77 Páginas para morrer

| 16 outubro 2015 | |
Olá, pessoal! Estou aqui trazendo para vocês as impressões de um livro super bacana que me chegou em mãos um dia desses e resolvi falar a respeito. Trata-se de 77 Páginas para morrer, do autor Marcelo Almeida, publicado pela Editora nVersos. Aviso de antemão que nunca tinha passado por leitura semelhante até agora, em que você, leitor, terá que unir-se ao investigador para descobrir um crime...



A Ratoeira é um escritório de investigação em que são sócios Madame Tussaud, cartomante, que conseguiu relativa fortuna após fazer uma promessa a um moribundo [e não cumpriu] e o Detetive JK [de Kasqueira], que narra os acontecimentos e convida o Leitor [eu, você, todos nós] a investigar a morte de um homem num teatro, e de uma moça que trabalhava para ele, possivelmente atropelada, mas as investigações da agência particular indicam que se trata de um assassinato, que pode ter relação com a de Bento Santiago

Ao longo das páginas, o Leitor vai sendo conduzido pela conversa de JK e por vezes você pensa estar realmente inserido na trama do livro. Um fato que achei peculiar na diagramação é de que as páginas são contadas em contagem regressiva, pois como o título sugere, são 77 páginas para morrer... Então, é melhor que você, Leitor, descubra o quanto antes quem cometeu estes crimes, ou...

Somos apresentados à família do morto, entre eles sua viúva Capitolina e seu filho Ezequiel. E reparem nesses nomes uma incrível referência à obra de Machado de Assis. Em várias passagens do livro percebe-se certa ironia na narrativa, que soa familiar à escrita de Machado, embora livre de rebuscados... Ao mesmo tempo que o autor soa despretensioso, fazendo o leitor devorar as páginas a fim de desvendar a investigação, ele entremeia a história com a obra de Machado de forma bastante criativa... Há outras figuras não menos importantes na trama, como Helena [a mãe da morta, que também se chama Helena], um advogado ambicioso, entre outros... 

Há uma parte da história que se passa em quadrinhos, com traços simples, mas que dão um ar gracioso ao livro... O único ponto que me incomodou um pouco foi a repetição de alguns termos durante a história e na forma como o detetive JK se apresentava. À princípio, soa como piada mas como se repete em demasia, acabou se tornando cansativo e sem graça... [ao menos pra mim...]

Ele possui uma linguagem simples e fluída, e ao fim das 77 páginas, fui pega de surpresa. Na parte final, após o desfecho do trecho em quadrinhos, fui seguindo avidamente a narrativa a fim de descobrir o porquê daquilo e no íntimo, acabei descobrindo o assassino, embora sequer tenha passado perto da motivação do crime, embora os indícios estivessem ali, ao longo da obra... 

Em suma, 77 páginas se mostrou uma leitura leve e deliciosa, o autor é de uma criatividade singular e me prendeu até as páginas finais, numa leitura finalizada em poucas e agradáveis horas... Acredito que para o público juvenil, o livro seja bem apreciado, mas leitores de qualquer idade podem se agradar do livro... E se você for apaixonado por romances policiais, eis uma boa pedida... 

4 Comentários:

Renata Nogueira Says:
17 outubro, 2015

Eu sinto a maior falta de romances policiais nacionais, e sempre fico curiosa quando ouço falar de algum, mas esse eu não conhecia e fiquei com a pulga atrás da orelha por causa da resenha. O formato e a história parecem muito interessantes e, talvez, algo semelhante com aquele conto "O último cuba libre", que eu gostava tanto quando novinha.
Sem dúvida, entrou para lista de desejos!

Confraria Cultural Says:
18 outubro, 2015

Ooi ^^

Não conhecia o livro, mas me surpreendi com sua resenha.
Admito que ao olhar para a capa eu não consegui imaginar o que esperar desta história, mas pelo visto a leitura vai valer muito a pena \o/

Kris Oliveira - Conversas de Alcova Says:
18 outubro, 2015

Oi Valzitaaa.
Eu não conhecia o livro, mas já de cara babei na capa.
Depois vi Romance policial e babei de novo.
Realmente às vezes tem personagens que tentam tornar engraçados e
se tornam uns Gentili da vida, mas se a obra é realmente boa, isso é superável.
Fiquei muito curiosa pra fazer essa leitura.
Nome anotado. Beijoooooo ♥

Juliana Garcez Says:
19 outubro, 2015

Oi! Tudo bem?

Não conhecia a obra. E se juntar ao autor para desvendar o crime me soa interessante! Gostei desse negócio de ter quadrinhos junto. E da leitura ser fluída =) ótima resenha, como sempre.

Beijos,

Juliana Garcez | Livros e Flores

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