A bela poesia d'O livro das Ignorãças, de Manoel de Barros

| 26 junho 2016 | |

Há alguns anos tive o prazer de conhecer a poesia de Manoel de Barros e de lá pra cá, sempre estou [re]visitando seus versos... Em parceria com a Editora Companhia das Letras, solicitei O livro das ignorãças, publicado pelo Selo Alfaguara e pude matar a saudade do 'Maneco', disparado - um de meus poetas brasileiros preferidos...

No decorrer de seus versos, eu consigo visualizar as paisagens que o poeta descreve, com os absurdos que a licença poética é capaz de nos proporcionar. Pode parecer irreal, mas para uma mente que se entregue ao deleite da leitura de Manoel, 'escutar a cor dos peixes', 'levantar ventos com alavanca' e 'palestrar com formigas' não é tarefa difícil...

"Eu sou culpado de mim.
Vou nunca mais ter nascido em agosto.
No chão da minha voz tem um outono.
Sobre meu rosto vem dormir a noite."

O elemento natureza permeia toda a obra do autor, enriquece nosso sensorial de maneira sublime, pois ele mistura com delicadeza elementos naturais e emoções humanas como poucos podem fazer. Recria a fala popular, abusa de metáforas e transforma as palavras conjuntas em obras de arte.

"Aprecio viver em lugares decadentes por gosto de estar entre pedras e lagartos. Fazer o desprezível ser prezado é coisa que me apraz."

Ao fim de suas poesias, a nova edição de O livro das ignorãças traz uma cronologia sobre a vida e obra de Manoel, bem como algumas imagens do poeta e sua família, trechos de bilhetes endereçados a ele e uma rica bibliografia sobre as publicações que falam dele e seus livros. 

É através de Manoel de Barros que a voz dos esquecidos e marginalizados ganha status de riqueza erudita. Os cenários do Pantanal ilustram a poesia de seu conterrâneo, natural do Mato Grosso. Ler Manoel é delírio, comoção, beleza e amplitude. 'É ignorãça ignorar' o poder de sua poética...


13 Comentários:

Morgana Brunner Says:
27 junho, 2016

Oiii Maria, tudo bem?
Realmente não conhecia a obra e nem o autor até ao momento, e me apaixonei completamente, ainda mais por ser de poesias, que sou viciada.
Beijinhos

Carolinavga Says:
27 junho, 2016

Oi Val!
Não sou muito de ler poesia, mas fiquei encantada com a sua resenha e quero conferir a obra do Manoel. Vou anotar a dica.

Beijos
http://aventurandosenoslivros.blogspot.com.br/

Cristina Deutsch Says:
28 junho, 2016

Oi, como vai?

Já conhecia o livro, faz um tempinho que o li, muito bom. Sua resenha ótima, como sempre, parabéns!

http://www.cristinadeutsch.org/
Saudações literárias.
Beijos no ♥

Livros da Beta Says:
28 junho, 2016

Oi, Maria! É sempre um prazer visitar seu blog!
Não conhecia este livro, mas adorei a dica literária!

Bjs
www.livrosdabeta.blogspot.com.br

Gislaine Oliveira Says:
28 junho, 2016

Oi Maria, tudo bem?
Confesso que eu não sou a maior fã de poesia. Acho que eu sou meio ogra para essas coisas, não tenho essa sensibilidade toda :P
Até estou tentando me envolver um pouco mais, pois quero organizar alguns saraus, mas não é muito fácil mergulhar neste gênero :3
Beijooos
http://profissao-escritor.blogspot.com.br/

Filipe Penasso Says:
28 junho, 2016

Eu gosto muito de livro assim! Com grandes ensinamentos em meio a simplicidade dos versos. Tais obras que valorizam nossa cultura brasileira.
Parabéns pela publicação, sucesso para você!
Filipe Penasso - Pena Pensante

Coleções Literárias Says:
29 junho, 2016

Oie.
Eu achei mega interessante o titulo do livro hahahaha.
Não curto livros do gênero, não é um livro que eu leria, mas confesso que é interessante, o segundo quote chamou minha atenção. Sua resenha ficou ótima, se caso um dia eu ler o livro te conto o que achei, mas espero gostar.

Lullys Says:
29 junho, 2016

Que título instigante!
Adorei!
Não conhecia e fiquei bem curiosa para ler.
Parabéns pelo post!

Beijinhos...
http://estantedalullys.blogspot.com.br/

Blog Lado Escuro Says:
29 junho, 2016

Olá!
Não conhecia o livro mas me parece uma obra e tanto, não? O modo como você falou tão bem dele me fez pensar como deve ser um livro realmente maravilhoso. Não sou muito fã de poesias (até leio de vez em quando, mas não tenho o costume), porém fiquei curiosa para conhecer a obra.
Abraços!

Gleyse Vieira Says:
29 junho, 2016

Oi Val, fiquei rindo com a palavra "ignorãnça" hehehe. Já li algo do autor, mas não posso me considerar fã. Gosto muito quando você traz obras do tipo, pois assim nos instiga conhecer coisas diferentes e de ótima qualidade. Bjs

Nina Spim Says:
30 junho, 2016

Oi, tudo bem?

Puxa, tenho MUITA vontade de ler esse livro dele! <3 Não conheço muitas poesias dele e não lembro de tê-lo estudado muito nas aulas de literatura, mas as que já tive o prazer de ler, nossa, tão profundas e lindíssimas <333 Esses tipos de livros sempre procuro na biblioteca da minha faculdade, mas já procurei e não achei </3

"No chão da minha voz tem um outono", me identifiquei bastante!

Love, Nina.
http://ninaeuma.blogspot.com/

Pamella Ferrarez Says:
01 julho, 2016

Olá!

Não sou muito chegada a ler poesias, estou tentando mudar isso é achar algo que me agrade e ver se poesia te jeito pra mim ou não hahaha. Achei legal o autor utilizar bastante da natureza em suas expressões de linguagem para descrever os sentimentos na poesia. Não sei se eu compreenderia as mensagens da poesia, mas me parece ser um bom livro. Quem sabe um dia eu não chegue a um nível de entendimento em que consiga lê-lo não é mesmo?

Beijinhos!
Cantinho Cult

carool santos. Says:
20 julho, 2016

Olá, confesso que poesias ou livros com esse assunto nunca me chamaram atenção, porém sei que é uma leitura "rápida" e que algum dia possa me interessar, ou assim eu espero rs
Adorei sua resenha, beijos
diariasleituras.blogspot.com

Postar um comentário

De Bukowski a Dostoievski. Ana Cristina César a Lilian Farias. Deleite-se com a poesia de Florbela Espanca e o erotismo de Anaïs Nin...
Aforismos, devaneios, quotes dispersos e impressões literárias...um baú de antiguidades e pós-modernismo. O obscuro, complexo, distópico, inverso... O horror, o amor, a loucura e o veneno de uma alma em busca de liberdade...

Seja bem-indo-e-vindo[a]!

╬† Literatura no Mundo ╬†

╬† Autores ╬†

agatha christie Alan Dean Foster Alan Moore Álvares de Azevedo Ana Cristina César Anaïs Nin Anna Akhmatova Anne Rice Anne Sexton Antônio Xerxenesky Arthur Rimbaud Bob Dylan Bram Stoker Cacaso Caio f. Abreu Cecília Meireles Charles Baudelaire charles bukowski Charles Dickens chuck palahniuk Clarice Lispector clive barker Cruz e Sousa dalton trevisan David Seltzer Dik Browne Don Winslow edgar allan poe Eduardo Galeano Emily Brontë Ernest Hemingway Eurípedes F. Scott Fitzgerald Ferreira Gullar Florbela Espanca Franz Kafka Garth Ennis George R. R. Martin Gilberto Freyre Guido Crepax H. G. Wells H. P. Lovecraft Haruki Murakami Henry James Herman Hesse Herman Melville Hilda Hilst honoré de balzac Horacio Quiroga Hunter S. Thompson Ignácio de Loyola Brandão isaac asimov Ivan Turgueniev J. R. R. Tolkien Jack Kerouac Jack London Jay Anson João Ubaldo Ribeiro Joe Sacco Jon Krakauer Jorge Luis Borges José Mauro de Vasconcelos Julio Verne Konstantinos Kaváfis L. Frank Baum Laura Esquivel Leon Tolstói Lord Byron Luciana Hidalgo Luiz Ruffato Lygia Fagundes Telles manoel de barros Marcelo Rubens Paiva Mario Benedetti Mark Twain Marquês de Sade Martha Medeiros Mary Shelley Michel Laub Miguel de Cervantes Milo Manara Moacyr Scliar Neil Gaiman Nelson Rodrigues Nicolai Gógol Oscar Wilde Pablo Neruda Patti Smith Paulo Leminski Pedro Juán Gutierrez Rachel de Queiroz Rainer Maria Rilke Ray Bradbury Robert Bloch Robert Kirkman robert louis stevenson Roberto Beltrão Rubem Alves Sándor Márai Sófocles Stephen King Stieg Larsson Susan E. Hinton Sylvia Plath Torquato Neto Victor Hugo Virginia Woolf William S. Burroughs Ziraldo
Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...
Witches Hat
Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...