Crítica e Tradução, um dos legados importantes deixados por Ana Cristina Cesar...

| 22 fevereiro 2017 | |
Ana Cristina César, homenageada ano passado na Feira de Paraty, marcou toda uma geração na poesia brasileira. Era formada em Letras (Português-Literatura) pela PUC do Rio de Janeiro. Desde criança teve contato com as letras, recitando poesias para a mãe, antes mesmo de saber ler ou escrever...

Além da poesia, Ana contribuiu para a literatura através de ensaios, traduções e artigos acadêmicos na área. Seu material foi reunido na obra Crítica e Tradução, publicada ano passado pela Editora Companhia das Letras... 

Com mais de 500 páginas, a obra divide-se em Escritos no Rio, escritos de seu período morando na Inglaterra, cartas e algumas poesias traduzidas por ela... Ana escreveu sobre o cinema brasileiro, o movimento musical político-social dos anos 1960 no Brasil, discorreu sobre o processo de tradução de autores/poetas consagrados e que fazem parte do cânone da literatura mundial. 

"Em Literatura não é documento, resultado do curso de mestrado em Comunicação na UFRJ, concluído em 1979, Ana analisa filmes documentários produzidos no Brasil sobre escritores.Vai desde os projetos político-culturais patrocinados pelo governo do Estado Novo, passando pelos anos de militância da esquerda na década de 1960, até chegar ao governo Geisel. A proposta é encontrar padrões que se repetem e estabelecem, nas palavras dela, uma "determinada visão de literatura."."

A edição ainda conta em seu fim com uma cronologia sobre a vida de Ana C., abreviada tristemente por ela mesma no ano de 1983...

Katherine Mansfield foi inspiração na obra de Ana C., e ela chegou a traduzir seu poema Bliss. Crítica e Tradução trata-se de uma leitura densa, que sorvi aos poucos ao longo de algumas semanas, a fim de compreender a escrita de Ana. Muito de sua obra pessoal é fruto de um espelhamento nas obras que estudou e analisou por anos...

Fez críticas sobre a literatura feminina, trouxe um estudo minucioso do processo de tradução, que vai desde a utilização de palavras para compor os versos respeitando as entonações e musicalidade dos textos à pesquisas realizadas durante seu mestrado na UFRJ. Há também alguns trabalhos póstumos inseridos no livro, como ensaios que foram publicados pela imprensa ente a década de 1970 e 1980. 

A tradução do conto Bliss, de Mansfield, lhe rendeu o título de Master of Arts, na Universidade de Essex, na Inglaterra. Sylvia Plath, Emily Dickinson e Walt Whitman são citados e referenciados ao longo do livro, além de outros autores não menos importantes...

Crítica e Tradução é mais voltado para o público admirador de Cinema, literatura e tradução no Brasil, mas também pode ser apreciado pelo leitor que deseja conhecer mais da figura poética de Ana Cristina Cesar...

20 Comentários:

Meu cantinho literário Says:
23 fevereiro, 2017

Olá!
Adorei a dica, pois amo poesia e acho que nunca tinha visto nada dessa autora que você citou. Achei bastante interessante conhecê-la e vou procurar este livro para ler
Adorei!
Beijo
Cássia Pires..

Angélica Lima Says:
23 fevereiro, 2017

Oi, tudo bem?
Pra falar a verdade nem sabia que era Ana Cristina, gostei de saber um pouco sobre ela mas não leria o livro não.
Bjs

Marcia Lopes Says:
23 fevereiro, 2017

Olá! Eu gosto tanto de poesias, mas vc acredita que não conhecia Ana Cristina? Vou procurar algo dela pra ler! Valeu!
Bjs

Carla A. Says:
23 fevereiro, 2017

Oi, Maria Valéria!
Uma autora com uma obra super rica e eu sequer tinha ouvido falar a respeito. Não sei se leria o livro, mas gostei de saber sobre a Ana Cristina através da sua resenha.

Beijos, Entre Aspas

Cia do Leitor Says:
24 fevereiro, 2017

Ola!
Amore, dessa vez eu deixo passar. Não curto muito o gênero. Mas, pelo que entendi a autora é muito aclamada por suas poesias e essa obra parece ser muito incrível, pelo ao menos foi essa impressão que você me passou numa resenha tão empolgante e bem escrita.
Parabéns
Abs
Ni
Cia doLeitor

Wesley Italo Says:
24 fevereiro, 2017

Percebe-se claramente o quanto esse legado foi importante para nossa literatura. Não a conhecia, e provavelmente irei estudar sobre ela na universidade já que curso Letras Português, e achei essa obra incrível apesar de não ser algo que eu costume ler. Beijos do Wes ^^

Cidália Maria Milani Says:
24 fevereiro, 2017

Uma homenagem merecida, certamente! É uma lástima que eu ainda não tenha lido nenhuma poesia dessa autora. Através do seu texto pude conhecê-la um pouco, obrigada!
Beijo,
Cidália.

Bruna Verastegui Says:
24 fevereiro, 2017

Adoro Ana Cristina César, tanto como leitora, quanto estudante de Letras também ♥ Gostei muito desse livro, como você disse, é uma boa oportunidade para conhecer mais da autora!
Beijos
http://encontrosliterarioslivros.blogspot.com.br/

Lilian Farias Says:
25 fevereiro, 2017

Val, pra mim, a ideia desse livro é uma obra-prima, eu achei sensacional, apesar de considerar que não seja uma leitura rápida, você sabe como sou apreciadora da autora, essa, certamente, é uma obra que necessito em minha estante. Ana era marginal até do marginal de sua época, ela não seguia nem os padrões da época dentro do conceito de marginal, isso é fabulosa.

Bruno Marukesu Says:
25 fevereiro, 2017

Oi, Ana ^^
Desconhecia a existência da Ana e é sempre bom conhecer os tradutores que batalham para trazer um material bom vindo de fora. Vejo muito como ainda um trabalho escondido, que você só encontra o tradutor se dar uma bela pesquisa nas redes sociais.
Acredito que precisamos ter umas discussões a cerca desse tema e trazer os tradutores para a mídia, fazê-los ser tão reconhecidos como são os escritores pois sem eles não conseguiríamos ler os best-sellers de fora.
Fico feliz em ver que a Companhia das Letras teve o cuidado em trazer essa biografia da poetiza/tradutora para o mundo.
Parabéns pelo post e obrigado por me apresentar a Ana Cristina Cesar, Maria. ^^
Bjs

Lu - @justificou Says:
25 fevereiro, 2017

Oi, tudo bem?
Não me canso de adorar o layout deste blog, que lindo! Bom, achei bem válida a sua iniciativa, acredita que eu não conhecia ela? Então desde já parabéns pela postagem! Gosto de poesias e tenho certeza que seria um livro que eu leria! Achei as cores da capa muito legais! Bom, irei deixar essa dica anotada!

Beijos,
Lu - @justificou

Thaísa Tavares Says:
26 fevereiro, 2017

Oie tudo bem? Poxa vida, adorei a proposta do livro e fiquei com muita curiosidade pra ler. Espero que consiga realizar a leitura em breve!

Rayanni kellsin Says:
26 fevereiro, 2017

Olá, tudo bem?
Não conhecia a autora, mas sua obra parece uma ótima dica de leitura e com um rico conteúdo.
Já anotei aqui, um beijo.

Fabrica dos Convites Says:
26 fevereiro, 2017

Eu lembro da homenagem feita em Paraty pela autora, mas confesso que não li nada de sua autoria ainda. Legal que a editora reuniu a obra dela nesta edição, uma boa oportunidade de conhecer o seu trabalho.
Bjs

Garotos Perdidos Says:
26 fevereiro, 2017

Oi Maria,
Não conhecia o trabalho da autora. Infelizmente, o livro não faz muito meu estilo. Compreendo a importância do livro, e acredito que deve ser lido por todos que curtem poesia e estudantes de letras, jornalismo e cinema.
Beijos, André
Garotos Perdidos

Catharina M. Says:
27 fevereiro, 2017

Oie
ainda não conheci o trabalho da autora mas já ouvi falar muito bem e rola uma curiosidade, quem sabe eu não arrisque, não é um gênero que eu esteja adaptada mas parece que vale a pena arriscar

beijos
http://realityofbooks.blogspot.com.br/

Paac Rodrigues Says:
28 fevereiro, 2017

Essa obra parece mega boa, mas tem cara de que é uma obra difícil de ler, gostei de conhecer a autora, pois nao conhecia, e meso achando o livro curioso nao leria =/

carool santos. Says:
28 fevereiro, 2017

Olá, tudo bem? Nossa sempre tive curiosidade sobre ler o processo de tradução e gostei de saber que aqui temos isso. Fora a questão da crítica feminina. Fiquei bem curiosa!
Dica anotada :D
Beijos,
http://diariasleituras.blogspot.com.br

Liziane Goulart Says:
03 março, 2017

Oi!
Eu não conhecia essa autora e imagino que seja porque não sou muito ligada em poesia, foi muito bom conhecer um pouco dela aqui e confesso que fiquei curiosa com relação ao livro lançado pela Companhia das Letras.
Beijão!

Amanda Marques Says:
10 março, 2017

Oi Maria, tudo bem?

Não conhecia a obra nem a Autora, por ser um gênero que não tenho um hábito literário. Gostei muito de ler seu posicionamento a respeito da obra.

Vou anotar a dica para uma eventual oportunidade! Abraços (:

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De Bukowski a Dostoievski. Ana Cristina César a Lilian Farias. Deleite-se com a poesia de Florbela Espanca e o erotismo de Anaïs Nin...
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