O que há de estranho em mim? NADA, você é uma protagonista chata mesmo.

| 18 agosto 2016 | |
Confesso que o boom nos livros de Gayle Forman me fez ficar curiosa sobre sua escrita, principalmente por abordar a temática de suicídio, a qual sou bastante interessada... Mas, como tudo que vira 'modinha' me faz tomar abuso, acabei desistindo. No entanto, ouvi falar de O que há de estranho em mim, como sendo o primeiro livro dela, publicado pela Editora Arqueiro e resolvi [pra que, Deus?] voltar atrás e dar uma chance pra mulher... aproveitei que ganhei um exemplar e me entreguei a leitura com boas expectativas... 

A história fala sobre Brit [super irritante], que acaba internada numa espécie de escola/clínica de repouso para adolescentes que os pais não conseguem controlar e esquecem por lá. O livro já começa com o habitual clichê, já trabalhado em outras obras ou em filmes de sessão da tarde, com uma escrita rasa e construção de personagens cheia de estereótipos, nada fora do comum, uma leitura mais do mesmo...

A trama é narrada em primeira pessoa pela protagonista, e ela não me convenceu a gostar dela, ao contrário - senti repulsa de suas atitudes de rebelde sem causa - e juro que tento entender como há jovens que se dizem identificar com ela. Ok que todos temos problemas mas sendo babaca fica difícil lidar e superar todos eles. As personagens secundárias que ficam amigas de Brit não me causaram empatia [talvez a gordinha Martha seja exceção], e acredito que a história tinha potencial pra ser melhor trabalhada mas a autora pecou bastante nesse quesito, pois apresenta os problemas de maneira pouco convidativa. de forma vazia...

Como o livro se dá em primeira pessoa, o que temos é a visão de Brit sobre seu pai, sua madrasta que ela chama de 'monstra', e sobre todos que convivem ao seu redor. Ela toca numa banda e o rapaz pelo qual ela se sente atraída não foge do clichê de beleza padrão. A madrasta é 'monstra' porque é do tipo de esposa que conta para o pai sobre as notas baixas da garota. O livro pareceu pra mim uma cartilha de 'como se revoltar na adolescência'. Talvez seja fruto da cultura que os americanos vendem, de vazio e futilidade... Mas explicar esse contexto já renderia um novo post...

Sobre o tratamento de choque aplicado nas garotas internadas a coisa pende para um show de horrores. É possível que isso ocorra, mas achei a problemática mal trabalhada, com diálogos insossos que em nada contribuíram para aprofundar o tema... O pior de tudo foi a expressão 'gata' usada inúmeras vezes... Confesso que a única coisa que melhorou foi a parte em que as garotas se uniram pra descobrir provas que seriam usadas para fechar o local, e ainda assim, mais elementos clichês foram utilizados pra isso...

Em suma, parece que a leitura só me serviu para perceber que ando cada vez mais exigente com leituras ou a qualidade literária é que anda rasa mesmo... Um título que aborda temática semelhante de maneira bem mais digna é o livro Garota, interrompida. Esse sim, eu recomendo...




10 Comentários:

Lê e ler Says:
20 agosto, 2016

Oi!

Não conhecia este livro dela, li somente o Se eu ficar e Para onde ela foi. O último não gostei muito. Gostei do seu post, achei bem sincero :)

Beijos!
https://leelerblog.wordpress.com/

Aline Furtado Says:
20 agosto, 2016

Olá!
Tenho uma relação de amor e ódio com a escrita da Gayle Forman. Se eu ficar foi um tanto decepcionante para mim, já Apenas um dia e Apenas um ano se tornaram favoritos.
Adorei saber sua opinião, mas ainda assim, fiquei curiosa com a história pelo tema abordado. Talvez eu dê uma chance.
Beijos.

Li
literalizandosonhos.blogspot.com.br

Priscila Soares Says:
20 agosto, 2016

Olá! Adorei sua sinceridade no post. Já não tinha muito interesse nesse livro e agora não quero ler mesmo. Também me sinto como você, mais exigente para leituras, principalmente para dramas e romances. Só as fantasias que ainda sinto vontade de experimentar de tudo. Já li um livro da autora, Se Eu Ficar, e também não entendi porque todo mundo amou tanto. Um pouco cansada de modinhas sem sentido.
Beijos!

Gleyse Vieira Says:
20 agosto, 2016

Oi Val, complicado ter que ler algo que não é bem nossa praia, mas toda experiência é válida. Apesar de seu ódio pela protagonista, eu gosto quando os personagens não são perfeitinhos, bonzinhos e apaixonantes do tempo todo, pois dá a ideia de realidade, já peguei leitura com personagens assim, mas que eram fundamentais para a trama, mas enfim... Bjs

Paty Souza Says:
21 agosto, 2016

Eu nem me comovo mais quando vejo mimimi e estardalhaço sobre livros da Gayle. Seus enredos e narrativas não convencem e não são bem elaborados.
É óbvio que não pretendo ler esse livro, ainda mais depois de saber que a temática não á abordada adequadamente.

Beijos.
Leituras da Paty

Julia Rios Says:
21 agosto, 2016

Eu fui tentar ler Se Eu Ficar e não deu, achei muito parado e mesmo dando outra chance à leitura, não consegui passar nem da metade. Beijos!

Julia Rios Says:
21 agosto, 2016

Eu fui tentar ler Se Eu Ficar e não deu, achei muito parado e mesmo dando outra chance à leitura, não consegui passar nem da metade. Beijos!

Déborah Says:
23 agosto, 2016

Oi, Valéria.
Eu não consigo ler nada dessa autora, sei lá, a história nunca me chama atenção...
As resenhas também não me convencem.
Gostei da sua resenha porque pelo que eu tinha visto sobre esse livro, não curti.
Essa Brit parece muito ser um porre.

Livros & Tal Says:
23 agosto, 2016

Olá Maria!!
Nossa... fiquei realmente surpresa com a sua resenha. Eu adoro a Gayle... e eu estou muito curiosa para ler esse livro.
Acho que o problema com ele, é porque foi o primeiro livro da Gayle esse...

beijos
Mayara
Livros & Tal

Raquel Cavasini Says:
25 agosto, 2016

Olá, ainda não li nada da autora, mesmo tendo alguns dos livros em casa...que pena que você não curtiu a leitura.
Sempre leio resenhas positivas sobre esse livro, mas gosto é que nem "nariz", kkkkk

Abraços

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