As singelas listas de Dez coisas que aprendi sobre o amor

| 23 dezembro 2015 | |


Daniel e Alice nunca se encontraram antes, mas a vida de ambos possui uma ligação muito forte... Tendo como cenário de fundo a bela cidade londrina, Daniel não tem porto seguro, ele é um sem-teto, e lista algumas coisas em uma folha de papel; coisas que ele diria à sua filha, que nunca conheceu...

Alice está voltando para casa, pois os seu pai se encontra prestes a morrer. Suas irmãs, com quem não tem um relacionamento muito profundo, a aguardam em casa com a notícia... Apesar de seu pai estar morrendo, o momento não foi propício para uma despedida adequada, e Alice se sente perdida. Pensa na mãe, na relação difícil que sempre teve com o pai após a morte da mãe, em Kal, com quem teve um relacionamento por 3 anos e não deu certo. E ela lista várias coisas: o que gostaria de dizer pra alguém, o que não deveria ter feito, o que deveria ter feito...

Ela tem 30 anos e passa mais tempo longe de casa, mas agora que está morando na casa que em breve será vendida, ela revisita sua infância, seu passado distante e as memórias do acidente que vitimou a sua mãe. Alice não se encaixa na família que lhe restou, e só voltou para dar um último adeus a seu pai... 

O que Alice e Daniel tem em comum? E como eles se encontram? A paixão pelo céu estrelado, o hábito de listar coisas que os deixam felizes, infelizes ou reflexivos, que transbordem lembranças longínquas e melancólicas... 


Daniel consegue revelar sentimentos apenas com objetos que pega no lixo, transformando-os em enigmáticas mensagens. Depois de ver um amigo de rua tentar entrar em contato com sua filha, que está na Polônia, ele repensa sobre a decisão de abrir a história de sua vida, ou se esse fato pode desencadear mais tristeza e desalento às pessoas envolvidas... "Às vezes, é melhor deixar as coisas como estão..."

Alice é uma mulher madura, apesar de se mostrar insegura em vários momentos, e senti alguma identificação com as coisas que ela listava e na maneira como ela se sentia com relação ao mundo è as pessoas ao seu redor... A premissa do livro me fez escolher um bloquinho para fazer minhas pequenas listas, e logo outras mais serão acrescentadas ao que já escrevi... 

Publicado recentemente pela Editora Novo Conceito, Dez coisas que aprendi sobre o amor é sobre onde podemos encontrar o amor, nas minúcias, nos [des]encontros, no admirar de estrelas sob uma ponte... É sobre tentar compreender os 'acidentes' da vida, os trilhos que percorremos para chegar ao desconhecido... Sarah Butler possui uma escrita que remete ao nostálgico e poético, e apesar de ter demorado um pouco para me conectar à trama, devido à narrativa, que se mesclava ora em Daniel, ora em Alice, terminei a leitura absorta em seus entremeios... 

O desfecho não amarra as coisas num final feliz e previsível, tampouco traz o clichê de tragédia... fica em aberto, e as possibilidades, só o leitor poderá conjecturar a respeito... Eis uma boa pedida... 

6 Comentários:

Lilian Farias Says:
28 dezembro, 2015

Oi, Val!
Sua resenha ficou linda, mas o livro não é meu estilo, acho que em 2015 só vi dois livros da NC que despertaram meu verdadeiro interesse.

Thais Maia Says:
28 dezembro, 2015

Oie!!!!
Vi esse livro ontem na livraria, e me lembro de ter achado o titulo lindo, bem sugestível.
Curti o enredo, e fiquei curiosa com a premissa. Estou adicionando nas minhas metas literárias para 2016 ;)
bjs

Kris Oliveira - Conversas de Alcova Says:
29 dezembro, 2015

Ainda não li o meu mas vou fazer isso agora nas férias!

Rafaella Lima Says:
06 janeiro, 2016

Oii, tudo bem?

Gostei bastante da sua resenha e tenho bastante vontade de ler esse livro. Parece ser bem tocante e nos faz refletir, e eu adoro listas... então fiquei bem curiosa sobre a lista que os personagens fazem.

Beijinhos,

Rafaella Lima || Vamos Falar de Livros?

Heloísa G. A. Says:
07 janeiro, 2016

Uma ótima pedida por sinal. Adorei a ideia das listas no meio da história. Admito que sou meu maníaca por organização, e tudo que eu faço tem alguma lista. Irei me identificar e gostar muito do livro, tenho certeza. Já quero ler!

Livros & Tal Says:
19 janeiro, 2016

Olá, tudo bem?

Confesso que esse livro não me chama muito a atenção, porém, a sua consideração sobre o final "aberto" e a fuga do clichê de um felizes para sempre ou a tragédia total me cativou e me deixou curiosa. Vou colocar o livro na listinha de desejados e quem sabe...

Beijo!
Ana.

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De Bukowski a Dostoievski. Ana Cristina César a Lilian Farias. Deleite-se com a poesia de Florbela Espanca e o erotismo de Anaïs Nin...
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