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Histórias de duas cidades

Histórias de duas cidades - O melhor e o pior da Nova York de hoje é uma publicação organizada por John Freeman e ilustrado por Molly Crabapple e traz dezenas de crônicas que falam sobre os absurdos do cotidiano da grande metrópole americana, com suas tragédias anônimas, situações bizarras, peculiares e enraizadas na vida de quem se locomove pela loucura de seus becos, bairros negros e marginalizados em contraste com os arranha-céus de famílias de classe alta.

Publicado pela Bertrand Brasil, as crônicas de Histórias de duas cidades transportam o leitor para as vielas do glamour e do não-glamour escondido pela mídia e cinema. Mostram a Nova York que ninguém acredita ser, pois a pintura que nos chega é de uma cidade rica cultural e visualmente, lotada de turistas gastando seus dólares em butiques e cruzando as pontes de Manhattan em busca de diversão noturna. Mas Nova York não vive apenas de museus, compras na Times Square e musicais na Broadway. Nova York é também a cidade de marginalizados que são expulsos de seus apartamentos alugados a fim de serem reformados e alugados por preços abusivos pra gente branca e rica, é a cidade de taxistas que devolvem o celular esquecido no banco de trás a clientes que vivem de trabalho e não tem vida afetuosa com os filhos. É a cidade em que muitos vivem em abrigos por não terem lugar onde dormir e dependem do governo para sobreviver dia após dia, a fim de não voltarem como fracassados a suas cidades de origem...

A linguagem das crônicas - em sua maioria - conectam o leitor ao ambiente. É possível visualizar os encanamentos dos banheiros compartilhados, o cheiro da sujeira dos lixeiros e o perfume dos executivos nos prédios empresariais. "Viver em Nova York sem dinheiro pode ser particularmente cruel, pois os indícios de riqueza estão por toda parte." Chega a ser surreal imaginar a divisão social encontrada nas ruas de Nova York, em que o pobre se mescla ao rico apenas para nos mostrar o quão díspares são um do outro...

As próprias interações entre os indivíduos soam frias, quando pensamos haver companheirismo, pelo fato de se dividir a vizinhança ou o quarto de um prédio no subúrbio. 

"quando eu estava prestes a retornar à cidade de Nova York, [...] e na última hora fiquei sem ter onde me hospedar, ele me mandou uma mensagem dizendo que eu seria bem-vindo à casa dele a qualquer hora. Uma das outras hóspedes, Naquele Último Ano em Nova York, também me enviou uma mensagem dizendo a mesma coisa. Para retribuir o favor, escreveu ela. Como se fosse um toma lá dá cá, simples assim. Não respondi a nenhum dos dois."
Na crônica Toma lá dá cá, simples assim, de Jeanne Thornton.

Nomes como Sarah Jaffe, Hannah Tinti, Jonathan Dee e até o cofundador do Talking Heads [David Byrne] assinam os textos que compõem este livro. Certamente é uma leitura para quem busca algo diferente, fora de sua zona de conforto e que cumpre bem o papel a que se propõe: entretenimento inteligente, com pitadas de crítica social. Que não caem na mesmice ou monotonia. Uma leitura que foge ao estereótipo de 'mais do mesmo' ou 'lugar comum'...

18 Comentários:

Isabella Marques

Achei fascinante! Acho super importante mostrar que os EUA não sao esse paraíso para todos. Ótima dica,pretendo ler.
Bjs

Aline Furtado

Olá!
Achei bastante interessante este livro de crônicas mostrando os contrastes de Nova York.
Acredito que toda cidade tem o seu lado "glamoroso", que é o que é vendido na imagem da cidade, e um lado não tão bonito assim.
Como adoro crônicas, com certeza pretendo ler.
Valeu pela dica!
Beijos.

Li
literalizandosonhos.blogspot.com.br

Leituras Compartilhadas

De fato, a imagem que nos vendem de Nova York é de muito glamour. Não conhecia o livro, mas achei muito interessante ele mostrar o outro lado aos leitores. Gosto muito de crônicas, e este livro me interessou por conter crítica social, fugindo do lugar comum, além de sua linguagem que nos faz enxergar os elementos do livro.

Tatiana

Karine Fernandes

Gostei muito da forma como vc expôs a resenha, eu não conhecia sobre o livro.e confesso que não faz muito meu gênero. Mas irei indicar a alguns amigos. Ótima resenha mesmo.

Beijos.

Claudia Leonardi

Oi Maria Valeria
Dica anotada!
Eu adoro cronicas e este livro me deixou bem curiosa!
Bjs

Jess Leite

Olá!
Já tinha visto o livro por aí e apesar de ser de um gênero que não costumo ler, é uma obra que me chama a atenção. Acho bacana que mostre o outro lado nada glamouroso de NY, o lado que a mídia não mostra.
Fiquei curiosa quanto ao conteúdo e crítica social. Espero ter oportunidade de lê-lo.
Beijos!

Gabrielly Marques

Oie Val, tudo bom? Eu fiquei super tentada a solicitar esse livro, mas acabei não solicitando e posso dizer que me arrependi. Eu achei a proposta do livro muito interessante, e estou aprendendo a gostar de crônicas. De qualquer forma eu espero ter a oportunidade de lê-lo em um futuro próximo. Sua resenha ficou ótima!
Beijos

Faces em Livros

Que livro bacana!
Ao mesmo tempo que narra crônicas nos faz refletir como seria viver na cidade grande ( que seria o meu caso, moro no interior). É uma realidade bruta! E, pensar que Nova York sempre é vista como perfeita. Haha

Ana Gabriela

Tinha pensado em pedir na news, mas acabei desistindo. Tô bem triste pq o livro parece muito interessante. A premissa dele é diferente e imagina, ver o lado ruim de nova york? Haha
www.belapsicose.com

Jéssica Melo

Olá Maria, apesar de eu não ler muito crônicas fiquei bem curiosa para ler esse livro pela critica que ele trás *-* Vou anotar sua dica e se tiver chance vou lê-lo.

http://meumundo-meuestilo.blogspot.com.br/

Nina Spim

Oi, tudo bem?

A ideia da organização me deixou bem animada. Realmente, a gente tem uma ideia bem romantizada e linda de grandes cidades americanas (nem precisa ser, necessariamente, NY). E, pelo livro oferecer o lado bom e o lado ruim, com certeza é muito cativante. Não conheço nem um desses nomes, mas outra coisa que me chamou atenção foi o fato de ser ilustrado. Ficaria feliz por tê-lo na estante :)

Love, Nina.
http://ninaeuma.blogspot.com/

Livreando

Sempre que ouvimos falar de Nova York, com certeza a primeira coisa que vem em nossa cabeça é a imagem que a mídia em geral nos passa, por isso acho interessante essa visão dos opostos de forma tão suscita. Gostei bastante da proposta dessa obra e espero ter a oportunidade de ler algum dia.
Bjim!
Tammy

Liziane Goulart

Oi!!
Eu não conhecia esse livro, achei a proposta interessante. Gosto de livros em que o autor descreve os lugar e tudo mais de maneira que faz a gente se transportar para aqueles locais e pelo visto isso acontece com esse livro.
Fiquei bastante intrigada e curiosa em poder conhecer a história na integra.
Beijão!

Nicolle Por Deus

Gosto tanto de crônicas e curti um monte a proposta do livro, também. Acho que será uma ótima oportunidade de conhecer New York melhor -- uma perspectiva que vai além daquelas impressões transmitidas por séries e filmes.

Bruna Souza

nossa, que livro interessante! Fiquei muito curiosa. Tudo tem dois lados,e claro que uma das maiores e famosas cidades do mundo não poderia ser diferente. Fiquei com vontade de conhecer as faces de NY e ver seu lado não tão bonito e vendável
beijos
http://meumundinhoficticio.blogspot.com.br

Danielle Rodrigues Casquet de Melo

Olá Valéria tudo bem, não é meu tipo de leitura, mas minha colunista gostou do conteúdo. Ela resenhou no LJI, e destacou pontos positivos na leitura. Mas deve ser interessante saber um pouco mais das cidades e seu lado mais particular que estamos acostumados a ver, gosto de crônicos. Quem sabe eu leia.

Catharina M.

Oie
não conhecia o livro mas tem um enredo bem chamativo, fiquei bem curiosa e quem sabe eu pesquiso melhor depois e tente ler

Beijos
http://realityofbooks.blogspot.com.br/

Juliana Rovere

Oi Valéria! Eu amo crônicas, é o que me move! Adorei a premissa, porque jogar os dois lados da cidade é algo de extrema coragem.
Bjs


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