Livro sobre Nada

| 13 novembro 2016 | |

É sempre com um sentimento intitulado prazer que venho falar mais uma vez de Manoel de Barros aqui no Torpor Niilista. Há exatos dois anos ele nos deixava... O selo Alfaguara da ed. Companhia das Letras anda publicando alguns de seus títulos e mais uma vez solicitei a poesia de Maneco. Trata-se do Livro sobre Nada, obra escrita em 1996, que possui puro encantamento com a maneira peculiar de Manoel em brincar com as palavras...

O livro possui quatro partes e em seus versos iniciais, percebemos a habilidade do poeta em tornar profundo o ilógico, absurdo... 

"Ele tinha uma voz de harpas destroçadas."

A segunda parte do livro é tomada de um lirismo que preenche o 'eu'. O 'eu' 'lê avencas e Proust', 'ouve aves e Bethoveen'. A presença da natureza e da cultura se fazem presentes nos versos que compõem tais páginas, bem como elementos do sonho, numa cadência que reverencia a terra de Manoel, o Pantanal mato-grossense...

"Nasci para administrar o à toa
o em vão
o inútil.
[...]
Retiro semelhanças  de pessoas com árvores
de pessoas com rãs
de pessoas com pedras..."

A terceira parte é constituída por frases curtas que soam como uma ode a sabedoria, na forma de aforismos... 

"O meu amanhecer vai ser de noite."

A quarta parte apresenta um Manoel íntimo da arte e da escultura  contemporânea. Seus versos neste ponto exploram as dimensões da memória, da inovação das palavras, da loucura e sonho... Ele resgata personagens já conhecidos de outrora. Sua [meta]poesia enleva o leitor, como a passear por recantos alagados de suas terras, tornando-nos cúmplices da beleza que a natureza nos proporciona...

Ler Manoel de Barros é entregar-se ao abandono dentro de nós mesmos, numa viagem lírica e fantástica ao Livro sobre Nada, que é sobre tudo, menos o nada que ele propôs ser...

6 Comentários:

Lilian Farias Says:
13 novembro, 2016

Credo, morrendo de inveja em 3,2,1 Quero muito esse livro, pena que as obras do autor são tão fora de meu orçamento, comprei meu primeiro livro dele recentemente, apesar de amar suas poesias. Sua resenha ficou linda, apresentou bem o livro e a poesia do autor, a brincadeira que ele faz com as palavras.

Leituras Compartilhadas Says:
15 novembro, 2016

Que capa linda, que trabalho caprichado. Não li esse livro, mas conhecendo Manoel de Barros, tenho certeza de que se trata de uma ótima leitura. Que bom que a Alfaguara resolveu publicar essas pérolas.

Tatiana

Ana Caroline Says:
17 novembro, 2016

Olá, Maria. Esse selo vem publicando bons livros, tenho já uma trilogia que foi lançada por ele.
Fico feliz que tenha gostado tanto da leitura. Apesar do autor ser muito bem recomendado e eu já ter lido algumas poesias dele, não me interessei pela leitura do livro.

Rodrigo Costa Says:
17 novembro, 2016

Nossa, tô cada vez mais aprendendo a apreciar poesia. Adorei a indicação e o título é bastante curioso. Ótimo Post!

Abraço;

http://estantelivrainos.blogspot.com.br

Catharina M. Says:
18 novembro, 2016

Oie
não conhecia o livro mas achei bem interessante e chamativo, vou anotar a dica

Beijos
http://realityofbooks.blogspot.com.br/

Alexia Oliveira Macêdo Says:
19 novembro, 2016

Hey! Juro que não conhecia o livro e acho que nem o autor, posso até ter ouvido falar, mas não me vem a lembrança. O livro parece ser legal, mas não faz muuuuito parte do meu tipo de leitura. Talvez dê uma chance no futuro ☺ Flores no Outono 

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