12 Meses de Poe: O demônio da Perversidade

| 29 fevereiro 2016 | |





"Não há na natureza paixão mais diabolicamente impaciente como a daquele que, tremendo à beira de um precipício, pensa dessa forma em nele se lançar. Deter-se, um instante que seja, em qualquer concessão a essa ideia é estar inevitavelmente perdido, pois a reflexão nos ordena que fujamos sem demora e, portanto digo-o, é isto mesmo que não podemos fazer. Se não houver um amigo que nos detenha, ou se não conseguirmos, com súbito esforço recuar da beira do abismo, nele nos atiraremos e destruídos estaremos."





 Publicado pela primeira vez em 1845 na Revista Graham, O demônio da Perversidade começa como um ensaio do autor, falando sobre certos impulsos humanos a quem ele caracteriza como sendo uma espécie de 'demônio', que compele o indivíduo a fazer coisas que não devia, um imp a tentar o Homem, cheio de sentimentos autodestrutivos... 

Ele prossegue em seu estudo afirmando que todo ser humano está sujeito a ação de tal 'demônio', e que todos estão propensos a por em prática as ações de autodestruição 'sopradas' em nossa consciência por pensamentos perturbadores...

"O impulso converte-se em desejo, o desejo em vontade, a vontade numa ânsia incontrolável, e a ânsia (para profundo remorso e mortificação de quem fala e num desafio a todas as consequências) é satisfeita."

Os elementos sobrenaturais tão comuns aos contos de Edgar Allan Poe dão espaço a um teor psicológico nessa 'short story' de apenas quatro páginas. Com a maestria familiar de prender o leitor em suas obras, Poe desvela um assassino que confessa - em leito de morte - seu crime, com certo orgulho, embora até aquele momento, ninguém sequer imaginasse que ele tinha sido o algoz... 

Através do personagem, a perversidade que o Homem traz consigo é facilmente mascarada sob o pretexto de que todos podem nutrir tais sentimentos e que 'do pensar' ao 'pô-los em prática', a linha é bastante tênue... O assassino sente certo deleite em confessar seu crime, como se afrontasse o pensamento comum de que tais perversidades devem ser mantidas na mente daqueles que o sentem, ao invés de escancarados, por medo de julgamentos sociais. Com isso, ele acaba por afrontar a moral. 

A [re]leitura deste conto se deu por conta do Desafio 12 meses de Poe. Para mais detalhes a respeito, visite os links abaixo...


10 Comentários:

Raquel Alves Says:
01 março, 2016

Olá. Nossa amei seu blog e sua personalidade. Os temas que você abordam são do meu universo e dai a boa sintonia. Parabéns, garota! Parece-me que você também é uma apaixonada por Poe, assim como eu :)

ladyblackraven.blogspot.com.br

Literaleitura Says:
01 março, 2016

Olá, adoro contos e o gênero também é um dos meus favoritos. Pena que nunca li nada do autor, mas espero reverter isso logo. Adorei a postagem.

Beijokas da Quel ¬¬
Literaleitura

Camila Coelho Says:
01 março, 2016

Eu tenho um livro com alguns contos do Põe e também adoro sua escrita. Eu ainda não conhecia o desafio e achei super bacana.
Bj
Camila Bernardini Coelho

Déborah Says:
01 março, 2016

Valéria, adorei saber um pouco sobre o conto.
Eu acho que só li um conto do Poe, mas nem lembro o nome.
Preciso ler mais coisas dele e como amo contos acho que seria uma boa.

Lisossomos

Pensamento Literario Says:
01 março, 2016

OI!!!

Maria Valéria, senti como se essa resenha fosse minha. Geralmente faço nesse estilo. Uau! Enfim, Poe é muito surreal e ao mesmo tempo realista, ele lhe faz ir ao inferno e ao céu, uma ambiguidade e creio que você conseguiu captar o que ele mostrar em seu íntimo. Esse desafio é uma ótima iniciativa para propiciar que mais leitores naveguem nos contos desse autor.

Beijos!!

Kelly Alves Says:
01 março, 2016

Olá Maria!!!
Já ouvi falar do autor, mas nunca li nada dele! Gostei muito do primeiro trecho, e isso aliado a sua resenha me fez ficar bem curiosa com relação ao texto, que parece tão curto e ao mesmo tempo tão forte!

Beijokas

Prateleira Sem Fim Says:
01 março, 2016

Oi Maria,
Gostei do tema de história. O ser humano realmente possui muitas camadas e muito mistérios. hehe Gosto do Poe, as não li muitas histórias dele.
beijos
www.prateleirasemfim.com.br

Carolinavga Says:
02 março, 2016

Oi Valéria.
Adoro a escrita do Poe, mas esse conto eu não me lembro se já li hehehe
A história parece ser impressionante, ainda mais por lidar com sentimentos humanos.

Beijos
http://aventurandosenoslivros.blogspot.com.br/

Livros da Beta Says:
03 março, 2016

Mais uma leitura para a minha lista! Parabéns pelo post! As leituras de Poe sempre me deixam intrigada e com vontade de ler cada vez mais!!

bjs
www.livrosdabeta.blogspot.com.br

Suzzy Chiu Says:
03 março, 2016

Hello!

Acho que nunca nada do Egar Allan Poe, mas sei da fama dele e que é um classico.
Estou acompanhando o #12MESESDEPOE e fiquei com vontade de ler esse conto, ainda mais que tem uma pegada mais de suspense e misterio.
Beijos.

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