A Tristessa de Kerouac...

| 12 março 2016 | |
Em 12 de março de 1922, nascia em Lowell, cidade do estado de Massachussets, Jean-Louis Lebris de Kerouac, mais conhecido como Jack Kerouac, e que viria a se tornar o pai da beat generation, estilo literário que surgiu nos anos 40 e que influenciou a partir dali, vários autores das futuras gerações, cineastas, artistas entre outros membros do meio artístico, com sua escrita marginal e peculiar... 

Mas vamos aproveitando a data comemorativa para postar minhas impressões sobre o livro Tristessa, que foi o segundo título que li do grande Kerouac... 

 Tristessa é uma junkie viciada em morfina, mexicana e logo se torna a amada de Jack, narrador deste romance. Com ares de autobiografia, pois o autor se apaixonou por uma prostitua índia de nome Esperanza, foi publicado em 1960 e traz em sua narrativa toda a trajetória rumo a droga que o próprio Jack buscou no período em que viveu na Cidade do México, e as desventuras ao lado de Bull e Tristessa...


A prosa de Kerouac é poética e fluída. Ele descreve com nítida compaixão a vida regada a bolas, maconha e heroína em que Tristessa se corrompe. Há vários [des]encontros com personagens peculiares em busca da droga, em meio a pobreza e sordidez dos vilarejos esquecidos pelo território mexicano...

O amor que Jack nutre pela bela Tristessa beira o platônico. Ele sente vontade de unir-se a ela, mas ao mesmo tempo sabe ser impossível esse desfecho para ambos... Ele não sabe o que poderia dar a ela, e sente que ela não viverá muito, embora se recuse a pensar na possibilidade...



"Estou em um táxi com Tristessa, bêbado, com uma garrafa de uísque Juarez Bourbon no malote de dinheiro da ferrovia que eles me acusaram de roubar da estrada de ferro em 1952 - aqui estou eu na Cidade do México, um sábado à noite chuvoso, mistérios, velhas ruas laterais de sonho e sem nomes passam vertiginosamente, a ruazinha onde eu caminhara por entre multidões de vagabundos índios enrolados em mantas trágicas, suficientes pata fazer você chorar, e você achou ter visto facas reluzindo sob as dobras - sonhos lúgubres tão trágicos quanto aquele da Velha Noite da Estrada de Ferro, com meu pai sentado com suas coxas grandes no vagão de fumantes da noite, cochilando enquanto seguia pelos trilhos vastos, enevoados e tristes da vida"
O livro é curto, e dividido em duas partes, e já na segunda delas o leitor percebe que a vida abandona Tristessa à medida em que ela se afunda mais e mais nas drogas... Ele, um poeta americano vivendo em terras estrangeiras, junto com Bull, também estrangeiro e viciado há décadas, dividem a atenção de Tristessa com as picadas de heroína. Jack possui pensamentos de cunho budista, tentando justificar a miséria e desolação em que vivem na filosofia de que tudo é repleto de dor e sofrimento.

A existência vazia e sem sentido de Tristessa é preenchida com sexo e drogas. A de Bull é preenchida com conformismo, a do narrador Jack, pela paixão secreta por Tristessa. E, claro, ao desejo de cuidar de sua amada, de entregar-se ao abismo da agonia e da morte gradual, de sucumbir ao vício... A trama é ambientada na pobreza de uma cidade decadente, na falta de recursos, na prostituição e nos viciados.

Uísque, picadas de heroína e amor decadente são o alimento dessa obra, impactante, sombria, e belamente triste... 

"Vou escrever histórias tristes e compridas sobre pessoas na lenda da minha vida"

20 Comentários:

- fecprates Says:
15 março, 2016

Oi Maria
Não conhecia a obra, mas por suas impressões, consegue compreender bem alguns pontos que foram evidenciados. Não sei se leria nesse momento, mas com certeza possui uma temática interessante e repleta de mensagens reflexivas. Obrigada pela dica.
Beijos, Fer

Saga Literaria Says:
15 março, 2016

Olá,

não conhecia esse livro, não é um livro que eu pegaria para ler, mesmo com a temática interessante e sendo reflexivo, mas vou indicar essa obra para amigas. www.sagaliteraria.com.br

Nerd Book Says:
15 março, 2016

Não conhecia essa obra... Mas fiquei bem interessado de ler o livro e conhecer mais a história de Tristessa. E como é um livro curto, talvez dê para eu ler até em um final de semana e conhecer uma obra de Kerouac.

Jana Says:
16 março, 2016

Olá,
A profundidade das obras de Kerouac chegam a ser pertubadoras, não conhecia esse livro ainda, mas vou procura-lo!
Beijos
Jana

Morgana Brunner Says:
16 março, 2016

Oiii Maria, tudo bem?
Este livro que citaste é bem diferente do que eu realmente costumo ler sendo assim chamou bastante a minha atenção. Quem sabe eu leria por curiosidade e também para conhecer este autor, levando em conta que não o conhecia. E você sempre com estes livros diferentes me conquistando hahaa
Beijão <3

Sobre Livros e Outras Coisas Says:
16 março, 2016

Não faz meu tipo de livro, mas o enredo parece ser ótimo de ler. Amei o nome da Tristessa e a relação que, pelo que entendi, ela tem com a Esperanza da vida real. Bem intenso o livro! Ótima leitura :D

Bjs, Cass

Leticia Golz Says:
16 março, 2016

Oi, Mari
Que livro intenso! Adorei a trama dele, com esses temas pesados. É uma leitura que parece ser a minha cara. Uma pena que ainda não conhecia. Adorei a resenha e gostaria muito de ler.

livrosvamosdevoralos.blogspot.com.br

Déborah Says:
16 março, 2016

Valéria, não conhecia autor, obra e nem estilo.
Porém achei a história muito interessante e aparentemente bem construída.
Espero ter a oportunidade de ler o livro e gostar.

Lisossomos

Débora Costa Says:
17 março, 2016

Eu não conhecia o enredo, mas preciso dizer que não é um livro que eu escolheria para leitura no momento.

http://laoliphant.com.br/

Parado na Estante Says:
17 março, 2016

Jack está na minha lista de autores para ler. Conheço pessoas que falam muito bem dele. Acredito que eu não tenha lido ainda um livro sobre essa temática. E Tristessa já entrou para a minha lista. Muito obrigada por ter me apresentado essa obra dele.
Beeijos, Erica Regina
Blog Parado na Estante / Fanpage Parado na Estante

Carolinavga Says:
17 março, 2016

Oi Val.
Ótima resenha.
Nunca li na do Kerouac, mas pelo que percebi as críticas costumam ser positivas. A história em si parece ser interessante, todo o clima sombrio e triste me atrai um pouco, quem sabe procuro algo dele para ler.

Beijos
http://aventurandosenoslivros.blogspot.com.br/

Palavras Radioativas Says:
17 março, 2016

Eu já havia ouvido falar no autor, mas nunca tive oportunidade de ler algo dele. Gostei muito da premissa e dos temas abordados no enredo, mas confesso que no momento o livro não seria uma escolha de leitura. No futuro, no entanto, ele certamente teria um destaque em minha estante.

Milla Alkimim Says:
17 março, 2016

Olá!
Apesar de não ser o meu gênero preferido, fiquei curiosa. A história parece ser bem carregada, por conta do vicio e tudo mais.
Gostei da resenha!
Bjos

http://paraisodasideas.blogspot.com.br/

Leituras Compartilhadas Says:
17 março, 2016

Menina, adorei a sua resenha, simplesmente excelente! Não li a obra ainda, embora já tenha ouvido falar. Aliás, nunca li nada do autor, mas depois de ler a sua resenha, creio que não protelarei essa leitura por muito tempo. Parabéns pela resenha!

Tatiana

Gleyse Vieira Says:
18 março, 2016

Oi Val, não conheço nada da obra do autor e adoro quando você nos apresenta coisas que pouco conhecem. Achei esse livro muito melancólico e deprimente, imagino que não seja uma leitura fácil, mas acho interessante a abordagem que o autor traz nesse contexto tão denso. Bjs

Vanessa Vieira Says:
18 março, 2016

Oi Val! Jpa te falei que suas dicas sempre me surpreendem né! Pois aí está mais uma. Desta vez para me tirar da zona de conforto. Adorei a resenha, a premissa do livro e já anotei aqui porque quero muito ler.

Beijinhos flor!

Mia Sodré Says:
18 março, 2016

Já tentei começar a ler algo do Kerouac, mas não rolou amor. Porém, tentarei de novo qualquer dia desses. Acho que para cada livro há um tempo certo de ser lido.

Tristessa parece ser bem pesado, cru. Será necessário fôlego.

;*

Elileudo Júnior Says:
19 março, 2016

Olá :)
Não conhecia o livro nem o autor mas me pareceu um livro bem interessante e leria para sair de minha zona de conforto.
Abraço
http://interessantedeler.blogspot.com.br/

Danielle Rodrigues Says:
19 março, 2016

Oie tudo bem, bem diferente essa leitura, fiquei curiosa para ler. Sabe eu gosto de ter a oportunidade de ler obras nesse naipe. Mesmo não fazendo meu estilo de leitura, mas é uma forma de expandir mais nosso gosto, não é mesmo!? Bjkas

Lumartinho Says:
23 março, 2016

Oi Val!
Nossa, que história hein!?
Li sua resenha pensando em comentar várias coisas, mas só consigo pensar na história de cada um dos personagens e como a vida deles é preenchida... Parece mesmo muito, muito triste!!
Beijos

LuMartinho | Face

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