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"Deixai toda esperança, ó vós que entrais!" Inferno. A divina Comédia [Dante Alighieri]

Páginas

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Amor, por Rubem Alves



"Uma carta de amor é um papel que liga duas solidões."

Rubem Alves é daqueles autores  que nos confortam com palavras quentinhas para dias chuvosos... Amor é uma publicação da Editora Papirus e nos traz pequenos trechos do trabalho do autor, a titulo de enternecer quem se aventura por suas palavras, funcionando bem como um livro de cabeceira... Recomendo inclusive a quem nunca teve o prazer de ler nada de Rubem... Impossível não se deleitar com sua poética... 

São inúmeras reflexões sobre o amor, mas que não soa como autoajuda, nem de longe. É um livro que pode ser lido e relido inúmeras vezes, sem ordem especifica, em pequenas doses, de uma vez... quem traz o ritmo é o leitor... Segundo Rubem, "Antes de ser feito com o corpo, o amor é feito com as palavras."

Amor é sobre desobrigações, sobre amores proibidos, efêmeros, eternos, à infância, a nostalgia, a si mesmo, amor ao amor... Um misto de suavidade e encanto, arte com palavras que o autor sabe bem como expressar...

"Cartas de amor são escritas não para dar notícias, não para contar nada, mas para que mãos separadas se toquem ao tocarem a mesma folha de papel."

Não há como estender muito sobre o conteúdo do livro pois se trata de uma obra com apenas 96 páginas, mas que promete calor, acolhimento e um sorriso saudoso no rosto de quem o lê, por resgatar memórias, dar esperança ou mesmo ter certeza do quanto se é amado[a] por alguém nesse vasto mundo... 


Playlist para enternecer durante a leitura...


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É assim que te quero, amor - Pablo Neruda

"É assim que te quero, amor,
assim, amor, é que eu gosto de ti,
tal como te vestes
e como arranjas
os cabelos e como
a tua boca sorri,
ágil como a água
da fonte sobre as pedras puras,
é assim que te quero, amada,
Ao pão não peço que me ensine,
mas antes que não me falte
em cada dia que passa.
Da luz nada sei, nem donde
vem nem para onde vai,
apenas quero que a luz alumie,
e também não peço à noite explicações,
espero-a e envolve-me,
e assim tu pão e luz
e sombra és.
Chegastes à minha vida
com o que trazias,
feita
de luz e pão e sombra, eu te esperava,
e é assim que preciso de ti,
assim que te amo,
e os que amanhã quiserem ouvir
o que não lhes direi, que o leiam aqui
e retrocedam hoje porque é cedo
para tais argumentos.
Amanhã dar-lhes-emos apenas
uma folha da árvore do nosso amor, uma folha
que há-de cair sobre a terra
como se a tivessem produzido os nosso lábios,
como um beijo caído
das nossas alturas invencíveis
para mostrar o fogo e a ternura
de um amor verdadeiro."





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Eu Simplesmente Amo-te [Pablo Neruda]

Eu Simplesmente Amo-te

"Eu amo-te sem saber como, ou quando, ou a partir de onde. Eu simplesmente amo-te, sem problemas ou orgulho: eu amo-te desta maneira porque não conheço qualquer outra forma de amar sem ser esta, onde não existe eu ou tu, tão intimamente que a tua mão sobre o meu peito é a minha mão, tão intimamente que quando adormeço os teus olhos fecham-se."

Pablo Neruda, in Cem Sonetos de Amor.


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[Lançamento] Chame como quiser, de Anderson Henrique



A Editora Penalux está lançando mais uma obra incrível, um livro de contos intitulado Chame como Quiser, do autor parceiro aqui do blog, Anderson Henrique. São 13 contos recheados de niilismo e sarcasmo, explorando as vivências humanas...
Apesar de não se prender a um único estilo literário, os elementos do realismo mágico que tanto me agradam na escrita de Anderson se fazem presentes em vários dos contos que constituem a obra...

Quem for do Rio de Janeiro ainda poderá ter a chance de comparecer ao lançamento do livro no endereço descrito na imagem abaixo... Certamente é um evento imperdível, então aproveitem a oportunidade para conhecer a escrita de Anderson Henrique adquirindo seu exemplar... Em breve trarei resenha dele aqui no blog, fiquem ligados nos posts...


Sobre o autor
Anderson Henrique nasceu no Rio de Janeiro e é formado em Letras. Possui textos publicados em coletâneas e premiados em concursos literários. Seu livro de estreia, Anelisa sangrava flores, foi publicado em 2014 pela editora Penalux.


Ficha técnica

Título: Chame como quiser
Autor: Anderson Henrique
Publicação: 2017
Tamanho: 14x21
Páginas: 144 p
Preço: R$ 37


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Traz teu amor para mim e outros contos...

Em Traz teu amor pra mim e outros contos, publicado pela Livros da Raposa Vermelha temos o prazer de ler três contos de Charles Bukowski, ilustrados pelo talentoso Robert Crumb. São 3 histórias que retratam o dia a dia de personagens fracassados, viciados em álcool, presos em empregos medíocres e relações fracassadas. 

Os contos são ambientados no período da Grande Depressão americana, quando a queda da bolsa de Nova York em 1929 levou à falência inúmeros empresários, causando a demissão em massa de milhares de empregados. Com as ruas tomadas de filas em busca de um prato de sopa com pão, os valores econômicos reduzidos a insignificância e pessoas anteriormente ricas se suicidando em meio à bancarrota, Bukowski nos apresenta personagens marginalizados, que já não possuíam boas expectativas antes, e com um cenário desolador desses, pouco se mexem para mudar suas vidas...

O primeiro conto é sobre um homem que vai visitar sua mulher numa clínica, provavelmente louca ou em tratamento psiquiátrico, paranoica por achar que o marido está comendo putas em algum lugar quando não a está visitando... Ela tem noção de que não vai melhorar, embora o médico afirme o contrário, e tenha dito que ela sairia dali logo... 

"- Alô?
Era Gloria.
- Você está comendo alguma puta?
- Gloria, eles deixam você ligar tão tarde assim? Não te dão um remédio pra dormir ou algo do gênero?
- Por  que você demorou tanto tempo pra atender o telefone?
- Você nunca dá um barro? Eu estava no meio da cagada, você me interrompeu bem no meio de uma campeã.
- Claro que interrompi... Vai terminar isso aí depois de me convencer e desligar o telefone?
- Gloria, foi essa sua maldita paranoia aguda que pôs você onde está.
- Cabeça de peixe, a minha paranoia sempre foi a anunciadora de uma verdade que se aproxima."
Em Não tem negócio conhecemos Manny Hyman, que há muito deixa a desejar no palco de um salão onde trabalha para entreter o público, já cansado das mesmas piadas sem graça... Seu empregador dá um ultimato: ou ele melhora o show ou será substituído por alguém mais novo. Me parece uma crítica do autor ao show business, em que novos rostos surgem tomando o lugar daqueles que acabam relegados a uma condição de ostracismo...

"As pessoas sabem que o mundo é uma merda! Elas querem esquecer isso."
Encerrando o curto livro nos deparamos com o conto Bop Bop contra aquela cortina. É sobre um grupo de amigos que visitam um clube de strip tease. São indivíduos que buscam simples diversão, da melhor maneira que podem, em virtude de suas condições marginalizadas em meio a pobreza...

As circunstâncias em que se encontram os personagens dos contos são de lástima e revelam o lado cruel da sociedade em mantê-los em tais condições degradantes... a sociedade do 'american way of life' que alçava às alturas os vencedores e execravam os que ficavam à margem, os outsiders sociais...

O traço característico das ilustrações de Robert Crumb forma uma combinação perfeita com a escrita suja de Bukowski, mesclando-se bem a selvageria de seus riscos com os diálogos bem construídos do escritor... Traz teu amor pra mim foi o resultado de uma bela e grotesca combinação estética entre conto e imagem...





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Cantiga pra não morrer - Ferreira Gullar

"Quando você for se embora,
moça branca como a neve,
me leve.

Se acaso você não possa
me carregar pela mão,
menina branca de neve,
me leve no coração. 

Se no coração não possa
por acaso me levar,
moça de sonho e de neve,
me leve no seu lembrar. 

E se aí também não possa
por tanta coisa que leve
já viva em seu pensamento,
menina branca de neve,
me leve no esquecimento.

Moça de sonho e de neve, 
me leve no esquecimento, 
me leve."



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Do amor e outras tragédias...

Tomei a liberdade de parafrasear o título do post me inspirando em García Márquez... Hoje é o Dia dos Namorados e as pessoas buscam ler e ver filmes que tenham histórias de amor que, mesmo com uma carga gigantesca de drama - possam culminar em final feliz, no velho clichê 'e foram felizes para sempre.' Escrevo esse texto inclusive ao som de I will always love you, da Whitney Houston... Mas os amores que procuro nos livros que leio vão contra essa maré de 'mocinha que bota o bad boy nos trilhos depois que se descobre o amor'; os amores que leio nos livros e que me impactam profundamente são aqueles de fim trágico, os proibidos e efêmeros, os intensos e que não acontecem em cada esquina... protagonizados por personagens que sequer seriam considerados pares perfeitos. É dessa 'imperfeição' ou 'desvio de conduta' moralmente inaceitável que venho falar sobre hoje, enquanto ao fundo toca I wish it would rain down, de Phil Collins. [se você já viu a letra, nada mais apropriado...]...


Em Último tango em Paris dois desconhecidos que sequer sabem os nomes um do outro compartilham dentro de um apartamento de paredes mofadas cenas de sexo tórrido e diálogos escatológicos. Ela tem um noivo e está prestes a entrar num casamento insosso, ele perdeu a esposa recentemente para o suicídio, e acumula umas duas décadas de vida a mais que a impetuosa Jeanne... Com adaptação para o cinema, não ficou livre às críticas e censuras ferrenhas, bem como à polêmicas de cunho sexual... Mas com relação à obra escrita, é um dos romances mais 'impactantes' que já tive o prazer de [re]ler... e tem um lugar de destaque na estante, na vida e no coração... 


Perdas e Danos é sobre uma relação imoral perante o conservadorismo social. Uma nora e seu sogro, encontros furtivos e explosivos. Tragédias familiares, mortes, escândalos, ardor. Nada importa quando ambos se tocam. O desejo beira o doentio, e o destino dessa relação caminha a passos largos para o precipício... mas quão tentador é o que eles compartilham que vale a pena todo o sacrifício?


Em Nove e meia semanas de amor - história real, bom frisar - Elizabeth era uma mulher poderosa nos negócios, bem-sucedida, mas encontra na pele de um desconhecido um caminho de prazer que ela jamais havia sentido na vida... A condição de submissa a qual se entrega em busca de sensações inéditas e perigosas é o que move sua vida a partir do encontro com Ele [a quem ela nunca denomina no livro]... O final da história deixa um oco no peito e um choro contido na garganta... 


A insustentável leveza do ser é [também] sobre a leveza de ser quem você é e de não se entregar completamente a um único amor. Em meio ao contexto político da República Tcheca nos anos 1960, se desenvolve a trajetória de Tomas e Tereza e Sabina, e Franz. A existência perde seu peso. Características da personalidade de um mesclam-se a de outro, fraquezas do outro entremeiam-se em outro ainda... Através da escrita maravilhosa de Milan Kundera, acompanhamos os [des]amores dessas quatro almas, perdidas e inseridas num ambiente social opressivo e que encontram no sexo e no despudor um alívio para o peso de suas vidas...


O que me [co]move nos romances é o trágico, o que desde o início se fada ao fim. O efêmero que se eterniza. O que choca. Impacta. O bem escrito. O outsider literário que os românticos de plantão tendem a se escandalizar. As histórias que vão contra o insosso que é a vida - erroneamente idealizadas como perfeitas e desejadas na vida real. Prefiro os espinhos às flores. São neles que enxergo a [triste e poética] beleza das paixões humanas... 


Encerro o post ao som de Right Here Waiting, de Richard Marx... isso sim é puro clichê... desses não me abstenho... 




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Bartleby, o escrivão - Herman Melville

Escrito originalmente em 1853, Bartleby, o escrivão é um conto que nos mostra a história de uma figura misteriosa pelo ponto de vista do narrador, seu empregador num escritório de advocacia. Segundo sua concepção, Bartleby foi uma das pessoas mais curiosas e intrigantes que já conheceu. Ele o contrata a fim de ajudar no escritório conferindo cópias de documentos. Possui outros assistentes de personalidades peculiares mas nenhum deles se equipara ao jovem rapaz, que com o passar dos dias revela-se como um 'peso' que 'prefere não fazer' o que lhe foi solicitado...

Ignorando o passado do estranho rapaz, o narrador fica cada vez mais irritado pela recusa de Bartleby em realizar mesmo pequenas ações no escritório. Ele esperava que sua calma aparente servisse como exemplo para Nippers e Turkey, mas percebe que além de não obter sucesso na investida, acabou adotando um problema ainda maior para si e seu ambiente de trabalho...





De maneira gradual, a presença do escrivão no escritório se revela incômoda e suas negativas em desempenhar seu trabalho se mostram cada vez mais incisivas. levando o narrador a um estado de estupor e desespero... Enfim, ele resolve demitir o rapaz, apesar de sentir pena dele, pois provavelmente Bartleby não tem amigos, nem família por perto... A curta história desvela para um desfecho absurdo, deixando o leitor em estado de entorpecimento, em suspenso...

A obra é considerada - assim como O processo e O artista da fome [ambos de Franz Kafka] como literatura absurdista, uma filosofia ligada ao existencialismo e ao niilismo. As ocupações burocráticas de seu emprego fazem com que ele passe a rejeitar a mesmice de seu cotidiano, de maneira que o leva a um destino trágico... O absurdismo trata-se de buscar uma explicação sobre a vida e não ter habilidade para encontrar as respostas, culminando num beco sem saída no campo da existência... 

Partindo para o campo político, Bartleby, o escrivão seria uma crítica voltada ao Imperialismo e ao capitalismo, que exploram a  mão-de-obra tornando-a robotizada, e quando o personagem se recusa a obedecer o patrão, é como se ele estivesse negando sua condição de máquina, inconscientemente se revelando humano. É perceptível a crítica de Herman Melville ao conceito de Fordismo, sistema de produção em massa aplicado nas indústrias a fim de se produzir em grande quantidade e aumentar o consumo. 

Em suma, Bartleby, o escrivão tem uma linguagem ágil e alucinante. Levanta reflexões importantes no campo político e filosófico de maneira que o leitor compreenda e absorva a ideia sem o uso de termos científicos complicados, de maneira até inconsciente, uma absorção simbolizada pela figura de Bartleby inerte no escritório...


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Faça boa arte, por Neil Gaiman

Em maio de 2012 Neil Gaiman fez um discurso numa celebração de formatura da University of the Arts na Filadelfia. Foram quase vinte minutos encorajando os jovens que ali estavam presentes com suas ideias de dedicação, força e como usar o tempo para adquirir sabedoria... De maneira inusitada, ele falou em quebrar regras, em não pensar muito, em se desgastar menos... Os futuros pintores, escritores e músicos que saíram dali aquele dia certamente levaram a lição de Gaiman para o futuro restante de suas vidas repletas de sonhos na bagagem...


Gaiman relatou como se deu o início de sua carreira, dos contratempos que surgiram e que de alguma forma, acabaram sendo tão importantes quanto o sucesso que obteve nas primeiras investidas artísticas. O segredo era não se cobrar em demasiado, embora a situação pedisse por isso na maioria das vezes. 

Ele não discursou a fim de que tais ouvintes fizessem de suas palavras um manual de instruções a ser literalmente seguido. Mas pediu que fizessem boa arte ao sair dali. Arte dos acertos e também aquela que nasceria dos erros...
"Às vezes o caminho para fazer o que você quer vai ser simples e direto, e às vezes será quase impossível decidir se você está fazendo ou não a coisa certa, porque vai precisar equilibrar suas metas e sonhos com comprar comida, pagar as contas e arranjar trabalho, aceitando o que conseguir."
Ele também falou sobre o fracasso que em alguns momentos vai bater a nossa porta, que o dinheiro não é o principal objetivo na vida, que muitos se sentiam frustrados por serem escravos  dos benefícios que o dinheiro lhes trazia, fazendo com que não fizessem outra coisa na vida além de juntar dinheiro, pondo os sonhos em segundo plano. Que por mais que possamos nos espelhar e se inspirar em outros artistas, nós temos nossa própria arte, que por vezes o que menos esperamos é o que mais dá certo. 

É preciso relaxar e aproveitar a viagem louca que é a vida, com seus altos e baixos, suas surpresas agradáveis, e outras nem tanto assim... Temos que viver e criar no 'entre' que existe no meio do nascer e morrer...

O discurso "Faça boa Arte" é uma leitura agradável, rápida e que nos deixa conjecturando sobre a arte, a vida, o futuro... 
"Deixem o mundo mais interessante por estarem nele."
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Caixa de Correio Maio/2017

Olá, meus caros leitores e visitantes. Venho mostrar o que andei recebendo ao longo do mês de maio e posso afirmar que abasteci meu acervo com obras maravilhosas... ;)

Às compras.

De um amigo, comprei O nome da Rosa [Umberto Eco], Os sertões [Euclides da Cunha], As duas vidas de Aldrey Rose [Frank Fellita], Os meninos da rua Paulo [Ferenc Mólnar] e Vidas de mulheres célebres [Henry Thomas]... Durante as visitas ao sebo, resolvi trazer o livro Pernambuco no tempo do cangaço. Na banca de revistas comprei dois cd's de música, e ainda veio uma revista de brinde e um livro com algumas figuras importantes do cenário Rock N' Roll...


Fiz uma compra na Amazon, pois não resisti aos preços dessas belezinhas abaixo... Nessa caixa só deu Neil Gaiman e Beats... Já fiz resenha dos três livros abaixo e logo farei dos outros titulos comprados... Tem um título de Hunter S. Thompson também...




Ganhei de um amigo três livros e recebi pelos correios, de outro amigo, edições da Dragão Brasil além de cards de Magic: The Gathering. A nostalgia bateu ao ponto de eu desejar jogar novamente... o que me falta é tempo, jogadores e mais cartas pra isso...

Ganhei uma promoção no Facebook e no final do mês recebi o prêmio: 5 títulos de Charles Bukowski. Alegria total dessa que vos escreve, e logo haverá resenha desses livros por aqui... Buk é puro


De cortesia recebi Bartleby, o escriturário [Herman Melville], Rio-Paris-Rio [Luciana Hidalgo], Entrevista com o vampiro -  história de Claudia [Ashley Marie Witter] - já lidos e com resenhas programadas. Primeiramente publicadas no blog Poesia na Alma, e logo sairão por aqui. E Pornô, sequência de Trainspotting, de Irvine Welsh, que logo será lido e resenhado... 



Fechando esse mês abençoado pelo Cosmos a Leya me enviou Born to Run, autobiografia do incrível Bruce Springsteen. O livro foi uma cortesia para resenhar no blog Poesia na Alma e logo em seguida por aqui... 






E aí, curtiram a caixinha? Tem muita coisa interessante e aos poucos vou postando minhas impressões por aqui... Obrigada pela visita, até a próxima... ;*

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Minha 8ª Tattoo - Símbolo do Curso de História


Olá, pessoas queridas. Mais um tempo se passou e eu não voltei com os posts falando sobre uma de minhas paixões: tatuar o corpo

Essa Ampulheta com um caduceu foi feita em 22 de fevereiro de 2011, e está localizada na minha panturrilha direita, na parte externa da perna... 

O caduceu é um símbolo bastante comum nos cursos de Ciências Contábeis e Pedagogia. Mas aliado ao desenho da ampulheta, representa a História... meu curso de graduação é Licenciatura em História, pela Universidade de Pernambuco - UPE... 


O caduceu tem origem na Grécia Antiga, sendo marca do deus Hermes, o mensageiro dos deuses. São duas serpentes entrelaçadas adornadas com asas na parte superior. No esoterismo, remete ao equilíbrio moral e ao caminho de iniciação. Verticalmente simboliza  a eternidade, o infinito, o eterno cósmico. A ampulheta é símbolo do Tempo, representando sua passagem e o quão a vida é efêmera... A ampulheta marca a transitoriedade da vida. O caduceu a infinitude do cosmos... Um paradoxo, um equilíbrio de forças antagônicas...

Espero que tenham curtido a postagem, e logo eu trago mais alguns registros que possuo na pele...
Beijos...


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Sandman apresenta Os Pequenos Perpétuos [por Jill Thompson]

A irmã caçula dos Perpétuos e seu cãozinho Barnabás se envolvem numa aventura divertida, num breve passeio pelos domínios da Destruição, Destino, Desespero, Morte, Desejo e Sonhar. Ilustrada por Jill Thompson, Os pequenos Perpétuos traz uma versão 'fofinha' dos personagens de Neil Gaiman. 

Barnabás é responsável por cuidar da pequena Delírio. Meio distraída, acaba se perdendo do pequeno cão, e ele acaba percorrendo todo o mundo conhecido a fim de encontrá-la... Sem sucesso, ele precisa recorrer aos reinos dos irmãos da princesinha, e a cada visita ele tem medo do que pode encontrar... Pouco a pouco ele vai juntando alguns amuletos dados pelos demais Perpétuos que podem ajudá-lo a lidar com a pequena Delirium...


Outra coisa curiosa e perturbadora é que Barrabás sente que, em alguns momentos, alguém está a espreita, mas ele desconhece quem [ou o que] pode ser... Será que o protetor de Delirium vai encontrá-la sã e salva? Isso você só vai descobrir quando ler...

A edição em capa dura publicada pela Panini Books é envolvente, e mesmo parecendo bobinha, nos conta um pouco de cada um dos Perpétuos e suas características. As ilustrações são bem coloridas e possuem um traço maravilhoso...  Para iniciantes no universo de Sandman, é uma boa aquisição, uma leitura rápida e cativante... 

"Ele procurou por todos os lugares onde imaginou que uma princesa Technicolor poderia querer ir. Agrande feira ao ar livre, por exemplo...com suas bugigangas, brochuras, badulaques e berloques.
Ou talvez no oceano... onde as ondas quebram na praia com um rugido ensurdecedor."

Postagens relacionadas:

 - A festa de Delirium
 - The return of Thin white duke
- Projeto de leitura Lendo Sandman
Coraline
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#Lendo Sandman - Noites sem fim [Final do ano II]



Enfim cheguei ao final da segunda parte do projeto de leitura #LendoSandman, organizado pela Raquel do Pipoca Musical... Noites sem fim encerra essa segunda fase e apesar de eu ter me atrasado no cronograma proposto, eis minhas impressões de leitura que compartilho com vocês...

A edição é composta de sete histórias curtas que são protagonizadas - cada uma - pelos Perpétuos, trazendo o traço de sete artistas diferentes para compor as ilustrações. Podemos encontrar nomes que vão de P. Craig Russell a Milo Manara... A primeira história tem como protagonista a Morte, chama-se Morte e Veneza. Já falei a respeito dela na resenha de Morte [encadernada], e você pode conferi-la aqui. 

Em seguida temos O que experimentei do Desejo, estreando Desejo, claro... Lindamente desenhada por Milo Manara, conta a história de Kara, uma mulher que vive numa aldeia e tem o amor despertado pelo filho do chefe do vilarejo, um exímio sedutor que encantava as moças do lugar e depois as descartava por não querer nada sério com nenhuma delas... Kara seria apenas mais uma conquista, mas não é isso que acontece... Após um encontro com uma figura misteriosa, meio homem, meio mulher, ou talvez ambos... Kara terá o que mais deseja, mas há um preço a se pagar... Carregada de erotismo e poética, a história de Kara se encaminha para um trágico desfecho... O que experimentei do Desejo é sobre querer, desejar ardentemente mesmo que tudo nos escape das mãos... Essa foi a minha preferida entre as sete histórias... 

Depois temos uma aventura no Sonhar, durante uma visita da princesa Killalla ao reino de Morpheus, acompanhada dele para conhecer os seus irmãos e demais figuras do mundo dos sonhos... O coração de uma estrela é um conto belo e ao mesmo tempo melancólico, e um coração será quebrado enquanto o amor surge em paragens inusitadas...

15 retratos de Desespero são mini-estórias com tempos e  personagens diferentes dando vida ao arco de Desespero, a mais medonha dos irmãos... Ilustrado por Dave Mckean, são vários retratos revelando a aparência aterradora do Desespero, e do que ela é capaz de causar aos humanos com sua existência... 

Entrando é sobre um grupo de deficientes mentais que precisam resgatar Delírio da mente de uma garota catatônica, que vive com sua mãe num pequeno apartamento. Na sexta história, intitulada Na península, há uma escavação sendo realizada onde são encontrados artefatos de um 'futuro' distante. Com arte de Glenn Fabry, Destruição é o personagem misterioso que vagueia pelo litoral e acaba sendo contratado pela arqueóloga para ajudar na escavação... Logo os pensamentos da mulher são povoados por sonhos envolvendo o estranho homem, que está acompanhado de sua irmã caçula na costa... 

Fechando com chave de ouro temos o conto que dá nome à edição, Noites sem fim - estrelando Destino, o mais velho dos Perpétuos. Trata-se de uma espécie de guia pelo universo de Sandman, apresentando os irmãos dando maior ênfase no próprio Destino e em seu 'trabalho' na existência...

É difícil fazer uma análise mais detalhada sobre as sete histórias sem entregar muito dos enredos... Noites sem fim é uma excelente leitura para quem deseja conhecer mais sobre a personalidade dos Perpétuos e tentar compreender seus desígnios... Espero que haja uma fase três algum dia, porque ler Neil Gaiman nunca é demais...

Espero que tenham gostado... Beijos e até a próxima... ;)

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João e Maria versão Gaiman...

Em 2015 a Editora Intrínseca lança uma releitura de João e Maria pelo ponto de vista sombrio do aclamado Neil Gaiman, com desenhos de Lorenzo Mattotti. João e Maria é um dos contos de fadas mais famosos do mundo. Existem versões variadas e é contada ao longo dos séculos, trazendo temas pesados mas que sofreram modificações ao longo do tempo a fim de não assustar as crianças que ouviam essas fábulas... 

Canibalismo, abandono pelos pais, fome... Gaiman consegue passar tais assuntos com uma carga que eu consideraria 'leve', mas as ilustrações de Mattotti conseguem manter o tom sombrio da história... Os protagonistas são irmãos que acabam sendo deixados na floresta para morrer de fome [ou tentarem a sorte de sobreviver] pelo pai, lenhador que há um bom tempo já não conseguia suprir as necessidades da família. É com pesar que ele acata a ideia da esposa, mãe das crianças. Ela é mais pragmática e fria com relação aos filhos, por isso sugere a ideia de abandoná-los na floresta a fim de 'aliviar' duas bocas nas despesas... 

João e Maria até que conseguem voltar para casa na primeira tentativa, para alívio do pai, mas logo ele precisa deixá-los novamente, e dessa vez as coisas se complicam para os dois irmãos... Porém, logo surge uma 'esperança' em algum ponto da floresta... Mas essa aparente salvação pode não ser o que eles realmente precisam... 

Não há tantas variações no conto mais conhecido para a adaptação de Neil Gaiman, por isso o leitor não deve ir com tanto entusiasmo achando se tratar de algo inédito. Mas a título de nostalgia a obra é uma bela aquisição, ainda mais para os fãs do autor... As ilustrações de Lorenzo Mattotti são um show a parte... Ao final da edição há um pequeno texto que fala sobre as transformações que as fábulas sofreram ao longo dos anos, uma interessante contextualização histórica... Vale a pedida...

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Poemas, de Stéphane Mallarmé

Aliado à musicalidade, o pensamento do poeta francês Stéphane Mallarmé nos dá uma mostra da poesia moderna do século XX. Lançado numa edição bilíngue e pocket pela Saraiva de Bolso, Poemas foi uma das últimas leituras que realizei esses dias...

A linguagem de Mallarmé é vigorosa, tanto no verso quanto na prosa. A obra apresenta as traduções de seus poemas em francês além de notas explicativas a cada soneto/poema, ambientando o leitor durante a leitura... A tradução feita por José Lino Grünewald foi acurada. 

O simbolista Mallarmé nasceu em Paris no ano de 1842 e em boa parte de sua vida foi professor de inglês. Em 1860 surgiram seus primeiros poemas. Traz em seus versos uma clara referência a obra de seu conterrâneo Charles Baudelaire, e sua obra acabou inspirando outros poetas, como o americano T. S. Eliot. 

Um de seus poemas mais conhecidos é Um lance de dados, adotado pelo movimento de poesia concreta, marcando uma nova perspectiva espacial no gênero, pois rejeita o verso metrificado bem como a forma fixa de composição. Sua escrita é hermética, por vezes incompreensível, estimulando o leitor a tentar entendê-lo em suas minúcias. 

Estão presentes neste volume de Poemas o soneto Salut [Brinde], Poemas em prosa, Igitur ou A loucura de Elbehnon e Escólios. Toda a obra é comentada, tanto em francês como em português. 

"Ele se deita no túmulo.
Sobre as cinzas dos astros, as indivisas da família, estava o pobre personagem, deitado, após haver bebido a gota de nada que falta ao mar. (O frasco vazio, visão, loucura, tudo o que resta do castelo?) O Nada tendo partido, resta o castelo da pureza."

"Il se couche au tombeau.
Sur les cendres des astres, celles indivises de la famille, était le pauvre personnage, couché, après avoir bu la goutte de néant qui manque à la mer. (La fiole vide, folie, tout ce qui rest du château?) Le Néant parti,  rest le château de la pureté."

 
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A poesia folk de Bob Dylan - Letras [1961-1974]

Vencedor do Prêmio Nobel 2016, Bob Dylan é um aclamado compositor, poeta, músico e cantor americano. Ao longo da década de 1960/1970 lançou álbuns icônicos que entraram para a história da música popular americana, o Folk. Canções que retratam o cotidiano, o amor, críticas a política, à guerra do Vietnã e ao racismo... Bob Dylan aborda problemas sociais com uma linguagem poética, acompanhada de arranjos musicais que - a cada álbum - mostram-se bem trabalhados... 

Letras (1961-1974) publicado recentemente pela Companhia das Letras, abarca essas duas décadas da produção musical de Bob, que se estende até hoje. Um dos artistas vivos que mais contribuem para a música, sendo referência para novos cantores e bandas do gênero. 

A mudança na sonoridade de Bob Dylan pode ser identificada de maneira gradual, ao longo dos anos, álbum a álbum. Dylan acompanha as mudanças histórico-sociais de seu tempo e isso se reflete em suas melodias e letras. Dylan não teme apostar alto, sua inquietude é quase uma amostra do que está por vir nos noticiários. Sua crítica é atemporal.




Em poucos versos ou numa canção inteira há toda uma história, personagens que poderiam ser facilmente retirados da música e vivido tudo aquilo ali descrito. Talking New York é sobre alguém que chega na cidade e não é engolido por ela. Carregar sonhos na mala, rumo ao desconhecido. Perceber a real condição da dura realidade. Retornar ao 'lar doce lar'... Blues falado da paranoia John Birch fala da paranoia do comunismo em plena Guerra Fria. Trata-se de uma verdadeira sátira ao anticomunismo que a Doutrina Truman trouxe à geração 'american way of life'... 

"Agora todo mundo concorda com as opiniões de Hitler
Apesar dele ter matado seis milhões de judeus
Nem importa tanto assim ele ter sido fascista
Pelo menos não dá pra dizer que ele era comunista!"

A morte de Emmett Till é um verdadeiro tapa na cara do racismo e política de segregação racial americano. Bob critica o racismo e a Ku Klux Klan numa letra politizada, crua e sem preâmbulos...

"Eu vi os jornais do dia seguinte, mas não aguentei olhar
Os irmãos sorridentes descendo a escada do tribunal
Pois foram considerados inocentes e saíram em liberdade
Enquanto o corpo de Emmett boia na espuma de um lar sulista de racismo."

Há metáforas na letra de Long ago, far away, em que a sociedade brada fraternidade mas na verdade pratica guerra. Há ironia em suas canções. Denúncia de injustiças, desigualdades sociais, violência. Em alguns períodos, suas letras refletem muito da geração beat. Train A-Travellin' critica as instituições religiosas. Masters of War traz uma crítica feroz aos governantes que assistem de seus gabinetes os corpos tombarem pelas causas políticas deles...

"Vocês encaixam os gatilhos
Pros outros dispararem
Aí relaxam e observam
Quando os mortos se acumulam
Vocês se escondem nas mansões
Enquanto o sangue dos jovens
Escorre dos seus corpos
E se enterra pela lama."

No álbum The times They are a-changin' as letras falam de racismo, pobreza e mudança social. As 10 composições são um 'hino à mudança'. O gênero evidenciado é o Folk. Nota-se uma evolução no pensamento social e no comportamento. O novo dá lugar ao obsoleto. The times é considerado por alguns críticos como sendo uma obra que gerou um 'conflito de gerações'.  Uma de suas letras mais impactantes é a de With God on your side, que diz "os livros de História contam./ Eles contam tão bem/ As cavalarias deram carga/  os índios tombaram/os índios morreram/Ah o país era novo/Com Deus do seu lado." Em outro trecho ele diz: "Quando a  Segunda Guerra/Chegou ao fim/Perdoamos os alemães/E ficamos amigos/Apesar de terem matado seis milhões/ Fritos nos seus fornos/ Os alemães também agora/ Estão do seu lado." 

Contextualizando historicamente a letra acima, entramos na Conquista do Oeste, na matança dos povos pré-colombianos da América do Norte, em nome do progresso da Nova Inglaterra... E também uma observação sobre a ajuda financeira que os americanos deram à Alemanha depois de terem cometido o Holocausto judeu na Segunda Guerra. [Bom frisar que Bob Dylan é judeu...]...

Temos referência a obra de William Blake na letra de Gates of Eden, a F. Scott Fitzgerald em Ballad of a Thin Man, alusões bíblicas em Highway 61 Revisited e a Jack Kerouac em Desolation Row. Falando nos beats, inclusive - a música de Bob foi uma importante influência para a contracultura na década de 1960. O artista sofreu um acidente quase fatal e no ano seguinte lança John Wesley Harding, álbum que funcionou como um contraponto na psicodelia que estava em voga devido ao trabalho dos Beatles em Sgt. Pepper lonely hearts Club Band. Self portrait, lançado em 1970 obteve críticas negativas por soar repetitivo. Em 1973 Bob lança uma de suas canções mais conhecidas, trilha do filme Pat Garret e Billy the Kid, 'Knockin' on Heaven's door. [que anos mais tarde ganhou uma versão pelo Guns N' Roses]...

Letras possui os discos lançados entre 1961 e 1974, distribuídos de maneira cronológica numa edição bilíngue de 640 páginas, que aborda um período em que a voz e o talento do artista alcançavam o mundo. Transformações sócio-econômico-políticas no mundo foram bem representadas pela voz da contracultura, aquele que não se engajou em opiniões prontas vendidas pela mídia nos noticiários a fim de tornar a população paranoica. Dylan criou poesia cantada, revelando-se um artista único de toda  uma geração. Entende-se o porquê dele ter sido premiado com um Nobel de Literatura... Mais que merecido...




17

Caixa de Correio - Abril / 2017

Olá, pessoas queridas. Preparados para ver as novidades que andei recebendo aqui em casa? A caixinha demorou para ser postada, pois se tratam das aquisições feitas em abril, mas aqui está o post...

Recebi em parceria com a Companhia das Letras para ser resenhado no Dose Literária o livro Nosso GG em Havana, mais um titulo do meu amor cubano Pedro Juan Gutiérrez. Recebi também de cortesia da Ed. Leya e que será resenhado primeiramente no Poesia na Alma O estranho mundo de Tim Burton...


Andei passeando no sebo do Dedê e trouxe as belezinhas abaixo no 'old estilo escambo de ser'... Sempre tem um ou outro infantil que me atrai, além de poesia, teatro, biografia e claro, acadêmicos em minha área de atuação [História]. Nem todos serão resenhados, por vezes adquiro e leio pelo simples prazer de ler, sem 'obrigação' de resenhar... 


Agora é a vez dos presentes que volta e meio recebo de pessoas queridas. Ireno me deu três livros, incluindo um Galeano [o primeiro para o acervo]... Carol Valeriano, no encontro do Mochilão da Record acabou me presenteando com alguns mimos... veio chaveiro, marcadores... Detalhe para meus chaveiros egípcios, que se tornaram pingentes... heheh... A quarta imagem foram os brindes do evento e ainda tive a sorte de ganhar um livro no sorteio [e acabei trocando ele por outro de meu interesse, logo abaixo...]


Finalmente completei minha trilogia Thrawn. Troquei o Meg Cabot do Mochilão pelo volume 2 com uma amiga, e ainda pequei o volume 3 de quebra... Espero ter tempo pra ler logo os três volumes...



Ainda com relação aos presentes que ganhei, certamente o mais incrível ohmyfuckinggod foi uma estatueta de Don Quijote de la Mancha acompanhado de seu escudeiro Sancho Panza. Ireno ainda teve a gentileza de me doar uma edição especial do quarto centenário da obra em espanhol... Ficou a coisa mais linda da vida na estante...


Da primeira onda de sorte do ano, ganhei numa promoção o livro Forrest Gump. Espero ler em breve esta oitava maravilha do mundo, pois sou apaixonada pelo filme... [Tom Hanks ]


Compras, compras e  mais compras... Mangás, revistas, caderneta de Jack Skellington, livros em promoção na Amazon... Alguns já estão resenhados por aqui... outros serão lidos e resenhados, tão logo possa... 


Finalizando as compras [e o mês], comprei uma estatueta de Monkey D. Ruffy de One Piece, um dos meus mangás preferidos [amo Piratas]. Apesar de tentador, não teria espaço para colecionar todas e os preços das estatuetas seguintes são desoladores para quem vive de salário de professor... Pretendo ter ao menos o bando do Chapéu de Palha...


Então é isso, por hoje é só[?] Espero que tenham curtido a 'caixona' e me falem nos comentários o que gostariam de ver resenhados por aqui, o que deu vontade de ter e ler...
Beijos góticos... ;*






12

Cujo - Stephen King

Numa pequena cidade do Maine temos um monstro à espreita, que outrora foi um cão dócil e amava crianças, mas que devido a uma mordida de morcego enquanto perseguia um coelho na mata acabou se transformando numa criatura sem limites e que só queria fazer a dor parar, mesmo que para isso tivesse que morder a garganta daqueles a quem um dia sentiu amor...

Cujo é um cachorro São Bernardo, seu dono é um menino chamado Brett, que tem um pai violento que faz com que a esposa viva atormentada com seus rompantes de raiva... Tad Trenton é um menino de quatro anos que anda assombrado com uma sinistra figura que aparece no closet do quarto... Além de  lidar com esse mal 'invisível', apesar da pouca idade percebe que algo ruim está acontecendo com seus pais, Vic e Donna, que estão passando por uma fase difícil no casamento, e ao longo da história a situação se agrava devido a alguns acontecimentos infelizes...


Os personagens vão se mesclando em narrativas separadas mas que compõem de maneira harmoniosa o conjunto da obra, tornando o livro uma sequência de cenas alucinantes e de tirar o fôlego... Vamos acompanhando o desenrolar do enredo através da perspectiva dos personagens, inclusive pelo olhar inocente das crianças e do próprio cachorro... Impossível não se sentir tocado pela agonia do belo animal, aos poucos se transformando numa figura perigosa e sem controle...




"Simplesmente estava ali deitado, sentindo a dor que preenchia cada parte do corpo e deixava a cabeça zunindo. Estava cada vez mais difícil pensar no que iria acontecer em seguida, em sua vida simples de cachorro. Alguma coisa tomara o lugar do instinto."

Nas cenas que culminam no desfecho, há um verdadeiro embate do cão com Donna e Tad, cercados e sem esperanças de se livrar daquele 'cativeiro' que o destino os empurrou... É uma guerra psicológica entre caçador e presas... O ápice é cruel e nos deixa com um nó na garganta...

Stephen King provou mais uma vez seu talento como exímio escritor, que instiga os leitores a continuar até suas páginas finais... A edição publicada pela Suma de Letras ainda traz uma entrevista realizada com ele, em 2006... Cujo é perturbador, beira o insano, mas tão cru quando as circunstâncias nos levam a eventos imprevisíveis e prováveis de acontecer...



14

[HQ] O estranho Mundo de Jack, de Jun Asuka

Uma das obras mais famosas de Tim Burton certamente é o filme O estranho Mundo de Jack, onde um simpático Rei que vive numa cidade em eterno Halloween, anda saturado daquela mesmice, de todos os anos entreter o público com sustos e coisas aterradoras... Algo inquieta Jack Skellington, que precisa respirar novos ares...

Jack tem uma admiradora chamada Sally, uma boneca de pano confeccionada pelo Dr. Finklestein, um cientista perturbado que criou Sally para que ela cuidasse unicamente dele e de seu laboratório. Ela assiste escondida as apresentações de Jack, e tem medo de confessar o que sente por ele... A noite de 31 de outubro sempre é motivo de festa para toda a cidade e o Prefeito cuida para que tudo saia nos conformes. Mas numa caminhada pela floresta, Jack encontra uma porta que vai dar em outro lugar que ele nunca tinha visto antes. Nesse lugar as pessoas comemoram o Natal, e Jack volta empolgado ao seu reino para fazer seu próprio natal, mas os habitantes acabam estranhando aquela nova maneira de se fazer festa... 

Jack então resolve tomar o lugar do Papai Noel e vai num trenó levar os presentes para os habitantes da outra cidade... Porém, algo ali dá muito errado... Sally agora precisa correr contra o tempo para libertar o verdadeiro Papai Noel e ajudar seu amado a se livrar de algo ruim que as pessoas da cidade do Natal pretendem fazer com ele...

Para quem nunca viu o filme, a leitura desse mangá será uma experiência incrível. Aos que já conhecem a obra, a leitura pode trazer um efeito de nostalgia, mas basicamente é o enredo do filme que está aqui... De qualquer forma, acho válida a leitura, ter na estante, apreciar o trabalho de Jun Asuka, responsável pela história e arte do quadrinho... 

Há alguns outros personagens interessantes que dão um ar de graça à trama, como o cachorro de Jack, Zero, o Bicho-Papão e seus seguidores sinistros, e até o próprio Papai Noel. Em suma, trata-se de uma leitura divertida, com ares de macabro, bem no estilo Burton de ser... O Estranho mundo de Jack é um filme da Disney, de 1993...


9

TAG - Guerra Civil

Um olhar de estrangeiro postou uma TAG que me deixou bem motivada a responder por aqui, chama-se Tag Guerra Civil. É muito simples respondê-la e espero que curtam minhas respostas... Quem quiser responder, sinta-se a vontade também... e avisa por aqui porque eu dou uma sacada nas suas respostas, ok? Vamos lá...


Capitão América: Um livro que você entende as referências.


Então... Para abrir a tag vou recomendar a série Sandman, de Neil Gaiman. São inúmeras referências ao longo de onze arcos de história em quadrinhos... Em um deles, temos um personagem lendo um livro, e na capa dá pra ver que se trata de uma obra de Stephen King, It

Homem de Ferro: Um livro que você quer, mas é muito caro e só sendo rico pra comprar.


Vampiro: A máscara. Um suplemento de RPG que eu jogava na adolescência... Queria muito, mas a grana nunca sobra pra isso... Só pela nostalgia, pois acho improvável jogar a essa altura da vida...

Homem Aranha: Um livro que agrada todo mundo.



Acho que O diário de Anne Frank. Até hoje não vi ninguém dizer que leu e não gostou... Sem contar que se trata de uma importante obra/registro de um período tão infeliz da História contemporânea mundial, pela perspectiva de uma adolescente escondida, tentando escapar da morte...

Homem Formiga: Um pequeno livro com uma grande história.



Flicts, de Ziraldo. Li na infância, e é um dos meus preferidos... Já fiz resenha dele por aqui. É sobre [não] se encaixar... 

Feiticeira Escarlate: Um livro que pode mudar a realidade.



Na natureza selvagem, de Jon Krakauer. Ao menos comigo, mudou bastante a forma de enxergar as coisas... Essa leitura foi um divisor de águas na minha vida...

Pantera Negra: Pseudônimo de um grande autor.


Mary Westmacott era um pseudônimo usado por Agatha Christie para escrever alguns de seus títulos. 

Bucky (Soldado Invernal): Um livro que você leu no passado e ainda gosta muito.


Pssica, de Edyr Augusto Proença... Sem sombra de dúvidas com relação a essa escolha... Certamente o livro mais visceral que tive o prazer de ler em 2016...

Viúva Negra: Um livro escrito por uma mulher, com uma protagonista mulher.



Não só um livro, mas cito aqui a série As brumas de Avalon, de Marion Zimmer Bradley. Li e foi amor à primeira vista... Pretendo fazer uma releitura da série e trazer minhas impressões num post por aqui...

Gavião Arqueiro: Um livro que ninguém dá bola, mas ele tem o seu valor.




Tentei encontrar algo que se encaixasse nessa pergunta da Tag mas estou às escuras... Dessa vez, não indico nenhum aqui...

Visão: Um livro com um começo ruim, mas com um bom final.



Inocência, do Visconde de Taunay. Trata-se de um clássico da literatura brasileira que nas primeiras páginas não me fisgou... Mas chegando ao segundo capítulo, a história engrenou e só sosseguei quando conclui a obra... 


Então é isso... Espero que tenham curtido a TAG. Fazia um tempinho que não trazia esse tipo de postagem por aqui, e adoro respondê-las vezemquando... 

Beijos e até a próxima... ^.~
12

[HQ] The God's Lie - um mangá de Kaori Ozaki

Natsuru Nanao foi transferido para uma nova escola, e lá ele conhece a misteriosa garota chamada Rio Suzumura, introspectiva e que não interage com as pessoas na sala de aula. Em um belo dia, Natsuru acaba descobrindo sem querer um segredo que Rio guarda a sete chaves, e que pode mudar o futuro da garota caso seja descoberto... A partir daí, o jovem começa a evitar os treinos de futebol que costuma frequentar, deixando sua mãe preocupada... Seu comportamento na escola também contribui para que sua mãe perceba que há algo estranho acontecendo com o filho...

Rio tem um pequeno irmão chamado Yuuta. Ele é inocente e gosta de Natsuru, que anteriormente havia levado um gato para os dois irmãos, já que não podia ficar com ele... Escapulindo de casa, o rapaz tenta ajudar seus novos amigos da melhor maneira possível, até descobrir algo ainda mais triste sobre os dois... Além de ter que lidar com sua insegurança, em achar que não terá um bom desempenho com o futebol, a relação com a mãe acaba se tornando distante. 


Ao longo desse mangá de volume único vamos descobrindo a vida de Rio e Yuuta através da narrativa sensível de Kaori Ozaki. O titulo começa a fazer sentido já no desfecho, não descartando a chance de provocar no leitor o velho 'engolir em seco'. Acompanhamos o desabrochar dos personagens, nos sentimos solidários a suas perdas e confusões e ainda indignados com um fator muito revoltante inserido na história...

O mangá possui apenas 216 páginas, mas são o suficiente para nos contar uma história cheia de significados que nos leva a reflexão. A simplicidade das interações entre personagens e cenários são de uma delicadeza ímpar, mas soam levemente cruéis, dando uma leve sensação de desalento em algumas cenas... Trata-se de uma situação muito próxima de nossa realidade, e talvez por isso nos incomode. Por saber que casos como o de Rio são tão corriqueiros... 

Para leitores que apreciam histórias desoladoras, contadas de maneira sutil e poética... Mas que permitem 'luz ao fim do túnel', com um desfecho que considero 'feliz'...



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Um dolorido relato de guerra - Irmãs em Auschwitz

"- Raus! Raus!"


Li recentemente a biografia de Rena Kornreich Gelissen, sobrevivente do campo de concentração de Auschwitz-Birkenau durante a Segunda Guerra Mundial, que vitimou mais de seis milhões de judeus. Escrita por Heather Dune Macadam, que através de visitas a Rena gravou as conversas a fim de publicar o livro, Irmãs em Auschwitz é sobre Rena e Danka, sua irmã mais nova, a quem prometeu aos pais proteger. Rena não fazia ideia do horror que ela e sua família, bem como os amigos, seriam submetidos...



Trata-se de um relato comovente, narrando os primeiros anos de Rena até o momento em que a Polônia é invadida pelos soldados alemães. Teve que fugir para a casa de parentes na Eslováquia mas posteriormente voltou para junto de sua familia, pois não queria deixá-los sozinhos e desprotegidos... Pouco adiantou essa decisão...

Ao longo dos capítulos, vamos acompanhando toda a trajetória de Rena tentando sobreviver aos trabalhos forçados, as humilhações, fome, doenças, piolhos, espancamentos e o medo constante de no dia seguinte ser 'selecionada' para as câmaras de gás... Além de si mesma, precisa livrar a caçula do encontro com a morte... Ela não tem mais noticias dos seus pais, nem de suas irmãs mais velhas, sobrinhos...  Pessoas que a ajudaram acabam morrendo. A cada dia fica mais difícil acreditar que aquele sofrimento vai ter fim...

Alguns trechos são por demais chocantes e nos levam a refletir sobre quanto o ódio pode levar um indivíduo a cometer atrocidades com o outro. Rena foi uma das primeiras mulheres a ser transportada em massa para os campos de concentração, quando ainda julgavam ser campos para trabalhos forçados... Ela passou mais de 3 anos lutando por sua vida e pela de Danka, tentando ser resilientes em suportar os horrores por dentro das cercas eletrificadas... 

O que emociona ainda mais o leitor é saber que a convivência com os demais judeus, em sua maioria mulheres, era de empatia e ajuda mútua, na medida do possível... A comida que era surrupiada era dividida para todos, os bilhetes escondidos que muitos se arriscavam em entregar de um para o outro, entre outros fatores permitiu que Rena praticasse o bem em meio a tanto mal perpetrado pelos soldados nazistas...

A Editora Universo dos Livros fez um excelente trabalho publicando essa obra pungente, um relato emocionante e dolorido-sombrio, de um dos episódios mais infames de nossa história... Impossível se manter alheio às emoções que a leitura desse livro nos proporciona... O desconforto é quase palpável, e por mais histórias que eu leia desses sobreviventes e por mais que eu imagine como foi, nada será tão angustiante como realmente ter estado lá, vivido e sobrevivido ao Holocausto judeu...

" - Você sabe para que temos de rezar, Rena? - A voz de Erna retalha meus pensamentos.
- O quê?
Uma coluna de fumaça sobe das chaminés.
- Não para que não cheguemos lá, mas para que quando, de fato, acabarmos lá, eles tenham gás suficiente para morrermos e não precisarmos ir para os fornos vivas."




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