12 Meses de Poe: O enterro Prematuro

| 30 junho 2016 | |

Antigamente havia o costume de colocarem sinos próximo as catacumbas para no caso de serem tocados, alguém que ficava de vigia acima do túmulo desenterrar o 'defunto', que certamente tinha sido enterrado vivo... Devido a algumas causas que hoje em dia [mas não antigamente] a medicina explica, algumas pessoas passam por um processo de 'morte' aparente, mas na verdade se encontram vivas, e em alguns casos até conscientes de todo o ritual que precede um velório...

Esse hábito se tornou comum em várias cidades e vilarejos devido ao alto número de corpos encontrados em posições diferentes quando se havia a necessidade de reabrir os sepulcros ou tumbas. A verdade é que - antes desse artifício - muitos morreram uma segunda vez, ao serem enterrados vivos  e despertarem para o horror de constatar que não havia como escapar de seus caixões...

"Podemos asseverar, sem hesitação, que nenhum acontecimento é tão horrivelmente capaz de inspirar o supremo desespero do corpo e do espírito como ser enterrado vivo. A insuportável opressão dos pulmões, os vapores sufocantes da terra úmida, o contato nos ornamentos fúnebres, o rígido aperto das tábuas do caixão, o negror da noite absoluta, o silêncio como um mar que nos afoga, a invisível, porém sensível, presença do Verme Conquistador, tudo isso com a ideia do ar e da relva lá em cima, a lembrança dos amigos que voariam a salvar-nos se informados de nosso destino e a consciência de que eles jamais poderão ser informados deste destino, e de que nossa desesperada sorte é a do realmente morto, essas considerações, digo, acarretam ao coração que ainda palpita um grau tal de horror espantoso e intolerável que a mais ousada imaginação recua diante dele."

O enterro prematuro é um conto de Edgar Allan Poe que expõe ao leitor - através de uma figura narrativa não identificada - vários casos de pessoas, mulheres ou homens, que padeceram de maneira tão infeliz, sem chance de escapar a cruel destino. Com uma grande aptidão de prender-nos a leitura por meio de um detalhismo quase sufocante, claustrofóbico, Poe nos compele a devorar avidamente cada parágrafo do conto, rumo ao desfecho surpreendente... 

O narrador conta sobre os episódios em que foi acometido com catalepsia e seu medo beirando a paranoia de ser enterrado vivo... O leitor compartilha de sua angustia, enquanto ele descreve as sensações que tinha, as precauções que tomou para sair da tumba caso o enterrassem e ele retornasse... Somos imersos em sua quase loucura e pavor... Certamente foi uma das melhores leituras do desafio #12MesesDePoe. Já tinha lido esse conto anos atrás, mas essa revisita me impressionou como se tivesse sido a primeira vez... É o poder que a escrita do autor tem sobre quem se aventura em suas histórias...


9 Comentários:

Isabella Marques Says:
01 julho, 2016

Eu tenho essa paranóia desde que me entendo por gente kkkk por isso não leria o conto pra não me sentir ainda pior.
Bjs,Isa

Fabrica dos Convites Says:
02 julho, 2016

Nossa, ser enterrado vivo deve ser um verdadeiro terror. E que costume mais bizarro não é mesmo? Eu sinceramente que não ficaria ali de vigia...
Bjs!

Leitora Compulsiva Says:
02 julho, 2016

Desconhecia esse conto do autor, mas adorei a temática e já lera algo semelhante em A queda da casa de Usher. Simplesmente, preciso ler O enterro prematuro! *___*

Nina Spim Says:
02 julho, 2016

Oi, tudo bem?

Não conheço muito da literatura de Poe, porque nunca fui fã dele e nem me interessei em ler por conta própria. As temáticas dele não fazem nada o meu tipo, então, é por causa disso. Gostei do contexto do conto, porque me interesso por coisas da medicina. Não sei por quê, mas esse conto me lembrou um romance do Veríssimo, em que os mortos do cemitério voltam à vida e apavoram a cidade.
Eu já sabia que você participava desse projeto e já vi mais gente participando, acho algo bem legal. E acho que deveriam fazer sobre outros autores, sabe? Tipo, juntar um grupo que ame tal escritor e fazer um clubinho por um ano. Adoraria participar!

Love, Nina.
http://ninaeuma.blogspot.com/

Lullys Says:
04 julho, 2016

Olá, tudo bem?
Nossa que intensa esta leitura!
Não sei se eu teria estômago, viu!
Acho que este conto, no momento não vai dar pra ler, não... rsrsrs... Ando meio sensível ultimamente.


Beijinhos...
http://estantedalullys.blogspot.com.br/

Leitora na Moda Says:
05 julho, 2016

Oi!

Nossa, bem macabro!! rsrs
Achei interessante, vou procurar para ler também!!

Beijos, Thay.
http://www.leitoranamoda.com

Pamella Ferrarez Says:
06 julho, 2016

Olá!

Ainda não conheço nada do Poe, fiquei tentada a participar deste desafio de 12 meses, mas por medo de não dar conta acabei não participando. Entretanto ainda tenho muita vontade de conhecer sua escrita, pois todos falam muito bem dele. Esse conto parece ser realmente muito bom, por passar toda a sensação da claustrofobia que o narrador vive. Espero um dia poder conhecer esse conto!

Beijinhos!
Cantinho Cult

Anna Costa Says:
06 julho, 2016

Esse conto é muito bom né? Um dos meus preferidos até agora! Também já tinha lido muitos anos atrás mas essa leitura nova foi bem mais proveitosa, digamos. <3

Meu blog
Desafio de leitura #12mesesdepoe

Bruna Souza Says:
13 julho, 2016

oi, tudo bem?
Adoro as obras de Poe, ele realmente sabe mexer com a gente e nossas emoções (e temores, rs). Não li esse ainda, mas fiquei curiosa
beijos
http://meumundinhoficticio.blogspot.com.br

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