As Letras do Amor, de Paula Ottoni

| 04 setembro 2016 | |

Eis que trago a vocês as impressões que tive do livro As letras do Amor, da autora Paula Ottoni, e que foi lançado recentemente pelo selo Novas Páginas da editora parceira Novo Conceito. Como podem ver pela bela capa, trata-se de um romance ambientado em Roma, capital Italiana... Não sou muito dada ao gênero mas a ambientação certamente contribuiu para que eu solicitasse o livro, e por ser tão curto [apenas 224 páginas], pensei que seria uma leitura leve e interessante...

Leve até foi, mas infelizmente não passou disso. Logo nos primeiros capítulos percebi que a escrita de Paula me incomodava em alguns momentos... O enredo soou previsível demais, e mesmo sendo um livro de literatura juvenil, acredito que ficou aquém dessa proposta... Acredito até que o gênero juvenil já foi mais caprichado, em meus tempos de juventude... O livro parece uma metralhadora de clichês, amontoados em situações forçosas e com uma escrita que beira o simplório. Não tenho nada contra triângulos amorosos, até gosto deles, mas quando bem explorados, o que - a meu ver - não se aplicou aqui. 

O enredo trata de uma garota chamada Bianca, que por ter nacionalidade italiana se muda com o então namorado para viver seis meses em Roma, no apartamento de um amigo de Miguel, Enzo. O namoro ia bem, mas conviver com alguém que - devido ao negócio que seu pai rico lhe incumbiu de administrar na cidade, a fim de tomar seu próprio negócio quando voltasse ao Brasil - não lhe dava atenção, Bianca se sentiu deslocada. Mesmo nas tentativas de sair e socializar com os amigos dos dois, ela ainda não se sentia a vontade no relacionamento, além de certas investidas que Miguel dava nela, a fim de que chegassem logo aos 'finalmentes' na relação. Mesmo quando eles consumaram o ato, Miguel quase nunca dispendia tempo para a namorada e logo ela começa a arrumar empregos temporários a fim de não depender unicamente dele, e Enzo lhe dava todo o suporte que Miguel não dava... Por ai se premedita o que vai ocorrer...

Não é algo que aconteça imediatamente mas Bianca se segura em suas convenções para não abalar o relacionamento com Miguel, nem que a amizade de ambos se desmanche por causa dela... E ao longo da narrativa [na primeira pessoa de Bianca], acompanhamos o conflito da protagonista em reprimir seus sentimentos com relação a Enzo, e percebemos que o rapaz vivencia o mesmo conflito... O cenário romantiza os passeios e os momentos de ambos tentando fugir de seus sentimentos, e o clichê povoa esses capítulos... 

Alguns pontos me irritaram, soando como reprodução de elementos conservadores, como "honra de conceder a virgindade" e "ela é bonita, mas carrega na maquiagem", não ajudam a desconstruir certos [pre]conceitos sobre a liberdade sexual da mulher. Ainda mais pelo fato da protagonista ser maior de idade. É tudo demais romantizado, como histórias de princesas esperando o homem perfeito [na história sendo representados pela  figura de Enzo, que chega a ser tão perfeito que dá nos nervos. Não existem homens sem defeitos.]... 

A história ruma para um desfecho previsível e que não me causou emoção alguma. Temos a presença de alguns personagens secundários, como a amiga brasileira de Bianca, Mari, e Catherine, uma francesa que ela conhece num curso de italiano e vira sua companhia feminina durante a estadia em Roma, bem como a família de Enzo, seus amigos de banda [sim, ele toca numa banda...], amigos de Miguel e a família de Bianca que passava por um período difícil, mas que ao fim do livro ficam todos bem e felizes... 

Com relação a diagramação, a editora fez um grande trabalho. O que me agradou bastante no início dos capítulos foram seleções de música numa playlist, em que a maioria das escolhas são de meu gosto, embora um outra eu não escute... As folhas são amareladas e não atrapalham a leitura, e os capítulos são curtos, não tornando a leitura cansativa... Pra mim, não funcionou, mas para quem não tem problema com clichês e contos de fada modernos com final feliz, vai agradar em cheio...

6 Comentários:

thaila oliveira Says:
04 setembro, 2016

a capa é bem romântica e pelo visto toda a proposta é... eu gosto desses enredos, mas realmente não sei se leria por agora
http://felicidadeemlivros.blogspot.com.br/

Morgana Brunner Says:
05 setembro, 2016

Oiii Val, cmo vai?
Eu to bem louquinha para realizar a leitura desse livro referente a sinopse que me atraiu, fiquei triste em saber que a escrita da autora não lhe agradou muito, mas mesmo assim quero ler.
Beijinhos

Yohana Sanfer Says:
05 setembro, 2016

Olá! Gostei das suas observações quanto à desconstrução de padrões. Em geral, acredito que cada leitor sinta o livro de uma forma diferente e há aqueles que ficam felizes com histórias românticas. Comemoro pela literatura nacional, que cresce a cada ano! ;)
Bjs

Gabriela Cerqueira Says:
06 setembro, 2016

Olá, tinha ficado interessada no livro quando ele saiu nos lançamentos da editora por envolve letras no nome,já que faço letras achei fofinho KKK, mas pelo visto ele é o tipo de livro que eu não gosto, clichê + triângulo amoroso são as coisas que mais odeio em livros, e ainda mais sobre o fato do livro ter uma carga machista me fez perder a vontade de fazer a leitura,

Livros & Tal Says:
07 setembro, 2016

Oie!!
A capa desse livro é fantástica, pena que não tenha gostado muito para você por causa da escrita da autora. Eu tenho uma certa dificuldade em ler livros mais juvenis, e essa história no momento não me chamou a atenção.

beijos
Mayara
Livros & Tal

Dayane Reis Says:
09 setembro, 2016

Olá;. Não conhecia o livro. A capa é bem bonita. O livro não me atraiu muito, eu adoro romance, e por mais que seja um romance clichê tem que ser bem construído. E pela sua resenha, que gostei bastante, apresenta que o livro não foi muito legal e isso só me fez ter mais desinteresse pelo livro. Beijos'

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