"Deixai toda esperança, ó vós que entrais!" Inferno. A divina Comédia [Dante Alighieri]

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Quote: Amor líquido sobre a fragilidade dos laços humanos [Zygmunt Bauman]



“Será que os habitantes de nosso líquido mundo moderno... preocupados com uma coisa e falando de outra? Eles garantem que seu desejo, paixão, objetivo ou sonho é “relacionar-se”. Mas será que na verdade não estão preocupados principalmente em evitar que suas relações acabem congeladas e coaguladas? Estão mesmo procurando relacionamentos duradouros, como dizem, ou seu maior desejo é que eles sejam leves e frouxos, de tal modo que, como as riquezas de Richard Baxter, que “cairiam sobre os ombros como um manto leve”, possam “ser postos de lado a qualquer momento”? Afinal, que tipo de conselho eles querem de verdade: como estabelecer um relacionamento ou – só por precaução – como rompê-lo sem dor e com a consciência limpa? Não há uma resposta fácil a essa pergunta, embora ela precise ser respondida e vá continuar sendo feita, à medida que os habitantes do líquido mundo moderno seguirem sofrendo sob o peso esmagador da mais ambivalente entre as muitas tarefas com que se defrontam no dia-a-dia."


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[De “Amor Líquido Sobre a fragilidade dos laços humanos” Zygmunt Bauman]
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O banditismo/messianismo na obra de Natanael Sarmento

Mais uma cortesia recebida da Chiado Editora é sinal de resenha por aqui... O bandido que virou santo foi publicado em 2015, de autoria do escritor potiguar Natanael Sarmento. Nos primeiros anos do século XX, o progresso viria se estabelecer nas terras nordestinas, devido ao vapor da Great Western, a luz elétrica e ao telégrafo. A paisagem das cidades e dos campos, seria modificada. Nesse processo, tais modificações seriam a causa de êxodos rurais por parte de grandes proprietários de terras, indenizados por tais empresas. Diferentemente dos trabalhadores de tais locais, que sem um vintém, haveriam de encarar a expulsão com 'uma mão na frente e outra atrás', por não pertencerem à classe favorecida...

"O êxodo, despejo ou retirada melancólica dos que partiam sozinhos, ou em grupos, as míseras pertenças, as muitas dúvidas. Onde encontrar Terra para semear e colher? Sabiam que deviam partir, não podiam ficar, que deviam buscar outra freguesia. O Progresso chegava com a futura estrada de ferro, eles representavam o atraso, o passado, deviam partir."

Cascavel outrora foi José Presciliano, filho de seu Mestre Francisco, um dos homens que se viram de repente sem terra e sem lar devido à ambição de seu antigo empregador... Ameaçados, humilhados e expulsos, tiveram que enfrentar dificuldades para encontrar um novo recanto, mas por ironia do destino, sofreram os horrores diante da 'Lei'...

Querendo se vingar por tudo que aconteceu desde que deixaram sua terra natal, o garoto comete um crime, e perseguido pela Justiça, acaba encontrando o bando de cangaceiros de Tião Brilhantina. Depois de provar que era corajoso o bastante para não ser morto pelo grupo, acabou caindo nas graças do líder, e a partir daí seguiu por um caminho sem volta, na criminalidade do cangaço, enfrentando os homens da lei, os coronéis e o ódio crescente que habitava dentro de si, por toda injustiça que sofreu em vida...

"Assim a glória desse mundo: alguns manda, muitos obedecem. Abandonar tudo que construiu naqueles sítios, a última ordem do Coronel Abelardo. Ele mesmo determinou o valor da indenização,sem dar cabimento a reclamos."

O Folhetinista é nosso narrador, e através de sua novela traça um perfil da figura bandida/marginal/justiceira do Cangaceiro, bem como denuncia através do campo 'ficcional' os desmandos de uma sociedade corrompida, com uma  política suja, perpetrada por homens poderosos e de influência econômica que visam explorar o mais humilde e trabalhador. 

O bandido que virou santo faz referência a história do cangaço, do coronelismo, exploração da mão de obra rural  pelo latifundiário, ao messianismo presente no povo sertanejo, bem como ao imaginário popular que permeia na literatura de cordel sobre o papel do Homem do Cangaço para os pobres, uma espécie de Robin Hood do nordeste, que através da violência cometida contra os poderosos, há de fazer um pouco de justiça aos menos favorecidos, já que a 'lei' acoberta justamente aqueles que possuem dinheiro e poder. 

"Nos estudos, das formas arcaicas dos movimentos sociais, Eric Hobsbawn consagra a expressão banditismo social. Ela define o papel social do cangaceiro. Lendários fora da lei, não raro, admirados e cantados em prosa e verso. Não são insurgentes políticos, nem perseguidores  religiosos. Eles emergem e se desenvolvem no contexto social ruralista, atrasado e pobre, do capitalismo agrário."

Leitura de nível atemporal, que serve como ponte para entender certas passagens de nossa História ruralista, bem como as lutas pelos direitos proletários, o abuso de autoridades e a fé do povo nordestino, tão incrustada em nossa cultura - simbolizando alento diante das dificuldades diárias...



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Caixa de Correio Março / 2017

E vamos aos recebidos do mês de março! Estava ansiosa para mostrar a vocês o que andei recebendo por aqui... Comprei pouca coisa, ganhei promoção, recebi livros de parceria...

Comprei um livro sobre a banda Iron Maiden, e ainda veio com um cd de brinde, do Guns N' Roses. Além disso, comprei O livro de ouro do Recruta Zero #4 e O livro de ouro do Hagar, o Horrível #3, além das edições 7 e 8 do mangá FullMetal Alchemist... 


Ganhei uma promoção num blog e recebi o livro O castelo mágico da Princesa Melinda + marcadores... A leitura foi rápida e leve... 


Recebi de cortesia para o blog Poesia na Alma o livro O bandido que virou santo, de Natanael Sarmento. Lili ainda me mandou alguns brindes, como calendários e bloquinhos, sendo que um dos calendários é de seu livro Mulheres que não sabem chorar. Ainda mandou dois livros emprestados para que eu devolva quando acabar de ler: Círculo de Xamãs de Olga Kharitidi e A ciranda das mulheres sábias, de Clarissa Pinkola Estés


Em parceria com a Companhia das Letras recebi O rei de Havana, de Pedro Juan Gutiérrez. Já reli e resenhei. Leia sobre ele aqui.


Fiz algumas trocas no Sebo do Dedê em Carpina - PE. Sempre que visito volto com alguns títulos interessantes... Dessa vez trouxe algumas edições de A espada selvagem de Conan, Fora de mim [Martha Medeiros], Antígona, Édipo Rei e Ájax [Sófocles], Carmen e outras novelas [Prosper Mérimée], Felicidade Clandestina [Clarice Lispector], Os três ratos cegos e O cadáver atrás do biombo [Agatha Christie], O que é socialismo [Arnaldo Spindel], O que é teatro [Fernando Peixoto], Cristais [Coleção Caras] e uma HQ antiga da Disney - Os desastrados.


Recebi 3 revistas do meu amigo Antonio [Biblioteca Nacional] e o livro O primo Basílio, de um de meus alunos do sexto ano. 


Por último, eis os livros que ganhei de presente do meu amigo Ireno. Por que ler os clássicos, de Ítalo Calvino; Hipátia de Alexandria, de Maria Dzielska; Assombrações do Recife Velho, de Gilberto Freyre; A rainha descalça e A mão de Fátima, de Ildefonso Falcones e Pintura na Espanha - 1500 a 1700, de Jonathan Brown



Como podem ver, minha Caixa de Correio foi bem sortida... Algumas leituras eu já fiz e resenhei... Outras ainda serão resenhadas por aqui, fiquem de olho nos próximos posts... Conhecem alguns desses livros/quadrinhos? Me falem nos comentários. E quais vocês gostariam de ver sendo abordados no blog?

Beijos e até a próxima caixinha ;)



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O Rei de Havana, mais uma bela ficção de Pedro Juan Gutiérrez



Há alguns anos fiz a leitura de O rei de Havana e recentemente tive o prazer da [re]leitura, graças a parceria com a Editora Companhia das Letras, que lançou uma nova edição pelo Selo Alfaguara. É meio impossível ter algo de Pedro Juan Gutiérrez entre os lançamentos e eu não solicitar... Cubano, nascido em 1950, Pedro Juan já foi vendedor de sorvete, cortador de cana-de-açúcar e locutor de rádio. Mas seu verdadeiro talento é escrever uma boa ficção, das mais cruas e indeléveis, que marca o leitor por anos a fio... Não seria diferente com O rei de Havana...

Retornar à trama de Rei, garoto pobre que cresce em meio a miséria e que desde cedo se depara com uma grande tragédia familiar foi uma experiência única. Os traumas que carrega desde que a morte rondou sua familia, o período que passou no reformatório e sua fuga para ganhar a vida nas ruas sujas de Havana fazem parte da sua essência. Rei se intitula Rei de Havana, e lida com pessoas que - assim como ele - encontram na miséria e sujeira certo refúgio, como se intrinsecamente estar na lama fosse parte de si mesmos...

"O enorme depósito de lixo da cidade, a uns cem metros, exalava um fedor insuportável, nauseabundo. Rei sentiu o cheiro e ficou à vontade. Os odores da miséria: merda e podridão. Sentiu comodidade e proteção à sua volta."

A meta de Rei é sobreviver, dia após dia, da maneira que lhe for possível. Seu caminho se cruza com o de prostitutas que masturbam velhos em troca de alguns pesos, deita com mulheres que tem idade de ser suas avós, algumas outras novas, mas desgastadas pelas agruras da pobreza, fome e vícios. Vaga por prédios condenados a desmoronar, lugares que parecem esgotos de tão imundos e frequentados por tipos marginalizados pela sociedade cubana. 

"não tinha nem café, nem um tostão. Ele desceu a escada de estômago vazio. Tinha pensado que no mercado agrícola de Ánimas podia encontrar alguma coisa para fazer. Odiava trabalhar, mas não queria voltar a revirar o lixo e comer coisas podres cobertas de vermes."

Rum e sexo são o alento de Rei em meio à imundície e à falta de perspectivas. Fugir da polícia, dormir com o estômago roncando de fome, conseguir bicos para garantir bebida e cigarros são as poucas coisas a que Rei se agarra para não desistir da vida de uma vez... Acompanhamos sua trajetória rumo a um desfecho visceral em tons levemente poéticos... A escrita de Gutiérrez tem um quê de encanto, mesclado a uma prosa lancinante, que mais parece um soco no crânio. Nos deixa perturbados, entontecidos... 

Em suma, Gutiérrez é para aqueles leitores que buscam uma leitura profunda, sem rodeios. Que não temem encontrar crueza e melancolia nas tragédias da vida; vida esta regada a sexo beirando a selvageria... 

"Havia muito tempo que não fazia sexo. Tinha comido o cu de alguns veados no reformatório. Mas lá não havia muitas bichas, e eram disputadas a tapa, o que divertia muito as loucas. Ver os machinhos brigando por causa delas. Ele brigou duas vezes, mas depois resolveu que não valia a pena. Aí se masturbava toda noite, mas nada como uma boa chupada de quem sabe, seguida de uma boa boceta úmida e cheirosa, com as respectivas tetas e um rosto lindo de cabelo comprido, e, além disso, um cu opcional, para variar um pouco de buraco."
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12 Meses de Poe [Poema] - Sozinho

"Não fui, na infância, como os outros
e nunca vi como outros viam.
Minhas paixões eu não podia
tirar de fonte igual à deles;
e era outra a origem da tristeza,
e era outro o canto, que acordava
o coração para a alegria.
Tudo o que amei, amei sozinho.
Assim, na minha infância, na alba
da tormentosa vida, ergueu-se,
no bem, no mal, de cada abismo,
a encadear-me, o meu mistério.
Veio dos rios, veio da fonte,
da rubra escarpa da montanha,
do sol, que todo me envolvia
em outonais clarões dourados;
e dos relâmpagos vermelhos
que o céu inteiro incendiavam;
e do trovão, da tempestade,
daquela nuvem que se alterava,
só, no amplo azul do céu puríssimo,
como um demônio, ante meus olhos."


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O teatro de Suassuna em O Santo e a porca


O santo e a porca é a segunda obra de Ariano Suassuna que eu leio. E mais uma vez sua escrita se revela genial. Pertencente ao gênero comédia, foi escrita pelo autor 'paraibucano' em 1957 e tem como temática a avareza, retratada através de um personagem, que esconde o dinheiro que juntou a vida inteira dentro de uma porca.

Com diálogos hilários, Suassuna nos apresenta personagens que utilizam a astúcia próprias e ingenuidade alheias a fim de se darem bem em suas empreitadas. Exemplo disso é Caroba, que numa artimanha bem planejada [talvez nem tanto assim], consegue realizar casamentos, incluindo o seu próprio, sem levantar suspeitas de ninguém, e gerando ao mesmo tempo, algumas hilárias confusões... Tudo com o tom irreverente presente na obra de Ariano.

"Euricão - Que conversa é essa? Você andou remexendo no que é meu?
Caroba - Que interesse eu tinha em remexer nessa troçaria? Só se para ficar com asma, nesse mofo."

A peça é dividida em 3 atos, e pode ser lida em questão de minutos. Mesmo sendo uma peça de teatro - alguns leitores podem não ter o hábito de lê-las - a escrita é fluída e não se mostra cansativa. E certamente vai render boas risadas.  Importante frisar a crítica/reflexão que o autor faz sobre o materialismo, que por vezes se mostra mais importante do que o valor das pessoas. O personagem Eurico ilustra bem essa característica. A porca chega a ter mais importância e cuidados do que a sua filha Margarida

"Euricão - Ai minha porquinha do coração, a luta é grande contra os ladrões. Mas arranjei mais vinte contos para seu buchinho."

Para quem conhece O auto da Compadecida, é impossível não encontrar na figura de Caroba traços do personagem João Grilo. A fim de sobreviver em meio as agruras do nordeste, há que se tornar esperto para driblar as dificuldades e se dar bem na vida. 

"Dodó - A culpa foi sua, era eu falando da filha e o senhor pensando na porca!
Euricão - Ai, a porca! Juntei dinheiro a vida inteira, para a velhice, e agora perco, num dia só, a porca e  a filha!"

Indicado para todos os leitores que buscam uma escrita envolvente, ágil e de diálogos diretos, com um tom de comicidade típica nas obras de Suassuna...
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Assombrações do Recife Velho - Notas históricas, folclóricas e sobrenaturais no passado recifense



Com ares de crônica local, Assombrações do Recife Velho - Algumas notas históricas e  outras tantas folclóricas em torno do sobrenatural no passado recifense foi escrita em 1951 por Gilberto Freyre, que na época era diretor do jornal A província, encarregando seu repórter policial e investigar casas com histórico de assombração. Juntando a esse material investigativo, as estórias contadas pelos moradores mais antigos de bairros sombrios da capital pernambucana, criou-se o material que tenho em mãos, obra riquíssima da sociologia do sobrenatural, que em muito contribuiu para a cultura oral do estado...

A edição prefaciada por Mary del Priore, aclamada historiadora, já mostra a que veio a obra, discorrendo sobre mitos religiosos antigos, conceitos de bem vs mal, estudiosos que outrora abordaram a temática em obras importantes, etc... Os mitos estão impregnados no imaginário pernambucano e remetem a épocas distantes, desde a Idade Média, e que - com o passar dos séculos - foram se adaptando de acordo com a sociedade em que são ambientados. 

Cenários como casarões abandonados, riachos, poços e istmos, ruas calçadas com pedra, iluminadas de maneira precária e árvores frondosas e de copa alta, ganham aspecto fantasmagórico nas lendas e relatos de pessoas diversas, que vão do poeta escravo de tempos longínquos a senhores distintos da sociedade recifense do século XIX/XX, de mucamas a crianças amedrontadas ou homens jovens voltando do trabalho ou de festas tarde da noite...

A religiosidade anda lado a lado do imaginário popular. Segundo o Cristianismo, o diabo é a força de todo o mal. 

"Desde o século XII,a coisa ficava assim equacionada: o diabo era a causa de tudo. Deus poderia ter dado ao anjo decaído o poder de infiltrar-se nos cadáveres. A explicação literalmente canônica subentendia que as assombrações podiam deixar suas sepulturas, instigadas por Satã, que o diabo era capaz de animar em seu próprio receptáculo, ou seja, o cadáver.".¹
Fantômes et tevenants au moyen âge e Au-delà du merveilleux  - Essai sur les mentalités du moyen âge [Claude Lecouteux]
Estudiosos da Antiguidade já relatavam em suas obras fenômenos de origem não-natural, misteriosa e desconhecida como sendo aspectos oriundos da mitologia desses povos. Figuras como a cabra-cabriola, Bicho-Papão, Cabeleira, procissão dos mortos, Lobisomem, almas penadas de sinhás brancas que morriam de doença misteriosa ou febres, negrinhos em encruzilhada ou entidades como Exus são algumas das aparições mais comuns que assombravam as horas mortas de Recife, e se imortalizaram ao longo das décadas a partir da oralidade - passada de geração em geração - a fim de não deixar morrer os costumes da sociedade, mista de culturas negra, indígena e européia...

Os capítulos se dividem caso a caso, em alguns deles percebem-se caracteristicas de 'moral da história' - que seguindo os preceitos cristãos o mal não lhe atingirá. Outro ponto forte nas lendas apresentadas são as botijas, que se fossem arrancadas pelo morador da propriedade poderia fazer o fantasma seguir em paz e enriquecer quem resgatasse o ouro...  Esse tipo de estória era bastante comum até uns anos atrás, em minha infância. Na parte final, os capítulos falam de casarios específicos, mas Freyre tomou cuidado em não revelar exatamente os endereços, situando sem muitos detalhes onde se localizava tal residência... 

A cidade de Recife é um fantasma gigante e coletivo de séculos de idade, permeado de causos e criaturas do além, que atravessam o tempo e mesmo ameaçados pela modernidade, ainda pairam no ar, em conversas de foro íntimo, em noites longas onde ainda se podem ver estrelas no céu... quando as luzes da própria cidade não as ofuscam de quem se arrisca olhar pra cima a procura delas...

"O Recife de hoje, donde a luz elétrica e o progresso mecânico não conseguiram expulsar de todo essas sombras e essas visagens, essas artes negras e essas bruxarias, ainda tem alguma coisa no antigo. Seus grandes sobrados vêm resistindo aos arranha-céus como senhores arruinados da terra a intrusos ricos. Demolidos, às vezes parecem continuar de pé como se tivessem almas fazendo as vezes dos corpos. Almas não só de pessoas mas de casas inteiras parecem vagar pelo Recife. Almas de sobrados. Almas de igrejas. Almas de conventos velhos que não se deixam facilmente amesquinhar em repartições públicas. As almas dos três arcos estupidamente postos abaixo."
O livro ainda conta com dados bibliográficos de Gilberto Freyre, bem como ilustrações ao longo da edição, dando um ar mais soturno a obra... Assombrações do Recife Velho é essencial para se adentrar nas casas velhas, sobrados, cemitérios e igrejas antigos, que contam muito da história pernambucana dos séculos 18 e 19, e dá ao leitor uma ideia da riqueza cultural preservada na sociedade recifense até os dias recentes...

"Quando no silêncio das antigas noites recifenses se ouvia longe, por trás de velhos sobrados, um choro mais triste de menino, era quase certo que a cabra cabriola estava devorando algum malcriado, algum desobediente, algum respondão."

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Contextualização e Problematização nas obras clássicas da Literatura

Por vezes me deparo com resenhas de livros clássicos em que volta e meia o leitor se depara com questões  racistas/homofóbicas/machistas e acabam se incomodando por encontrarem tais conteúdos na leitura... Mas é necessário fazer através de tais leituras, aparentemente descompromissadas, uma análise sobre estes fatores...

Tomando como exemplo algumas obras como As aventuras de Huckleberry Finn, de  Mark Twain, os títulos de Monteiro Lobato, os conceitos de supremacia racial em H. P. Lovecraft, podemos encontrar várias passagens de cunho preconceituoso - seja com indivíduos isolados ou grupos deles - devido a cor, condição social ou misoginia.

Outro ponto curioso que necessito ressaltar é que a cultura do país onde a história se passa e onde o autor[a] viveu podem vir a  influenciar na escrita... Alguns anos atrás vi num texto da faculdade que dizia que as obras refletem muito de quem escreve, de onde se passa a trama e de que país o texto tem origem... Posições políticas, questões sociais, ideologias são retratadas nas entrelinhas, quando não -são o foco principal das obras...

Sim, é revoltante encontrar frases que possam ter cunho racista, afinal estamos em pleno Século XXI e ler isso num clássico realmente é incômodo. E deve chocar, indignar. Esse é o ponto. Na época em que foram escritos, era algo considerado normal. Normal, não falei correto. Normal devido a que? Como tais pessoas eram tratadas na sociedade? Como eram os espaços públicos e privados aos quais eram submetidos? Encontrar o cerne destas questões na literatura pode ser uma analogia interessante para um professor de História trabalhar determinados conceitos em sala de aula, por exemplo. Usando a literatura de maneira eficaz e prazerosa, instigante, indo além do conceito de leituras obrigatórias que fazem adolescentes travarem com a leitura de clássicos...


Algumas pessoas defendem a ideia de modificar tais obras a fim de se ocultar tais trechos, mas acredito que isso seria uma decisão extrema e que iria prejudicar a construção da trama, bem como ignorar o fato de que tais temas precisam ser discutidos... Pense na 'restauração' da imagem abaixo. Ela pode ilustrar bem o que quero dizer... Faz-se necessário usar de bom senso e sabedoria para trabalhar os contextos de maneira que se  faça compreender e argumentar...


'Ah, mas descrições de racismo nos livros podem magoar algum leitor e talz'... Deixar de falar não é o melhor caminho. É preciso problematizar e se você souber usar a obra para desconstruir tais ideias, tanto melhor... 

Ruim seria se tal tipo de leitura não deixasse o leitor desconfortável. Tem que se incomodar mesmo. Frisando: O ponto é esse.




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Fora de Mim, de Martha Medeiros



Martha Medeiros começa um monólogo descrevendo um acidente de avião como uma metáfora para o fim de um relacionamento. Relacionamento esse que iremos adentrar ao longo de suas pouco mais de cem páginas, no título Fora de Mim...

O leitor é uma espécie de ouvinte da personagem, mulher acima dos 40 anos que se vê abandonada pelo grande amor de sua vida, restando apenas para ela as lembranças desse relacionamento, e a dor de sua falta... Dividido em três importantes momentos do fim, conhecemos a história assim que ela se encerra, o período em que a protagonista se entrega a vivência da dor, e por fim a etapa de aceitação em que ela resolve seguir em frente [ou tenta], inclusive adentrando em outro  relacionamento...

Por vezes, as passagens nos soam familiares e cruéis, mas a escrita de Martha tem um quê de poético. É pelo fim que conhecemos o começo de tudo, e de que como se deu a queda desse amor. A narrativa
nos soa como uma manhã de domingo com chuva, melancólica e apática...

"por ora, não existe futuro, não existe passado, não existe o tempo,  eu olho a chuva pela janela e ela existe lá fora, eu não existo aqui dentro."

A história vai se entremeando com vivências futuras da narradora, e que incluem até uma 'amizade' com o 'pivô' da separação. Parece improvável, mas a autora sabe conduzir tal fio como ninguém... A briga maior é da narradora consigo mesma, com as decisões que precisa tomar, com as decisões que precisa deixar... O desfecho é abrupto, seco... mas não nos impede de ficar reticentes...




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Os arquivos sobrenaturais de Ed e Lorraine Warren - Demonologistas

Uma das aquisições que fiz ano passado me rendeu nas últimas madrugadas uma leitura densa permeada de autossugestões de cunho sobrenatural. É desse tipo de livro que vinha sentindo falta nas últimas semanas, e aproveitando meu feeling 'mode on' para o terror, me entreguei às páginas de Ed & Lorraine Warren - Demonologistas, uma espécie de biografia do casal mais famoso do universo sobrenatural, escrita por Gerald Brittle e publicada pela DarkSide Books...


Certamente vocês já devem ter ouvido falar dos filmes Annabelle ou Invocação do Mal. Em caso negativo acrescento nessa lista o caso Amityville, que rendeu um livro e várias adaptações para o Cinema. Mesmo os não-familiarizados com a temática do sobrenatural devem ter ouvido falar desse último. Ed e Lorraine investigaram esses casos, ocorridos em meados da década de 1970. Tal repercussão rendeu maior reconhecimento do casal, e sua popularidade fez com que trabalhassem em centenas de experiências com o oculto, ajudando centenas de pessoas ao longo de cinquenta anos, a se livrarem do mal que os havia acometido... 

A obra é dividida em capítulos que contam alguns desses casos mais famosos, explicações sobre fenômenos paranormais, conjurações, aparições e perseguições que sofreram por parte de forças maléficas que tendiam a ameaçar suas vidas, bem como a de clérigos e outros que os auxiliavam quando os problemas eram mais intensos... O casal dava palestras a fim de informar as pessoas sobre tais acontecimentos, orientando os ouvintes a nunca mexerem com o desconhecido... As descrições são por demais detalhistas, nos dando a impressão de estarmos presentes no palco dos casos ocorridos, ou torcendo para que as pessoas envolvidas pudessem enfim encontrar alento e se livrassem dos espíritos humanos e inumanos que os assombravam...

"No pé da escada, por um breve instante, soou uma risada diabólica. Irritado, Ed aspergiu mais água benta no local, o que fez com que a pressão diminuísse o suficiente para deixá-los chegar ao topo."

A narrativa de Gerald é densa e fluída, além de ricamente descritiva. No decorrer do livro, descobrimos como o casal se conheceu, as atividades que praticavam, os horrores que vivenciaram juntos e também o preconceito por parte dos mais céticos, que não davam crédito ao seu trabalho... Ed desde muito cedo sentiu a necessidade de lutar contra o mal, foi um dos mais importantes demonologistas da América do Norte e Lorraine é médium e clarividente... Juntos conseguiram repelir espíritos inumanos, enviar para a luz fantasmas atormentados e lidaram com forças realmente diabólicas, que certamente fariam outras pessoas recuarem ou evitarem confrontar. Mas suas índoles caridosas não permitiam negar auxílio àqueles que ligavam ou entravam em contato de alguma maneira pedindo desesperadamente por ajuda...

Há alguns 'diálogos' de gravações feitas em casos de possessão transcritos no livro, falam sobre o museu oculto que possuem em sua casa, contendo vários objetos que foram fonte de problemas aos seus portadores, bem como entrevistas feitas por ambos ao longo das décadas em que viveram juntos. Ed faleceu em 2006, mas Lorraine ainda é viva e continua morando na residência que dividiu com o marido...

Dois pontos que acho pertinentes citar a fim de concluir essa postagem: a todo momento, Ed enfatizava a importância de não 'permitir' que entidades entrem em suas casas. Espíritos inumanos precisam ter permissão para agir no campo dos vivos, e em boa parte dos casos que enfrentaram, as vítimas haviam causado uma abertura para que essas forças agissem, embora ludibriados a isso... Objetos como a tábua OuiJa são uma das principais fontes de canalização entre os vivos e mortos, e - acredite! - ela não atrai entidades boazinhas... 


Por último mas não menos importante, é preciso saber que a visão de ocultismo que o casal possuía é de que qualquer envolvimento com as artes mágicas eram de cunho maligno. Influência cristã, basicamente, já que ambos eram católicos religiosos... Embora  em algumas crenças, o uso de magia possa ser visto como algo benéfico, a visão de ambos se revelava conservadora quanto a isso, devido a educação católica que tiveram... 

Em suma, Demonologistas é uma leitura recomendada para aqueles que apreciam o sobrenatural, o oculto, paranormal, casas mal assombradas, exorcismos e tem curiosidade com demonologia e espiritismo... Acreditando ou não em tais coisas, é uma obra pesada, horripilante e repleta de informações... Só recomendo não fazer a leitura quando o relógio bater às 3 da madrugada...

Lorraine e Ed Warren



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12 Meses de Poe [Poema] Annabel Lee

"Foi há muitos e muitos anos já,
Num reino de ao pé do mar.
Como sabeis todos, vivia lá
Aquela que eu soube amar;
E vivia sem outro pensamento
Que amar-me e eu a adorar.

Eu era criança e ela era criança,
Neste reino ao pé do mar;
Mas o nosso amor era mais que amor —
O meu e o dela a amar;
Um amor que os anjos do céu vieram
a ambos nós invejar.
E foi esta a razão por que, há muitos anos,
Neste reino ao pé do mar,
Um vento saiu duma nuvem, gelando
A linda que eu soube amar;
E o seu parente fidalgo veio
De longe a me a tirar,
Para a fechar num sepulcro
Neste reino ao pé do mar.

E os anjos, menos felizes no céu,
Ainda a nos invejar…
Sim, foi essa a razão (como sabem todos,
Neste reino ao pé do mar)
Que o vento saiu da nuvem de noite
Gelando e matando a que eu soube amar.

Mas o nosso amor era mais que o amor
De muitos mais velhos a amar,
De muitos de mais meditar,
E nem os anjos do céu lá em cima,
Nem demônios debaixo do mar
Poderão separar a minha alma da alma
Da linda que eu soube amar.

Porque os luares tristonhos só me trazem sonhos
Da linda que eu soube amar;
E as estrelas nos ares só me lembram olhares
Da linda que eu soube amar;
E assim ‘stou deitado toda a noite ao lado
Do meu anjo, meu anjo, meu sonho e meu fado,
No sepulcro ao pé do mar,
Ao pé do murmúrio do mar."


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[Projeto de leitura] - Livros de Sangue 2 - Clive Barker

Olá, queridos leitores... Sei que estou atrasada no Projeto Livros de Sangue em seis meses, pois deveria ter concluído a leitura do segundo volume e postado a resenha em fevereiro, mas só agora em fins de março pude trazer o post por aqui...


Livros de Sangue Volume II nos contempla com cinco grandiosos contos de Clive Barker: Pavor, A corrida do inferno, O testamento de Jacqueline Ess, As peles dos pais e Novos assassinatos na Rua Morgue. Apesar de não terem nenhuma relação entre si, o que estes cinco contos possuem como elemento comum, além da poderosa narrativa descritiva e densa do autor - são os questionamentos existenciais por parte dos personagens envolvidos...

Com trechos bastante escatológicos compondo o cenário terrorífico onde as histórias acontecem, o leitor sente ímpetos nauseantes ao tentar visualizar tais descrições assombrosas, que poderiam levar-nos à loucura caso saíssem do ficcional para a nossa realidade... Por essa maestria em contar histórias de terror, Barker é considerado um dos melhores autores contemporâneos do gênero...

"O papel de parede do salão de entrada tinha cor de merda, e a tinta também. Era como caminhar, num intestino; no intestino de um cadáver, frio e repleto de merda."

Há um quê de artístico na composição sinistra de mortes e cadáveres que se amontoam ao longo das páginas. É visível sua inspiração em autores clássicos do gênero, e claras suas referências, como no último conto do livro, que faz alusão a uma das obras mais famosas de Edgar Allan Poe - Novos assassinatos na Rua Morgue. Mas voltemos ao início e logo encerro falando sobre esse conto...

Pavor é sobre a obsessão de um homem pelo medo, fazendo com que ele sequestre alguns conhecidos a fim de incutir-lhes o que há de mais tenebroso, levando-os a um estágio de loucura e carnificina... É forçar o medo no outro para que se liberem nele os instintos mais selvagens e primitivos... Pavor ganhou uma adaptação cinematográfica em 2009, intitulada Dread [Lentes do Mal no Brasil]. Não chega a ser um primor, mas vale uma conferida...

A corrida do Inferno traz o plano como um ser quase palpável, que disputa uma corrida de caridade a cada cem anos. O juiz da corrida é o Diabo em pessoa, e vai se apossando daqueles que não cruzarem a linha de chegada... Neste conto percebe-se a dualidade Bem versus Mal numa disputa em que poucos conhecem seu verdadeiro propósito. Se algum humano vencer, vai evitar o fim do mundo, por pelo menos mais cem anos. No dia que o Inferno vencer, tudo se extinguirá...

Jacqueline é uma mulher com um poder misterioso e fatal. Através do sexo, ela seduz os homens e um deles é escolhido para lhe ensinar o Poder. Acaba se frustrando com suas expectativas, deixando um rastro de sangue e carne retorcida para aqueles que tentam subjugá-la... O ódio crescente faz com que Jacqueline se vingue daqueles que ousarem cruzar seu sangrento caminho... Temos em meio ao cenário sanguinário um romance, rendendo um dos desfechos mais 'poéticos' na obra de Clive Barker...



Em As peles dos Pais, um homem se encontra perdido no deserto do Arizona até avistar um grupo de seres esquisitos. Quando este percebe que não se tratam de pessoas a quem ele poderia ter gritado por ajuda, têm-se início a uma perseguição... Posteriormente, numa cidadezinha próxima, mais eventos e personagens se entrelaçam revelando o motivo da presença de tais criaturas... A descrição de criaturas tão bizarras e horripilantes vão mexer com o imaginário do leitor... Hibridismo doentio e repugnante...


O último conto faz referência a Os assassinatos na Rua Morgue, do aclamado Edgar Allan Poe. O antigo horror está a espreita e começa a fazer novas vitimas... A história se recria e Lewis adentra num segredo de Philipe que jamais gostaria de descobrir... Lewis não poderia imaginar que a história narrada a Poe por seu avô e que deu origem a publicação viria ao seu encontro... 


Assim como no primeiro livro, alguns dos contos dessa edição compõem o Tapping the Vein [Skins of the Fathers e Hell's Event]. Posteriormente, foram adaptadas ainda para essa série de quadrinhos Dread e New Murders on the Rue Morgue.

A próxima discussão será sobre os contos do volume III: O filho do Celulóide / A cabeça descarnada / Confissões da Mortalha [de um pornógrafo) / Bodes expiatórios / Restos humanos. Fiquem de olho no blog... 


Livros de Sangue na Estante Virtual;
Posts relacionados a Clive Barker aqui no Torpor - Lançamento DarkSide  |  Hellraiser | Projeto de leitura Livros de Sangue em seis meses


9

Parceria - Odysseus Editora


Através desse post venho anunciar mais uma maravilhosa parceria para o blog. Dessa vez com a Odysseus Editora, especializada em obras clássicas gregas. 

Sua proposta editorial é voltada para publicações na área de Filosofia, Arqueologia, Mitologia, Arte e outras áreas ligadas do conhecimento humanista. Tem como objetivo atender também a professores/educadores e estudiosos acadêmicos com livros paradidáticos nas coleções Imortais da Ciência, Coleção Mitologia Helênica, Coleção Agon O espírito do Esporte  e literatura infantil...

É imenso meu prazer em ter fechado essa parceria, em virtude de ser apaixonada pela cultura grega, e por ser Historiadora. Entre os destaques das  coleções da Odysseus temos oito volumes da Mitologia Helênica: Édipo, Hércules, A Odisseia, Ilíada: a guerra de Troia, Jasão e os argonautas, Os deuses do Olimpo, Prometeus, os homens e  outros mitos e Teseu, Perseu e outros mitos.

A coleção Koúros contempla os títulos Filoctetes, Rei Édipo, Hipólito, Medeia, Os trabalhos e os dias, Hinos Órficos - Perfume, Hino Homérico II - a Deméter, Hino Homérico IV - a  Hermes e Hinos Homéricos I - do VI ao XXXIII. Essa coleção é bilíngue. 

Outra coleção digna de destaque é a de Estudos Clássicos, que possui títulos como Aprendendo Grego, Aprendendo Latim, Atores gregos e romanos, Arte grega e Letramento e Oralidade na Grécia Antiga.

Como podem ver, a editora tem títulos que prezam pela qualidade de suas traduções e que são imprescindíveis aos apaixonados pela Grécia e o legado que nos deixaram no mundo contemporâneo, desde o período da Antiguidade... Fico feliz de poder compartilhar esse conteúdo com vocês e espero que apreciem o trabalho da Odysseus...

Aproveito para anunciar também que até o último dia desse mês de março, a Coleção Koúros está com até 40% de desconto na compra de um de seus livros... Visitem o site da editora: 



Beijos e até a próxima... 
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12 Meses de Poe - Eleonora








Eleonora é mais um conto lido por mim por causa do Desafio 12 Meses de Poe. Já tinha lido uns anos atrás, mas é sempre bom revisitar tais histórias...

Publicada em 1842, conta a história de dois primos, seguindo a narrativa do personagem que - mais uma vez, a alcunha é desconhecida do leitor - em que ele descreve o local onde vive com a jovem e a mãe dela, sua tia. E passam-se 15 anos vivendo ali, até que a paixão aflora de ambos os lados...

Porém, o destino se revela cruel quando percebe-se que Eleonora está doente e seus dias de formosura na Terra estão prestes a ser encurtados... Ela não teme a hora final, e o rapaz faz uma jura de amor, prometendo jamais envolver-se com alguém enquanto vivo... 

Algum tempo depois, o narrador resolve ir embora do Vale onde passou a infância, e chega numa estranha cidade... Lá, conhece uma mulher chamada Ermengarda e a promessa que tinha feito a sua prima está prestes a ser quebrada...

Eleonora é um conto que pode ser considerado 'feliz' e tem um quê de autobiográfico... Muitos consideram que Eleonora do conto seria sua prima e esposa, Virgínia, que após cinco anos enferma acabou falecendo...Talvez nesse ínterim, Poe nutrisse algum sentimento por outra mulher...

É possível encontrar certa poética mesclada aos tons de morbidez ao longo da história. Lirismo e toques sobrenaturais dão mais suspense à narrativa... Eleonora é um conto que traduz bem as promessas feitas na adolescência... efêmeras como o vento, embora quando feitas possam se mostrar eternas... 





8

O livro de ouro do Recruta Zero Volumes 3 e 4

A Pixel Editora vem publicando nos últimos meses volumes d'O Livro de ouro do Recruta Zero. Já estamos em quatro volumes e cada um deles traz um período diferente das tirinhas do Quartel Swampy. O volume três aborda o período entre 1963 a 1994, sendo considerado o período mais apreciado pelos leitores da série... Personagens como Sargento Tainha, Oto, Cuca e Dentinho tem destaque especial, por representarem personalidades icônicas no quartel. 


Ao todo, são mais de 300 tirinhas que compõem este volume. As brigas entre Zero e o Sargento Tainha, devido a sua preguiça em executar pequenas atividades. A comida peculiar do chefe Cuca, geralmente apreciada apenas por Tainha e que vai ao lixo com os demais membros do quartel... É divertido acompanhar as peripécias de Tainha e seu cão Oto, que por vezes parece ser o único a ter sensatez ali...


Após algumas críticas pelo fato do quartel não possuir personagens negros, surge Mironga, trazendo representatividade aos negros. Ele ainda possui cabelo black power - nada convencional num quartel militar. Por fim, O volume três ainda nos apresenta uma namorada 'perdida' do Recruta Zero, que posteriormente namorou dona Tetê, mas que antes da tirinha ganhar fama, tinha em Bunny seu grande amor... Ela surgiu pela primeira vez em 26 de outubro de 1959. 

O Livro de Ouro do Recruta Zero volume 4 nos brinda com as cinco décadas iniciais da série, até o período das décadas de 1980/1990. Este volume reúne tiras que apresentam as origens e desenvolvimentos de vários personagens, bem como contextualizações e críticas sobre fatos históricos dos Estados Unidos da América, como a Guerra da Coreia, por exemplo. Foi em 13 de março de 1951 que o protagonista Zero se alistou no exército, mas nunca deu baixa nem foi a guerra.

No capítulo referente as tiras do Sargento Tainha, é mencionada uma esposa que 'caiu no limbo', bem como sua figura que foi modificada com o passar dos anos...Ele era mais magro e sua dentição também se modificou...  A higiene na cozinha de Cuca sofreu modificações. Cuca é outro personagem no rol dos clássicos, pertencente ao período formativo da tira...

Dentinho é conhecido por sua ingenuidade, mas houve outro soldado com características semelhantes a ele, que acabou não durando muito tempo: Ozone. Essa edição divide as tiras por personagens clássicos, os generais, o resto da tropa e mulheres. Temos momentos hilários com o Tenente Escovinha e Capitão Durindana. O Capelão é outro personagem que não poderia deixar de faltar na história...

Cosmo foi o único personagem que subiu de patente. Rocky seria o 'marginal, desajustado, outsider' do quartel, numa suave referência a Geração Beat devido à rebeldia dando os primeiros passos na época em que ele foi inserido ao quartel, no final dos anos 1950. Julius e suas tiras rendem muitas risadas, devido ao tratamento que recebe por parte dos outros membros de Swampy. Sua mania de limpeza e organização fazem com que os companheiros lhe chamem de "Mamãe". E ele bem parece uma 'mãe' no acampamento mesmo...


Temos a Sargento Lorota, durona e forçuda que não deixa Tainha em paz. A senhorita Blips é outra militar, secretária do gabinete do General. Miss Buxley ou Dona Tetê apareceu em 1971 e geralmente é cortejada pelo velhote mais atrapalhado do quartel. Ao contrário das outras mulheres, ela não é militar, atuando apenas como secretária. Atualmente, ela é namorada do Zero. Ainda temos a presença implacável da esposa do General: Martha Dureza. Ao final da edição, conhecemos um pouco a família do Zero, que ele visita quando está de folga do quartel...

O livro de Ouro do Recruta Zero é uma obra saudosista para aqueles que cresceram acompanhando suas aventuras. Excelente também para iniciar a nova geração no trabalho/legado de Mort Walker. Apesar de  aposentado, Walker ainda supervisiona o trabalho realizado com as tiras, desenvolvidas por seus filhos... O livro de Ouro permite algumas deliciosas risadas a todos os públicos...


7

Ájax, uma tragédia grega de Sófocles

 ~ esta resenha pode conter spoiler ~

Ájax é considerada a Tragédia Grega mais antiga de Sófocles que sobreviveu ao tempo e chegou até nós. Provavelmente foi escrita por volta de 445 a.C. Perdendo apenas para Aquiles, o herói de Tróia, Ájax era considerado o melhor guerreiro grego. Com a morte do primeiro, ele acreditava ser merecedor das armas dele. Porém, as honras couberam a Odisseu, deixando Ájax furioso.

Ájax quis matar seus generais aqueus e Atena acaba intervindo, transtornando o guerreiro, fazendo com que ele enxergue os homens como um rebanho de ovelhas. Ele mata algumas 'ovelhas' e leva outras para sua tenda, a fim de torturá-las. Quando percebe o engodo, se desespera e resolve tirar a própria vida, mesmo com sua esposa Tecmesa protestando...

Ájax tem seu fim jogando o corpo contra a espada que ganhara de Heitor, morto por Aquiles durante a guerra de Tróia. A partir daí, os chefes decidem o que fazer com seu corpo. Teucro acha melhor sepultá-lo, mas os irmãos Menelau e Agamêmnon se mostram contra... 

Fim do spoiler.

Para leitores que não possuem o hábito de ler peças gregas, a trama pode soar estranha, mas certamente vai agradar, assim como aos apaixonados pela mitologia desse povo. Ájax pode não ser uma peça tão conhecida como Édipo-Rei ou Antígona, também de Sófocles, mas carrega sua importância... Os diálogos são pungentes e o texto se revela fluído... 

A peça traz uma crítica a moral dos personagens, que vão dos sentimentos de vingança de Ájax movida pela honra, passando pela covardia de Agamêmnon e Menelau em negar-lhe sepultura digna e a sensatez de Odisseu. 

É difícil falar muito da peça sem entregar de cara seus elementos. Mas por se tratar de uma obra clássica e conhecida por muitos [como o desfecho de Romeu e Julieta, por exemplo], dá pra perdoar o possível spoiler... hehehe...





12

Lendo Sandman - Morte #3 [Um conto de Inverno, A roda, Morte e Veneza]



Olá, leitores queridos... Volto com mais uma postagem do Projeto Lendo Sandman Fase 2. Desta vez trago minhas conjecturas acerca de três histórias curtas da irmã de Sandman, que fazem parte da Edição Encadernada e definitiva de Morte, lançada recentemente pela Panini Comics




Em Um conto de Inverno, presenciamos um devaneio de Morte, sobre sua função no plano e o quão difícil foi pra ela compreender sua importância. Em dado momento, ela se 'revoltou' e  se recusa a cumprir sua tarefa, não matando nada, nem ninguém. Mas ao perceber o caos que se formou a partir de suas ações, ela se deu conta de seu papel, inevitável para quem vive... 












No conto A roda, um garoto tenta se jogar do alto de uma roda gigante, a fim de se encontrar com Deus e lhe perguntar o motivo de sua mãe ter morrido enquanto foi atender um chamado médico no ataque às torres gêmeas. Ele não vai obter a resposta que gostaria de ouvir, mas certamente A Morte vai lhe dar algo a que se 'agarrar'... 

Na segunda história temos um filho que se recusa a compreender os desígnios da vida, e acha que só indo de encontro com a Morte pode desafiar/culpar/questionar Deus pela dor da perda de sua mãe... 








Fechando essa trilogia de pequenas histórias da Morte, temos Morte e Veneza. Essa história já foi publicada por aqui na edição Noites Sem fim. Serguei ainda criança encontra um local em ruínas e uma estranha garota sentada no local, e após breve conversa ele acaba sendo encontrado por seus primos e volta para os seus... Mas a presença marcante da garota ainda povoa seus pensamentos, e anos depois ele retorna ao local, ainda mais deserto, se deparando com ela novamente... da mesma maneira que era, anos atrás...

Atendendo ao pedido da estranha, que esperava há muito que o portão daqueles ruínas fosse aberto, ele consegue abrir passagem e segue com ela para um local bem distante de sua realidade... Ela tem assuntos pendentes lá dentro e ele pretende segui-la...




Os questionamentos giram em torno da importância da Morte, no porquê dela ser fadada a todos, e que importância devemos dar a vida, já que é finita.


A edição encadernada da Panini reúne estes três contos, além dos arcos Morte - O alto preço da vida e Morte - o grande momento da vida. Há também uma galeria de imagens, uma história introdutória que aparece no início da série Sandman entre outros extras...


Infelizmente a segunda fase do projeto de leitura já está chegando ao seu desfecho, tendo apenas o arco Noites sem Fim para ser discutido... E já estou relendo a obra... nos primeiros dias de abril trarei a resenha aqui... Então é isso, espero que tenham gostado da postagem... Beijos e até a próxima...







10

A escrita bárbara e pungente de Michel Laub em O tribunal da Quinta-feira

Revisitar um autor com o qual tivemos um contato inicial maravilhoso é sempre bom, mas não impede de nos deixar com algum anseio de que tal leitura possa não ser ainda melhor que a inaugural... Mas quando se trata de autores como Michel Laub, gaúcho porto-alegrense, esse tipo de receio nem deveria existir...

Assim como em A maçã envenenada, Laub se mostrou cru e genial desde as primeiras linhas, nos presenteando com uma escrita que poucos autores da atualidade conseguem ter... O tribunal da Quinta-feira é ousado; através da figura do narrador José Victor conhecemos o crime pelo qual é julgado. Tudo partindo do ponto em que seus e-mails para o amigo Walter são lidos por sua [ex]esposa Teca. E por ela são divulgados, causando um mal-estar social e profissional, por detalhar em minúcias seu caso com uma colega de trabalho de apenas 20 anos, sendo que o próprio Victor tem bem vividos 43...

A amante Dani acaba sendo atingida pela repercussão, pois a sua intimidade foi exposta nas redes sociais. As conversas entre Victor e Walter são levadas à tona, inclusive o fato deste último ser soropositivo. E em meio ao caos que a vida do narrador se transforma devido ao vazamento de sua intimidade nas redes, há ainda o fantasma do virus da AIDS assombrando sua vida. Ele traça então toda uma trajetória do inicio da epidemia que vitimou os gays desde a década de 1980, inclusive famosos como Cazuza, Sandra Bréa, Claudia MagnoCaio Fernando Abreu e Freddy Mercury, como os amigos e conhecidos que enterrou, os parceiros de Walter que foram vítimas, as transformações sociais e de saúde que os soropositivos viveram ao longo dos anos até os dias atuais. 

Laub faz uma crítica interessante sobre a visão que a sociedade tinha dos gays/travestis desde os primeiros anos da epidemia, a 'morte social' do indivíduo, já morto em vida pelo isolamento que a doença lhes imputava, entre outros fatores sobre relacionamentos em construção e que se extraviam com o passar dos anos... Fala de seu casamento afundando, de suas escapadelas com a garota duas décadas mais nova, sobre a homofobia e violência de maneira nada suave, usando de termos clichês numa espécie de crítica dos mesmos, mas sem abrir mão da maestria ao lidar com uma trama tão intensa e fluída... 

"A vida é tão curta para ser levada a sério. Dá um sorriso, Às vezes. Isto. Assim que eu gosto. Em pouco tempo eu não vou mais estar neste mundo, já devem ter contado para você. Então, deixa eu levar esta lembrança comigo. Um rapaz tão bonito sorrindo. Será a última lembrança que terei. Você é a única visita que eu tive. Prometo lembrar disso na minha cova de indigente, onde vou sorrir também antes de subir no céu e todos serão felizes para sempre."

10

12 Meses de Poe - Os fatos do caso do Senhor Valdemar



Neste conto de Edgar Allan Poe, somos apresentados ao narrador, um indivíduo que tem interesse por hipnose e está disposto a iniciar uma experiência: hipnotizar alguém que já está prestes a morrer. Ernest Valdemar é um amigo seu e que sofre de tísica, tendo apenas mais algumas semanas de vida. Ele seria a cobaia perfeita para seu experimento...


"Além disso, ele quer descobrir: "Será que a hipnose pode retardar a morte?"


O procedimento é realizado, aparentemente com sucesso... Quando o narrador pergunta se o Sr.Valdemar ainda está ali, ele responde que sim... Porém... Os sinais vitais do homem desaparecem, embora ainda seja importante afirmar que ele ainda está ali... Os médicos resolvem esperar que ela morra de uma vez, a fim de quebrar a hipnose... 

Poe já havia escrito outro conto com a temática de Hipnose: Revelação Mesmeriana, mas confesso que acho a narrativa de Os fatos do caso do Sr. Valdemar infinitamente mais atrativas... O conto foi publicado pela primeira vez no ano de 1845. Trata-se de uma história curta, mas que prende o leitor até seu desfecho com ares grotescos... Um deleite para os fãs da escrita de Edgar...



6

12 Meses de Poe - Poemas [The Sleeper - A adormecida]

A adormecida - The Sleeper

I.
À meia-noite, ao sexto mês
A áurea lua em minha tez.
De sua orbe um vapor
Exprime orvalho em torpor,
Pingando suave ali perfaz,
No topo da montanha, paz.
Dormente esta névoa vem
Enquanto cobre o vale além.
À cripta pende o alecrim
E os lírios sobre o mar carmim,
Neblina envolve o busto teu,
Ruína que repousa ao breu;
O lago, afim a Lete o rio,
O léu, alerta, assumiu,
Do sono então jamais saiu.
As Belas dormem! – vê! Jazer,
Irene, tua Sina sê!

II.
Amada! Podes me assentir
P’ra noite a janela abrir?
O ar alegre e fugaz
Por copas verdes tranças faz –
O ar etéreo, em carretel,
Perpassa por teu mausoléu,
Enleia o véu de ondas em
Espasmos – temerosos – bem
Acima do tenaz caixão
Que encerra ali teu coração,
Tal como assombrações em gris,
As sombras perambulam vis.
Querida, não temeis o mal?
Quais são teus sonhos, afinal?
Pois de país distante vens
E toda atenção reténs!
Estranha a tua alvura é,
Estranhas mechas tens, até
Estranha é a tua fé!

III.
Que a dama possa repousar,
Seu sono o céu a vigiar
E profundo venha a ficar!
O leito torna-se um calvário
E o mausoléu um santuário.
Que para sempre, eu peço a Deus,
Cerrados olhos sejam teus
A os fantasmas camafeus!

IV.
O meu amor a repousar,
Os vermes sobre ti passar
E teu descanso aprofundar!
Floresta adentro, que algum
Jazigo, belo, incomum,
Suas portas abra para ti
E que, imponente, possa ali,
Zelar por ti sob os umbrais
De familiares ancestrais.
De sua infância o que restou
Foi a memória que bradou
Das muitas pedras que jogou
Na porta que jamais irá
Algum ruído ecoar lá.
Criança, sabes que a voz
Dos mortos é um som atroz.



15

Pompeia - A vida de uma cidade Romana

As ruínas da  cidade de Pompeia me remetem ao show realizado por Pink Floyd, tocando em meio ao silêncio de uma plateia ausente direto para os ouvintes do restante do planeta... Além da banda, milhares de visitantes viajam todos os anos para conhecer as ruínas de uma cidade devastada pelas chamas e lava do vulcão Vesúvio, que aproximadamente em 79 d.C sucumbiu em meio ao fogo e às cinzas levando à fuga e à morte quem se encontrava nela...

Editora Record lançou ano passado o livro Pompeia, escrito pela autora classicista Mary Beard, britânica que após visitas e pesquisas sobre a cidade antiga, escreveu a obra esmiuçando várias facetas e particularidades da cidade romana desde sua estrutura social ao desastre que lhe consumiu...


O livro divide-se em capítulos que abordam dede a vida nas ruas, a casa e o lar dos cidadãos pompeianos, a arte romana, línguas, costumes e religiosidade, além das diversões e jogos que animavam a população daquela época. Traz também uma galeria de figuras que ajudam a 'contar' a história de Pompéia da melhor maneira cabível quando se trata de contar a história de uma cidade através de escavações realizadas em seu sítio. Apesar de ser um livro de caráter acadêmico, sua escrita não é difícil para os leigos e curiosos no assunto. Não se trata de um livro apenas para historiadores mas - obviamente - se você não tem interesse em conhecer a história de Pompeia através de um olhar histórico, talvez a leitura não seja adequada...

Rico em informações, Pompéia aprofunda-se em temas cotidianos e desmistifica alguns fatos defendidos até então sobre a sua população, trazendo ainda alguns questionamentos sobre a funcionalidade da sua arquitetura, economia e política... Ao ler Pompeia, é como se o leitor estivesse sendo guiado por um passeio pelas ruas de pedras e calçadas altas, enfeitiçado pela história escondida ali e que se revela através dos fragmentos sobreviventes aos séculos... É imaginar como seria a vida de um pompeiano, do que se alimentava, quais os seus prazeres, deveres, rotinas... 


Pompeia - a vida de uma cidade romana é uma viagem ao século I d. C. Um mergulho na Antiguidade que permite reconstruir e resgatar um pedaço da História da Humanidade. E quem sabe sentir estranha empatia pelas pessoas que ali deixaram suas essências e cinzas, através dos séculos... 

"Pompeia era o lugar de uma tragédia humana, uma cidade dos mortos. Os túmulos que viam no início da visita (ainda que fossem de gente que, provavelmente, morrera na segurança de suas camas) eram uma mensagem que suscitava meditações sobre a fugacidade da existência e a inevitabilidade da morte para todos, ricos ou pobres. Do pó ao pó e - apropriadamente no caso de Pompeia - da cinza às cinzas."

Pink Floyd Live at Pompeii, 1971.


6

Supernatural - O livro dos monstros, espíritos, demônios e Ghouls



O universo da série Supernatural é repleto de criaturas místicas que povoam o imaginário de diversos folclores desde longos séculos. A série é um deleite para os telespectadores que apreciam histórias e mitos do além... Alex Irvine resolveu compilar no livro Supernatural - O livro dos monstros, espíritos, demônios e Ghouls várias dessas entidades, a fim de que possamos aprender mais sobre elas e de qual mitologia elas fazem parte...

Divididos em categorias, como Espíritos, Monstros, Demônios e Mortos-vivos, o livro funciona como uma espécie de Diário, narrado pelos irmãos Sam e Dean Winchester [protagonistas da série], enquanto eles percorrem os estados americanos resolvendo casos, procurando por seu pai John... A linguagem é informal, percebemos a maneira como os irmãos conversam conosco, sem deixar de lado as tiradas sarcásticas, em especial de Dean ao explicar algumas situações... 

"Se existe alguma coisa que pode competir com o 'coelhinho da Duracel' em termos de persistência, é uma maldição indígena."

Ao longo desse guia, eles acabam dando exemplos que vivenciaram com tal tipo de criatura e a forma como se livraram delas. Claro que tais exemplos são na verdade alguns episódios da série... Para quem já assistiu, é possível relembrar as cenas, e a vontade de assistir novamente só aumenta... Figuras como A mulher de branco, Wendigo, O demônio de  olhos amarelos, Tulpas, O Espantalho que recebia casais como sacrifício no pomar, Lobisomens, o Ceifador e alguns personagens secundários da série são mencionados, como Bob, Jo e Gordon... Até o ritual romano de exorcismo está presente no livro...


Algumas ilustrações estão presentes ao longo da edição, algumas passagens do diário de seu pai e ao final do livro temos um glossário contendo material sobre ervas, amuletos e óleos, como devem ser utilizados e sua função no mundo espiritual... 

Em suma, é um bom livro para qualquer fã de Supernatural que se preze. Fluído e interessante, serve como um belo guia de referência ao Oculto...



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