A romantização do suicidio... [Setembro Amarelo]

| 19 setembro 2016 | |
Jack London, Florbela Espanca, Sylvia Plath, Ernest Hemingway, Virgínia Woolf, Ana Cristina César, Yukio Mishima, Nikolai Gógol, Hunter Thompson, Vladimir Maiakowski, Anne Sexton são alguns escritores/poetas que admiro. Alguns escreveram em prosa, outros em poemas, pertencem a diferentes nações e épocas, mas há algo que todos tem em comum: suas mortes pelo suicidio...

Muita gente deve ter tomado conhecimento da campanha Setembro Amarelo; trata-se de uma campanha sobre conscientização e prevenção ao suicídio. Nos tempos atuais, ouso dizer que estamos vivendo uma era de depressão, e muitas pessoas tem receio de pedir ajuda devido a incompreensão de muitos quando se fala no assunto.

Durante o mês de setembro a campanha está ativa a fim de ajudar as pessoas que passam por vários problemas, que já tentaram tirar a própria vida  ou que ao menos pensaram na possibilidade. Todo conforto é necessário nessas horas e qualquer um pode fazer sua parte, principalmente no que concerne em não piorar o processo no indivíduo que tem pensamentos suicidas... Se não souber o que dizer, mais vale um abraço do que uma recriminação ou frases de 'auto-ajuda' que podem dificultar ainda mais a recuperação e apoio...

Falar sobre o assunto pode vir a ser útil nessa campanha. Vários blogs estão postando conteúdo sobre isso, e eu pensei até em não fazer parte, pois o tema é demais delicado pra mim. Infelizmente, perdi uma amiga há dois anos e até hoje não sei lidar com tudo que aconteceu... Dói pensar, mas doeria mais ainda não falar sobre e pensar que alguém precisa de ajuda e eu me abstive de dar apoio...

 Na literatura, os nomes citados acima partiram de forma triste... Por vezes me pego pensando... se alguém tivesse chegado a tempo pra impedir, se tivessem ouvido uma palavra amiga ou se simplesmente quiseram atingir alguém chegando a esse extremo... são respostas que ninguém jamais saberá, pois tudo referente a essa decisão foi embora com eles...

 Há uma espécie de romantização do ato nas artes, literatura, na música e em outros aspectos sociais em geral... Mas é preciso entender que a partida brusca de pessoas queridas assusta, machuca e temos que lidar com isso, de uma forma ou de outra... é difícil pra quem vai, triste para os que aqui ficam...
E o que mais atormenta é o 'não-compreender', as perguntas que ficam sem resposta, os "se's" no caminho que percorremos... Já aquilo que os atormentou, se foi com eles...

Suicídio de Cleópatra

Em suma, suicídio é um tema delicado e jamais deve ser tratado de forma leviana, como em muitas obras que andam sendo publicadas por aí... Parece até que é 'cool' se matar, é uma espécie de 'nova febre' que em nada esclarece, mas aborda rasamente o assunto... e se matar não é brincadeira, não é algo que dá pra voltar atrás... é um passo decisivo e final de ser tomado...



21 Comentários:

- fecprates Says:
20 setembro, 2016

Olá
É um tema bem delicado mesmo, mas a iniciativa é ótima e achei seu post ótimo. É como você comentou, impossível não pensar que algo poderia mudar caso alguém chegasse antes :(
Beijos, Fer
www.segredosemlivros.com

Carolina Trigo Says:
21 setembro, 2016

Oi Maria!
Eu simplesmente AMEI o seu texto! Disse tudo o que penso e a realidade da sociedade: Dos que pensam em fazer ou já fizeram e dos que acham isso baboseira, que ninguém realmente faz isso...
Estou adorando os posts dos blogs a respeito do Setembro Amarelo, pois muitos precisam disso para saber que existem gente para ajudar e outros para terem um pouco mais de conhecimento sobre esse assunto tão sério.
Acho que um dos problemas de quem se suicida ou pensa nisso é que não tem ninguém para conversar ou para mostrar que ele não precisa fazer isso - qualquer problema se resolve, a morte não! Vivemos hoje numa sociedade que pensa muito em si mesmo e pouco nos outros e acredito que isso é uma fato crucial no suicídio.
Parabéns pelo post.
Bjss

http://umolhardeestrangeiro.blogspot.com.br/

Manoel Alves Says:
21 setembro, 2016

Olá
Realmente, o suicídio é algo mais do que delicado para ser falar. E falar com uma pessoa que pensa nesse ato é mais complexo ainda, eu não conseguiria. Acho que palavras amigas e confortantes resolvem muitas coisas a respeito do suicídio. Já conheço de perto o suicídio pois meu colega resolveu ir por esse caminho, :'(. Apoio muito essa campanha e espero que seja um sucesso pois a casa é muito nobre. E que venha mais Setembro Amarelo. Até mais vê anjo
Bjs

Ivi Campos Says:
21 setembro, 2016

Embora tenha-se falado muito no setembro amarelo, vi poucas coisas na blogosfera sobre isso e temos muitos personagens que acabaram com nossos corações, se suicidando. Adorei o seu post e a forma como você desenvolveu o tema!!! Lindo e relevante!!!
MEU AMOR PELOS LIVROS
Beijos

Suelen Fernandes Says:
22 setembro, 2016

Olá!
Hoje em dia tudo vira bonito e legal. Estão romantizando tudo de ruim, estupro, suicídio, pedofilia, incesto. Está virando febre isso. E tem escritores que ainda incentivam essa pratica, claro que é a minoria, mas leitores de mente fraca acabando aceitando essas informações. Devemos dar um basta nisso. É sim a nossa responsabilidade esclarecermos essas coisas que estão acontecendo. Não devemos nos conformar.
Amei o seu texto e a sua iniciativa.
Beijinhos!

Dryh Meira Says:
22 setembro, 2016

Oiee ^^
Realmente, o suicídio é um assunto muito importante de ser falado e mencionado, mas eu acho que, esses livros todos sobre suicídio, romantizados, até que são bons. É uma forma que chamar a atenção das pessoas, mesmo que não da forma correta, abafando alguns pontos fortes. Enfim, é um mês triste, mas é uma pena que poucos levem a sério.
MilkMilks ♥
http://shakedepalavras.blogspot.com.br

Bruna Costabeber Says:
23 setembro, 2016

Olá!
Primeiramente, sinto muito por sua perda, espero que, em algum momento, você encontre conforto para seu coração.
Não perdi ninguém por esse motivo e sou muito grata por isso. A romantização do suicídio é algo ruim em minha opinião, pois torna ele bonito, sabe? E muitas pessoas que estão passando pela 'era da depressão', como você descreveu, acreditam que devem fazer isso e, por vezes, nenhuma palavra amiga pode ajudar.
Espero que as pessoas que pensam isso notem que podem conversar, que não estão sozinhas e que podem receber ajuda e, também espero que, os que não pensam isso, ajudem os outros, pois é muito doloroso ver e viver isso.
Parabéns pela postagem.
Beijos,
Um Oceano de Histórias

Atraentemente Evandro Says:
23 setembro, 2016

A importância da campanha é alertar e criar oportunidades para discutir e entender o assunto. Realmente quem vive ou conhece pessoas que tem ou passaram por depressão sabe da seriedade que isso merece. Sofre a pessoa, sofre a família. Realmente tenho que selecionar, pois nem tudo trata o assunto com o respeito merecido.

*☆* Atraentemente *☆*

Gabrielly Marques Says:
23 setembro, 2016

Oii Val, tudo bem? Esse é um assunto que também mexe muito comigo! É um tema que está sendo muito abordado nos YAS contemporâneos. Alguns são mais maduros que outros, mas é muto válido falar sobre isso, de uma forma que atinja os jovens e os faça pensar. Dos autores que citou eu li apenas Sylvia Plath, o maravilhoso A Redoma de Vidro. Ótima postagem.

Beijos!

Carla Says:
23 setembro, 2016

Oie!
Um tema tão atual, que em nenhuma hipótese deve ser tratado com leviandade. Eu desconhecia essa campanha de setembro, só fiquei sabendo quando comecei a ver sofre isso no facebook. E acho espetacular, pois é um assunto tão delicado que muitos não querem falar, mas precisa.

Bjks!
Histórias sem Fim

Francine Porfirio Says:
23 setembro, 2016

Parabéns, flor, pela sua coragem de trazer à luz da literatura e da arte o tema suicídio. Parabéns por enfrentar seus próprios sentimentos para permitir que outras pessoas sejam beneficiadas pelo conteúdo do seu post. Acho que você tem razão, pois já li algumas obras que traziam o suicídio de um modo descuidado (quase secundário). É uma irresponsabilidade grande tratar de um tema tão pesado de uma forma insensível. Claro, a arte (sendo crua) provoca e induz à reflexão. Mas a literatura necessita de um aprofundamento maior, um contexto, uma construção.

Beijos!
www.myqueenside.com.br

Gislaine Oliveira Says:
24 setembro, 2016

Oi Maria, tudo bem?
Ótima postagem. Eu não postei nada ainda e não sei se postarei.
Há algum tempo venho lutando contra a depressão, embora esteja ganhando as últimas batalhas <3
Mas suicídio é complicado. Nunca perdi ninguém dessa forma, embora quase tenha me perdido neste caminho. Mas é complicado, porque não é como se houvesse uma lista de sintomas. Eu acho sim, que as pessoas deixam pistas. Mas às vezes é difícil perceber e muitas vezes, as pessoas preferem nem ver. Porque é mais fácil fingir.
Mas alertar a todos é muito importante. Muitas vidas podem ser salvas. Acho que falar sobre problemas psicológicos, de todas as formas, é muito importante.
Beijooos
http://profissao-escritor.blogspot.com.br/

Luana De Martins Says:
24 setembro, 2016

Olá! O que mais gostei nessa campanha do setembro amarelo é justamente essa discussão sobre não banalizar o suicídio e encorajar as pessoas a pedirem ajuda mostrando que não há nada errado em precisar de ajuda. Como você falou, tenho percebido muita presença da temática "suicídio" nos livros contemporâneos sendo tratada de forma extremamente superficial, não acho nada saudável para os jovens leitores. Ótimo texto!
Beijos, Luana

Kris Oliveira - Conversas de Alcova Says:
25 setembro, 2016

Oi Val,
Eu não sabia de todos esse autores e se juntarmos musicos dá outro tanto assim. Artistas são almas frágeis não suportam esse mundo tão danoso. Tenho gostado muito da campanha, até fiquei de fazer um post, mas não tive tempo, acho que esse é um tema que deve ser abordado bastante, pois muita gente ainda fecha os olhos pra depressão e tratam suicidio como fraqueza se esquecendo que pra alguém chegar a um extremo desses, tem de ter precisado de ajuda durante muito tempo. Mas, vale ressaltar que muitas vezes mesmo essa ajuda, não é suficiente.
Beijooo
Conversas de Alcova ♥

Profissão: Leitora Says:
25 setembro, 2016

Sim, esse é um tema sobre o qual devemos conversar e muito. Há alguns anos trabalhei em uma multinacional e um dos meus alunos se suicidou bem no dia de natal, com um tiro. Todos ficamos consternados. Semana passada fiquei em contato por mais de 6 horas com uma amiga que esta em depressão, e pra piorar estava passando por mais pro mais problemas. Não foi fácil e em determinado momento achei que ela irei se matar, porque me pediu perdão e sumiu. Mas graças a deus, tudo se resolveu. Mas sem dúvidas é um tema que é preciso ser abordado com mais constância.

;D
Nelmaliana Oliveira

Tamires Marins Says:
25 setembro, 2016

Oi, Maria, tudo bem?

"Parece até que é 'cool' se matar, é uma espécie de 'nova febre'." - É exatamente o que eu penso! Do ano passado para cá eu perdi a conta de quantos livros com um suicídio como ponto de partida foram lançados, e o pior é que alguns desses livros usam o suicídio de alguém como modo de dar a um outro personagem "pistas" para serem seguidas, para que eles descubram o motivo que fizeram com que a pessoa se suicidasse? Como assim, gente?
Acho um tema triste e não acho que ele deva ser romantizado, penso a mesma coisa sobre o câncer! Também é outro tema delicado que virou caça-níquel literário...
Excelente postagem!

Beijos

Heloísa Reis Says:
25 setembro, 2016

Olá,
O primeiro livro que li com a temática de suicídio foi um do Paulo Coelho, há muito tempo, o Veronika decide morrer. Acho essa temática muito séria, e deveria ser mais explorada pela literatura. Gostei do setembro amarelo, as pessoas precisam ser conscientizadas sobre esse problema social, que é tão pouco trabalhado. Não só no meio artístico, mas também ao nosso lado, sempre te alguém sofrendo em silêncio, e nem sequer percebemos, até que seja tarde demais. Abraços

Yohana Sanfer Says:
25 setembro, 2016

Olá, Maria Valéria! Parabéns pela iniciativa do post e pelos sentimentos e alertas tão bem colocados! Sinto pela perda e espero que muitos corações que estejam passando por alguma dor neste momento possam encontrar conforto numa palavra ou num abraço, como você disse. Parabéns também pela crítica. Precisamos mesmo estar atentos para não banalizar o tema. ;)

Bjs,
Yohana Sanfer
http://www.papelpalavracoracao.com.br/

Tayana Oliveira Says:
25 setembro, 2016

Se vc ainda não tiver esgotada depois de escrever e esse post, saiba que a Ásia tem uma cultura do suicídio muito semelhante a nossa cultura do estupro. A sociedade odeia as pessoas por elas terem defeitos, não é estranho você encontrar pessoas se jogando do terraço do colégio quando tiram UMA NOVA BAIXA, POR EXEMPLO. Então, olha... Muito triste.

Livreando Says:
25 setembro, 2016

Oi Maria,
O tema é bem delicado mesmo, sempre é bom discutir e analisar situações, nunca sabemos o dia de amanhã. Não sabia sobre esses autores, vou separar alguns para procurar mais sobre suas obras.
Bjim!
Tammy

Amanda Marques Says:
26 setembro, 2016

Oi, tudo bem?

Muito bonito você abordar uma situação tão delicada como esta e meus sentimentos pela sua perda.

Gostei muito da sua crítica. Parabéns!

Postar um comentário

De Bukowski a Dostoievski. Ana Cristina César a Lilian Farias. Deleite-se com a poesia de Florbela Espanca e o erotismo de Anaïs Nin...
Aforismos, devaneios, quotes dispersos e impressões literárias...um baú de antiguidades e pós-modernismo. O obscuro, complexo, distópico, inverso... O horror, o amor, a loucura e o veneno de uma alma em busca de liberdade...

Seja bem-indo-e-vindo[a]!

╬† Literatura no Mundo ╬†

╬† Autores ╬†

agatha christie Alan Dean Foster Alan Moore Álvares de Azevedo Ana Cristina César Anaïs Nin Anna Akhmatova Anne Rice Anne Sexton Antônio Xerxenesky Arthur Rimbaud Bob Dylan Bram Stoker Cacaso Caio f. Abreu Cecília Meireles Charles Baudelaire charles bukowski Charles Dickens chuck palahniuk Clarice Lispector clive barker Cruz e Sousa dalton trevisan David Seltzer Dik Browne Don Winslow edgar allan poe Eduardo Galeano Emily Brontë Ernest Hemingway Eurípedes F. Scott Fitzgerald Ferreira Gullar Florbela Espanca Franz Kafka Garth Ennis George R. R. Martin Gilberto Freyre Guido Crepax H. G. Wells H. P. Lovecraft Haruki Murakami Henry James Herman Hesse Herman Melville Hilda Hilst honoré de balzac Horacio Quiroga Hunter S. Thompson Ignácio de Loyola Brandão isaac asimov Ivan Turgueniev J. R. R. Tolkien Jack Kerouac Jack London Jay Anson João Ubaldo Ribeiro Joe Sacco Jon Krakauer Jorge Luis Borges José Mauro de Vasconcelos Julio Verne Konstantinos Kaváfis L. Frank Baum Laura Esquivel Leon Tolstói Lord Byron Luciana Hidalgo Luiz Ruffato Lygia Fagundes Telles manoel de barros Marcelo Rubens Paiva Mario Benedetti Mark Twain Marquês de Sade Martha Medeiros Mary Shelley Michel Laub Miguel de Cervantes Milo Manara Moacyr Scliar Neil Gaiman Nelson Rodrigues Nicolai Gógol Oscar Wilde Pablo Neruda Patti Smith Paulo Leminski Pedro Juán Gutierrez Rachel de Queiroz Rainer Maria Rilke Ray Bradbury Robert Bloch Robert Kirkman robert louis stevenson Roberto Beltrão Rubem Alves Sándor Márai Sófocles Stephen King Stieg Larsson Susan E. Hinton Sylvia Plath Torquato Neto Victor Hugo Virginia Woolf William S. Burroughs Ziraldo
Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...
Witches Hat
Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...