Belas Maldições, por Pratchett e Gaiman

| 18 outubro 2017 | 0 Comentários |
Publicado recentemente pela Bertrand Brasil, Belas Maldições é uma obra escrita a quatro mãos por dois consagrados autores de ficção inglesa de teor Fantástico: o falecido Terry Pratchett, criador da série Discworld e Neil Gaiman, criador da série de quadrinhos Sandman.


As justas e precisas profecias de Agnes Nutter foi o único livro de profecias escrito no ano de 1655 que afirma que o mundo vai acabar num belo dia de sábado. Os exércitos do Bem e do Mal, de acordo com o Plano Divino estão se organizando a fim de levar a profecia à cabo. Porém, o anjo Aziraphale e o demônio Crowley estão tentando protelar o Armagedom pelo simples fato de terem se apegado à vida mundana. O problema é que eles acabaram perdendo de vista a Criança que segundo o Livro do Apocalipse, é o Anticristo...

Aziraphale é um anjo vendedor de livros, seu 'parceiro' Crowley foi a serpente que tentou Eva no Éden. A criança que eles passaram anos observando para que não manifeste seu poder maligno não é o Anticristo devido a uma troca com outro bebê na hora do parto, e o Anticristo anda perdido e as duas entidades precisam se virar para encontrá-lo. Em contrapartida, os cavaleiros do Apocalipse estão rumando pelo mundo cumprindo seus deveres, e a bagunça só aumenta porque há uma garota que perdeu seu livro de profecias e ele acaba caindo nas mãos da dupla Azira/Crowley... 

Misturando o bom e velho humor inglês com personagens hilários temos uma ficção bem construída e que carrega algumas referências à cultura pop. A narrativa se dá ora pelo ponto de vista de um personagem, ora de outro e mais outro, que têm suma importância no devido momento ao longo da história. 

A leitura flui leve para aqueles já familiarizados com as tiradas de humor e sarcasmo da dupla de escritores mas pode soar cansativa para aqueles que nunca se atreveram a encarar suas obras. Contudo, é uma leitura válida que promete horas generosas de risos por suas piadas bizarras. 

Julio Verne em quadrinhos

| 17 outubro 2017 | 8 Comentários |
Recentemente fiz a leitura de um quadrinho encontrado por acaso no sebo que frequento e se tratando de adaptações de obras de Júlio Verne, não poderia deixar de comentar a respeito por aqui... As viagens fantásticas de Júlio Verne em quadrinhos foi publicado pela Editora Vecchi quando nossa moeda nacional ainda era o cruzeiro [adoro essas raridades que um sebo me proporciona]. 

A primeira história adaptada é Viagem ao centro da terra, obra que li na versão original e me frustrei com seu desfecho. Contudo, o desenvolvimento da narrativa se dá de maneira a deixar o leitor absorto por várias horas e o quadrinho faz jus ao livro... Ninguém jamais foi ao centro do planeta e três homens decidem mudar esse fato embarcando numa viagem as profundezas de uma montanha a fim de chegarem ao núcleo da Terra...


O segundo livro adaptado é Viagem à lua, e como não fiz a leitura da obra original ainda, não sei afirmar se em formato quadrinhos ficou além ou aquém, mas de qualquer maneira eu gostei de como a história foi conduzida. Viagem à lua tem a peculiaridade de ter sido escrita há mais de um século sobre uma viagem espacial, sonho ainda distante da humanidade que só realizaria esse feito décadas depois da história narrada por Verne. 

Finalizando o quadrinho, Vinte mil léguas submarinas é o último livro que ganhou adaptação nessa HQ, desenhada por Edmundo Rodrigues. Mais uma vez, três homens audaciosos se encontram prisioneiros do Capitão Nemo, a bordo de seu submarino Náutilus e passam a vivenciar experiências nunca antes experimentadas por eles nas profundezas do oceano, sob a vigia constante dos tripulantes do submarino, e comandado pelo grande capitão dos mares, como Nemo é conhecido... 

Julio Verne foi um escritor francês nascido em 1828, e considerado um dos maiores ficcionistas de seu tempo, tendo deixado para o mundo da literatura universal uma contribuição de mais de cem aventuras ambientadas em diversos lugares, e com personagens que possuem como principal característica o destemor pelo desconhecido. Suas obras possuem humor, certo caráter didático mas que não perdem em medida para o inimaginável das situações. Possui uma escrita fluida e é considerado o pai do gênero ficção científica. Lido por jovens, adultos e idosos, não existe uma limitação de faixa etária para seus leitores. Qualquer indivíduo que aprecie aventuras e Sci-fi certamente vai encontrar em várias das obras de Julio Verne entretenimento garantido e de qualidade...

Vale muito a pena adquirir um exemplar, caso a sorte de um 'garimpo' nos sebos te dê a chance de topar com esse título entre suas pilhas de livros...

╬†... 13 dicas de quadrinhos para se ler numa Sexta-feira 13... ╬†

| 13 outubro 2017 | 14 Comentários |
Que delícia comemorar o Halloween em outubro e ainda de quebra ganhar uma sexta-feira 13 no mês, a única sexta 13 de 2017. Pensando em trazer um post bacana pro blog, resolvi listar 13 dicas de quadrinhos de horror pra você que pretende se aventurar em alguma leitura rápida e não tem ideia de por onde começar... Algumas eu já resenhei aqui no blog e deixo os links disponíveis ao longo da postagem. Outras futuramente serão mais detalhadas por aqui... De mangás a comics, tentei ser bem eclética, a fim de agradar a gregos e troianos. Vamos lá?


Abaixo do metrô de Tóquio pulsa uma força sombria e assustadora, um lapso entre o mundo dos vivos e dos mortos, e Seiya é um espécie de guia entre os dois lugares. Jovens de várias idades acabam caindo nas garras de espíritos vingativos que terminaram suas vidas de  maneira violenta e que não querem sofrer a condenação eterna sozinhas, levando quem estiver ao alcance de seus 'trilhos'. Dark Metro é um mangá publicado em três volumes aqui no Brasil, de autoria de Tokyo Calen e Yoshiken, pela editora NewPop

Panorama do Inferno é o volume único publicado pela Conrad Editora e fala sobre um pintor obcecado pelo inferno e seduzido pelo cheiro do sangue. De autoria do mangaká Hideshi Hino, tem um quê de autobiográfico e um traço perturbador. 

Mais um mangá da editora New Pop, Suicide Club também se trata de um volume único de autoria de Usamaru Furuya. 54 garotas se jogam na linha do metrô, deixando o público estarrecido com o acontecimento. Pouco tempo depois, várias mortes começam a ocorrer envolvendo estudantes de outras escolas no país inteiro. Uma equipe de detetives corre contra o tempo para impedir que o fenômeno se repita e mais mortes aconteçam... 


Ringu, ou O chamado - como é conhecido aqui no ocidente é um mangá de dois volumes, de Misao Inagaki, e retrata os acontecimentos da franquia de filmes na versão japonesa. Uma fita misteriosa assistida por alguns curiosos é a causa das mortes de tais pessoas sete dias depois de terem assistido. A garota que aparece para assombrar as vítimas ao longo dos sete dias é um espírito atormentado em busca de vingança... 

Ainda na linha de mangás de horror temos Manga of the dead, uma coletânea de mini histórias na temática de zumbis. As histórias variam do terror ao drama e são assinadas por artistas japoneses, em contos curtos e ricamente ilustrados, mostrando o que os orientais tem de excelente quando se trata de tramas com zumbis. 


Para suavizar um pouco, temos O estranho mundo de Jack, uma adaptação do filme de Tim Burton que traz o pitoresco Jack Skellington causando confusão no natal, por já estar entediado da festa de Halloween. Trata-se de uma versão do filme em formato mangá, sem grandes mudanças no roteiro. História e arte assinadas por Jun Asuka, o quadrinho é uma publicação da Editora Abril...

Voltando à temática mais pesada, apresento o quadrinho Aokigahara, dos brasileiros André Turtelli Poles e Renato Quirino. Ganhei essa HQ no All Hallow's Read do ano passado, numa promoção feita pela Raquel do Pipoca Musical. Aokigahara é uma famosa floresta no Japão conhecida pelo alto número de pessoas que vão até lá para se suicidar. Há rumores que as almas desses suicidas permanecem na floresta, atormentando os visitantes, induzindo-os à morte. 



Neonomicon é um quadrinho de Alan Moore e faz referência ao universo de H.P. Lovecraft. Assassinatos ocorrem na cidade e o FBI começa a investigar, mas existem coincidências muito estranhas nas mortes. Um especialista na Teoria da Anomalia adentra num clube que parece abrigar uma seita suspeita que pode ter relação com os crimes. Dois investigadores acabam se deparando com o horror do sobrenatural no caso, levando suas sanidades ao limite da loucura...





O cão de caça e outras histórias também é uma espécie de homenagem a Lovecraft. Trata-se de um mangá com três histórias baseadas em três contos do escritor, adaptados por Gou Tanabe e publicado pela JBC editora. Os contos são O templo, O cão de caça e A cidade sem nome.

Domínio Público é uma obra nacional que traz histórias em quadrinhos adaptadas de autores clássicos como Bram Stoker, Guy de Maupassant, Esopo e Isaac Babel. Os traços são bem distintos e possuem uma carga perturbadora e envolvente que seduzem o leitor. 

A editora D-Arte possui algumas publicações no gênero Terror e eu possuo dois quadrinhos, intitulados Calafrio e Mestres do Terror apresenta: Drácula. Tratam-se de adaptações de contos clássicos, como A dama do véu negro, de Charles Dickens e histórias envolvendo vampiros. São publicações antigas, e certamente podem ser encontradas em sebos. Tem um quê de noir nas ilustrações e foram bem populares na época de lançadas... 


Por último e não menos importante, A queda da Casa de Usher é a adaptação do conto homônimo de Edgar Allan Poe, que pertence a coleção Classics Illustrated da Abril Jovem. O roteiro adaptado é de P. Craig Russel e Jay Geldhof. Acredito que vai agradar aos leitores que preferem leituras mais arrojadas...


Então é isso. Espero que tenham gostado e encontrem alguma dessas dicas por aí. Considerem o post uma première da Semana Especial de Halloween que farei no final do mês... hehehe... 

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Caixa de Correio Setembro/2017

| 07 outubro 2017 | 13 Comentários |
As compras que fiz pela internet me custaram um aperto nas contas do mês mas valeram a pena. Comprei a edição de Henry Miller no AmazonDay porque estava com frete grátis, me custou uns doze reais... Comprei alguns títulos de Charles Bukowski porque nunca é demais ter esse homem na estante... Aos poucos vou adquirindo tudo que for lançado dele aqui no Brasil... Por fim consegui uma bela promoção e encomendei a edição encadernada de Morte, de Neil Gaiman. A minha alegria ao ver o pacote ninguém tem noção. HAHAHA


Pelos correios ainda recebi de presente/cortesia uma cartinha de minha amiga Mara Vanessa, com vários panfletos de exposições que ela visitou no Rio de Janeiro e enviou pra mim. É sempre com muito carinho que ela me manda mimos vezemquando... Antônio, meu amigo que mora em Rondônia, também fez uma pequena surpresa me enviando a edição de Livros de marcar livros, junto com alguns marcadores, e Lili [amiga-minha-irmã e autora parceira] me enviou as cortesias da Editora Rocco que logo serão resenhados no Poesia na Alma e por aqui. Ainda ganhei Fundação como presente...


As comprinhas básicas do mês se resumiram em dois garage kits de One Piece da coleção Salvat, Cem anos de solidão comprado no sebo do meu amigo Dedê e durante minha visita na exposição do Museu Forte das Cinco Pontas em Recife, acabei comprando na loja de lá um exemplar do livro Nos caminhos do Ferro, junto com uma ecobag e  uma camisa da Revolução Republicana, em comemoração ao segundo centenário da mesma... 



Consegui trocar alguns livros no sebo por livros e quadrinhos... Algumas edições de Conan e mangás, aos poucos vou completando minhas coleções...


Dentre os livros que consegui nessas trocas, estão vários títulos que há tempos venho procurando, e veio Isabel Allende, Luigi Pirandello, Françoise Sagan e Heitor Cony, além de Ferreira Gullar e Augusto dos Anjos. Ainda veio Roberto Freire, literatura francesa e russa, brasileira e mais um mangá [Video Girl Ai]. Lembrando que a cada sábado eu visito o sebo, e não trago tudo isso num dia só... 



Ainda nesse garimpo adquiri mais uma obra de J.R. R.Tolkien e um exemplar de O sertanejo, de José de Alencar. 


Ganhei do meu amigo Ireno um livro de poesias de uma amiga dele, intitulado Aprendiz de Poeta. A autora se chama Eliane Trindade. Já dei uma lida e adorei o que vi nele...

 

Mais alguns livros acrescentados ao meu acervo, com muito amor foram os títulos O bom médico, Juventude em êxtase [me atraí pela capa] e As bruxas de Eastwick, que há tempos eu queria ler pois lembro pouca coisa do filme que assisti na infância... 


Trouxe alguns por indicação de Ireno: O livro secreto de Dante, Antologia poética de Lêdo Ivo
A marca do zorro e Dona Sinhá e o filho padre. O Esboço para uma teoria das emoções, de Sartre,  veio de brinde, eu já tinha lido um tempo atrás mas vou reler pra trazer ao blog as impressões que tive dele...






Bem, resumindo: a caixa de correio lotada. [novidade... hahaha] Quais vocês desejam ver resenhados por aqui? Me contem nos comentários, adoro o feedback de vocês. Beijos, até a próxima... ^.~



Poemas escolhidos - Ferreira Gullar

| 06 outubro 2017 | 9 Comentários |
"Tão todo nele me perco
que de mim se arrebentam
as raízes do mundo;
tamanha
a violência de seu corpo contra
o meu,
que a sua neutra existência
se quebra:
e os pétreos olhos
se acendem;"

Organizado por Walmir Ayala e publicado pela Editora Nova Fronteira, Poemas escolhidos -Ferreira Gullar compila alguns dos melhores escritos do escritor maranhense. Seus textos trazem interessantes críticas político-sociais, com fervor característico de sua personalidade impregnando suas obras...


Ferreira Gullar foi exilado devido as suas convicções políticas e luta pela liberdade de expressão, chegando a viver na União Soviética por muitos anos. Já no fim de seus dias, sua ideologia sofreu uma transformação, certamente desiludido com fatos históricos que presenciou... 

"É que tenho vivido, e por isso quanta distância entre nós."

Poemas escolhidos possui uma cronologia sobre o autor, versos retirados de O vil metal, A luta corporal e Dentro da noite veloz, este último um de seus mais conhecidos livros. Gullar critica a desigualdade, fome e exploração do trabalho - O rico que muito tem, o pobre que tudo produz e tudo padece. 

"Quem é que rouba a essa homem
o cereal que ele planta,
quem come o arroz que ele colhe
se ele o colhe e não janta."

Sua escrita é pungente, seca, direta, sem preâmbulos. Foi um dos fundadores do gênero neoconcretista na poesia, movimento que se opunha ao concretismo ortodoxo, mostrando que a arte tinha sentimento, leveza e ia além do geometrismo, da ordem. 

Gullar é detentor de versos que transitam entre o sujo e o cristalino, lírica refinada e incorruptível, que incomoda e transcende. 


"O sexo da menina aberto ao verão recendendo como os cajus o inigualável sol da indecência."




Wishlist Bienal Pernambuco 2017

| 03 outubro 2017 | 12 Comentários |


E cá estou escrevendo mais uma lista desejada para adquirir na Bienal do Livro - PE que vai ocorrer entre os dias 06 e 15 de outubro de 2017. Estou na contagem regressiva e espero encontrar muitos títulos legais e com preços em conta, tanto pra mim quanto para presentear alguns amigos...

Aproveitando uma repescagem de listas anteriores, espero conseguir trazer pra casa esse ano... Lista de quadrinhos [consegui diminuir em seis a quantidade deles por ter adquirido e riscado alguns da antiga lista]:


  • Daytripper
  • Valsa com Bashir
  • O Clic volumes 3 e 4
  • Bórgia
  • Watchmen
  • Gen - Pés descalços
  • Scott Pilgrim
  • 300
  • Mutts
  • Asterix [qualquer volume que ainda não tenho]

Alguns livros sobre Cinema, Arte, Biografias e da minha área acadêmica [História]... Clássicos da literatura brasileira e mundial, livros de contos brasileiros e de autores latinos... 


Dessa vez vou deixar a lista mais em 'aberto' devido a dificuldade de encontrar um exemplar em específico. Então resolvi me concentrar em gêneros e/ou nacionalidades... Acredito que a busca nos dois dias que me programei pra visitar o evento seja mais produtiva dessa forma... E vocês, ansiosos pela Bienal? 


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...suave rotina...

| 02 outubro 2017 | 14 Comentários |
Me aproximo daquele banco todos os dias, naquela mesma hora da manhã, e ele já está a minha espera, gentil, cavalheiro, com seu gorro acinzentado e gasto já tão familiar para mim e que me faz estremecer ao avistá-lo. Ele dá de comer aos pombos, interrompe o processo para se erguer do banco e me tomar pela mão. Deposita seus lábios suaves em minha pele, logo acima dos dedos, perto do pulso... Sorri para mim, com a boca e com os olhos, verdes e brilhantes... E eu me desmancho... Enternecida em seu carinho, me desmancho... e tem sido assim o desabrochar de meus dias, todas as manhãs, desde que o conheci...

Personagens idosos na literatura

| 01 outubro 2017 | 15 Comentários |
No dia 01 de outubro comemora-se o dia do Idoso. E pensando numa ideia de postagem para não deixar a data passar em branco, resolvi trazer alguns personagens idosos retratados na literatura... Então, confiram a listinha que preparei e espero que conheçam algum[ns] deles...


Miss Marple - personagem famosa de vários títulos de Agatha Christie, como Um corpo na biblioteca, A maldição do espelho, O caso do hotel Bertram e A testemunha ocular do crime. Trata-se de uma velhinha simpática que foge [um pouco] do esterótipo de velhinha que faz tricô e crochê e que na verdade age como detetive amadora nas horas vagas - leia-se estando no lugar certo na hora exata em que se investiga um crime. - Muitas vezes tida como inconveniente, muitos não lhe dão bola até o que ela afirma começar a fazer sentido nas cenas de assassinato... 


Jacob Jankowski - o idoso que narra a história de amor vivida na juventude na época em que trabalhou em um circo itinerante no livro Água para elefantes, de Sara Gruen. Jacob revolve suas memórias de setenta anos atrás e faz o leitor se emocionar com sua trajetória difícil, de quando perdeu seus pais e se viu órfão, sem dinheiro e nenhuma expectativa futura. Até que embarca no Esquadrão Voador do Circo Irmãos Benzini e passa altos apuros com o empresário tirano do circo e o marido da mulher que lhe rouba o coração... 


Vladek Spiegelman - Sua vida é contada através de seu filho Art, que publicou em formato quadrinhos os horrores que seu pai passou durante a Segunda Guerra Mundial na HQ Maus, um relato de guerra surpreendente e visceral, com personagens personificados em animais, sendo gatos  os nazistas, ratos os judeus e porcos os poloneses. Aproveitando os lapsos de memória de Vladek, Art Spiegelman desenvolveu o enredo fazendo o mundo conhecer a história de seu pai. 


Benjamin Button - Trata-se do protagonista de um curto livro escrito por F. Scott Fitzgerald intitulado O curioso Caso de Benjamin Button. Um homem que - para espanto da sociedade - nasce idoso e a medida que o tempo passa vai rejuvenescendo até chegar à condição de bebê. Tem uma adaptação para o cinema em que Brad Pitt encarna o personagem. História que levanta muitas reflexões... 


Finalizando resolvi escolher o casal protagonista da obra Enquanto a noite não chega, do escritor gaúcho Josué Guimarães. A cidade abandonada onde o casal vive tem apenas eles, Dona Conceição e Seu Eleutério e o coveiro do local, seu Teodoro, que espera pela morte de ambos com duas covas abertas, a fim de concluir seu serviço na cidade e sair dali. Mas algo peculiar acontece mudando suas expectativas... 


Essa data foi escolhida devido à promulgação do Estatuto do Idoso, no ano de 2003. É importante salientar os cuidados que devemos ter com nossos idosos, além do respeito por pessoas que nos anos de sua juventude cuidaram de tanta gente, incluindo a nós mesmos... E um dia, quem sabe - também chegaremos nessa fase da vida... 

Espero que tenham gostado da postagem... Beijos e até a próxima... ^.~ 



Miguel de Cervantes na cultura pop

| 29 setembro 2017 | 20 Comentários |

Provavelmente nessa data em que vos escrevo, no ano de 1547 nascia em Alcalá de Henares o romancista, poeta e dramaturgo Miguel de Cervantes Saavedra, um dos nomes mais importantes da literatura clássica ocidental. Don Quijote de la Mancha é considerada sua obra-prima, traduzido em diversos países e referenciado em diversas manifestações artísticas que vão de pinturas a cordéis e letras de música...

minha edição espanhola, comemorativa do IV centenário da obra

Como uma forma de prestar-lhe homenagem, resolvi reunir nesse post algumas dessas referências à figura do Cavaleiro da triste figura, como também é conhecido o protagonista da mais famosa história surgida na Espanha, baseada em novelas de cavalaria que eram comuns na época em que foi publicado a primeira vez em 1605... 

adaptação em quadrinhos


Humberto Gessinger da banda Engenheiros do Hawaii traz uma canção intitulada Dom Quixote, em que faz clara alusão ao personagem, com uma letra que fala de luta por ideais, inspirada na figura de Don Quijote, um cavaleiro que almejava ser como os heróis das novelas de cavalaria que ele mesmo lia, e sai pelo mundo lutando com moinhos de vento achando se tratar de dragões, querendo salvar uma donzela que sequer sabia de sua existência, com uma visão sonhadora de seu 'ao redor'...



Dom Quixote

Muito prazer, meu nome é otário
Vindo de outros tempos, mas sempre no horário
Peixe fora d'água, borboletas no aquário
Muito prazer, meu nome é otário
Na ponta dos cascos e fora do páreo
Puro sangue, puxando carroça

Um prazer cada vez mais raro
Aerodinâmica num tanque de guerra
Vaidades que a terra um dia há de comer
Ás de Espadas fora do baralho
Grandes negócios, pequeno empresário
Muito prazer, me chamam de otário

Por amor às causas perdidas
Tudo bem, até pode ser
Que os dragões sejam moinhos de vento
Tudo bem, seja o que for
Seja por amor às causas perdidas

Por amor às causas perdidas
Tudo bem, até pode ser
Que os dragões sejam moinhos de vento
Muito prazer, ao seu dispor
Se for por amor às causas perdidas
Por amor às causas perdidas


A letra é bem politizada e traz uma crítica às sociedades utópicas, apresentando um teor pessimista e sombrio da real condição de desigualdade de classes. Seria o 'amor as causas perdidas' em um dos trechos da canção... Dom Quixote seria o símbolo das causas perdidas, das revoluções de um sonhador, que almeja consertar o mundo mas não é levado à sério pelas pessoas com quem convive. A figura de Sancho Pança é a tentativa de fazer com que o cavaleiro enxergue a realidade e suas reais condições de transformar o mundo...
Além de Engenheiros do Hawaii, a banda inglesa Coldplay presta homenagens ao livro na música Spanish Rain. 




Então deixamos La Mancha
Em direção às planícies mais altas
Eu e Sancho Pança

Procurando por aventuras
Rocinante nas rédeas
Para a resposta dos moinhos de vento

Você nunca vai estar sozinho
Você não vai estar sozinho nunca mais
Você nunca vai estar sozinho
Você nunca vai estar sozinho novamente

Ouvi dizer que você nunca se molhou na chuva Espanhola
Então eles mandaram o médico, para examinar meu cérebro
Disse que ele não é tão claro

Oh quando o mundo,
quando o mundo parece apenas, um pouco cruel demais
Vamos deixá-lo melhor
Faça o melhor

Então avise aquela princesa
Avise aquela princesa que desce do trem
Avise aquela princesa
Ela nunca estará sozinha novamente

Ouvi dizer que você nunca se molhou na chuva espanhola
Ooh, ooh
Ouvi dizer que você nunca se molhou na chuva espanhola

Ouvi dizer que você nunca se molhou na chuva espanhola
Woo ooh, Wooh ooh
Ouvi dizer que você nunca se molhou na chuva espanhola

Escritores como Voltaire e Jorge Luiz Borges se diziam identificar em parte com a natureza quixotesca -  este último, inclusive, fez um poema em homenagem ao personagem. O homem de la Mancha foi um musical baseado na obra estreado em 1966. Houve também uma versão brasileira desse musical, tendo Paulo Autran encarnando a figura do cavaleiro. 


Na literatura, Monteiro Lobato prestou sua homenagem com a obra Dom Quixote das crianças, uma adaptação de 1936 ambientada no Sítio do Pica-pau amarelo. Folhetos de cordel foram impressos no Brasil fazendo alusão às novelas de cavalaria inspiradas claramente na obra de Cervantes. Em 1935 foi lançada uma versão dela por J. Borges, famoso cordelista pernambucano. Na história, Dulcinéa é Maria Bonita, e Quijote luta contra os famosos cangaceiros, que permeiam até hoje a cultura do sertão nordestino. Gregório de Matos tem um poema em que cita o personagem, assim como Machado de Assis que o referencia em Memórias póstumas de Brás Cubas


José de Alencar faz alusão ao autor Cervantes em Minas de Prata, assim como José Lins do Rego em Fogo Morto, em que o personagem Vitorino, capitão, possui um cavalo que lembra Rocinante e o capitão se envolve em aventuras que em muito lembram Don Quijote. 
  
Na arte, Salvador Dalí e Pablo Picasso pintaram o lunático fidalgo.
Don Quixote por Pablo Picasso

Salvador Dalí

Entre as duas partes de Don Quijote Miguel de Cervantes escreveu Novelas Exemplares, composto de doze curtas novelas, bastante apreciadas pelo público da época. No teatro, a única peça trágica que sobreviveu aos tempos foi O cerco de Numancia, mostrando o povo ibero resistindo à ocupação romana na cidade.

minha edição lindinha da Abril em capa dura


Em 1616, um ano após a publicação da segunda parte de sua obra-prima, vem a falecer em Madrid, a 22 de abril. É inegável a contribuição de Cervantes à literatura espanhola e mundial. Até os que nunca leram a obra na íntegra conhecem a trama e os personagens, tal sua fama na cultura pop/literária. 

estatueta que ganhei de meu querido amigo Ireno esse ano

12 Meses de Poe [Poema] - Um sonho dentro de um sonho (a dream within a dream)

| 26 setembro 2017 | 12 Comentários |
"Tome este beijo sobre tua fronte!
E, apartando-me de ti agora,
Permita-me confessar -
Não erras, ao supor
Que meus dias têm sido um sonho;
Ainda se a esperança esvaiu-se
Numa noite, ou num dia,
Numa visão, ou em nenhuma,
Tudo aquilo que vemos ou nos parece
Nada mais é do que um sonho dentro de um sonho.

Permaneço em meio ao bramido
Da costa atormentada pelas ondas,
E seguro em minha mão
Grãos dourados de areia -
Quão poucos! e contudo como arrepiam
Por entre meus dedos às profundezas,
Enquanto choro - enquanto choro!
Oh Deus! não posso eu segurá-los
De punho mais firme?
Oh Deus! não posso salvar
Um único da onda impiedosa?
Tudo aquilo que vemos ou nos parece
Nada mais é do que um sonho dentro de um sonho."

Cartas de amor de Fernando Pessoa

| 17 setembro 2017 | 8 Comentários |
"Quem me dera ter a certeza de tu teres saudades de mim a valer. Ao menos isso era uma consolação..."

Organizado por Walmir Ayala, Cartas de amor - Fernando Pessoa é um compilado de cartas escritas pelo poeta dirigidas à pessoa de Ophélia Queiroz, que ele conheceu no dia em que ela apresentou-se na firma onde Pessoa trabalhava como colaborador na redação de correspondência.


A jovem deve ter causado um impacto profundo no poeta, ativando sua veia poética-apaixonada e o resultado disso se vê nessa edição publicada pela Editora Nova Fronteira. Alternando o cotidiano com o mistério, Pessoa revelava-se a cada linha escrita como um homem enamorado, não só por Ophélia, mas pela arte em si de colocar nas cartas seus mais variados pensamentos e emoções...

"O que te aconteceu, amor, além de estarmos separados? Houve qualquer coisa pior que te acontecesse? Por que falas num tom tão desesperado do meu amor, como que duvidando dele, quando não tens para isso razão nenhuma?"

As cartas seguem em ordem cronológica datadas de 01 de março de 1920 até 09 de outubro de 1929. A obra ainda possui uma cronologia do autor e um texto introdutório do organizador Walmir Ayala. Trata-se de uma leitura curta, rápida e que possui certa carga de romantismo e nostalgia. O leitor se sente familiarizado, como se se encontrasse naquelas palavras, ou fosse o destinatário das correspondências... Em suma, Cartas de Amor é uma bela leitura de poucas horas eternizadas em cartas escritas ao longo de quase dez anos...

"Um beijo só durando todo o tempo que ainda o mundo tem que durar, do teu, sempre e muito teu

5.4.1920
Fernando (Nininho)"

[Série] Referências literárias em Quatro Estações em Havana

| | 10 Comentários |
Há algum tempo vinha com a ideia de falar sobre outros assuntos aqui no blog que não fossem necessariamente sobre livros, mas acho meio improvável não tentar assimilar meu amor pela literatura com qualquer temática que seja... Mas decidi expandir um pouco as coisas por aqui, abordando também sobre séries que tenham me agradado... E por que não fazer 'a ponte' com a literatura?


Recentemente assisti Quatro Estações em Havana [Cuatro estaciones en el Habana] por indicação de um querido amigo Trata-se de uma série original da Netflix que estreou ano passado, e só agora tomei conhecimento de sua existência... São apenas 4 capítulos em uma temporada. Os capítulos são baseados na Tetralogia escrita pelo autor cubano Leonardo Padura

Estrelado por Jorge Perugorría, é ambientada numa Cuba do fim dos anos 1980 e traz todo o clima de suspense noir sessentista que permeia a literatura e cinema. A própria Havana ganha ares de personagem, com uma trilha sonora incrível, fotografia belíssima e enredo bem trabalhado, com atuações simples porém cativantes... Jorge vive o personagem Mario Conde, um policial cinquentão que vive desiludido com a vida, ama jazz e mulheres e possui um espírito sarcástico e inquiridor, além de ser aspirante a escritor. 


O primeiro episódio se passa na Primavera e Conde precisa investigar o assassinato de uma professora, estrangulada em seu apartamento. Drogas e tráfico dominam o cenário e em meio a isso ele conhece Karina, uma misteriosa ruiva que toca saxofone e parece virar a cabeça do tenente pelo avesso... O segundo episódio é sobre o desaparecimento de uma figura importante do Ministério da Indústria. Alguém do passado de Conde ressurge, atordoando os sentidos e tornando a investigação mais delicada... 


Na terceira parte da temporada, um jovem travesti é assassinado num parque, e por ele ser filho de um diplomata cubano, há urgência em solucionar o caso... O episódio que fecha a temporada nos traz um assassinato que tem relações com o passado e a Revolução no país...


É possível conhecer um pouco do ambiente da ilha através do cenário e atuações, bem como a cultura cubana e seus problemas sociais. Corrupção, desigualdades, política e afins se mesclam num ambiente que esbanja sexualidade aflorada através dos personagens ali retratados, em meio a fumaça e neblina, miséria, violência e bolero. E um ponto interessante a ser levado em conta  são as referências literárias encontradas ao longo da trama. 

Consegui encontrar referências aos autores J. D. Salinger, que escreveu O apanhador no campo de centeio, Virgílio Piñera, Ernest Hemingway, Yukio Mishima, Stephan Zweig, George Calverte e Cesare Pavese. Exceto Salinger, os demais são escritores/poetas que possuem em comum o fato de terem se suicidado. Essa coincidência tem importante papel no terceiro episódio...

Aproveitando  referências literárias que encontrei ao longo da série, resolvi procurar obras de tais autores a fim de conhecer sua escrita. Hemingway, Salinger e Mishima eu já conheço, quanto aos outros, nunca li nada deles, mas pretendo mudar isso... 



A série não é composta por uma trama mirabolante, mas faz jus ao papel de entreter os aficionados pelo gênero policial/suspense/noir. A atmosfera do ambiente transporta o espectador para os becos escuros e prédios decadentes da capital cubana, ao som de jazz e fumaça de charutos aliados às cenas de sexo do protagonista com suas amantes, e também de seu amigo e parceiro Manolo, com sua esposa Vilma... Mario Conde personifica o anti-herói de meia idade, latino e charmoso, eficiente à sua maneira para desvendar os casos que lhe caem à mesa... Recomendo dispender umas poucas horas de seu dia para apreciar as [des]venturas de Mario Conde pelas ruas de Havana...


Sonetos, de Bocage

| 15 setembro 2017 | 7 Comentários |
Considerado o maior poeta português do século XVIII, Manuel Maria Barbosa du Bocage nasceu em 15 de setembro de 1765, na cidade de Setúbal. Serviu a armada lusitana, foi preso pela Inquisição devido a publicação da obra Pavorosa ilusão da Eternidade, considerada blasfema pela Igreja Católica, e só foi solto porque sua reputação como poeta lhe rendia prestígio na sociedade. 


Muito de sua obra foi publicada postumamente, mas em vida publicou Os idílios marítimos, no ano de 1791 e a trilogia Rimas, de 1971 a 1804. Seus poemas são considerados eróticos com sátiras à igreja, sendo uma figura legendária na poesia obscena e sacrílega. Pertence ao movimento chamado de Segunda Arcádia portuguesa, mas sua ousadia nos versos o faz transcender as convenções do movimento; considerado também um dos precursores do Romantismo.

Ao lado de nomes como Antero de Quental e Luis de Camões, Bocage é um dos grandes representantes da poesia lusitana. Possui sonetos em sua maioria autobiográficos, trazendo o paradoxo entre a elevação moral que desejava e os prazeres mundanos a que sucumbia...

"Razão, de que me serve o teu socorro?
Mandas-me não amar, eu ardo, eu amo;
Dize-mes que sossegue, eu peno, eu morro."

Sonetos é uma publicação da Biblioteca Folha e há alguns anos entrei em contato com os versos de Bocage através dela. Traz um apêndice, notas explicativas e um texto de apresentação sobre a vida do poeta. Os sonetos possuem uma carga de bucolismo e erotismo refinados. Certos tons sombrios e melancólicos podem ser identificados ao longo de toda a obra...

Em suma, Sonetos de Bocage é imprescindível para quem almeja conhecer sua poesia e expressividade. Um libertino incompreendido, ousado para seu tempo e de muitos amores. Enamorado pelas letras, mulheres e de espírito aventureiro...



Valsa nº 6

| 14 setembro 2017 | 7 Comentários |
Enquanto executava ao piano a Valsa nº 6 de Chopin, Sônia, uma jovem de 15 anos é assassinada misteriosamente. Na condição de morta, seus monólogos mesclados a diálogos imaginários tentam remontar o que antecedeu seu último suspiro. A garota revela uma verdadeira trama de assassinato, e alucinações que confundem o leitor entre o mundo real e o imaginário.


Publicado pela Editora Nova Fronteira, essa peça de Nelson Rodrigues foi escrita em 1951 e divide-se em apenas dois atos. No primeiro deles, nos deparamos com uma personagem que está sozinha, morta e que ao reviver os momentos de sua vida, acaba por personificar as pessoas que viviam ao seu redor. Sônia não possui mais identidade, sua memória tenta reconstituir isso...

"Noiva, eu?
(interpela a platéia)
Mas de quem?
(dolorosa)
Digam!
(interroga uma espectadora)
Eu tenho a face, as mãos, os olhos de uma noiva?
(ajeita os cabelos)
Há uma grinalda, em mim, que eu não vejo? Nos meus cabelos?"

Sônia não sabe quem ela é. Ela havia despertado para a vida, e a sua vida foi abreviada por alguém. Suas perguntas são obsessivas. O espectador/leitor acompanha a viagem do espírito atormentado de uma adolescente em busca de si mesma e de sua vida. e morte. 

A familia de Sônia vivia confortavelmente. A moça tocava piano, recebia visitas médicas em casa, tinha uma paixão por seu namorado. Mas sua aparência jovial e inocência tornam-se motivos para a tragédia se abater sob seu teto... 

Nelson Rodrigues consolidou o gênero modernista no Teatro brasileiro, usando de ironia fina para tecer críticas aos desvios sociais de comportamento. Ele mesclou o cru e o fantástico, valorizando a liberdade de encenação e a linguagem coloquial. Valsa nº 6 é um monólogo intenso, paradoxal e poético-perturbador...




Girassóis - Caio f.

| 12 setembro 2017 | 15 Comentários |


"E fui cuidar do que restava, que é sempre o que se deve fazer."
Girassóis é sobre uma flor que encanta com sua formosura, apesar de ter poucos dias de vida, e quando se abre para o sol, em todo seu esplendor, acaba retornando ao húmus da terra, a fim de se tornar pó novamente...

A partir daí, o novo ciclo se inicia, mas ninguém sabe ao certo de que maneira o girassol irá 'retornar'... Se como lírio ou azaleia, ou quem sabe rosa, as raízes abaixo do solo trazem o mistério da renovação... 
"Pois conheço poucas coisas mais esplêndidas, o adjetivo é esse, do que um girassol aberto."

Girassóis é uma obra singular de Caio Fernando Abreu, uma crônica que traz ao leitor uma metáfora interessante sobre a brevidade da vida, através do tempo 'útil' de um girassol... Ao descobrir-se soropositivo, Caio passou a aproveitar seus dias seguintes praticando jardinagem. Voltou à casa dos pais em Porto Alegre. Caio é o girassol, que apesar da pouca vida que lhe restava, resolveu vivê-la em toda sua plenitude, abrindo sua corola para o sol... Apesar dos caracóis, dos ventos e formigas, da chuva tempestuosa que teimava em derrubar seu caule, Caio-Girassol se volta ao sorriso de Buda, à tranquilidade de seu refúgio e ao mergulho de si mesmo...

O livro é classificado como infanto-juvenil, mas toca a criança que habita em cada um de nós. Nas entrelinhas entendemos sua despedida. Foi publicado pela Global Editora pouco tempo depois da morte do autor. E no dia em que faria aniversário, como uma espécie de renascer, Caio-girassol volta sua corola para o astro dourado...


Minha 10ª Tattoo - Radiohead

| 10 setembro 2017 | 14 Comentários |
Em 10 de Abril de 2013 eu riscava na pele minha tatuagem de número 10... A ode da vez foi para a banda de alternative rock britânica Radiohead.  Trata-se de uma das minhas bandas preferidas, tanto pela melancolia que carrega em suas canções, quanto pelas letras e todo o experimentalismo que permeia os arranjos e composições... Além do logo, resolvi inserir uma phrase da música Street Spirit, and fade out again... que significa 'e se desvanece novamente...'



A tattoo se localiza em meu antebraço esquerdo. Algumas pessoas chegam a confundir com o Mickey Mouse, mas para os que conhecem Radiohead, logo a identificam como sendo o logo deles... Abaixo segue um live da música Street Spirit... 


A escolha se deu devido a mensagem que a letra me passa, de que tudo é efêmero... tudo tende ao fim. Eis o fado de nossa existência... em movimentos cíclicos, acontecimentos se repetem e se perdem em meio à nevoa da vida... e se desvanece de novo e de novo e de novo... Um paradoxo eternizar o efêmero... e foi o que eu fiz na própria pele... 

Curiosamente a banda surgiu no ano de meu nascimento, 1985, em Oxford. Formada por Thom Yorke [vocalista, pianos], Jonny Greenwood [guitarra], Ed O'Brien [guitarra, sintetizadores], Colin Greenwood [Baixo] e Phil Selway [bateria e percussão]. O primeiro single da banda foi lançado em 1992 - Creep - e o primeiro álbum de estúdio foi lançado no ano seguinte, o The Bends... 

Desde a adolescência as músicas de Radiohead permeiam meus fones de ouvido. Adorava ver os clipes na MTV e até hoje é o tipo de música que não sai de minha jukebox. Quando estou melancólica em demasia, All i need ou How to disappear completely ressoam nos ouvidos... Quando estou 'alegre', toco Go to Sleep ou Paranoid Android. Codex é sensação de despedida da vida. Mas a banda é do tipo que eu escuto pra me deprimir, pra me deprimir mais ainda e pra me tirar do estado depressivo... Confuso, não? hahaha

Radiohead é para quando meu espírito se encontra por demais entorpecido. A voz de Thom Yorke me hipnotiza. Minha natureza se identifica com a morbidez e melancolia/apatia que as letras e melodias representam... Eis o motivo de eternizar na pele e homenagear a banda, tão intrínseca aos meus sentimentos... 



Espírito da rua [Desvanece]


Fileiras de casas todas dirigindo-se a mim
Posso sentir suas tristes mãos me tocando
Todas essas coisas em posição
Todas essas coisas que um dia devoraremos inteiras

E se desvanece de novo
E se desvanece

Essa máquina não comunicará
Esses pensamentos e a pressão a que estou submetido
Seja uma criança do mundo, forme um círculo
Antes que todos sucumbamos

E desvanece de novo
E desvanece de novo

Ovos quebrados, pássaros mortos, gritam enquanto lutam pela vida
Eu posso sentir a morte, posso ver seus olhos redondos e brilhantes
Todas aquelas coisas em posição
Todas essas coisas que um dia devoraremos inteiras

E se desvanece de novo
E se desvanece de novo

Mergulhe sua alma em amor
Mergulhe sua alma em amor


╬† Literatura no Mundo ╬†

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