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"Deixai toda esperança, ó vós que entrais!" Inferno. A divina Comédia [Dante Alighieri]

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Eu sobrevivi ao Holocausto, um relato dolorido e emocionante de Nanette Blitz Konig...

 

Histórias de guerra sempre mexem comigo. O Holocausto Judeu foi um dos acontecimentos mais infames da história mundial mas com o passar dos anos, tudo o que aconteceu nos parece cada vez mais distante... e é por meio de relatos de pessoas que viveram aqueles horrores que a tragédia chega até nossa geração, e soa tão impactante como se tivesse ocorrido no ano anterior... Mas saber mesmo o que aconteceu, imaginar o sofrimento dos judeus naqueles anos é impossível. Apenas aqueles que presenciaram suas famílias e amigos serem mortos, humilhados, passaram fome, frio e desesperança é que podem falar com propriedade sobre o assunto...

Na biografia Eu sobrevivi ao Holocausto, de uma sobrevivente chamada Nanette Blitz Konig, conhecemos uma parcela do que houve a partir de sua perspectiva. Na época, uma garota no início da adolescência teve sua vida transformada para o pior de forma abrupta, e essa mudança repercute em sua vida até os dias atuais... Aos 86 anos, ainda dá palestras contando seu emocionante relato, a fim de conscientizar as pessoas de que a intolerância político-religiosa é um mal que não pode tomar grandes proporções como aconteceu naqueles anos... 

Nanette foi amiga de outra judia conhecida mundialmente pelo diário em que registrou seus meses escondida dos nazistas: falo de Anne Frank. E em várias passagens do livro ela é citada, embora não seja o foco principal do livro, pois se trata - obviamente - dos infortúnios de Nanette...

É difícil escrever no calor da emoção, e não escondo que escrevo esse texto com um sentimento negativo de falta de esperança na humanidade. A intolerância, o ódio ao 'outro' é algo que causa mortes no mundo inteiro até os dias atuais. Quantos não estão tombando sem vida nesse exato momento por pertencerem a alguma minoria étnica, social ou econômica? Quantos não estão sendo explorados sexualmente, psicologicamente ou em trabalhos forçados sem esperança por um dia de paz? Quantas bombas não caem agora destruindo famílias, vivências e futuros? O mundo vive eternamente em guerra... Mas evitar falar delas não fará com que elas deixem de acontecer... Contudo, falar a respeito pode ter um efeito de evitar que mais pessoas recorram a ela, e quem sabe num futuro [não muito próximo, infelizmente] isso não dê resultados?

Publicado pela Editora Universo dos Livros, 'O comovente relato de uma das últimas amigas vivas de Anne Frank' é sobre uma judia holandesa que passou meses presa num campo de transição na Holanda, foi separada de sua família e sozinha teve que enfrentar a tirania de seus algozes. Lutou contra o tifo, quando uma pequena centelha de liberdade se fez visível, já nos meses finais da Segunda Guerra... Ela sobreviveu, sim. Mas a fim de quê? O que lhe restou no mundo que valesse a pena viver por isso? 

A memória é sua amiga/inimiga. É com ela que Nanette conta sua história ao mundo, representando aqueles que pereceram e hoje não passam de números estatísticos entre mais de 6 milhões de judeus mortos. Mas é justamente a memória que traz a dor daqueles dias terríveis. É a memória que não a permite esquecer a angústia sofrida no campo de concentração de Bergen-Belsen, na Alemanha.

Após a guerra, ela conseguiu se reestruturar e seu destino foi selado quando conheceu um rapaz e eles casaram, e Nanette deixou o pouco que lhe restou para trás para vir morar com ele no Brasil. Constituiu sua própria família mas o incômodo de não existir a geração anterior a ela é um desconforto que seus filhos, netos e bisnetos tem que carregar...

No dia 16 de agosto, ela estará na livraria Cultura do RioMar em Recife, e eu não perderei a chance de encontrá-la e se possível lhe dar um abraço. Confesso estar ansiosa pois Anne Frank e o Holocausto tiveram uma importância colossal em minha vida, pois foi a partir do conhecimento disso que eu desejei me tornar o que sou hoje. Mexe demais comigo qualquer coisa relacionada a Segunda Guerra, e até dando aula eu preciso parar às vezes, respirar fundo e tomar fôlego para continuar... Então imaginem minha emoção ao chegar perto de alguém que vivenciou tudo aquilo, e sobreviveu para nos contar sua história? 

Em suma, espero que tenham gostado da postagem. E me perdoem se ela foi por demais parcial, mas com histórias de guerra, meus textos sempre serão... não há como mudar isso...


17 Comentários:

- fecprates

Olá
Histórias envolvendo guerras sempre são mais marcantes mesmo. Eu não conhecia esse livro, mas fiquei bem interessada depois de ler seus comentários.. esse relato de sobreviventes é muito importante e deve ter seu devido destaque. Espero que você consiga encontrá-la.
Beijos, Fer
www.segredosemlivros.con

Greice Blogando Livros

OIeeee. POis é, você falou uma coisa certa. Depois de sobreviver será que vale a pena mesmo? Porque as lembranças e os traumas podem enlouquecer as pessoas, podemos ver pelas pessoas que lutaram no Iraque. Mas estas pessoas conseguem ter força de lutar e continuar e nisto é a maior luta que elas tem todos os dias. Eu leio diversos livros sobre as guerras e acho que jamais conseguiria sobreviver.

Beijos,

Greice Negrini

Blogando Livros
www.blogandolivros.com

Bruna Costabeber

Olá!
Livros sobre a segunda guerra mundial são minha paixão. Todos que li até hoje me encantaram e marcaram de uma forma que nem consigo explicar.
Esse livro está na minha lista há bastante tempo e estou bem ansiosa para lê-lo. Essa questão de nos perguntarmos sobre para que ela sobreviveu é muito intrigante, pois penso dessa forma, esses relatos são incríveis, mas a pessoa perdeu tudo, ela precisou começar uma vida de novo com toda uma carga em suas costas.
Adorei sua resenha, está perfeita.
Beijos,
Um Oceano de Histórias

Larissa Aguiar
Este comentário foi removido pelo autor.
Larissa Aguiar

Oi!
Livros assim abalam o nosso emocional, pois é impossível não se emocionar e não imaginar tudo o que essas pessoas passaram e o que tantas outras em situações diferentes mas tão ruins quanto ainda passam nesse mundo. Faz um tempo que não leio livros assim por estar em uma pegada mais leve, mais comédia e romance, mas é difícil não se sentir intrigada com tudo o que a autora tem a relatar sobre seus infortúnios.
Parabéns pela resenha cativante.
Beijos!

Thamiris Dondóssola

Oi!
Nossa, estou agoniada. Apesar de gostar muito de livros que envolvam guerras, sempre me sinto mal. A história de Nanette deve ser inesquecível, assim como a história de Anne Frank.
Terminei de ler a postagem com muita vontade de conhecer essa obra.
Beijos

Thiana Santana

Oi.
Gosto de livros nesse estilo, mas fico com receio de ler a maioria deles pois fico muito abalada com essas história. O livro parece ser realmente incrível e tocante, apesar de você ter achado que sua resenha foi parcial eu adorei, pois realmente percebo o quando você gostou.
O melhor ainda é conhecer outras histórias além de Anna Frank, que hoje é lembradíssima. Mas não podemos esquecer de outras garotas que viveram os mesmo horrores.
Bom encontro com a Nanette.

Bjs

Victor Tadeu

Olá, tudo bem?
Eu não gosto de livros desse gênero, pode ser um preconceito literário, pois nunca li nenhum que se trata de guerra, mas o fato de acompanhar o sofrimento de uma pessoa e depois observar como ela faz para se erguer, é muito curioso e bonito de se ler. Mesmo que eu não "goste" daria uma chance a essa obra.

https://desencaixados.blogspot.com.br/

Rízia Castro

Oi
Também gosto de histórias de guerra. Esse livro está em minha lista de leituras e ver relatos assim são importantes para que nunca esqueçamos como são esses tempos e como as pessoas viviam. Sua resenha está perfeita! Vi que ela estará aqui em Recife e tentarei ir com certeza!
Beijinhos
Rizia - Livroterapias

Eduarda Rozemberg

Hey!
Para ser sincera, não sou muito chegada em livros biográficos, prefiro aqueles mais fictícios, mas não dispenso leitura. Esses que tem guerra como tema, sempre são muito tensos e eu sendo uma pessoa super sensível, não sei se teria estômago para chegar nas páginas finais. Ver o sofrimento das pessoas que passaram por isso é muito deprimente e triste. Gostei da sua postagem.
Um abraço!

http://paragrafosetravessoes.blogspot.com.br/

Michele Lopez

Olá,
Não costumo ler muitas biografias pelo fato de não me chamarem muito a atenção.
Porém, esta me deixou extremamente curiosa pelo fato de abordar um tema que acho muito emocionante: O holocausto.
Acredito que tenha sido uma leitura um tanto quanto pesada e o tanto que ela tenha mexido com você.
Dê uma abraço nela por mim também, ela é uma heroína somente pelo fato de ter sobrevivido a tudo aquilo.

http://leitoradescontrolada.blogspot.com.br/

Na estante da Elen

O Holocausto meche muito comigo, esse assunto sempre me toca. Então, por ai voce sabe que a premissa, a proposta do livro chama minha atenção. Tenho certeza que foi uma leitura dolorida, mas quero muito ler tambem.

Agatha Guedes do Nascimento

Oie.
Eu não tenho estômago para leituras assim, não consigo encarar o holocausto sem me sentir extremamente mal, sei disso porque O menino do pijama listrado acabou comigo, chorei, fiquei dias deprê e com uma puta ressaca, foi difícil, então agora eu meio aue evito qualquer coisa que passe perto entende?
Já vi esse livro e achei o trabalho maravilhoso, parabéns pela resenha.
Bjokas

Maria Fernanda Pinheiro

Amo livros com guerras, ainda não li nada sobre o holocausto, mas acho que a melhor maneira de conhecer mais é lendo livros dos sobreviventes, como nesse caso. Concordo que nossa sociedade é bem preconceituosa, e acho que isso fica nítido no livro, como não respeitamos a opinião dos outros, e pela escrita parece envolver o leitor e faze-lo ficar tocado, claro que é uma excelente mensagem

Nati Rabelo

Olá!
Sei que parece clichê, mas preciso primeiramente elogiar essa resenha maravilhosa e tão cheia de emoção, sua resenha conseguiu passar um pouco de uma reflexão angustiante que possivelmente passamos ao fazer a leitura desse livro.
Eu gosto de biografias, justamente por me aproximar de quem escreveu. Esse período do holocausto é um dos que me dá mais ojeriza, mas mesmo assim eu precisaria ler esse livro pra conhecer sobre a vida dessa guerreira.
Beijo

Suelen Fernandes

Olá!
Falar de guerra é sentir uma dor no peito. Saber que muitas pessoas sofreram e estão sofrendo até hoje é terrível. Saber que uma pessoas sobreviveu a tudo isso é ainda está viva e muito bom. Se pudesse conhecê-la também iria dar um abraço e dizer que ela é guerreira.
Adorei a sua resenha e espero que o encontro com ela seja lindo e emocionante.
Beijinhos!

Kétrin Galvagni

Oi, tudo bem?
Eu sou super suspeita de falar pois amo livros que relatam a guerra e o holocausto, e devo dizer que pelas palavras de alguém que vivenciou tudo isso deixa tudo mais emocionante ainda né? Gostei muito de ver que você amou o livro e recomenda, eu tenho certeza que irei gostar tanto quanto você. Eu preciso ler ele muito em breve!

Beijos

http://www.oteoremadaleitura.com/

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Aforismos, devaneios, quotes dispersos e impressões literárias...um baú de antiguidades e pós-modernismo. O obscuro, complexo, distópico, inverso... O horror, o amor, a loucura e o veneno de uma alma em busca de liberdade...

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