A Poesia reunida de Paula Tavares em "Amargos como os frutos"

| 23 dezembro 2016 | |
A poesia de Paula Tavares compilada em Amargos como os frutos possui certo misticismo, inserindo o leitor nas terras longínquas do continente africano. Uma das grandes vozes femininas de seu país na literatura/poesia nos presenteia com versos minimalistas repletos de metáforas que fazem alusão aos costumes de sua nação, enaltece o panorama das paisagens africanas além de  servir como crítica social ao machismo imposto às mulheres. 

Gritos, dores, suor do trabalho, valorização da terra, tradições, o moderno. Tudo se mescla de maneira poética em seus versos. Não falta lírica à obra de Paula. Encontramos elementos naturais, como água, terra, árvores, frutos, sol, dunas e desertos em perfeita consonância com elementos culturais e sociais, tais como escarificação, mitos e religiosidade, histórias e estórias, ritos, pobreza, fome, sexualidade feminina reprimidas, sacralidade religiosa em rituais de iniciação da mulher. Em paradoxo, há também alguma exaltação no erotismo  de suas essências, simbolismos com a menstruação e origens. 

Falando em simbolismos, importante frisar a importância do barro na cultura angolana. Mulher - Barro - Moldar significam a construção por mãos femininas, que servem para contar fragmentos de suas origens a partir do barro. 

De um título a outro, nota-se a transição de períodos em que tais obras foram escritas. Paula retrata desde antes da guerra ao momento pós-independência... Seus versos espelham o sonho-guerra dos anos ali vividos... Desde as tatuagens as cicatrizes na pele dos que ali viram seus sonhos serem transformados em estilhaços de desesperança... 








"Meu coração é um lago por onde deslizou a vida, sem flores, sem nenúfares."


"Os sonhos são desertos com navios encalhados."

5 Comentários:

Fabrica dos Convites Says:
29 dezembro, 2016

Oi Maria! Engraçado, ao ler sua resenha sobre os poemas da Paula Tavares, fiquei com a impressão de que eles tem uma marca bem brasileira, quase que como uma identidade nacional. Talvez pela mescla que você disse que ela faz.
Bjs

Larissa Says:
29 dezembro, 2016

Confesso que poesia não é o tipo de literaturo que costumo ler, mas sou fã e adoro ler sobre criticas sociais. Recentemente me indicaram alguns contos africanos, e já está anotado na minha lista de leituras; irei adicionar este também!
BJs

Gleyse Vieira Says:
30 dezembro, 2016

Oi Val, você sempre nos surpreendendo. Adorei os versos no final, deu uma mostra do trabalho da autora que me deixou bem curiosa pelos elementos e temas que aborda. Adoro o fato de ela retratar através de versos seu país e sua cultura tão rica, tão cheias de significados. Espero poder conhecer melhor o trabalho dela. Bjs

Livreando Says:
02 janeiro, 2017

Não sou muito fã de poesia, mas sempre que tenho alguma oportunidade leio algo para não ficar totalmente alheia. Sobre sua dica de hoje, me chamou a atenção pela riqueza de elementos contidos na obra,e fiquei curiosa para saber como eles são retratado.
Bjim!
Tammy

Michele Lopez Says:
02 janeiro, 2017

Olá,
Não tenho o hábito de ler poesia, acho que não tenho facilidade para entender a profundidade das palavras utilizadas no gênero.
Dessa forma, desconhecia a autora e sua obra. Mas achei bem interessante ela trazer esse tom de miticismo e também os simbolismos utilizados.
Adorei saber suas impressões sobre!

http://leitoradescontrolada.blogspot.com.br/

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