O teatro de Suassuna em O Santo e a porca

| 10 abril 2017 | |

O santo e a porca é a segunda obra de Ariano Suassuna que eu leio. E mais uma vez sua escrita se revela genial. Pertencente ao gênero comédia, foi escrita pelo autor 'paraibucano' em 1957 e tem como temática a avareza, retratada através de um personagem, que esconde o dinheiro que juntou a vida inteira dentro de uma porca.

Com diálogos hilários, Suassuna nos apresenta personagens que utilizam a astúcia próprias e ingenuidade alheias a fim de se darem bem em suas empreitadas. Exemplo disso é Caroba, que numa artimanha bem planejada [talvez nem tanto assim], consegue realizar casamentos, incluindo o seu próprio, sem levantar suspeitas de ninguém, e gerando ao mesmo tempo, algumas hilárias confusões... Tudo com o tom irreverente presente na obra de Ariano.

"Euricão - Que conversa é essa? Você andou remexendo no que é meu?
Caroba - Que interesse eu tinha em remexer nessa troçaria? Só se para ficar com asma, nesse mofo."

A peça é dividida em 3 atos, e pode ser lida em questão de minutos. Mesmo sendo uma peça de teatro - alguns leitores podem não ter o hábito de lê-las - a escrita é fluída e não se mostra cansativa. E certamente vai render boas risadas.  Importante frisar a crítica/reflexão que o autor faz sobre o materialismo, que por vezes se mostra mais importante do que o valor das pessoas. O personagem Eurico ilustra bem essa característica. A porca chega a ter mais importância e cuidados do que a sua filha Margarida

"Euricão - Ai minha porquinha do coração, a luta é grande contra os ladrões. Mas arranjei mais vinte contos para seu buchinho."

Para quem conhece O auto da Compadecida, é impossível não encontrar na figura de Caroba traços do personagem João Grilo. A fim de sobreviver em meio as agruras do nordeste, há que se tornar esperto para driblar as dificuldades e se dar bem na vida. 

"Dodó - A culpa foi sua, era eu falando da filha e o senhor pensando na porca!
Euricão - Ai, a porca! Juntei dinheiro a vida inteira, para a velhice, e agora perco, num dia só, a porca e  a filha!"

Indicado para todos os leitores que buscam uma escrita envolvente, ágil e de diálogos diretos, com um tom de comicidade típica nas obras de Suassuna...

7 Comentários:

Marina Brum Says:
11 abril, 2017

Nunca li nenhuma obra do autor,mas sua resenha me conquistou e aguçou minha curiosidade para buscar algumas obras do mesmo. Fiquei bem curiosa mesmo. Agradeço.
Sua resenha está incrível!

Morgana Brunner Says:
11 abril, 2017

Poxa que indicação maravilhosa dessa vez, eu já conhecia o outro livro que tu citou e até que me senti bastante interessada nesse, principalmente sobre a porca, confesso que dei risada, dica anotada.
Beijinhos

Faby Souza Says:
11 abril, 2017

Olá Valéria, tudo bem?
Eu lamento dizer que nunca li nenhum obra o autor. Já assisti inumeras vezes a serie a ao filme O auto da compadecida, mas nunca parei para ler nenhum obra. Sei que é uma falha minha e pretendo remediar o quanto antes. Amei a sua dica e sei que a obra é maravilhosa.
Parabéns pela resenha.
Beijos

Rayanni kellsin Says:
12 abril, 2017

Olá, tudo bem?
Nossa, gostei muito da premissa, e por incrível que pareça, eu não conhecia o obra.
Adorei a dica, um beijo.

Amanda balãodaleitura Says:
12 abril, 2017

Olá tudo bem?
Bem acho que está e uma leitura que não faz meu gênero acho que sei que quando pegar para ler vou achar difícil é cansativo então por isso vou deixar sua dica passar

Lilian Farias Says:
13 abril, 2017

Tem tanto tempo que li, em 2008 e amo o autor, sempre lembro das Aulas show que ele dava, levando o balé, cantoras, lá na concha acústica.

Aline Belloni Says:
13 abril, 2017

Oi, Maria!
Achei a história bem diferente do que qualquer coisa que já. E não, não me importo de ler uma peça, pois quando criança, lia várias que tinha na biblioteca da escola, kkk.
Enfim, parecer ser um livro bem divertido, vou ver se acho por aí.

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