especial de sua relação com a obra de Florbela Espanca, uma das minhas poetas preferidas...



Em 1981 Fagner lança o álbum Traduzir-se, um de seus discos mais conceituados. O cantor musicou o poema Fanatismo, publicado em 1923, na obra Livro de Sóror Saudade

Fanatismo

Minh'alma, de sonhar-te, anda perdida
Meus olhos andam cegos de te ver!
Não és sequer razão de meu viver,
Pois que tu és já toda a minha vida!

Não vejo nada assim enlouquecida...
Passo no mundo, meu Amor, a ler
No misterioso livro do teu ser
A mesma história tantas vezes lida!

Tudo no mundo é frágil, tudo passa...
Quando me dizem isto, toda a graça
Duma boca divina fala em mim!

E, olhos postos em ti, vivo de rastros:
"Ah! Podem voar mundos, morrer astros,
Que tu és como Deus: princípio e fim!..."



No ano seguinte, ele lança o álbum Sorriso Novo, trazendo mais uma vez a poesia de Florbela musicada em duas faixas: Fumo e Tortura, sendo a primeira encontrada no Livro de Sóror Saudade e a segunda no Livro de Mágoas, publicado em 1919.

Fumo

Longe de ti são ermos os caminhos,
Longe de ti não há luar nem rosas;
Longe de ti há noites silenciosas,
Há dias sem calor, beirais sem ninhos!

Meus olhos são dois velhos pobrezinhos
Perdidos pelas noites invernosas...
Abertos, sonham mãos cariciosas,
Tuas mãos doces plenas de carinhos!

Os dias são Outonos: choram... choram...
Há crisântemos roxos que descoram...
Há murmúrios dolentes de segredos...

Invoco o nosso sonho! Estendo os braços!
E ele é, ó meu amor pelos espaços,
Fumo leve que foge entre os meus dedos...



Tortura

Tirar dentro do peito a Emoção,
A lúcida Verdade, o Sentimento!
– E ser, depois de vir do coração,
Um punhado de cinza esparso ao vento! ...

Sonhar um verso de alto pensamento,
E puro como um ritmo de oração!
– E ser, depois de vir do coração,
O pó, o nada, o sonho dum momento ...

São assim ocos, rudes, os meus versos:
Rimas perdidas, vendavais dispersos,
Com que eu iludo os outros, com que minto!

Quem me dera encontrar o verso puro,
O verso altivo e forte, estranho e duro,
Que dissesse, a chorar, isto que sinto!! 


No ano 2000, em comemoração aos seus 50 anos, o cantor incluiu em suas faixas bônus o Soneto L Charneca em flor, e no álbum Raimundo Fagner ao Vivo, ele ainda musica o poema Chama Quente.


Chama quente

Gosto de ti apaixonadamente
De ti, és a vitória, a salvação
De ti, que me trouxeste pela mão
Até o brilho desta chama quente.

A tua linda voz de água corrente
Ensinou-me a cantar... é essa canção
Foi ritmo nos meus versos de paixão
Foi graça no meu peito de descrente.

Bordão a amparar minha cegueira,
Da noite negra o mágico farol,
Cravos rubros a arder numa fogueira!

E eu, que era no mundo uma vencida,
Ergo a cabeça ao alto, encaro o sol!
Águia real, apontas-me a subida!



Postagens relacionadas:



Florbela Espanca, poeta portuguesa

Os versos de Florbela na voz de Fagner são uma verdadeira ode a beleza. Este post é dedicado aos apaixonados pela música, aos poéticos e aos que deliram de amor...

Seleção de Melhores Poemas de Cecília Meireles

| 06 agosto 2017 | 9 Comentários |
"De que são  feitos os dias?
- De pequenos desejos,
vagarosas saudades,
silenciosas lembranças."

Nos versos criados por Cecília Meireles encontramos a arte e a técnica, homogeneamente apresentadas em seus poemas. A Global Editora possui uma linda edição de poemas selecionados por uma das filhas da poeta, Maria Fernanda, rendendo ao leitor apaixonado pela poética de sua obra alguns momentos de êxtase literário e contemplação das palavras...


Melhores Poemas é um compilado de trabalhos como Romanceiro da Inconfidência e Canções. Cecília é um dos grandes nomes femininos de nossa literatura e abarca o sensível em seus poemas, chegando a inspirar artistas como Fagner a musicar seus versos...

"Quando penso no teu rosto,
fecho os olhos de saudade;
tenho visto muita coisa,
menos a felicidade.
Soltam-se em meus dedos tristes,
dos sonhos claros que invento.
Nem aquilo que imagino
já me dá contentamento."

A obra traz ainda uma cronologia da vida e obra da autora, bem como dados biográficos de suas publicações. Melhores poemas procura abarcar diversas fases da produção poética de Cecília, excetuando-se apenas o início de sua carreira. A edição tem a doce tarefa de inserir a obra da autora a um público até então desconhecedor de seus versos, a fim de que se aprofundem ainda mais na herança literária que ela deixou para a Poesia brasileira.

"aprendi com as primaveras a deixar-me cortar e a voltar sempre inteira."


Minha 9ª tattoo - Since 1985

| 04 agosto 2017 | 9 Comentários |
Assim como o símbolo de História que fiz na perna, o Since 1985 também foi tatuado no mesmo dia, em 22 de fevereiro de 2011... A explicação para essa tatuagem é muito simples: 1985 é o ano de meu nascimento...

Confesso que não cuidei como deveria e ela acabou desbotando, tomei sol nessa região sem usar bloqueador solar... Se não tomamos esse cuidado, os desenhos tatuados na pele tendem a ficar opacos e perdem o viço... [bloqueador sempre, peoples...]

Penso em refazê-la em outra região do corpo, fazendo uma cobertura que tenha relação com Emily Strange, a outra tatuagem que possuo na área, como podem ver na imagem abaixo...



1985 é um ano pertencente ao século XX, iniciado numa terça-feira do calendário gregoriano. No horóscopo chinês, foi o ano do Boi. Alguns dos acontecimentos pertinentes de 1985 foram:

  • Eleição de Tancredo Neves para presidente da República [e sua morte meses depois].
  • Fim da Ditadura Militar no Brasil.
  • Jogo Super Mario Bros lançado pela Nintendo. 
  • Nascimento de Lana Del Rey, em junho. 
  • Falecimento de Cora Coralina, poeta brasileira.
  • Em setembro desse ano morria também Ítalo Calvino, escritor italiano. 


  • We are the World é gravada por Michael Jackson, Lionel Ricthie e vários artistas, em campanha para combater a fome na África. 
  • 1ª edição do Rock in Rio. 
  • São fundadas as bandas Engenheiros do Hawaii, Guns N' Roses e Radiohead [queridinha da vida]...
  • Em outubro é lançado o álbum Hunting high and low do a-Ha
  • Cyndi Lauper emplaca o hit The Goonies 'r' Good Enough, trilha sonora do filme Goonies [melhor filme da minha infância, além de Cyndi ser minha inspiração para os cabelos coloridos...]. 
  • No cinema destacam-se os filmes Goonies, De volta para o futuro e Mad Max.


Em suma, as coisas relacionadas a cultura pop tem bastante influência em minha vida... E eu adoro garimpar essas pequenas e significativas coincidências...  
Então é isso... Continuem acompanhando esse tipo de post por aqui, e garanto que ainda tem muito a ser mostrado... hehehe... ^.~

╬† Literatura no Mundo ╬†

╬† Autores ╬†

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