O sol também se levanta - Ernest Hemingway [#MLI2016]

| 23 setembro 2016 | |
Há um bom tempo o livro O sol também se levanta estava em minha lista de leituras, e esse ano resolvi desencalhá-lo da estante... Escrito por Ernest Hemingway em 1926, narra as [des]aventuras de um grupo de americanos em Paris, após o fim da Primeira Guerra. De lá, eles partem para a Espanha a fim de buscar novas sensações num festival [fiesta] cheio de danças, touradas e procissões de cunho cultural-religioso. Em meio a esse exótico cenário, um romance entre Barnes e Brett acontece... Barnes é uma figura mutilada e expatriada da guerra, e sua narrativa nos faz adentrar nesse universo cheio de figuras de uma geração desgastada mas que ambicionam diversão, pura e simplesmente, entretendo-se ao máximo antes que o marasmo se aposse deles novamente...

Trabalhando como fotógrafo, impotente após voltar da guerra, acaba se apaixonando por Brett, uma garota que não se prende a amarras sociais e se envolve com vários homens, quantos ela sinta vontade. Barnes seria o touro ferido de guerra, que não possui forças de celebrar sua própria fiesta. De Paris a Pamplona, a obra retrata uma geração que sobreviveu a guerra e se entregou a luxúria, ao álcool e a vida fútil, preocupando-se apenas com o presente, desperdiçado em apostas, interações vazias e diálogos carregados de drama, acidez e ironia, numa tentativa vã de disfarçar as frustrações pessoais. 











 "Durante o dia, nada mais fácil do que mostrar que não se dá importância, mas, à noite, é diferente"









A influência de Hemingway remete aos escritos de Jack London, nos primeiros anos de produção literária. O objeto principal de suas narrativas são o mundo selvagem e violento, amargura e [des]ilusão. Seu inglês vigoroso possibilitou que seus textos se tornassem mais intensos, evitando adjetivos na escrita. Trabalhou como jornalista, serviu ao exército e algumas de suas experiências de guerra podem ser encontradas na obra Adeus às armas.

Rompendo com a sociedade e convenções sociais depois de tantas experiências traumáticas, entrega-se a uma desesperança que fatalmente lhe tiraria o gosto de viver... Muda-se para Paris e reúne-se ao grupo que ficou conhecido como Geração Perdida, que contava com membros como F. Scott Fitzgerald, o pintor Pablo Picasso e Ezra Pound, entre outros. Abandonou o jornalismo e rumou para a Espanha, documentando a fiesta de Pamplona, com seus espectadores e toureiros. Fiz necessário detalhar essa fase do autor a fim de se entender a obra aqui resenhada; a experiência pessoal de Hemingway resultou nesse romance.

O autor ainda participou da Guerra Civil espanhola, e Por quem os sinos dobram? nasceu desse evento. Vendo o fascismo se alastrando, tomou ainda mais desgosto por tudo... Após alguns anos volta aos romances. Mas algo havia se fragmentado sem chance de retorno na mente genial do escritor... Em 1961, ele se mata com um tiro de fuzil, mesma arma que seu pai se suicidou, anos antes... 

É notável o avanço na estética literária de O sol também se levanta. Seu enredo é desprovido de teatralidade, embargado de ironia, a contar de seu próprio título [O sol também se levanta é uma referência ao ferimento que Jake Barnes sofreu na guerra, impossibilitando seu membro de 'subir'] e traz em seus personagens uma clareza que beira o real, sem elementos fantasiosos que tornariam tais indivíduos figuras caricatas dentro da crua narrativa... 

Em suma, uma obra espantosa. Sua essência beira o autobiográfico e flerta com autores contemporâneos que beberam avidamente da fonte 'perdida' da geração que abraçou Hemingway... 



12 Comentários:

Nina Spim Says:
25 setembro, 2016

Oi, moça!

Sabe que nunca li nada do Hemingway? Não porque acho difícil, mas porque realmente nunca me interessei. Mas a sua resenha me fez querer muuuito ler essa obra, sabia? Sinto falta de ler coisas mais "antigas", textos de gerações diferentes. Gostei muito da caracterização das personagens e do que elas vão passar na trama. Dica anotada! Vou procurá-lo na biblioteca da minha faculdade! :)

Love, Nina.
http://ninaeuma.blogspot.com/

Marcia Lopes Says:
25 setembro, 2016

oLá
Que bacana sua resenha. Conheço a obra, mas nunca li. Vai ficar aqui anotada aqui
Bjs

Morgana Brunner Says:
25 setembro, 2016

Oiii Maria, tudo bem?
Eu realmente não conhecia o autor e nunca li nada do mesmo, em relação a obra eu leria com toda certeza, mas com o passar do tempo, assim que eu estiver mais nada para ler da faculdade mesmo, porque essa época é tensa, dica super anotada.
Beijinhos

Isabela Castro Says:
26 setembro, 2016

Olá, a história não me atraiu muito, então passarei a dica dessa vez. Mas imagino que seja um bom livro, com personagens bastante reais. Uma pena que a vida do autor tenha terminado de maneira tão trágica.
Beijos,
sigolendo.com.br

Memórias da Cat Says:
26 setembro, 2016

Olá. Acho que deixarei passar a dica dessa vez, não gosto muito de livros que contem histórias de guerras, principalmente ao saber que a vida do autor terminou assim tão trágica. Porém fico feliz que a leitura tenha sido boa para tu. beijis

Bruna Costabeber Says:
26 setembro, 2016

Olá!
Não gostei muito da premissa do livro, acho que não é um livro que irá me agradar nesse momento, mas me remeteu a uma amiga, acho que faz seu gênero.
Gostei de saber que a essência do livro beira o autobiográfico, achei legal.
Adorei sua resenha e vou indicar para a amiga que disse que lembrei no começo do meu comentário.
Beijos,
Um Oceano de Histórias

Raquel Cavasini Says:
26 setembro, 2016

Olá, adoro passar aqui para pegar dicas mais cult...obras das quais eu nunca tinha ouvido falar. Adorei a resenha, gostei do enredo que você apresentou, acho que vai entrar para a lista de desejados.

Abraços
Literaleitura

Roberta Gouvêa Says:
27 setembro, 2016

Oi, Val. Tudo bem?
Eu sempre quis ler algo do autor, até porque foge bastante das coisas que costumo ler. Gosto dos assuntos abordados e dos lugares onde as histórias se passam, ainda mais quando tem algo contra as convenções sociais hehe
Beijos <3

Leandro Brito Says:
28 setembro, 2016

Olá, Maria Valéria. Tudo bem?
A meu ver, você fez muito bem em resgatar esse livro da estante e tenha si dado a oportunidade de lê-lo. Eu ainda não tinha ouvido falar sobre ele, mas confesso que fiquei bem interessado da história e com vontade de ler. É um gênero que gosto bastante. Com certeza, vou marcar aqui para ler no futuro. Obrigado pela dica.
Abraço!

meuniversolb.wixsite.com/meuniverso

Dryh Meira Says:
28 setembro, 2016

Oiee ^^
Eu cheguei a ler um dos livros do autor, e gostei bastante. Achei a escrita dele muito interessante, e como eu gosto de obras que se passam em momentos trágicos da história da humanidade (vulgo= guerras), fiquei curiosa para conhecer este. Só não gostei muito da capa *-*
MilkMilks ♥
http://shakedepalavras.blogspot.com.br

Livros & Tal Says:
29 setembro, 2016

Oie...
Nossa eu não conhecia o livro e nem o autor, mas não sei, acho que esse livro não é muito o meu estilo. Apesar da sua resenha estar muito bem escrita e empolgante, esse livro não é para mim

beijos
Mayara
Livros & Tal

Licavargas Says:
02 outubro, 2016

A muito tempo que eu quero ler algo do autor, mas nunca sei direito por qual começar e assim fico adiando a leitura.
Adorei ler sua resenha e os pontos que você comenta me deixaram mais do que curiosa para conhecer a obra. Não sei se é o livro ideal para eu começar a leitura do autor, mesmo assim, ele com certeaa entrou para a lista!
Beijinhos,
Lica
Amores e Livros

Postar um comentário

De Bukowski a Dostoievski. Ana Cristina César a Lilian Farias. Deleite-se com a poesia de Florbela Espanca e o erotismo de Anaïs Nin...
Aforismos, devaneios, quotes dispersos e impressões literárias...um baú de antiguidades e pós-modernismo. O obscuro, complexo, distópico, inverso... O horror, o amor, a loucura e o veneno de uma alma em busca de liberdade...

Seja bem-indo-e-vindo[a]!

╬† Literatura no Mundo ╬†

╬† Autores ╬†

agatha christie Alan Dean Foster Alan Moore Álvares de Azevedo Ana Cristina César Anaïs Nin Anna Akhmatova Anne Rice Anne Sexton Antônio Xerxenesky Arthur Rimbaud Bob Dylan Bram Stoker Cacaso Caio f. Abreu Cecília Meireles Charles Baudelaire charles bukowski Charles Dickens chuck palahniuk Clarice Lispector clive barker Cruz e Sousa dalton trevisan David Seltzer Dik Browne Don Winslow edgar allan poe Eduardo Galeano Emily Brontë Ernest Hemingway Eurípedes F. Scott Fitzgerald Ferreira Gullar Florbela Espanca Franz Kafka Garth Ennis George R. R. Martin Gilberto Freyre Guido Crepax H. G. Wells H. P. Lovecraft Haruki Murakami Henry James Herman Hesse Herman Melville Hilda Hilst honoré de balzac Horacio Quiroga Hunter S. Thompson Ignácio de Loyola Brandão isaac asimov Ivan Turgueniev J. R. R. Tolkien Jack Kerouac Jack London Jay Anson João Ubaldo Ribeiro Joe Sacco Jon Krakauer Jorge Luis Borges José Mauro de Vasconcelos Julio Verne Konstantinos Kaváfis L. Frank Baum Laura Esquivel Leon Tolstói Lord Byron Luciana Hidalgo Luiz Ruffato Lygia Fagundes Telles manoel de barros Marcelo Rubens Paiva Mario Benedetti Mark Twain Marquês de Sade Martha Medeiros Mary Shelley Michel Laub Miguel de Cervantes Milo Manara Moacyr Scliar Neil Gaiman Nelson Rodrigues Nicolai Gógol Oscar Wilde Pablo Neruda Patti Smith Paulo Leminski Pedro Juán Gutierrez Rachel de Queiroz Rainer Maria Rilke Ray Bradbury Robert Bloch Robert Kirkman robert louis stevenson Roberto Beltrão Rubem Alves Sándor Márai Sófocles Stephen King Stieg Larsson Susan E. Hinton Sylvia Plath Torquato Neto Victor Hugo Virginia Woolf William S. Burroughs Ziraldo
Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...
Witches Hat
Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...