Lendo Sandman - Estação das Brumas [4º arco]

| 05 maio 2016 | |
Trago mais uma postagem do Projeto literário #LendoSandman que está sendo organizado por Raquel Moritz no blog Pipoca Musical. Disparado, Estação das Brumas foi meu arco preferido até o momento, e compreende as edições 21  a 28. O início do arco nos apresenta Destino, um dos irmãos Perpétuos, que recebe a visita das Mulheres cinzentas em seu jardim, e profetizam algo que faz com que o Perpétuo convoque os seus irmãos...



Nesse conclave aparecem o misterioso Morpheus [Sonho]. o sexy e provocante Desejo, a horripilante Desespero, a insana Delírio e... Morte. O último irmão não comparece a reunião de família... Em dado momento, Desejo provoca a ira de Morpheus, ao criticá-lo sobre seu romance com Nada, condenada ao Inferno por rejeitar o amor de Sonho... Morte tenta aconselhá-lo e ele percebe que ela concorda com Desejo, e a partir daí ele resolve reparar a injustiça cometida contra Nada, há dez mil anos... Eis o prelúdio do que está por vir na história...

Sandman parte para o Inferno a fim de resgatar sua amada, mas antes toma algumas precauções. Sua última estada na morada do sofrimento eterno não foi amistosa, e ele teme que Lúcifer o puna pela visita anterior. Munido de seu elmo ele parte para as Terras sombrias e nada do que imaginava aconteceu. Ele se depara com um lugar praticamente vazio e um Lúcifer decidido a partir para sempre dali, mas não antes de entregar em suas mãos um poderoso presente/artefato. 

"Aos amigos ausentes, amores perdidos, velhos deuses. E à estação das brumas; e que cada um de nós sempre dê ao demônio o que lhe é merecido."
Particularmente acho incrível o trabalho de Neil Gaiman em reunir personagens já apresentados anteriormente na história, com elementos místicos, religiosidade e fantasia de maneira primorosa. Ele nos convida a um passeio pelas terras nórdicas do Ragnarok, faz referência a personagens de outras tramas do universo dos quadrinhos. O artefato que Morpheus recebe de Lúcifer acaba sendo alvo de disputa de diversas divindades, entre elas Anúbis, Odin, o Chaos, a Ordem, entre outros...

Mortos e condenados vagam pela Terra e Morte está tendo um certo trabalho em colocar tudo em ordem, e nesse ínterim, conhecemos Charles, um garoto que mora no internato e que logo descobre que os antigos moradores que tiveram suas vidas ceifadas entre aquelas paredes ainda perambulam por ali... Ele descobre o quão perversos alguns deles podem ser... 

Retomando o fio condutor de Estação das Brumas, na mansão do Sonho, o anfitrião recebe tentadoras propostas de seus convidados para conseguirem o artefato, que vão de subornos, trocas de favores a ameaças sem sentido. Ele se dá conta de que aquele presente não facilitou em nada sua existência...

A trama vai seguindo rumo ao desfecho que, confesso - me deixou emocionada em dado momento... Ele vai reencontrar sua amada e recuperar o seu amor? O Destino reservou um final poético para seu irmão e Nada... Para que mãos o artefato vai seguir? Uma decisão impensada pode comprometer o funcionamento de todo o plano físico e etéreo... Mas Morpheus não tem muitas horas para decidir... O tempo corre implacável, mesmo para os eternos'...

Uma referência digna de nota logo no prelúdio é com a obra de Jorge Luis Borges - O jardim dos caminhos que se bifurcam. Todo o arco é sobre escolhas, que engendram em perdas, não importando que caminho é escolhido a se percorrer... Uma escolha anula todas as outras possibilidades.... Achei bem interessante essa alusão ao conto do escritor argentino... 

Em suma, foi meu arco preferido, por toda a alusão a mitologias que ele traz, pela própria busca de Morpheus por Nada e pela aparição dos demais Perpétuos... Sobre o ausente, ainda não há indícios que apontem o porquê de seu desaparecimento/isolamento... Se houve, passou despercebido por mim... 

Espero que tenham curtido a resenha... Em breve trarei uma postagem sobre as edições 29, 30 e 31... Não percam e continuem me acompanhando nesse Projeto... 


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7 Comentários:

Andrea Morais Says:
07 maio, 2016

Morro de vontade de ler Sandman, mas nunca mais encontrei para vender!! =( Vou acompanhar esse seu projeto para conhecer melhor a história já que não posso lê-la por enquanto! Bjss

Gislaine Oliveira Says:
07 maio, 2016

Oi Maria, tudo bem?
Eu não conhecia a história, mas confesso que fiquei bem curiosa. Acho que ela tem várias coisas que me agradam :)
Mas não consigo ler HQs onlines :P E não estou podendo comprar nada :P
Beijooos
http://profissao-escritor.blogspot.com.br/

Thatyane Says:
07 maio, 2016

Oi, tenho uma certa curiosidade para ler Sadman,mas onde moro não tem todas as edições e muitas vezes nem tem :/
Vou tentar ler online já que estou sem dinheiro e sua resenha me despertou a curiosidade, vou anotar a dica e colocar na lista dos desejados.
bjus

Kris Oliveira - Conversas de Alcova Says:
08 maio, 2016

Oiee Val,
Eu não consigo definir qual arco de Sandman eu gosto mais, acho que gosto de todos e simplesmente gosto e ponto. hauhauha
Ler as tuas resenhas me dão uma vontade gigantesca de ler tudo de novo, acho que o farei em breve. Beijos

Profissão: Leitora Says:
08 maio, 2016

Eu sou enlouquecida por Nel Gaiman, e me arrependo até o último fio de cabelo de não ter comprar o absolute quando ainda estava disponível. Mas, enfim. Já li praticamente tudo dele, menos... Sandman... :/ Vi o projeto do Pipoca e achei muito massa, mas como não tinha os livros e meu inglês não é lá essas coisas, acabei deixando pra depois. Mas muito bacana você estar participando. Bom saber que gostou do arco.

;D
Nelmaliana Oliveira

Fabrica dos Convites Says:
09 maio, 2016

Oi Maria, acho que já te falei que li uma obra do Neil e detestei, por isso estou evitando livros dele no momento. Mas acompanhando este seu projeto, vejo que é importante dar uma chance a outra leitura dele.
Bjs, Rose

Interessante de Ler Says:
10 maio, 2016

Oi :)
Achei o projeto bem interessante apesar de não ter lido nada do autor :/ Achei bem interessante essa resenha por se tratar de algo que tem a mitologia nórdica <3
Abraço
http://interessantedeler.blogspot.com.br/

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