Histórias de duas cidades

| 06 agosto 2016 | |
Histórias de duas cidades - O melhor e o pior da Nova York de hoje é uma publicação organizada por John Freeman e ilustrado por Molly Crabapple e traz dezenas de crônicas que falam sobre os absurdos do cotidiano da grande metrópole americana, com suas tragédias anônimas, situações bizarras, peculiares e enraizadas na vida de quem se locomove pela loucura de seus becos, bairros negros e marginalizados em contraste com os arranha-céus de famílias de classe alta.

Publicado pela Bertrand Brasil, as crônicas de Histórias de duas cidades transportam o leitor para as vielas do glamour e do não-glamour escondido pela mídia e cinema. Mostram a Nova York que ninguém acredita ser, pois a pintura que nos chega é de uma cidade rica cultural e visualmente, lotada de turistas gastando seus dólares em butiques e cruzando as pontes de Manhattan em busca de diversão noturna. Mas Nova York não vive apenas de museus, compras na Times Square e musicais na Broadway. Nova York é também a cidade de marginalizados que são expulsos de seus apartamentos alugados a fim de serem reformados e alugados por preços abusivos pra gente branca e rica, é a cidade de taxistas que devolvem o celular esquecido no banco de trás a clientes que vivem de trabalho e não tem vida afetuosa com os filhos. É a cidade em que muitos vivem em abrigos por não terem lugar onde dormir e dependem do governo para sobreviver dia após dia, a fim de não voltarem como fracassados a suas cidades de origem...

A linguagem das crônicas - em sua maioria - conectam o leitor ao ambiente. É possível visualizar os encanamentos dos banheiros compartilhados, o cheiro da sujeira dos lixeiros e o perfume dos executivos nos prédios empresariais. "Viver em Nova York sem dinheiro pode ser particularmente cruel, pois os indícios de riqueza estão por toda parte." Chega a ser surreal imaginar a divisão social encontrada nas ruas de Nova York, em que o pobre se mescla ao rico apenas para nos mostrar o quão díspares são um do outro...

As próprias interações entre os indivíduos soam frias, quando pensamos haver companheirismo, pelo fato de se dividir a vizinhança ou o quarto de um prédio no subúrbio. 

"quando eu estava prestes a retornar à cidade de Nova York, [...] e na última hora fiquei sem ter onde me hospedar, ele me mandou uma mensagem dizendo que eu seria bem-vindo à casa dele a qualquer hora. Uma das outras hóspedes, Naquele Último Ano em Nova York, também me enviou uma mensagem dizendo a mesma coisa. Para retribuir o favor, escreveu ela. Como se fosse um toma lá dá cá, simples assim. Não respondi a nenhum dos dois."
Na crônica Toma lá dá cá, simples assim, de Jeanne Thornton.

Nomes como Sarah Jaffe, Hannah Tinti, Jonathan Dee e até o cofundador do Talking Heads [David Byrne] assinam os textos que compõem este livro. Certamente é uma leitura para quem busca algo diferente, fora de sua zona de conforto e que cumpre bem o papel a que se propõe: entretenimento inteligente, com pitadas de crítica social. Que não caem na mesmice ou monotonia. Uma leitura que foge ao estereótipo de 'mais do mesmo' ou 'lugar comum'...

18 Comentários:

Isabella Marques Says:
09 agosto, 2016

Achei fascinante! Acho super importante mostrar que os EUA não sao esse paraíso para todos. Ótima dica,pretendo ler.
Bjs

Aline Furtado Says:
09 agosto, 2016

Olá!
Achei bastante interessante este livro de crônicas mostrando os contrastes de Nova York.
Acredito que toda cidade tem o seu lado "glamoroso", que é o que é vendido na imagem da cidade, e um lado não tão bonito assim.
Como adoro crônicas, com certeza pretendo ler.
Valeu pela dica!
Beijos.

Li
literalizandosonhos.blogspot.com.br

Leituras Compartilhadas Says:
10 agosto, 2016

De fato, a imagem que nos vendem de Nova York é de muito glamour. Não conhecia o livro, mas achei muito interessante ele mostrar o outro lado aos leitores. Gosto muito de crônicas, e este livro me interessou por conter crítica social, fugindo do lugar comum, além de sua linguagem que nos faz enxergar os elementos do livro.

Tatiana

Karine Fernandes Says:
11 agosto, 2016

Gostei muito da forma como vc expôs a resenha, eu não conhecia sobre o livro.e confesso que não faz muito meu gênero. Mas irei indicar a alguns amigos. Ótima resenha mesmo.

Beijos.

Claudia Leonardi Says:
11 agosto, 2016

Oi Maria Valeria
Dica anotada!
Eu adoro cronicas e este livro me deixou bem curiosa!
Bjs

Jess Leite Says:
11 agosto, 2016

Olá!
Já tinha visto o livro por aí e apesar de ser de um gênero que não costumo ler, é uma obra que me chama a atenção. Acho bacana que mostre o outro lado nada glamouroso de NY, o lado que a mídia não mostra.
Fiquei curiosa quanto ao conteúdo e crítica social. Espero ter oportunidade de lê-lo.
Beijos!

Gabrielly Marques Says:
11 agosto, 2016

Oie Val, tudo bom? Eu fiquei super tentada a solicitar esse livro, mas acabei não solicitando e posso dizer que me arrependi. Eu achei a proposta do livro muito interessante, e estou aprendendo a gostar de crônicas. De qualquer forma eu espero ter a oportunidade de lê-lo em um futuro próximo. Sua resenha ficou ótima!
Beijos

Faces em Livros Says:
11 agosto, 2016

Que livro bacana!
Ao mesmo tempo que narra crônicas nos faz refletir como seria viver na cidade grande ( que seria o meu caso, moro no interior). É uma realidade bruta! E, pensar que Nova York sempre é vista como perfeita. Haha

Ana Gabriela Says:
12 agosto, 2016

Tinha pensado em pedir na news, mas acabei desistindo. Tô bem triste pq o livro parece muito interessante. A premissa dele é diferente e imagina, ver o lado ruim de nova york? Haha
www.belapsicose.com

Jéssica Melo Says:
14 agosto, 2016

Olá Maria, apesar de eu não ler muito crônicas fiquei bem curiosa para ler esse livro pela critica que ele trás *-* Vou anotar sua dica e se tiver chance vou lê-lo.

http://meumundo-meuestilo.blogspot.com.br/

Nina Spim Says:
14 agosto, 2016

Oi, tudo bem?

A ideia da organização me deixou bem animada. Realmente, a gente tem uma ideia bem romantizada e linda de grandes cidades americanas (nem precisa ser, necessariamente, NY). E, pelo livro oferecer o lado bom e o lado ruim, com certeza é muito cativante. Não conheço nem um desses nomes, mas outra coisa que me chamou atenção foi o fato de ser ilustrado. Ficaria feliz por tê-lo na estante :)

Love, Nina.
http://ninaeuma.blogspot.com/

Livreando Says:
15 agosto, 2016

Sempre que ouvimos falar de Nova York, com certeza a primeira coisa que vem em nossa cabeça é a imagem que a mídia em geral nos passa, por isso acho interessante essa visão dos opostos de forma tão suscita. Gostei bastante da proposta dessa obra e espero ter a oportunidade de ler algum dia.
Bjim!
Tammy

Liziane Goulart Says:
15 agosto, 2016

Oi!!
Eu não conhecia esse livro, achei a proposta interessante. Gosto de livros em que o autor descreve os lugar e tudo mais de maneira que faz a gente se transportar para aqueles locais e pelo visto isso acontece com esse livro.
Fiquei bastante intrigada e curiosa em poder conhecer a história na integra.
Beijão!

Nicolle Por Deus Says:
15 agosto, 2016

Gosto tanto de crônicas e curti um monte a proposta do livro, também. Acho que será uma ótima oportunidade de conhecer New York melhor -- uma perspectiva que vai além daquelas impressões transmitidas por séries e filmes.

Bruna Souza Says:
15 agosto, 2016

nossa, que livro interessante! Fiquei muito curiosa. Tudo tem dois lados,e claro que uma das maiores e famosas cidades do mundo não poderia ser diferente. Fiquei com vontade de conhecer as faces de NY e ver seu lado não tão bonito e vendável
beijos
http://meumundinhoficticio.blogspot.com.br

Danielle Rodrigues Casquet de Melo Says:
15 agosto, 2016

Olá Valéria tudo bem, não é meu tipo de leitura, mas minha colunista gostou do conteúdo. Ela resenhou no LJI, e destacou pontos positivos na leitura. Mas deve ser interessante saber um pouco mais das cidades e seu lado mais particular que estamos acostumados a ver, gosto de crônicos. Quem sabe eu leia.

Catharina M. Says:
16 agosto, 2016

Oie
não conhecia o livro mas tem um enredo bem chamativo, fiquei bem curiosa e quem sabe eu pesquiso melhor depois e tente ler

Beijos
http://realityofbooks.blogspot.com.br/

Juliana Rovere Says:
16 agosto, 2016

Oi Valéria! Eu amo crônicas, é o que me move! Adorei a premissa, porque jogar os dois lados da cidade é algo de extrema coragem.
Bjs


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