#LendoSandman - Morte, O alto preço da Vida

| 19 fevereiro 2017 | |

Morte é irmã de Sonho, e além de suas aparições eventuais em Sandman, ela possui duas mini-séries em que aparece como protagonista, e é uma delas que trago hoje a vocês, como parte do Projeto Lendo Sandman... O primeiro arco de histórias conta com três partes e se chama Morte - O alto preço da vida, onde a alegre garota gótica tem direito a viver uma vez a cada cem anos como mortal... Acompanhando as 24 horas dela como 'Didi', enxergamos seu lado humano...

Sexton Furnival é um adolescente que já não sente prazer em viver, é um suicida em potencial. Andando sem rumo, acaba encontrando uma estranha garota pálida que lhe ajuda salvando sua vida?!? [insira a ironia aqui] num lixão da cidade... Após esse encontro, eles vão passar as próximas horas juntos, conhecendo tipos estranhos, vivenciando situações inusitadas e fazendo coisas comuns, como comer um cachorro quente, por exemplo... 

Sexton acha a garota cheia de ideias malucas, e mesmo ela afirmando ser quem é, ele não acredita e acha que é tudo invenção da cabeça dela, mas algo o intriga e ele permanece ao seu lado, enquanto ela 'passeia' pela cidade pra lá e pra cá, ganhando favores de estranhos como se exercesse um forte carisma sobre eles, e  que Sexton não é capaz de entender porquê.

Surge no caminho deles uma mulher chamada Mad Hattie, que diz estar viva a mais de duzentos anos, ela é uma mendiga e quer que a Morte encontre seu coração, há muito perdido. Para isso, ela ameaça Sexton, então a garota resolve ajudá-la em seu pedido... 

Outro personagem que eles encontram pela frente é o Eremita, que pretende aprisionar a garota para que não haja mais morte e a vida seja eterna. Ele chega até a roubar o ankh que ela carrega no pescoço...



Cheio de diálogos mordazes ao longo da história, Morte - o alto preço da vida traz importantes metáforas e questionamentos ao leitor. Viver como uma humana por um curto período de tempo faz com que a Morte aproveite cada segundo como se fosse o último, e isso é o que deveríamos fazer durante nossa existência. Segundo a 'filosofia' de Neil Gaiman, vivemos apenas uma vez [por vez] e devemos enxergar com importância até as coisas mais simples que acontecem em nosso cotidiano...

Revisitar as páginas do universo de Gaiman me faz lembrar de uma pessoa querida que perdi ano passado... Num segundo estávamos conversando e no dia seguinte, ele já havia partido... Não há como premeditar tais situações e depois do ocorrido,  - e parece que só dessa maneira é que damos mais valor às coisas - é que minha percepção sobre nossa brevidade foi aprofundada... Precisamos viver, extrair o deleite num romance a dois, numa viagem, num projeto de trabalho ou faculdade, mas também num abraço que damos aos nos despedir de alguém,  numa mensagem de afeto direcionada a pessoas que você ama ou numa taça de sorvete de coco que você come de madrugada. Esses pequenos prazeres se eternizam em nossas memórias, enquanto elas ainda não falham, mas precisamos valorizá-las para que não se percam em banalidades sem importância ou sentido...

Viver por um curto período faz parte da lição de Morte, para que ela entenda sua própria existência, e o porquê de sua missão, que - apesar de nunca aceita por todos -  é certa. Sempre. Sem exceções. 

É interessante na HQ vermos personagens que fazem parte originalmente da série de seu irmão aparecendo na trama. Os acontecimentos acabam se entrelaçando, embora não seja problema ler O alto preço da vida antes dos arcos de Sandman... Outro fator que nos deixa mais a vontade com a personagem, e até nos faz criar simpatia por ela, é sua aparência que em nada lembra a  figura sombria vestida de capuz portando uma foice, que nos faz temer o momento quando chega a hora. A figura da garota sorridente até nos deixa com um pouco de esperança' de que - na hora em que partirmos -  não será tão doloroso assim... É uma ideia oposta ao que entendemos por 'Morte'. 

Como é realmente,  não tenho pressa em descobrir...  Que demore bastante até eu ter meu encontro com a garota gótica que carrega um ankh no peito...

12 Comentários:

Cláudio Says:
19 fevereiro, 2017

Ô,saudade...

Amanda Caldas Says:
19 fevereiro, 2017
Este comentário foi removido pelo autor.
Pandora Says:
20 fevereiro, 2017

Acredita que a primeira coisa que li de Sandman, e até de Gaiman, foi o vol. 1 de Morte, o alto preço da vida?!?!? Li em PDF, não consegui concluir, mas fiquei cativada pela Didi! Ela é responsável com seu trabalho e se coloca no lugar das pessoas literalmente! E tudo de Sandman só me lembra Renato, pq aquela criatura incrível que deixou um espaço vazio enorme no meu mundo, leu todos os meus volumes de Sandman e até a "Morte, Edição Definitiva" primeiro que eu.

Jaci
#DoQueEuLeio

Tatiana Castro Says:
20 fevereiro, 2017

Oi, Maria!
Parabéns pelo excelente projeto de leitura. Sempre quis ler Gaiman, apesar de não conhecer absolutamente nada de sua obra.
Achei o enredo do livro bem bizarro, mas as suas colocações sobre dar valor nos pequenos momentos e nas pessoas que nos são queridas enquanto estão aqui me tocou profundamente, pois é, também para mim, um tema muito perto da minha realidade.
Beijos!
Gatita&Cia.

Rayanni kellsin Says:
20 fevereiro, 2017

Olá, adorei a resenha, está me dando até vontade de ler Sandman, mesmo não gostando da escrita do autor.
Não sou muito fã de HQ'S, mas acho que é porque nunca li algum que me prendesse sabe, se puder me dar algumas dicas.
Um beijo.

Déborah Says:
20 fevereiro, 2017

Val, infelizmente nunca li nada da Morte, mas sempre gostei muito dela e suas aparições em Sandman sempre são maravilhosas.
É incrível como precisamos de uma sacudida de vez em quando para entender a brevidade das coisas.
Amei o post!

Gleyse Vieira Says:
20 fevereiro, 2017

Oi Val, adorei saber mais sobre a Morte e suas histórias, gostei dos personagens e fiquei bem impressionada com a qualidade das imagens. Louca para ler. Bjs

Amanda Caldas Says:
20 fevereiro, 2017

Hey, tudo bem?

Primeiro preciso comentar do desenho, os personagens parecem super bem desenhados e únicos. Segundo, adorei o fato de não sermos colocados cara a cara com uma morte sombria, e sim com uma jovem, isso me fez pensar que, talvez, até nos momentos de escuridão há luz (acho que deu para entender), vou pesquisar mais sobre a história e adiciona-la na minha lista de futuras aquisições.

Sucesso.

Fabrica dos Convites Says:
20 fevereiro, 2017

Oi Maria, interessante a forma como a morte foi retirada. Sai a caveira sombria e entra uma garota gótica...
Realmente dar mais valor a cada minuto de nossa vida é importante. Pena que só percebemos isso quando perdemos alguém, estamos doente ou coisas do gênero.
Bjs

Aline Belloni Says:
21 fevereiro, 2017

Toda vez que venho aqui, você traz uma resenha de um livro ou HQ - o que for - de algo interessante. Eu não conhecia nem um e nem outro, ou melhor... nem Sonho e nem a Morte. Mas já gostei da história que Didi carrega.
Vou ver se encontro para comprar. Beijos

Jéssica Melo Says:
22 fevereiro, 2017

Olá Maria, eu morro de vontade de ler as HQ da série principal e depois da sua resenha já acrescentei este também para minha listinha de leituras, gosto de quando ler uma série não trás spoilers ou atrapalha ler a outra. Dica anotada.

Meu Mundo, Meu Estilo

Livros da Beta Says:
25 fevereiro, 2017

Olá! Não tenho o costume de ler HQ, mas estou adorando conhecer um pouco mais sobre eles. A vontade de embarcar nessas leituras só aumenta!

Bjs
www.livrosdabeta.blogspot.com.br

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