"Deixai toda esperança, ó vós que entrais!" Inferno. A divina Comédia [Dante Alighieri]

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A jornada selvagem rumo ao Sonho americano em Medo e Delírio em Las Vegas

"Estávamos em algum lugar perto de Barstow, à beira do deserto, quando as drogas começaram a fazem efeito."

O pai do jornalismo Gonzo nos presenteia com essa obra de cunho biográfico intitulada Medo e Delírio em Las Vegas. Alugando um conversível vermelho - o Grande Tubarão Vermelho -  para cobrir uma matéria sobre a corrida Mint 400, e no meio do caminho muita droga é consumida pelo protagonista Raoul Duke e seu advogado samoano, o Dr. Gonzo. Eles vão do éter à cocaína, passando por comprimidos estimulantes, tranquilizantes  multicoloridos...

Em meio ao deserto, se deparam com personagens loucamente inusitados, mas bem menos insanos que os dois protagonistas. Torram o dinheiro do pagamento dessa matéria que ainda não foi feita, fraudam cheques e cartões de crédito, trocam de automóvel e se hospedam em hotéis consumindo todo seu estoque de ácido e afins, além de usarem de artimanhas para se desvencilhar da polícia... 


Ilustrado por Ralph Steadman e publicado pela L&PM Editores, Medo e Delírio em Las Vegas nos leva a uma [quase verdadeira] viagem de ácido. É como se o leitor experimentasse as alucinações dos personagens, devido a maestria da prosa jornalística de Hunther S. Thompson. O romance é baseado em situações vividas por seu autor. Teve sua primeira publicação em 1971 na revista Rolling Stone, dividido em duas partes. Posteriormente, em 1998 foi adaptado para os cinemas, estrelando Johnny Depp e Benício Del Toro.


Os eventos ocorridos durante o percurso no deserto podem ser classificados como fora do comum. Usando de boa argumentação Duke e Gonzo conseguiam se safar das malhas das autoridades, enquanto as dívidas se tornavam colossais à medida em que gastavam desenfreadamente para sobreviver em meio ao caos da cidade dos jogos... Graças ao efeito das drogas, a matéria nunca poderia ganhar vida. 

A falta de responsabilidade dos protagonistas de certa forma, serve como crítica ao consumo exagerado americano, uma afronta ao modo tradicional imposto pela cultura do país, que mandava seus jovens para morrer na Guerra do Vietnã e prendia os manifestantes hippies e outsiders, que pregavam a liberdade e o amor livre. 

As portas da percepção se abrem de maneira indefinida, mesclando o real e o irreal na visão de Duke e seu advogado. Trata-se de uma obra contemporânea hilária e entorpecente. A única forma de sobreviver ao caos inóspito do deserto e de Las  Vegas é se dopando... e sem pensar nas consequências... 


O estilo de vida de Thompson tem influências nos beats, na contracultura dos anos 1960 e em Ernest Hemingway, seu maior ídolo. Assim como o escritor  da Geração Maldita, Thompson termina seus dias dando um tiro na cabeça, em 2005, deixando um bilhete suicida, falando sobre seu descontentamento e falando das dores que sentia depois de ter feito uma cirurgia. Seu corpo foi cremado numa cerimônia realizada pelo próprio Depp, amigo do escritor... 

Hunter S. Thompson, Gramercy Park Hotel, NYC, 1977.

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A representação do suicídio na Literatura [Setembro Amarelo]

 

Olá, pessoal... Cá estou trazendo mais uma postagem para vocês sobre o Setembro Amarelo. Dessa vez é pra listar alguns livros que abordam a temática, de forma alguma superficial e que traz vários questionamentos. São obras clássicas, consagradas na literatura e que você certamente já deve ter ouvido falar de alguma[s]  delas... [Atenção para possíveis spoilers caso você não tenha lido alguns dos títulos mencionados abaixo...]

  • Romeu e Julieta - William Shakespeare



Talvez o mais conhecido caso de suicídio abordado na literatura clássica mundial seja a mais famosa obra do dramaturgo inglês William Shakespeare. Romeu e Julieta fala da paixão repentina de dois jovens que pertencem a famílias rivais e que tragicamente só conseguem se unir em definitivo na morte. Foi escrita entre 1591 e 1595. Odiada por muitos, amada por outros, Romeu e Julieta inspiraram várias histórias e inundou os cinemas com adaptações, além do Teatro e até revistas em quadrinhos [Turma da Mônica]. 


  • Os sofrimentos do jovem Werther - Goethe

Escrito em 1774, Os sofrimentos do jovem Werther, uma das mais famosas narrativas do escritor alemão Goethe causou um boom de suicídios no período em que foi publicado. Trata-se da história de Werther, um homem que sofre por amor, mas não pelo fato de não ser correspondido, ele é; o problema é que não há como consumar esse amor por sua amada já ser prometida a outro homem. Sem Charlotte, sua vida jamais teria sentido... Pretendo não me aprofundar mais no enredo pois estarei trazendo resenha dele a vocês daqui uns dias, mas certamente essa obra não poderia deixar de ser citada aqui... 

  • O suicídio - Émile Durkheim
suicídio de Safo [Antoine Jean-Gros]


Considerado o pai da sociologia moderna e um dos pilares na construção das ciências sociais, Émile Durkheim escreveu a obra O suicídio, que aborda taxas de suicídio em populações católicas e protestantes, contribuindo para a diferenciação da ciência social na psicologia e na filosofia política. Considerada uma obra pioneira no quesito investigação social, trata-se de um estudo de caso, tema de sua monografia, única na época a respeito desse tema. Durkheim fez uma ligação entre indivíduos e sociedade,  em que o ato individual seria fruto do meio, explorando diferentes taxas de suicídio entre católicos e protestantes, em que o forte controle social sobre os primeiros citados indicam menores proporções de suicídios... É uma obra comparativa riquíssima e que deve ser lida a todos que se interessam pelo tema na literatura, arte, psicologia e sociologia... Trabalhei com esse texto em meus primeiros anos de faculdade... Achei interessante e pertinente indicá-lo por aqui...




  • Suicídio e os Desafios para a Psicologia - Conselho Federal de Psicologia.



Trazendo uma abordagem científica, Suicídio e os Desafios da Psicologia é uma obra que nasceu a partir de dois debates online realizados pelo CFP - Conselho Federal de Psicologia, realizados em 24 de julho e 21 de agosto de 2013. Esses debates tinham como tema "Suicídio: uma questão de saúde pública e um desafio para a Psicologia Clínica" e "Suicídio: o luto dos sobreviventes."

O objetivo desse livro é que ele sirva para os psicólogos atuantes na área, como referência para seu trabalho, bem como para formação de políticas públicas que prestem assistência a questão do suicídio, juntamente com análises sociais e psicológicas tratadas com seriedade, a fim de que se dirima esse tipo de caso...

Ainda estou fazendo a leitura desse material e ele é de suma importância para se entender um pouco e tratar do assunto com quem tem experiência em lidar com os pacientes... 
Você pode encontrá-lo disponível e gratuitamente aqui.


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Selo Crânio DarkSide Books

A Editora DarkSide sempre nos impressiona com seu conteúdo de Terror/Cinema/Biografias/Fantasia mas dessa vez ela vem trazendo uma novidade que vai agregar outro tipo de público aos seus leitores. Estou falando do Selo Crânio, que já tem um lançamento mais que aguardado e que, acredito, vai colocar os leitores em polvorosa...


"O primeiro título da linha CRÂNIO vai levar você em uma viagem única e sem bilhete de volta para conhecer a origem e as raízes que alimentaram a mente e o espírito dos grande gênios da humanidade, conduzidos pelo aclamado autor Eric Weiner, um inveterado andarilho, amante da estrada e apaixonado pelo mundo em que vivemos. Um livro diferente: ora um diário de viagem, ora um romance repleto de informações históricas e costurado com muito humor e um olhar único de quem conhece o mundo como a palma de sua mão."

Onde nascem os gênios
veio para inaugurar o novo selo da editora, e promete angariar uma legião de fãs apaixonados por uma boa não-ficção...
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Mais um caso para o detetive Hercule Poirot: A morte nas nuvens

 

Havia estipulado duas obras de Agatha Christie para ler esse mês e consegui dar conta do recado sem dificuldades... O primeiro lido foi Os Crimes ABC mas não sabia que minha segunda escolha havia sido tão incrível e ainda melhor que ele. Falo de A morte nas nuvens, publicado em 1935... Trata-se de mais uma aventura do detetive belga Hercule Poirot, desvendando um crime que havia acontecido 'debaixo de seu bigode', durante um voo de Paris a Croydon. Uma mulher de meia idade pendia sua cabeça no assento do avião e instantes depois, um comissário percebeu que algo havia errado ali...

Os personagens foram estrategicamente colocados na trama, e aparentemente, nenhum deles possuía ligação com Madame Giselle. Quem tinha interesse em sua morte? Cabia a Poirot descobrir... Um dos pontos interessantes nesse suspense todo é que o próprio detetive era um suspeito em potencial... Cabia tão somente a ele provar que esse ultraje do juri era inverídico, e evitar que algum inocente pagasse pelo assassinato...

Usando mais uma vez de sua habilidosa arte de contar uma trama de mistério, Agatha nos conduz por dentro da investigação a fim de nos entregar um desfecho surpreendente. Devorei o livro em poucas horas, tal a agilidade da narrativa, que me conduzia com frenesi a seguir adiante capítulo a capítulo... Juntando as peças do quebra-cabeças, novos fatos foram surgindo tornando tudo ainda mais inesperado, e ao final tudo se encaixou perfeitamente... Dentre os personagens suspeitos, haviam três mulheres e os demais passageiros eram homens. Tínhamos um dentista, um escritor de romances policiais, pai e filho arqueólogos, uma condessa e uma cabeleireira, entre outros... Cada um trazia particularidades que contribuíram para o suspense nos deixar suspeitando de tudo e todos...

Uma excelente estória, com narrativa fluida e alucinante, que vai permitir ao leitor algumas horas de intensa satisfação com um digno título do gênero...

Para conhecer demais projetos de leitura do mês de Setembro, clique aqui...

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O sol também se levanta - Ernest Hemingway [#MLI2016]

Há um bom tempo o livro O sol também se levanta estava em minha lista de leituras, e esse ano resolvi desencalhá-lo da estante... Escrito por Ernest Hemingway em 1926, narra as [des]aventuras de um grupo de americanos em Paris, após o fim da Primeira Guerra. De lá, eles partem para a Espanha a fim de buscar novas sensações num festival [fiesta] cheio de danças, touradas e procissões de cunho cultural-religioso. Em meio a esse exótico cenário, um romance entre Barnes e Brett acontece... Barnes é uma figura mutilada e expatriada da guerra, e sua narrativa nos faz adentrar nesse universo cheio de figuras de uma geração desgastada mas que ambicionam diversão, pura e simplesmente, entretendo-se ao máximo antes que o marasmo se aposse deles novamente...

Trabalhando como fotógrafo, impotente após voltar da guerra, acaba se apaixonando por Brett, uma garota que não se prende a amarras sociais e se envolve com vários homens, quantos ela sinta vontade. Barnes seria o touro ferido de guerra, que não possui forças de celebrar sua própria fiesta. De Paris a Pamplona, a obra retrata uma geração que sobreviveu a guerra e se entregou a luxúria, ao álcool e a vida fútil, preocupando-se apenas com o presente, desperdiçado em apostas, interações vazias e diálogos carregados de drama, acidez e ironia, numa tentativa vã de disfarçar as frustrações pessoais. 











 "Durante o dia, nada mais fácil do que mostrar que não se dá importância, mas, à noite, é diferente"









A influência de Hemingway remete aos escritos de Jack London, nos primeiros anos de produção literária. O objeto principal de suas narrativas são o mundo selvagem e violento, amargura e [des]ilusão. Seu inglês vigoroso possibilitou que seus textos se tornassem mais intensos, evitando adjetivos na escrita. Trabalhou como jornalista, serviu ao exército e algumas de suas experiências de guerra podem ser encontradas na obra Adeus às armas.

Rompendo com a sociedade e convenções sociais depois de tantas experiências traumáticas, entrega-se a uma desesperança que fatalmente lhe tiraria o gosto de viver... Muda-se para Paris e reúne-se ao grupo que ficou conhecido como Geração Perdida, que contava com membros como F. Scott Fitzgerald, o pintor Pablo Picasso e Ezra Pound, entre outros. Abandonou o jornalismo e rumou para a Espanha, documentando a fiesta de Pamplona, com seus espectadores e toureiros. Fiz necessário detalhar essa fase do autor a fim de se entender a obra aqui resenhada; a experiência pessoal de Hemingway resultou nesse romance.

O autor ainda participou da Guerra Civil espanhola, e Por quem os sinos dobram? nasceu desse evento. Vendo o fascismo se alastrando, tomou ainda mais desgosto por tudo... Após alguns anos volta aos romances. Mas algo havia se fragmentado sem chance de retorno na mente genial do escritor... Em 1961, ele se mata com um tiro de fuzil, mesma arma que seu pai se suicidou, anos antes... 

É notável o avanço na estética literária de O sol também se levanta. Seu enredo é desprovido de teatralidade, embargado de ironia, a contar de seu próprio título [O sol também se levanta é uma referência ao ferimento que Jake Barnes sofreu na guerra, impossibilitando seu membro de 'subir'] e traz em seus personagens uma clareza que beira o real, sem elementos fantasiosos que tornariam tais indivíduos figuras caricatas dentro da crua narrativa... 

Em suma, uma obra espantosa. Sua essência beira o autobiográfico e flerta com autores contemporâneos que beberam avidamente da fonte 'perdida' da geração que abraçou Hemingway... 



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Mulheres suicidas na literatura... [Setembro amarelo]

Venho através deste post apresentar algumas poetas/escritoras que tanto admiro e que infelizmente partiram dessa vida por suas próprias mãos... Já havia falado de algumas aqui antes, ou resenhado alguma de suas obras, mas dessa vez preferi falar um pouco sobre a vida de cada uma delas, não focando em um livro em específico...


Anne Sexton foi uma escritora e poeta americana, nascida em 1928 e que aos 45 anos, em 1974, pôs fim a sua existência por intoxicação por monóxido de carbono, ao trancar-se na garagem e ligar o motor do carro... Desde jovem já aparentava ter problemas psicológicos que só se agravavam com o passar dos anos... Muito de sua obra é sobre suas crises de depressão e poesia com tons confessionais. Conheceu um terapeuta que a incentivou a escrever. Já na década de 1960, suas crises passaram a afetar sua vida profissional, mas apesar disso, ainda não havia desistido e continuava publicando seus textos, chegando até a publicar quatro obras infantis, em co-autoria com uma amiga, Maxine Kumin

Além da depressão e suicídio, temáticas como masturbação e adultério figuravam entre seus escritos. Um dia antes de sua morte, almoçou com Maxine para revisar o texto de um livro que só seria publicado após sua morte... Algumas de suas obras memoráveis são Love Poems, Mercy Street e The death notebooks... 



Sylvia Plath, americana de Massachussets e nascida em 27 de outubro de 1932 foi poetisa, romancista e contista. A redoma de vidro é um de seus livros mais conhecidos e funciona como uma espécie de autobiografia. Assim como Sexton, também fazia uso da poesia confessional em suas obras... Tentou o suicidio tomando uma dose de narcóticos, ainda em seus primeiros anos na escola, na década de 1950. Chegou a ser tratada com eletrochoques quando internada numa instituição psiquiátrica. Em 1955 ela se casa com o britânico Ted Hughes. 

Um aborto que sofreu teve certa influência em sua obra a partir dali. Chegou a frequentar os mesmos seminários do poeta Robert Lowell, que Anne Sexton participava. Vivendo já na Inglaterra, seu casamento começa a ruir e ela se separa, indo morar com os dois filhos no apartamento que futuramente seria seu local de falecimento... Poucos meses após a separação, ela tranca os filhos no quarto, vedando as entradas da porta e se dirige a cozinha, deitando a cabeça no forno depois de ligar o gás e tomar remédios para dormir... Ela ainda teve o cuidado de deixar comida para as crianças, além da janela aberta, apesar da forte nevasca. No dia seguinte, a enfermeira que havia contratado a encontra morta... Sylvia teve seus diários publicados, hábito que mantinha desde os 11 anos... Curioso que seu filho se enforcou em 2009,  também depressivo, não deixando filhos...


Em 25 de janeiro de 1882 nascia Virginia Woolf, autora e poeta das mais influentes no movimento modernista. Ao Farol, Orlando e Mrs. Dalloway são suas principais obras... Em 1915 estreia na literatura, frequentou o meio literário desde cedo, devido a educação dada por seu pai. Em 1941, depois de escrever um bilhete de despedida para seu marido, com quem casara em 1912, vai até o rio próximo a sua residência, enche os bolsos de seus casacos com pedras e afoga-se, sendo seu corpo encontrado apenas 3 semanas mais tarde... Durante sua curta vida,  fundou uma editora com Leonard, onde publicou alguns de seus livros. Sofreu alguns colapsos mentais que vieram a contribuir para seu estado depressivo... Tinha 59 anos, quando de sua morte. 


Ana Cristina César, carioca, faleceu em 1983, ao se jogar do sétimo andar do apartamento de seus pais; tinha 31 anos. Foi poeta e tradutora brasileira e fez parte da Geração Mimeógrafo, tendo sua poesia classificada como Marginal. Viveu um período de sua vida em Londres e cursou Letras na PUC-RJ. Sua linha literária beira o ficcional e autobiográfico. Suas principais publicações são Luvas de Pelica, A teus pés e Cenas de Abril. Recentemente, a editora Companhia das Letras lançou o título Poética, contendo a obra completa de Ana C.


Um dos nomes mais influentes da poesia lusitana é o de Florbela Espanca, aquela que nasceu e morreu no mesmo dia, em 08 de dezembro, com a idade breve de 36 anos... Sua dor e melancolia pôde ser extravasada através de seus sonetos e poesias... Nasceu em Alentejo, como filha bastarda de Antónia da Conceição Lobo e João Maria Espanca. Datando de 1903, surgem suas primeiras composições poéticas. Frequentou o curso secundário em Portugal, sendo uma das primeiras mulheres a realizar tal intento na época. Na juventude apresentou sintomas de neurose. Casou três vezes ao longo da vida, perdeu seu irmão Apeles em 1927 e seu estado mental a partir daí se agravou. Tentou o suicidio por três ocasiões, obtendo sucesso na última, em 1930...

Suas principais obras são Charneca em flor, Livro de Mágoas e Livro de Sóror Saudade. 




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os crimes ABC: uma envolvente trama de assassinatos, por Agatha Christie...

 Os Crimes ABC foi um dos grandes títulos da aclamada Agatha Christie que tive o prazer de ler recentemente... Aproveitando o mês de seu aniversário, resolvi trazer a resenha dessa obra a vocês, leitores do blog...

Hastings, amigo de Hercule Poirot nos conta em detalhes um caso de assassinato que tem relação com guias de trem e uma forma peculiar de um assassino escolher suas vítimas, numa caça aparentemente aleatória... A ordem é feita pelas letras do alfabeto, pra designar o local e inicial do sobrenome da vítima. O curioso é que o assassino envia cartas ao detetive belga antes do crime acontecer... Várias localidades da Inglaterra ficam em polvorosa e com uma expectativa de morte quando as notícias sobre o assassino começam a pipocar nos jornais... Mas a princípio, exceto Poirot, todos imaginam se tratar de mais um crime comum e banal... 

A primeira vítima é uma senhora que vende jornais. Após algumas investigações e uma segunda carta endereçada a Poirot, outra vítima - dessa vez uma jovem mulher - é encontrada morta numa praia... Seu sobrenome começava com B, o local de sua morte foi Bexhill. A morte seguinte é de um homem, com o sobrenome começando com C; Churston foi onde ele foi morto... Os crimes não param por aí... Poirot sente que há uma conexão entre as vítimas e ela passa despercebida, e só reunindo pessoas envolvidas com as vítimas é que parece surgir uma pequena luz ao fim do túnel...

Em Os Crimes ABC nada é o que parece... Em dado momento, o suspeito se revela, mas o leitor acompanha a trama até seu desfecho a fim de descobrir o motivo desses crimes... e é nesse momento que acontece uma reviravolta, de impressionar os aficionados pelo gênero...

Graças a sua escrita poderosa e detalhista, Agatha transporta o leitor para dentro da investigação e por horas você se pega tentando unir as minúcias, a fim de chegar a uma conclusão... Apesar de gostar bastante do gênero, são raras as vezes em que descubro as intenções da autora... Mesmo utilizando a mesma base em suas tramas, os personagens são distintos, os crimes são variados e certamente as histórias tem originalidade, sem cair na mesmice que um grande número de obras poderiam causar a um escritor... 

Indico aqueles que apreciam o gênero e aqueles que nunca leram nada dela. A história prende do início ao fim, e certamente vai agradar 'gregos e troianos.' Não é a toa que Agatha Christie é conhecida como a Rainha do Crime na literatura policial...

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A romantização do suicidio... [Setembro Amarelo]

Jack London, Florbela Espanca, Sylvia Plath, Ernest Hemingway, Virgínia Woolf, Ana Cristina César, Yukio Mishima, Nikolai Gógol, Hunter Thompson, Vladimir Maiakowski, Anne Sexton são alguns escritores/poetas que admiro. Alguns escreveram em prosa, outros em poemas, pertencem a diferentes nações e épocas, mas há algo que todos tem em comum: suas mortes pelo suicidio...

Muita gente deve ter tomado conhecimento da campanha Setembro Amarelo; trata-se de uma campanha sobre conscientização e prevenção ao suicídio. Nos tempos atuais, ouso dizer que estamos vivendo uma era de depressão, e muitas pessoas tem receio de pedir ajuda devido a incompreensão de muitos quando se fala no assunto.

Durante o mês de setembro a campanha está ativa a fim de ajudar as pessoas que passam por vários problemas, que já tentaram tirar a própria vida  ou que ao menos pensaram na possibilidade. Todo conforto é necessário nessas horas e qualquer um pode fazer sua parte, principalmente no que concerne em não piorar o processo no indivíduo que tem pensamentos suicidas... Se não souber o que dizer, mais vale um abraço do que uma recriminação ou frases de 'auto-ajuda' que podem dificultar ainda mais a recuperação e apoio...

Falar sobre o assunto pode vir a ser útil nessa campanha. Vários blogs estão postando conteúdo sobre isso, e eu pensei até em não fazer parte, pois o tema é demais delicado pra mim. Infelizmente, perdi uma amiga há dois anos e até hoje não sei lidar com tudo que aconteceu... Dói pensar, mas doeria mais ainda não falar sobre e pensar que alguém precisa de ajuda e eu me abstive de dar apoio...

 Na literatura, os nomes citados acima partiram de forma triste... Por vezes me pego pensando... se alguém tivesse chegado a tempo pra impedir, se tivessem ouvido uma palavra amiga ou se simplesmente quiseram atingir alguém chegando a esse extremo... são respostas que ninguém jamais saberá, pois tudo referente a essa decisão foi embora com eles...

 Há uma espécie de romantização do ato nas artes, literatura, na música e em outros aspectos sociais em geral... Mas é preciso entender que a partida brusca de pessoas queridas assusta, machuca e temos que lidar com isso, de uma forma ou de outra... é difícil pra quem vai, triste para os que aqui ficam...
E o que mais atormenta é o 'não-compreender', as perguntas que ficam sem resposta, os "se's" no caminho que percorremos... Já aquilo que os atormentou, se foi com eles...

Suicídio de Cleópatra

Em suma, suicídio é um tema delicado e jamais deve ser tratado de forma leviana, como em muitas obras que andam sendo publicadas por aí... Parece até que é 'cool' se matar, é uma espécie de 'nova febre' que em nada esclarece, mas aborda rasamente o assunto... e se matar não é brincadeira, não é algo que dá pra voltar atrás... é um passo decisivo e final de ser tomado...



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Noite na Taverna


Nascido em 12 de setembro de 1831, Manuel Antônio Álvares de Azevedo teve uma vida precoce, falecendo com vinte e um anos incompletos. Sua obra foi publicada postumamente e é sobre uma delas que venho trazer a vocês hoje... Trata-se do livro Noite Na Taverna.

Dividido em sete partes, a obra já no início nos faz adentrar numa taverna, cenário onde são contadas as loucuras bizarras de alguns homens embriagados pelo vinho, reunidos numa mesa: Solfieri, Bertram, Gennaro, Claudius Hermann e Johann. Suas histórias, embora separadas mostram-se ligadas de alguma maneira... Isso fica em evidência nos dois últimos contos da narrativa...

Alguns elementos visíveis nas histórias contadas por esses jovens são a melancolia, morte, morbidez  e sexualidade inflamada, bem como amores proibidos ou 'mau vistos'... A bizarrice envolve temas como canibalismo, incesto e até necrofilia, contadas em detalhes e com uma linguagem poética e surreal, típicas da fase romântica da literatura do século XIX, além de sutis influências dos escritos de Lord Byron e Alfred de Musset... Idealização e subjetivismo permeiam o cenário...

Num universo boêmio, o pessimismo dá vida aos personagens e suas aventuras mórbidas... Numa delas, o encontro com uma mulher em Roma. Um ano depois, após uma orgia e bebedeira Selfieri caminha pelas ruas escuras, encontrando uma mulher que sofre de catalepsia. Ele a carrega até sua casa mas ela acaba morrendo. Ele diz a seus companheiros na taverna que sepultou a  mulher embaixo de sua cama... Bertram conta sobre a espanhola que o pôs em perdição. Ela mantém um caso com ele e num ato insano, põe fim a vida de duas pessoas. Logo se vê enredado em outro acontecimento funesto, em que precisa comer cadáveres para não morrer de fome no mar, após um naufrágio... 

Gennaro fala sobre duas mulheres da mesma família que fizeram parte de sua vida. A morte mais uma vez brinda os ouvintes com o desfecho dessa aventura... Claudius Hermann, em sua obsessão, trancafia uma senhora duquesa, jurando amá-la. Mas o destino tem outros planos para ambos... Por fim, Johann narra sua aventura, um duelo, uma carta com um endereço, uma tórrida relação sexual e uma tragédia [dupla] em família...

O 'mal do século' é caracterizado pela devassidão vivenciada pelos personagens de Noite na Taverna. São homens bêbados e sem pudores. Suas tragédias são envoltas em luxúria e cadáveres. A linguagem é brutal, mas não mais chocante que os temas abordados no livro. Sem sombra de dúvidas, uma das obras mais marcantes da literatura clássica brasileira, e que dão fortes indícios da vida breve porém conturbada do autor, que faleceu devido a complicações de uma cirurgia após uma queda de cavalo, decorrente do tratamento contra a tuberculose que habitava em seus pulmões...

Noite na Taverna trata-se do macabro e melancólico reunidos numa só obra. Perturbador, com o destaque que poucos conseguiram no gênero...
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Lançamentos † DarkSide Books †

A Darkside está lançando mais alguns títulos bacanas e claro que eu não poderia deixar de trazer pra vocês as novidades...

Labirinto [sinopse do Skoob]

Trinta anos sem perder a magia. Tudo começou em um pequeno “labirinto” real na cabeça de James Maury, mais conhecido pelo nome de Jim Henson. O cartunista, músico, roteirista, designer e diretor sabia acessar como ninguém o coração das pessoas e o seu maior dom foi dar vida a seres inanimados. A nova geração pode não lembrar do seu nome, mas com certeza tem seus personagens gravados na memória: Os Muppets, Vila Sésamo, Muppets Babies e até a inesquecível Família Dinossauro. Além deste, Henson também criou fábulas como “Labirinto”, em parceria com George Lucas, filme que encantou toda uma geração quando foi lançado, há 30 anos, com David Bowie como Jareth, o Rei dos Duendes, e também responsável pela trilha sonora, e uma jovem Jennifer Connelly no papel de Sarah, a protagonista que deseja que os duendes levem Toby, seu meio irmão e – para seu espanto – é atendida. Arrependida, ela é desafiada pelo Rei dos Duendes a atravessar o sombrio Labirinto, repleto de perigos e seres mágicos. 

A novelização de Labirinto finalmente é publicada em português, em uma edição à altura do mestre. Escrita por A.C.H. Smith em parceria com Henson, a edição apresenta pela primeira vez as ilustrações dos duendes feitas por Brian Froud, que trabalhou no filme, além de trechos inéditos e nunca vistos com 50 páginas do seu diário, detalhando a concepção inicial de suas ideias para Labirinto, comemorando os 30 anos do filme em grande estilo.

Labirinto
Autor: Jim Henson
2016
272 páginas
Onde comprar: SARAIVA - AMAZON - SUBMARINO - AMERICANAS

The Heart of Betrayal [sinopse do Skoob]

Em The Heart of Betrayal — Crônicas de Amor e Ódio v.2, Lia e Rafe estão presos no reino barbárico de Venda e têm poucas chances de escapar. Desesperado para salvar a vida da princesa, Kaden revelou ao Vendan Komizar que Lia tem um dom poderoso, fazendo crescer o interesse do Komizar por ela.

Enquanto isso, as linhas de amor e ódio vão se definindo. Todos mentiram. Rafe, Kaden e Lia esconderam segredos, mas a bondade ainda habita o coração até dos personagens mais sombrios. E os Vendans, que Lia sempre pensou serem selvagens, desconstroem os preconceitos da princesa, que agora cria uma aliança inesperada com eles. Lutando com sua alta educação, seu dom e sua percepção sobre si mesma, Lia precisa fazer escolhas poderosas que vão afetar profundamente sua família... e seu próprio destino.

The Heart of Betrayal
Autora: Mary E. Pearson
2016
402 páginas




O capricho na diagramação nem precisa ser discutido, todo leitor sabe que o material é de qualidade... Acredito que o segundo livro da saga Crônicas de amor e ódio era bem aguardado para aqueles que conferiram o volume anterior... Estou ansiosa pra fazer a leitura do primeiro título do post... E você[s]? Me conte[m] nos comentários... 
Beijos e até a próxima... ;)
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Cruz e Sousa: seus Broquéis e Faróis...

 

Precursor do movimento simbolista brasileiro, João da Cruz e Sousa foi um poeta, nascido em 1861 e que era filho de escravos alforriados, sendo o primeiro escritor negro até então conhecido na literatura do século XIX. Dirigiu o jornal Tribuna Popular e desde muito cedo combatia o preconceito racial. Em 1893 ele publica o livro Broquéis, marcando o início do Simbolismo no Brasil...

Essa minha edição da Difusão Cultural do livro traz - além de Broquéis - Faróis, outra obra conhecida de Cruz e Sousa. Tratam-se de dois livros curtos repletos de elementos melancólicos, numa espécie de ode à morte e seus efeitos sepulcrais em figuras virginais... 

A tristeza é outro elemento constante em seus versos... Há certa musicalidade em seus escritos, fazendo o leitor transportar-se a uma leitura cadenciada. O poeta dá maior ênfase na figura branca, simbolizada pela luz do luar, neblina, imagens de vapor e cristais... A condição de escravo foi descrita fartamente por meio de metáforas...

Broquéis é composto de 54 poemas, entre eles Lésbia, Em Sonhos, Monja, Torre de Ouro e Noiva da Agonia. Nota-se a inspiração em Charles Baudelaire na construção dos sonetos. A Espiritualidade é representada pela cor branca em vários poemas. O material dá lugar ao espiritual, como se corrompido por este...

Faróis é composto de 49 poemas. Os que mais me agradaram foram Caveira, Réquiem do Sol, Spleen de Deuses e A ironia dos vermes. O elemento morte é retratado com mais afinco do que na obra que a precede nesta edição...

"Olhos que foram olhos, dois buracosAgora, fundos, no ondular da poeira...Nem negros, nem azuis e nem opacos.Caveira!"

A sensualidade também é representada nos poemas de Cruz e Sousa. São poemas mais leves, mas não deixam de lado a rima. O trágico e o deprimente se entrecruzam, resultando numa obra misteriosa, envolvente e pessimista... Leitores que buscam uma leitura mais profunda carregada de  poética e lirismo, que revela e desnuda sem entregar-se de fato, certamente irão se deleitar com esta edição...


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Aniversário da amiga e autora Mara Vanessa ♥

Minha querida e encantadora amiga Mara Vanessa, jornalista e companheira do blog Dose Literária, além de ser uma pessoa incrível tem um talento nato para escrita. Já tive o prazer de ler sua obra Os sonhos de Jurema e outras historietas sem tempo, resenhado aqui, e alguns contos que ela tinha disponibilizado gratuitamente na internet... 


Como ela faz aniversário hoje, resolvi prestar uma pequena e sincera homenagem, postando seu trabalho por aqui, a fim de que mais leitores que apreciam conteúdo de qualidade possam se deleitar em seus escritos... São eles [clique nos títulos para ser direcionado ao conto gratuitamente]: 











Caso você queira adquirir um exemplar de Os Sonhos de Jurema, entre em contado com Mara no e-mail maravanessa@gmail.com

Espero que tenham gostado da postagem... E Mara, te desejo um feliz aniversário repleto de realizações e energias positivas... Um grande beijo... 




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A prosa deliciosa de Charles Bukowski em A mulher mais linda da cidade & outras histórias...



Trago a vocês mais uma resenha do meu velho Buk, dessa vez de um livrinho de contos publicado pela L&PM Editores, numa nova coleção pra quem não pode gastar muito... Trata-se da Coleção 96 páginas. Esse livro já foi publicado em menor formato [64 páginas], e agora teve dois contos acrescentados, aumentando um pouco o número de páginas... Como o outro está esgotado, resolvi adquirir essa edição, por um preço camarada...

Charles Bukowski tem uma grande legião de fãs, que se emocionam e se identificam com seus textos, em sua maioria autobiográficos, e que possuem uma escrita que é sua marca registrada: palavrões e escatologia para descrever situações igualmente grotescas. Em A mulher mais linda da cidade & outras histórias ele fala de um período em que passou na prisão por ter faltado ao alistamento, encontrando figuras sinistras em sua curta estadia na cadeia. No conto Você aconselharia alguém a ser escritor? ele nos brinda com uma viagem que fez de avião indo palestrar para um grupo de universitários e sua clara aversão em cumprir sua parte no contrato... Mas a grana já havia sido gasta e depois que se ajoelha, o remédio é rezar...

Há um conto extremamente cruel e de revolver as entranhas: O Assassinato de Ramon Vasquez, que traz violência gratuita contra um ex-galã de cinema, já na casa dos setenta anos, que numa bela noite se viu atacado em sua própria casa por dois desconhecidos que lhe bateram à porta, a fim de lhe pedir ajuda... Curioso que há uma nota de rodapé explicando que o conto é completamente fictício...

O conto que dá título ao livreto é sobre uma garota que o narrador encontra num bar, que o encanta e que da mesma maneira que entrou - ao acaso - em sua vida, acaba saindo, não sem uma pitada de tragédia... 

Quem já é familiarizado com a escrita de Bukowski certamente vai sentir prazer em passar algumas horas em sua companhia, mesmo que já tenha visitado tais contos em outras publicações. Recomendaria aqueles que nunca ousaram adentrar em sua obra, a fim de finalmente conhecê-lo... Acredito que A mulher mais linda da cidade seria um bom prato de entrada para conhecer os personagens marginalizados que cruzaram com a existência do autor enquanto ele viveu... 

A mulher mais linda da cidade & outras histórias é uma pequena amostra da grandiosidade de sua prosa, que nos espanca, enternece e resigna, oscilando entre o prazer e a monotonia de uma vida regada a vinho barato, uísque de quinta categoria e encontros ao acaso com estranhas e amargas figuras, transas ensandecidas...
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[algumas] pequenas epifanias na obra de Caio Abreu...

Nascido em 12 de Setembro de 1948, Caio Fernando Abreu foi um grande escritor brasileiro. Perseguido pelo DOPS na década de 60, período em que o Brasil vivia sob a ditadura militar, teve refúgio assegurado no sítio de sua amiga -  também escritora - Hilda Hilst. Trabalhou em diversas revistas, formou-se em Letras e Artes Dramáticas, é considerado um dos grandes contistas da literatura contemporânea. Carrego o amor por Caio f. na pele [literalmente] e resolvi compartilhar com vocês algumas quotes dos livros que possuo no acervo e que justificam bem minha paixão desenfreada por seu modo de escrita que tanto me inspira, cativa, entranha-se em mim...


"ainda em preparo, na introdução de alguma coisa que não viria a ser."
[O afogado - O ovo apunhalado]


"Tinha terminado, então. Porque a gente, alguma coisa dentro da gente, sempre sabe exatamente onde termina - ela repetiu olhando-se bem nos olhos, em frente ao espelho. Ou quando começa: cero susto na boca do estômago. Como o carrinho da montanha-russa, naquele momento lá no alto, justo antes de despencar em direção. Em direção a quê? Depois de subidas e descidas, em direção àquele insuportável ponto seco de agora."
[Os sapatinhos vermelhos - Fragmentos]



"Meu caminho, pensei confuso, meu caminho não cabe nos trilhos de um bonde."
[Sargento García - Fragmentos]

Photo: Cecília Sá Pereira

"Mesmo assim eu não esquecia dele. Em parte porque seria impossível esquecê-lo, em parte também, principalmente, porque não desejava isso. É verdade, eu o amava. Não com esse amor de carne, de querer tocá-lo e possuí-lo e saber coisas de dentro dele. Era um amor diferente, quase assim feito uma segurança de sabê-lo sempre ali..."
[Réquiem por um fugitivo - O ovo Apunhalado]



"Chorei três horas, depois dormi dois dias. Parece incrível ainda estar vivo quando já não se acredita em mais nada. Olhar, quando já não se acredita no que se vê. E não sentir dor nem medo porque atingiram seu limite. E não ter nada além deste amplo vazio que poderei preencher como quiser ou deixá-lo assim, sozinho em si mesmo, completo, total. Até a próxima morte, que qualquer nascimento pressagia."
[Lixo e purpurina - Ovelhas Negras]

"O cruel vinha de que o silêncio também seria inábil e farposo, contudo educado, então feria..."
[Os companheiros (Uma história embaçada) - Morangos Mofados]



Espero que tenham gostado do post... foi uma forma de prestar homenagem a esse grande homem, que nos deixou em 25 de fevereiro de 1996...

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Compras e recebidos - Agosto [2016]

Oi, pessoal. Estava ansiosa pra trazer a vocês todos os livros que andei recebendo/trocando/comprando ao longo do mês de Agosto... 

Numa ida ao sebo de Carpina, acabei comprando Eu sobrevivi ao Holocausto, de Nanette Blitz Konig. Tem resenha dele aqui. Além dele comprei na banca de revistas o livro Sociedades Secretas vol. I, de Jean-François Signier, Renaud Thomazo [uma publicação Larousse]. Ainda nessa vibe de História, os correios me entregam o livro Franklin e Winstow, de Jon Meacham, enviado pelo meu amigo Antonio, de Rondônia... 


Em outra visita ao sebo, acabei trocando algumas revistas e livros pelos títulos:

Opulência e Miséria das Minas Gerais - Laura de Mello e Souza
Os Olhos do Dragão - Stephen King
Os Crimes ABC - Agatha Christie
Gertrud - Hermman Hesse
Os irmãos Karamazovi - Dostoiévski
As vantagens de ser invisível - Stephen Chbosky
Um dia daqueles - Bradley Trevor Greive
Resident Evil - A conspiração da Umbrella - S.D. Perry


Infelizmente ainda não tive tempo de ler nenhum deles, exceto Um dia "daqueles" mas espero ir intercalando com leituras de parceria, aos poucos...

Recebi em parceria com a Editora Companhia das Letras os livros Trilogia Suja de Havana e Fábian e o caos, ambos de Pedro Juan Guttierrez, o último será resenhado antes para o Dose Literária, pois recebi como cortesia pelo Dose...Mas depois virei com as impressões dele pra cá também...


Mais uma troca rolou no sebo e eu trouxe:

Cabeça à prêmio - Henry Lewis
Enforcamento em Langtry - Anddy Drago
A escolha dos três - A torre Negra II - Stephen King
As terras devastadas - A torre Negra III - Stephen King 
Canção de Susannah - A torre Negra VI - Stephen King


Notem que apesar de salteado, ainda pretendo adquirir os demais volumes de A torre negra e programar a leitura dessa série bem conhecida dos fãs de King... Minhas idas ao sebo esse mês só me renderam títulos interessantes, e praticamente todos foram trocas bem-sucedidas... 

Recebi de cortesia de Lilian Farias, para resenhar no blog Poesia na Alma os livros Nas sombras do Estado Islâmico, de Sophie Kasiki e A tortura como arma de guerra, de Leneide Duarte-Plon. O primeiro já foi lido e esses dias sai resenha dele, fiquem ligados...


Ganhei um lindo quadro de Sandman, por participar do projeto #LendoSandman que a Raquel Moritz organizou em seu blog, Pipoca Musical. Fiquei muito feliz pelo carinho e não poderia deixar de mostrá-lo aqui a vocês... Meu muito obrigada, Quel. Você é um amor.



Recebi cartinha da minha querida Clívia Lira, ela me enviou alguns marcadores e mimos incríveis, inclusive um pôster de Star Wars e postais, além de uma photo de Amy Lee. Logo estarei retribuindo o carinho enviando cartinha pra ela também...



Por último, mas não menos importante... Chegou o lançamento que havia solicitado a Editora Novo Conceito, As letras do amor, de Paula Ottoni. Tem resenha dele aqui...


E agora, vamos aos quadrinhos... Logo no começo do mês ganhei de um colega uma edição de X-men e outra de O Homem-aranha. Comprei os volumes I e II do mangá Full Metal Alchemist, troquei no sebo três edições de Preacher [43, 44 e 51], Conan o Cimério #22 e Conan O bárbaro #67. Adquiri as HQ's #4 de A saga do monstro do Pântano e Coleção Histórica Marvel Os X-men [7 e 8], compradas na banca de revistas aqui da minha cidade... Todos já foram lidos... 


Então... espero que tenham curtido minha caixinha de correio... Até a próxima... ^.~

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Projetos Literários em Setembro

Olá, leitores queridos. Como vão vocês? O mês de setembro chegou e com ele afloraram algumas ideias que resolvi colocar em prática em forma de posts temáticos ao longo do mês...Não será uma maratona, mas uma espécie de 'programação de leituras' a fim de dar um ar diferenciado pro blog nas próximas semanas... Curiosos pra saber o que preparei? Então continue lendo o post...


Setembro é o mês de aniversário da Rainha do Crime, Agatha Christie. Tenho mais de 40 títulos dela em meu acervo, mas alguns deles ainda não foram lidos... Me propus a ler dois deles e resenhá-los aqui pra vocês no decorrer do mês... 


Eis que o 7 de setembro se aproxima... Com ele, resolvi ler duas obras de autores nacionais, e um deles é da minha área [História]. Não vou falar quais são pra deixar vocês na expectativa... Como mês da 'independência', achei válido dar ênfase no que é produzido aqui...

Caio Fernando Abreu [meu crush pra quem não sabe] e Álvares de Azevedo fariam aniversário no dia 12. Farei uma releitura de uma obra de Álvares e trazer algum post sobre Caio [mas não será uma resenha]. Farei indicação de uns contos de uma amiga autora que também faz aniversário neste dia..

Por último mas não menos importante... Setembro é o Mês de conscientização ao suicídio. Ao longo das semanas, haverão alguns posts temáticos sobre o assunto, que acho bem pertinentes trazer a vocês... 


Então é isso, espero que tenham curtido alguma[s] das ideias... Continuem acompanhando o blog... Beijos... ^.~


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As Letras do Amor, de Paula Ottoni


Eis que trago a vocês as impressões que tive do livro As letras do Amor, da autora Paula Ottoni, e que foi lançado recentemente pelo selo Novas Páginas da editora parceira Novo Conceito. Como podem ver pela bela capa, trata-se de um romance ambientado em Roma, capital Italiana... Não sou muito dada ao gênero mas a ambientação certamente contribuiu para que eu solicitasse o livro, e por ser tão curto [apenas 224 páginas], pensei que seria uma leitura leve e interessante...

Leve até foi, mas infelizmente não passou disso. Logo nos primeiros capítulos percebi que a escrita de Paula me incomodava em alguns momentos... O enredo soou previsível demais, e mesmo sendo um livro de literatura juvenil, acredito que ficou aquém dessa proposta... Acredito até que o gênero juvenil já foi mais caprichado, em meus tempos de juventude... O livro parece uma metralhadora de clichês, amontoados em situações forçosas e com uma escrita que beira o simplório. Não tenho nada contra triângulos amorosos, até gosto deles, mas quando bem explorados, o que - a meu ver - não se aplicou aqui. 

O enredo trata de uma garota chamada Bianca, que por ter nacionalidade italiana se muda com o então namorado para viver seis meses em Roma, no apartamento de um amigo de Miguel, Enzo. O namoro ia bem, mas conviver com alguém que - devido ao negócio que seu pai rico lhe incumbiu de administrar na cidade, a fim de tomar seu próprio negócio quando voltasse ao Brasil - não lhe dava atenção, Bianca se sentiu deslocada. Mesmo nas tentativas de sair e socializar com os amigos dos dois, ela ainda não se sentia a vontade no relacionamento, além de certas investidas que Miguel dava nela, a fim de que chegassem logo aos 'finalmentes' na relação. Mesmo quando eles consumaram o ato, Miguel quase nunca dispendia tempo para a namorada e logo ela começa a arrumar empregos temporários a fim de não depender unicamente dele, e Enzo lhe dava todo o suporte que Miguel não dava... Por ai se premedita o que vai ocorrer...

Não é algo que aconteça imediatamente mas Bianca se segura em suas convenções para não abalar o relacionamento com Miguel, nem que a amizade de ambos se desmanche por causa dela... E ao longo da narrativa [na primeira pessoa de Bianca], acompanhamos o conflito da protagonista em reprimir seus sentimentos com relação a Enzo, e percebemos que o rapaz vivencia o mesmo conflito... O cenário romantiza os passeios e os momentos de ambos tentando fugir de seus sentimentos, e o clichê povoa esses capítulos... 

Alguns pontos me irritaram, soando como reprodução de elementos conservadores, como "honra de conceder a virgindade" e "ela é bonita, mas carrega na maquiagem", não ajudam a desconstruir certos [pre]conceitos sobre a liberdade sexual da mulher. Ainda mais pelo fato da protagonista ser maior de idade. É tudo demais romantizado, como histórias de princesas esperando o homem perfeito [na história sendo representados pela  figura de Enzo, que chega a ser tão perfeito que dá nos nervos. Não existem homens sem defeitos.]... 

A história ruma para um desfecho previsível e que não me causou emoção alguma. Temos a presença de alguns personagens secundários, como a amiga brasileira de Bianca, Mari, e Catherine, uma francesa que ela conhece num curso de italiano e vira sua companhia feminina durante a estadia em Roma, bem como a família de Enzo, seus amigos de banda [sim, ele toca numa banda...], amigos de Miguel e a família de Bianca que passava por um período difícil, mas que ao fim do livro ficam todos bem e felizes... 

Com relação a diagramação, a editora fez um grande trabalho. O que me agradou bastante no início dos capítulos foram seleções de música numa playlist, em que a maioria das escolhas são de meu gosto, embora um outra eu não escute... As folhas são amareladas e não atrapalham a leitura, e os capítulos são curtos, não tornando a leitura cansativa... Pra mim, não funcionou, mas para quem não tem problema com clichês e contos de fada modernos com final feliz, vai agradar em cheio...
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O ano em que te conheci, da aclamada autora de P.S. eu te amo, Cecelia Ahern

Sempre ouvi falar bem da escrita de Cecelia Ahern, autora do best-seller P.S. Eu te amo, e recentemente tive contato pela primeira vez com uma de suas obras: O Ano em que te Conheci, publicado pela Editora Novo Conceito. Esperava me surpreender e foi com certa apatia que conclui suas pouco mais de 300 páginas... 

Matt e Jasmine são vizinhos, mas por alguma razão [explicada na sua narrativa], ela o odeia. Mas com a convivência, o improvável acontece... Ambos estão afastados de seus empregos, e durante esses meses, Jasmine conta ao leitor sobre o seu dia a dia, a preocupação com sua irmã Heather, que tem síndrome de Down, a relação com seu pai, vizinhos e amigos... 

O leitor acaba vivenciando sua rotina junto com a personagem, e por mais crível que seja a história, ao menos pra mim não passou a sensação de intimidade que uma narrativa em primeira pessoa geralmente me traz... Não consegui me conectar à Jasmine. Entre os demais personagens, aqueles que me despertaram certa empatia foram Heather e o dr. Jameson, vizinho dela e Matt... O livro tem romance, mas não no molde clichê, comum em obras do gênero. Outros personagens, embora apareçam esporadicamente, tem papel importante na construção do enredo... 

Sobre a diagramação, o trabalho da editora foi perfeito... Sem contar o lápis que veio no kit, daqueles que você enterra a ponta e ele pode virar uma árvore... E sim, isso tem certa relação com a trama, e foi mais um dos pontos que gostei na história... 

Para aqueles que buscam uma leitura relaxante, podem encontrar nessas páginas um drama vivido por duas pessoas que se entregam a falta de perspectiva mas que se apoiam entre si, mesmo que de maneira indireta. Mas se você busca emoção desenfreada, acredito que não seja uma boa opção de leitura... Ao menos comigo, a leitura não funcionou, apesar de ter fluído... A escrita tem ritmo, mas a premissa não empolga... 

Infelizmente não foi dessa vez que me deixei conquistar por essa autora tão benquista entre o público brasileiro. Bem que eu gostaria, mas não obtive êxito... Entretanto, acho interessante frisar que a história tem alguns picos de comédia, diálogos sarcásticos e farpas trocadas que podem soar relevantes ao longo dos capítulos. Esses pequenos momentos conseguiram sustentar minha atenção perante as páginas... pena não serem o suficiente para ter achado a leitura cem porcento prazerosa...


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