Personagens marcantes da literatura de horror... [Semana Especial Halloween]

| 31 outubro 2015 | 13 Comentários |
Neste post, trago aos leitores alguns dos personagens mais emblemáticos da literatura de horror; aqueles que nunca passam despercebidos, tal o fascínio que despertam no imaginário sombrio dos leitores... E claro, boa parte deles ganhou adaptações para o cinema... Pensei em trazer alguns que eu não tinha citado aqui antes, e Dracula acabou ganhando um post próprio, e que vocês verão em breve... Mas, eis a minha lista... e espero que apreciem...

A Criatura de Frankenstein. Erroneamente conhecido pelo nome de seu criador, o cientista Viktor Frankenstein, a Criatura [que em momento algum do livro recebe uma alcunha], foi criada num experimento e abandonada por Viktor por sua aparência grotesca. Perdido e rejeitado, sem conhecer nada do mundo, a Criatura vaga errante em busca de respostas que expliquem sua existência abominável e acaba tendo sua índole corrompida pelo mal do mundo... Uma das obras mais conhecidas do século XIX, de autoria de Mary Shelley.



Em O médico e o monstro, somos apresentados ao Dr. Jekyll, que esconde uma personalidade maléfica conhecida por Mr. Hyde. Quando o dr. perde o controle, a figura demoníaca e insana assume as rédeas, trazendo uma série de perturbações para  Jekyll... O médico e o monstro é uma criação do escritor Robert Louis Stevenson, e é um de seus livros mais famosos, recebendo várias adaptações para o cinema e teatro... 



Lestat de Lioncourt, o vampiro criado por Anne Rice. Ganhou vida no cinema graças a interpretação de Tom Cruise, no filme Entrevista com o vampiro, mas também aparece em outras obras da autora, como em A rainha dos condenados e O vampiro Lestat. Ele é o personagem principal d'As crônicas vampirescas, e é considerado um anti-herói.


Lestat [Tom Cruise e Stuart Townsend]




Cthulhu. Criado pela mente brilhante de H. P . Lovecraft, é uma entidade cósmica de proporções gigantescas, e causa o terror aos olhos de quem de depara com ele. Trata-se de um deus na mitologia lovecraftiana.



Corvo de Poe. O poema mais conhecido do escritor Edgar Allan Poe é O corvo, e não poderia deixar de mencionar a figura 'agourenta' que responde a todos os questionamentos do personagem narrador com um enigmático, porém assustador 'nevermore'...



Conheciam alguns desses? Particularmente, eu prefiro o Lestat de Stuart Townsend e queria um Cthulhu de estimação... Mas... emfim... Espero que tenham gostado dessa seleção... Até o próximo post... 


[Top 3] - Capas de terror mais belas da estante...

| 30 outubro 2015 | 5 Comentários |
Olá, pessoal! Vamos a mais um post da Semana Especial Halloween? Desta vez trago para vocês um Top 3 das capas mais assombrosas [de lindas] que possuo em minha estante. Confesso que se eu fosse realmente colocar todas as capas de terror que gosto, seria uma espécie de Top 20 MTV *risos* mas como só poderia escolher 3, dei preferência a livros que não tinham passado aqui antes [mentira, tem resenha dos três no blog *risadas maléficas*]

A primeira capa é do livro A lenda do cavaleiro sem cabeça, de Washington Irving. Quando fui comprar o livro pela Estante Virtual, resolvi pagar umas moedinhas a mais pra ter justamente esse edição, da Editora Nova Alexandria...


O segundo deles é O horror em Red Hook, de H. P. Lovecraft, recentemente resenhado e incluído nos posts da semana, à propósito... Acho a capa desse livro bem mórbida e sombria, combina mesmo com os elementos expostos nos contos do autor... Um belo trabalho da L&PM Editores...



E por último, mas não menos importante, uma de minhas últimas aquisições: Alien, de Alan Dean Foster. Tá certo que se trata de um livro de sci-fi mas confesso que tinha muito medo dos filmes quando era pequena. Pra falar a verdade, até hoje considero a atmosfera do filme bastante claustrofóbica, de 'dar nos nervos'... É ou não é a capa mais linda e assombrosa da vida? Já falei isso aqui antes e reitero minha afirmação: quero um ET de estimação. Alien é muito 'cute' *-* A Editora Aleph fez um trabalho excelente na diagramação desse livro... Simplesmente incrível...



Então, por hoje é só... Continue acompanhando as postagens, e lembrando que esses dias sai sorteio por aqui... Fique de olho ;)


O horror em Red Hook, de H. P. Lovecraft

| | 4 Comentários |

É difícil não citar um grande nome do horror quando estamos em clima de Halloween. H. P. Lovecraft, nascido em Providence, Estados Unidos, escreveu uma vasta obra mas apenas após sua morte é que teve seu nome reconhecido como um dos grandes mestres da literatura de horror norte-americana. Nas montanhas da loucura e O caso de Charles Dexter Ward são seus livros mais famosos, mas hoje venho falar de uma pequena edição da L&PM Editores: O horror em Red Hook.

Com apenas 64 páginas, o livro nos traz três contos fantásticos que vão deixar o leitor de cabelo em pé: O horror em Red Hook, que dá nome ao livro, Ele e A tumba, um de seus escritos mais conhecidos. A leitura de Lovecraft nos desperta pavor e fascínio simultâneos. Acho meio improvável ler algum de seus contos e não se imaginar dentro da história, ou em alguns casos, sentir como se elementos da mesma de repente rodeassem você...

No conto O horror em Red Hook, um caso de magia leva um homem à loucura. Trata-se de um detetive chamado Thomas Malone, que ao investigar um caso de desaparecimentos de crianças na região de Red Hook, se depara com rituais de magia negra e encontra a insanidade...

"nada poderá apagar a memória daquelas criptas às escuras, aquelas galerias titânicas com figuras infernais malformadas e que caminhavam em silêncio com suas passadas gigantescas e segurando seres comidos pela metade, cujas porções ainda vivas gritavam por misericórdia ou riam de loucura. Cheiros de incenso e decomposição juntavam-se numa combinação enjoativa, e a atmosfera escura agitava-se com os corpanzis obscurecidos e semivisíveis de seres poderosos e disformes com olhos."

Em Ele, o narrador se vê envolto na atmosfera sombria da cidade de Nova York, e busca resgatar da memória o quão poética e bela a cidade foi no passado, até que um encontro com um desconhecido misterioso o leva numa viagem cheia de visões tenebrosas e absurdas... Ele acaba adentrando em dimensões perdidas e que trazem à espreita olhos brilhantes e desafiadores de alguma criatura que parece não pertencer a este mundo...
"naqueles dias melancólicos minha busca pela beleza antiga e pelo mistério era tudo o que eu tinha para manter minha alma viva, e considerei um raro favor do Destino encontrar uma pessoa cujas buscas afins pareciam ter chegado tão mais longe do que as minhas."
No conto que encerra o livro, a Tumba, um jovem passeando pelos bosques de uma antiga propriedade descobre uma cripta e começa a sentir uma vontade obsessiva de adentrá-la, e já passada a infância, ele continua almejando essa 'aventura'... A tumba pertencia a família Hyndes, que morreu num incêndio ocorrido na mansão, muitos anos antes. Logo, o rapaz se vê envolto na atmosfera sombria e ao entrar na tumba, vive uma experiência fantasmagórica...

"Histórias resmungadas de ritos estranhos e festas pagãs de anos passados na mansão antiga me proporcionavam um interesse renovado e potente sobre a tumba, diante de cuja porta eu sentava por horas seguidas cada dia. Uma vez enfiei uma vela para dentro da entrada quase fechada, mas não consegui ver nada a não ser um lance de degraus de pedra esmaecida que levavam para baixo. O cheiro do lugar repugnou-me, mas, apesar disso, enfeitiçou-me. Eu sentia que já o conhecera antes, num passado remoto além de todas as lembranças, além até do tempo que ocupo o corpo que possuo agora."


A narrativa lúgubre de Lovecraft é hipnotizante, um perfeito convite à loucura... Eis uma Ode ao tormento [no melhor sentido do termo], e ao desconhecido...





Tag - Halloween Literário

| 28 outubro 2015 | 10 Comentários |
Vi essa Tag no blog Livroterapias e aproveitando essa semana especial de Halloween, nada como respondê-la aqui também... Vamos às perguntas?



1 - Livro favorito de terror ou suspense?

Vejamos... é muito difícil escolher apenas um, então vou burlar a regra um pouco e falar três: Horror em Amityville, de Jay Anson; Dracula, de Bram Stocker; O cemitério, de Stephen King.

2 - Para a Festa de Dia das Bruxas, de qual personagem de livro você iria se fantasiar?

Reagan, a menina d'O Exorcista.



3 - Um personagem que não é de livro de terror, mas você acha assustador?

Pyramide Head, do game Silent Hill 2.



4 - Vampiros ou Lobisomens?

Vampiros.


Bela Lugosi no filme Dracula, de 193

5 - Se você respondeu vampiro, qual o seu preferido na literatura? E se foi lobisomem, qual o seu preferido na literatura?

Tenho dois: Dracula, do romance de Bram Stocker e Louis de Point du Lac, de Entrevista com um vampiro [Anne Rice].

Gary Oldman [Dracula de Bram Stocker] e Brad Pitt dando vida à Louis, em Entrevista com um vampiro...

6 - Que livro[s] de terror você tem vontade de ler?

It e Joyland, de Stephen King; O bebê de Rosemary, de Ira Levin e Coração Satânico, de William Hjortsberg.



E então? Curtiram a Tag? Super bacana, não é? quem quiser, sinta-se à vontade para responder também...
E amanhã tem mais postagem especial... ^.~


Elevador 16 - As crônicas dos mortos [Semana Especial Halloween]

| 27 outubro 2015 | 10 Comentários |
Dando continuidade a essa semana especial de Halloween, resolvi trazer uma resenha do livro Elevador 16, do autor Rodrigo de Oliveira, publicado pela Faro Editorial. Trata-se de um conto 'spin-off' da série As crônicas dos mortos, que ainda não tive a oportunidade de ler e graças a Elevador, já coloquei em minha lista e próximas leituras...

A escrita de Rodrigo é instigante e a cada página, eu me senti aflita querendo descobrir o próximo passo do que acontecia na empresa onde Mariana trabalhava... Um ano antes, um planeta havia sido descoberto pelos cientistas, em rota de colisão com a Terra. Depois do pânico geral, descobriram que ele não iria se chocar com o planeta, e no ano seguinte à sua aparição, naquele sábado de julho de 2018, toda a vida na Terra iria mudar... 

Mariana se descobre grávida de seu namorado Raul, mas o relacionamento de ambos está aos trancos e barrancos. Eles trabalham na mesma empresa e se encontram no momento pagando hora extra num sábado, junto com o resto da equipe de trabalho. Depois de discutirem, ao descobrir a gravidez da namorada, Raul resolve ir almoçar com alguns funcionários. Se encontram novamente no elevador, que vai em direção ao térreo com 16 pessoas, incluindo duas amigas de Mariana - Joana e Mayara... De repente, as luzes se apagam, pessoas desmaiam [10 delas], inclusive Raul... Ao despertarem, o caos se instaura e é preciso lutar por suas vidas... 

Num ritmo frenético, Rodrigo consegue inserir o leitor dentro da história. As descrições são bem realistas, e é praticamente um filme que passa em sua cabeça ao ler as 60 páginas que compõem a obra... Me senti com o coração aos pulos durante a breve e alucinante leitura... Algumas coisas não ficam muito explicadas, mas tratando-se de um cenário apocalíptico zumbi, não há muita coisa a ser compreendida quando se precisa unicamente sobreviver... Acredito que mais da situação pode ser explicada nos demais livros da série. E pelo que me informei, não há problemas em ler esse conto sem ter lido os volumes anteriores, dá pra se situar tranquilamente no enredo... 

Com relação à diagramação, foi minha estreia com a Faro Editorial e certamente vou querer conhecer outros títulos de seu catálogo. Houve todo um cuidado com a estética do livro, que já surpreende pela capa. Em suma, é uma leitura para aqueles apaixonados por histórias de zumbis, e para aqueles que nunca leram nada do gênero, é uma excelente maneira de adentrar nesse universo...


Semana Especial Halloween - Que comece o Horror...

| 26 outubro 2015 | 11 Comentários |
Bem, gostaria de convidar vocês a participarem comigo dessa Semana Especial de Halloween, onde estarei postando resenhas e/ou textos que tenham a ver com o universo de um perfeito Dia das Bruxas. Espero que gostem do que andei preparando para vocês... E para comemorar, quero anunciar que no fim de semana, estarei lançando uma promoção, já que em Novembro o blog faz aniversário... Então, aguardem que logo teremos muitos sorteios por aqui e pelo Facebook...



Pra deixar vocês com gostinho de Doçuras ou Travessuras, separei uns links antigos do blog que tenham relação com o Horror... Espero que apreciem... ;)

Resenhas:


Lendas pernambucanas:


Postagens especiais:


Hq's resenhadas:



Me conta aí nos comentários qual dessas postagens mais te chamou a atenção. Vou adorar saber... hehe... Até o próximo post... 

A emocionante trajetória de Andrew Beckett em Filadélfia

| 24 outubro 2015 | 11 Comentários |
Ainda não sei como iniciar o texto sem relembrar passagens tristes que me deixaram em estado de choro convulsivo por quase uma hora... Não consegui dormir direito, a leitura foi visceral e abalou os meus nervos... 



O livro em questão é Filadélfia, um romance escrito por Christopher Davis, baseado no roteiro de Ron Nyswaner, que fez grande sucesso e trouxe grande repercussão pelo tema abordado no inicio da década de 1990: a homossexualidade e a AIDS, bem como o preconceito vivido por soropositivos. 

Certamente você já ouviu falar do filme, e embora seja um de meus preferidos, só descobri que havia o livro durante minhas 'garimpadas' nos estandes da última Bienal aqui de Pernambuco. E qual não foi minha surpresa em me deparar com o título? 

A história fala sobre Andrew Beckett, um excelente advogado que trabalha numa firma tradicional e famosa da cidade de Filadélfia, nos EUA - a Wyant, Wheeler, Hellerman, Tetlow & Brown, como associado sênior. Recentemente, Andrew descobriu que tinha o vírus da AIDS, mas até então a doença não havia se manifestado ao ponto de pessoas do trabalho perceberem que tinha algo errado com ele. Até aquele momento...

Tom Hanks deu vida ao personagem Andrew Beckett...

Ele vive com Miguel, e quando seus superiores descobrem que ele tem o vírus, o demitem, de forma como se ele tivesse sido descuidado num importante caso, em que a documentação tinha desaparecido e depois é encontrada em cima da hora... Alegando incompetência, a firma o demite por justa causa. Andrew procura um advogado para processar a firma por discriminação, e o único que se propõe a ajudá-lo é Joe Miller, advogado que tinha recentemente perdido uma causa para Andrew. 

Tendo apenas o apoio da família, de Miguel e de seu advogado [apesar dele se mostrar relutante no contato com Andrew no início], ele vai passar por uma experiência drástica em tribunal, sendo alvo de olhares discriminatórios, humilhação e desgaste que vai acelerar ainda mais sua condição como soropositivo. E ele sabe que aquele outono será provavelmente o último que ele irá presenciar...
"O outono chegara a Filadélfia, não um outono frio, úmido, desolado, como muitos são, mas um outono claro, seco, fragrante. Os rapazes jogavam futebol americano nos parques, as suéteres saíam dos armários, novas turmas ingressavam nas instituições de ensino superior da cidade, e Andrew Beckett estava morrendo. Sabia que ainda lhe restava algum tempo, mas também sabia que não tornaria a ver outro outono, talvez nem outra primavera."
A história vai se desenvolvendo de acordo com as audiências de Andrew contra seus antigos patrões, mesclando momentos de sua luta contra a doença, que o consome pouco a pouco. Trata-se de um drama denso, que faz o leitor mergulhar por horas na leitura, e que oprime aqueles mais sensíveis. 

Denzel Washington no papel de Joe Miller


É notável o preconceito das pessoas ao redor, que quando descobrem a condição do advogado, temem se contaminar. Essa reação era bastante comum numa época em que não havia muita informação acerca da doença, e as pessoas pensavam que até um aperto de mão num soropositivo iria contaminá-los. Ao longo da leitura, me peguei pensando em como os soropositivos conviviam com toda essa carga de rejeição, apesar de que - nos dias atuais - esse tipo de comportamento ainda é notável, embora em menores proporções que no começo da 'epidemia'... Ter AIDS nos anos 80/90 era uma sentença de morte social, que antecedia a morte física do indivíduo, isolado por sua condição debilitante; situação agravada entre os gays, que já se deparavam com a discriminação por sua orientação sexual. Não é à toa que a AIDS foi conhecida nos primeiros anos como 'a praga gay'... 
"O motorista deu uma olhada pelo espelho retrovisor, observou mais atentamente o rosto de Andrew,e não disse mais nada. Concentrou-se em guiar. Quanto mais depressa eu chegar lá, pensou ele, mais depressa posso tirar esse leproso do meu carro."
Os diálogos entre Andrew e Miguel são extremamente doloridos. Miguel tem esperança que haverá uma cura que salve seu amor, mas Andrew percebe que essa cura não virá a tempo de salvá-lo... Durante o julgamento, a advogada Sra. Conine, tentava convencer o juri de que Andrew não era competente e que não houve discriminação por parte dos empregadores. Joe, negro porém homofóbico, se exauria em convencê-los da injustiça contra seu cliente. A esposa de Joe o lembrava todo tempo que ele não deveria agir de maneira preconceituosa com gays, em virtude deles, como negros, sofrerem o mesmo tipo de rejeição por parte da sociedade. Mas ao longo da história, Joe vai mudando, amadurecendo e logo se afeiçoa ao seu cliente, e é questão de honra ele conseguir ganhar a causa...

"Joe não respondeu de imediato. Já violara sua regra de não manter relações pessoais com os clientes ao vir à festa, e ainda mais trazendo a esposa, e depois Andrew convidara até sua secretária. Mas depois ele olhou para Andrew e, pela primeira vez, desde que o conhecera, não pensou que se tratava de um "gay", mas apenas que era "um homem que estava morrendo"; e se quisesse elaborar mais um pouco, teria pensado "um amigo"."

Andrew lutava contra o tempo para que o fim de seu julgamento lhe fizesse alguma justiça, pela humilhação sofrida, pela discriminação com relação à sua doença. Filadélfia é uma história profunda e impactante, que faz a sensibilidade aflorar ao mais alto grau... É impossível não se emocionar com ela...

Pra deixar vocês com vontade de ver o filme, eis o clipe da música-tema do filme, Streets of Philadelphia, de Bruce Springsteen...



"Eu estava ferido e esgotado e eu não entendia o que eu sentia...
Eu estava irreconhecível para mim mesmo...
Eu vi meu reflexo em uma janela.
E não reconheci meu próprio rosto...
Eu caminhei pelas ruas até minhas pernas adormecerem...
ouvi vozes de amigos desaparecidos...
À noite eu podia sentir o sangue nas minhas veias
negro e sussurrante como a chuva
nas ruas da Filadélfia...
Nenhum anjo virá me receber...
Somos só você e eu, meu amigo.
Minhas roupas não me servem mais
Eu andei mil milhas apenas para escapar de minha pele...
A noite caiu, eu estou deitado acordado...
Eu posso me sentir desaparecendo
Então me receba, meu irmão, com seu beijo infiel
ou nós vamos deixar um ao outro sozinhos dessa maneira
nas ruas da Filadélfia..."

Se eu tivesse uma chance única na vida de chegar perto de Tom Hanks, a única coisa que eu precisaria dizer a ele seria: thanks for Andrew Beckett... 

Desafio - 7 livros em 7 dias: Resultado.

| 23 outubro 2015 | 11 Comentários |
Bem, há alguns dias eu havia feito um desafio de ler 7 livros em 7 dias, e escolhi títulos que comprei na bienal esse mês. Foram eles:

Cinco Contos - Katherine Mansfield [2 estrelas]
Eles eram muitos cavalos - Luiz Ruffato [3 estrelas]
50 crônicas escolhidas - Rubem Braga [não deu pra ler]
Crime na flora - Ferreira Gullar [3 estrelas]
A quinta coluna -Ernest Hemingway [3 estrelas]
O pássaro de cinco asas - Dalton Trevisan [4 estrelas]
Filadelfia - Christopher Davis [5 estrelas]

Não li nessa ordem exata, mas infelizmente não consegui cumprir o desafio, embora tenha chegado bem perto... O problema foi que o livro Filadelfia me deixou chorando por horas intermináveis, e eu não pude pegar o último título a ser lido, porque simplesmente não consegui mais me concentrar em nenhuma leitura... Não consigo pegar nem num gibi da Turma da Mônica, tal a ressaca que a obra me deixou... Mas, como tinha lido alguns trechos, tentarei terminar 50 crônicas de Rubem Braga... Se eu tivesse deixado Filadelfia por último, teria concluído o desafio com sucesso...

Particularmente, as leituras foram boas, na média, mas nada tão surpreendente [a não ser Filadelfia, claro - e O pássaro de cinco asas, resenhado aqui]. Alguns títulos estão para troca no Skoob. Mas pelo preço que paguei neles, não foram leituras ruins. Apenas esperava mais delas...

Não tenho ideia de quando farei outro desafio desse novamente... Talvez na próxima bienal, quem sabe... 

Até o próximo post, e aguardem resenha de Filadelfia... 


Trevisan - um 'pássaro de cinco asas'...

| 20 outubro 2015 | 3 Comentários |


Venho por meio desta postagem me redimir da heresia de nunca ter resenhado uma obra de Dalton Trevisan antes, embora já tenha falado sobre ele anos atrás, quando conheci sua maravilhosa escrita. Dalton Trevisan é um autor curitibano, que desde muito tempo é conhecido na literatura brasileira contemporânea, embora não costume expor sua imagem publicamente ou dê entrevistas. Geminiano nascido em 1925, é um dos contistas vivos mais velhos da literatura brasileira. 

"Sofria as noites curitibanas, cálice de conhaque na mão."

Recebeu a alcunha de "Vampiro de Curitiba", nome de um de seus mais famosos títulos. De linguagem concisa e crua, Trevisan narra em suas pequenas histórias cenas do cotidiano de habitantes da cidade, baseadas em pessoas reais. A escrita do autor possui certo fatalismo, e encontramos várias dessas características - que tornam sua escrita única -  na obra O pássaro de cinco asas, publicado originalmente em 1974. O pássaro de cinco asas é um misto de poesia e asco. Situações singulares e ao mesmo tempo mundanas, carregam lirismo e decadência em suas passagens. 

"No último encontro estava linda, gorduchinha, sempre fora um pouco magra. No seu ventre as delícias do prato de macarrão fumegando na mesa de domingo. Sentado na beira da cama, saciado e pronto para se vestir - todas as posições repetidas. Eis que o abraçou ternamente pelas costas, embalando-se contra ele:
- Quando vai ser todo meu?"

A linguagem coloquial utilizada por Trevisan adentra o universo do leitor, fazendo com que desperte nele sensações paradoxais - é possível sentir alegria e tristeza, esperança e desesperança, nojo e pena, luxúria e repulsa - em doses descontroláveis e inexplicavelmente bem dosadas. 

Dividido em 22 contos, os personagens dessas mini-estórias se entrelaçam ao longo da narrativa, e o leitor revisita lugares e seios 'familiares', encontrando tragédias e desalentos no desfecho de cada figura concebida por Trevisan para compor o livro. Destaque para os contos O velho da bengala, onde violência e estupro são temas presentes, A segunda volta da chave, onde o amor é descrito num caso de possível suicídio, Noites de Curitiba, de narrativa densa e pervertida e A rosa despedaçada,  que é sobre desvirginar-se e jamais esquecer um amor...

Os personagens de Dalton Trevisan são párias, malandros, sofridos, escória, doloridos - 'noturnos'... Como diria Antônio Houaiss, sobre Trevisan e sua obra:

"É preciso que cada um de nós que saiba ler se compenetre de que não terá entrado ainda no coração de nossa criação literária, se ainda não tiver lido (com pouco mais que uma dezena de outras culminâncias) Dalton Trevisan."

Sendo assim, se você se intitula amante das letras, busque a extensa obra desse vampiro curitibano. A pancada no estômago é certa...


A estrada, de Cormac McCarthy

| 17 outubro 2015 | 6 Comentários |
Imagine você num mundo pós-apocalíptico, tentando sobreviver em meio ao caos, sem comida ou abrigo garantidos e tendo que proteger seu filho de pessoas más que se entregaram a selvageria do instinto de sobrevivência humano, a ponto de canibalizar pessoas na falta de um cardápio melhor?



Eis a premissa de A estrada, escrito por Cormac McCarthy e publicado aqui no Brasil pela Editora Alfaguara. Somos apresentados ao Homem e ao Menino. No decorrer de toda a história, eles não ganham nomes, e é assim que nós os conhecemos... Eles passam os dias vagando pela estrada ou nos arredores dela, quando pressentem algum perigo... Os animais há muito estão mortos, e pelo caminho, rastros de destruição e morte decoram o ambiente inóspito. Tentando se abrigar da neve, eles tentam encontrar algum local seco e quente para passar a noite...

O Homem não sabe o que pode encontrar na costa, mas sabe que precisa chegar até lá... Vão encontrando outros sobreviventes no decorrer dos dias, tentando se esconder de pequenos grupos que capturam pessoas e as comem, e ele precisa proteger seu filho a todo custo, rumo a algum futuro incerto, munido de uma arma com poucas balas... ele orienta o menino, inclusive, que - se algo der errado, ele já sabe como proceder: é só enfiar o cano na boca e disparar...

Além de tudo isso, ambos precisam se alimentar e a cada dia que passa, fica mais difícil encontrar alguma coisa que sirva de alimento. Encontrar água limpa e roupas quentes também se revela um problema... Eles empurram um carrinho de compras com algumas relíquias, que podem ser utilizadas em dado momento... Cobertores puídos, roupas enlameadas e fedidas, e toda a comida que conseguiram estocar até então...

Não se trata de um mundo em decadência no estilo 'the walking dead'. Não espere pessoas mortas se levantando e atacando os seres vivos. O livro vai muito além disso... O homem e O menino tem que se defender dos vivos, suportar a fome, o frio e a solidão de dias longos e noites que parecem não ter fim... O cenário é desalentador, e em meio ao caos, a relação entre pai e filho é a única coisa a que se agarrar durante a leitura, é o que existe de mais belo nessa América destruída... O amor de pai e filho, a inocência da criança são as únicas coisas que os impulsionam a seguir em frente, mesmo que desconheçam o futuro, que se mostra cada vez mais incerto e desesperançoso... 
Eles são o mundo um do outro. E a busca pela salvação não depende só deles... 


77 Páginas para morrer

| 16 outubro 2015 | 4 Comentários |
Olá, pessoal! Estou aqui trazendo para vocês as impressões de um livro super bacana que me chegou em mãos um dia desses e resolvi falar a respeito. Trata-se de 77 Páginas para morrer, do autor Marcelo Almeida, publicado pela Editora nVersos. Aviso de antemão que nunca tinha passado por leitura semelhante até agora, em que você, leitor, terá que unir-se ao investigador para descobrir um crime...



A Ratoeira é um escritório de investigação em que são sócios Madame Tussaud, cartomante, que conseguiu relativa fortuna após fazer uma promessa a um moribundo [e não cumpriu] e o Detetive JK [de Kasqueira], que narra os acontecimentos e convida o Leitor [eu, você, todos nós] a investigar a morte de um homem num teatro, e de uma moça que trabalhava para ele, possivelmente atropelada, mas as investigações da agência particular indicam que se trata de um assassinato, que pode ter relação com a de Bento Santiago

Ao longo das páginas, o Leitor vai sendo conduzido pela conversa de JK e por vezes você pensa estar realmente inserido na trama do livro. Um fato que achei peculiar na diagramação é de que as páginas são contadas em contagem regressiva, pois como o título sugere, são 77 páginas para morrer... Então, é melhor que você, Leitor, descubra o quanto antes quem cometeu estes crimes, ou...

Somos apresentados à família do morto, entre eles sua viúva Capitolina e seu filho Ezequiel. E reparem nesses nomes uma incrível referência à obra de Machado de Assis. Em várias passagens do livro percebe-se certa ironia na narrativa, que soa familiar à escrita de Machado, embora livre de rebuscados... Ao mesmo tempo que o autor soa despretensioso, fazendo o leitor devorar as páginas a fim de desvendar a investigação, ele entremeia a história com a obra de Machado de forma bastante criativa... Há outras figuras não menos importantes na trama, como Helena [a mãe da morta, que também se chama Helena], um advogado ambicioso, entre outros... 

Há uma parte da história que se passa em quadrinhos, com traços simples, mas que dão um ar gracioso ao livro... O único ponto que me incomodou um pouco foi a repetição de alguns termos durante a história e na forma como o detetive JK se apresentava. À princípio, soa como piada mas como se repete em demasia, acabou se tornando cansativo e sem graça... [ao menos pra mim...]

Ele possui uma linguagem simples e fluída, e ao fim das 77 páginas, fui pega de surpresa. Na parte final, após o desfecho do trecho em quadrinhos, fui seguindo avidamente a narrativa a fim de descobrir o porquê daquilo e no íntimo, acabei descobrindo o assassino, embora sequer tenha passado perto da motivação do crime, embora os indícios estivessem ali, ao longo da obra... 

Em suma, 77 páginas se mostrou uma leitura leve e deliciosa, o autor é de uma criatividade singular e me prendeu até as páginas finais, numa leitura finalizada em poucas e agradáveis horas... Acredito que para o público juvenil, o livro seja bem apreciado, mas leitores de qualquer idade podem se agradar do livro... E se você for apaixonado por romances policiais, eis uma boa pedida... 

[Desafio Literário] 7 livros em 7 dias - Especial Bienal 2015

| 15 outubro 2015 | 8 Comentários |
Olá, leitores queridos! Resolvi postar para vocês um desafio que estou me propondo, e que na primeira vez que fiz, me saí muito bem: ler 7 livros num período de 7 dias... Não sei se vai dar certo, mas pretendo não flopar, e aproveitei para escolher títulos que comprei na Bienal desse ano...
São eles:

Cinco Contos - Katherine Mansfield
Eles eram muitos cavalos - Luiz Ruffato
50 crônicas escolhidas - Rubem Braga
Crime na flora - Ferreira Gullar
A quinta coluna -Ernest Hemingway
O pássaro de cinco asas - Dalton Trevisan
Filadelfia - Christopher Davis




Tentarei resenhar alguns deles, mas não sei em que ordem de leitura, e também não prometo resenhar todos...

Os números do desafio:
7 livros.
964 páginas.
Início: 15 de outubro.
Término estimado em: 2de outubro.


Nos vemos daqui a sete dias com o resultado desse desafio... Torçam por mim *hehe*

Bienal do Livro Pernambuco - 2015

| 13 outubro 2015 | 8 Comentários |
A Bienal do Livro aqui em Pernambuco teve início dia 02 de outubro e finalizou no dia das crianças, dia 12, às 17:00, sediada no Centro de Convenções de Pernambuco. Claro que - da mesma forma que fui nas edições anteriores de 2009 pra cá, não poderia deixar de comparecer este ano. E fui duas vezes no último fim de semana: dia 09 com alguns alunos meus, da escola onde trabalho, e no domingo [11/10] acompanhada de parte da família - sobrinho, irmã e marido. 



Sobre o evento em si, achei essa edição mais fraca que as anteriores, tanto no fluxo de visitantes como nos expositores. Infelizmente não pude assistir a palestras e minicursos sediados durante o evento, mas com relação a isso, vi muitas críticas positivas. 

compras do primeiro dia que eu fui...

Sobre as opções de compras, dou destaque ao estande da Editora Aleph, que estava com um catálogo diversificado e incrível, fazendo os fãs de sci-fi esvaziarem a carteira... Eu fui uma delas e adquiri três super livros da editora: Laranja Mecânica, edição especial 50 anos; Alien e Neuromancer [edição especial 30 anos]... 

Minhas aquisições ao longo dos dois dias que compareci foram de preços variáveis. O mais caro custou $64.90 e o mais barato que encontrei estava por $1.00. Mas para conseguir livros bons por um preço bacana, era necessário 'garimpar' bastante nas várias mesas espalhadas nos estandes com promoções... Não foi tarefa fácil, mas consegui algumas relíquias... 

Com relação à minha Wishlist, praticamente não comprei nada dela, exceto o título da DarkSide Books, Anatomia do Mal. De uma lista antiga, consegui por 5 reais o livro Poemas, de Lord Byron e Perfil de uma mente criminosa [por 10 reais...]. No fim das contas, olha o 'estrago' que fiz...



Um dos pontos altos pra mim foi ter levado minha irmã [Patrícia] e Miguel para conhecer a Feira. Eles nunca tinham ido a uma bienal antes e ver a cara de ambos, felizes, valeu todo o esforço pra chegar até lá... Espero que na edição de 2017, eu possa levá-los novamente, e comprar muitos e muitos livros... Minho me ajudou bastante carregando pacotes e brincando com Miguel, quando ele emburrava... 

Suelle e David

Cecilia, Paloma, eu, Larissa, Claudia e Silas
Só pra finalizar: achei que os títulos em alguns estandes estavam muito caros para um evento como a Bienal. A Saraiva estava com preços exorbitantes e em outros pontos, os livros eram em sua maioria para o público infantil, religioso e 'de novos pintores com seus livros de colorir'. Senti falta de uma maior diversificação de títulos à venda...

Patricia, Miguel e eu

Em suma, avaliando de 0 a 10, eu daria nota 7.0 para o evento, comparando com os anos anteriores, mas no quesito diversão - em ambos os dias - nota máxima. Valeu muito a pena. Até a próxima, e espero que tenham gostado. Me contem nos comentários se você compareceu. ^.~


Minho, Miguel e eu no estande da Aleph...


Lançamento DarkSide Books - De volta para o futuro

| 11 outubro 2015 | 11 Comentários |
Há 30 anos, Marty McFly fazia sua primeira viagem no tempo num DeLorean. Nascia uma trilogia que marcou a geração dos anos 80 no cinema. Marco da cultura pop, De volta para o futuro conquistou uma legião de fãs de ficção científica. A fim de comemorar as três décadas de existência, a Darkside Books anuncia o lançamento de mais um incrível título em seu catálogo, De volta para o futuro - os bastidores da trilogia. 



Caseen Gaines é o autor do que promete ser o guia mais completo da trilogia De volta para o futuro. Ele levou vinte meses de pesquisa, conduzindo mais de quinhentas horas de entrevistas com o elenco, equipe técnica e fãs da franquia. O diretor Robert Zemeckis, o produtor e roteirista Bob Gale, Christopher Lloyd [que encarna o dr. Emmet Brown] e Huey Lewis, autor da música-tema "Power of Love", relembram em detalhes como a saga se tornou grandiosa. Contamos também com as opiniões de críticos de cinema, documentaristas e fãs que ajudaram no processo de construção do livro.



No dia 21 de outubro de 2015, De volta para o futuro: We don't need roads - Os bastidores da Trilogia chega aos leitores brasileiros. Essa data marca a viagem de McFly com sua namorada Lorraine e o dr. Brown ao século XXI, no gancho do primeiro para o segundo filme da trilogia. Essa data será celebrada em todo o mundo como "Back to the future Day"

Caseen Gaines é um historiador da cultura pop. Sua tese em jornalismo e estudos midiáticos foi sobre as relações raciais da série de filmes Planeta dos macacos. É professor de inglês do ensino médio e diretor artístico da Hackensack Theatre Company. Saiba mais sobre o autor em caseengaines.com



Ficha Técnica

De Volta Para o Futuro: We Don’t Need Roads – Os Bastidores da Trilogia
Autor -  Caseen Gaines
Tradutor - Alexandre Matias; Mariana Moreira Matias
Editora DarkSide Books
248 páginas, capa dura.


Aos saudosos, apreciem a música-tema do filme... E até o próximo post... ^.~


Para Continuar, de Felipe Colbert

| 10 outubro 2015 | 6 Comentários |
Para continuar é o segundo romance do autor Felipe Colbert publicado pela Editora Novo Conceito. É sobre a história de Leonardo, um rapaz de vinte anos que mora com os pais e tem um problema sério no coração, e Ayako, uma misteriosa garota de traços orientais que ele encontra num vagão de metrô. Aquele encontro, que poderia ser apenas um simples acaso do destino, na verdade foi o fio condutor de um grande amor que surgiu entre os dois...

Leonardo tem um melhor amigo e uma ex-namorada, além dos pais, que sabem de seu problema. Mas quando ele encontra Ayako pela primeira vez em sua vida, não imagina que segredos aquela garota guarda. Obstinado a encontrá-la novamente, ele a procura na estação de metrô por vários dias, até encontrá-la novamente e a segue até o bairro da Liberdade, e descobre onde ela trabalha: uma loja de luminárias. Vai até lá, morrendo de medo dela não reconhecer o rapaz que perguntou que música ela ouvia no outro dia no fone de ouvido... e ela o reconhece... Mas lá ele também se depara com Ho...



Ho é um rapaz, muito parecido com Leo, só que chinês. Ele tem problemas mentais e logo vê na figura de Leonardo uma ameaça para sua amada Ayako. E depois de uma confusão na loja de luminárias onde eles vivem, Leo acaba passando mal no dia seguinte e seu quadro se agrava... Ainda assim, ele não está disposto a desistir daquela garota, e quando descobre que seu amor é correspondido, surgem alguns empecilhos que vão tornar o relacionamento mais que difícil... Será que o amor de Ayako e Leonardo vai resistir a isso?

Ho ama Ayako e afim de se livrar de Leonardo, pede ajuda a seu primo Kong, que é perigoso e pode ameaçar o estabelecimento de Ayako e seu avô. Eles tomam conta de Ho desde pequeno, e esse é um dos segredos que rondam a loja de luminárias. O outro grande segredo é o que ela e seu avô guardam no porão da loja, uma infinidade de luminárias, e lá está o destino de muitas pessoas que moram na Liberdade. Ambos não podem permitir que Ho descubra, nem qualquer outra pessoa... Que significado tem aquelas luminárias que não podem sequer ser tocadas por alguma pessoa?

Eu poderia me prolongar mais na história, mas correria o risco de soltar algum spoiler, e isso não seria bacana com os leitores... Mas o que posso dizer é que a leitura de Felipe é bastante fluída e você pode concluir o livro em poucas horas de leitura... Os capítulos são bem curtos e a cada um deles, você quer ler o próximo a fim de saber o que vai acontecer com o casal de protagonistas. Não é um romance meloso demais, apesar de conter alguns momentos 'apressados'. Mas acredito que seja pelo número de páginas do livro, que faz a história 'correr' um pouco.

As únicas coisas que me incomodaram foram: um fato que ocorreu com o amigo de Leonardo que fez com que ele ficasse com raiva de Penken. Ele fica incomodado sem motivos, pois afinal, ele estava apaixonado por Ayako. Não tinha porque cobrar ciúmes de algo que não tinha mais importância pra ele, e o desfecho que foi bem clichê e previsível, em menos da metade do livro eu já tinha sacado o que aconteceria, mas nada que comprometesse ou desestimulasse a leitura...

Quando a diagramação do livro, a editora fez um bom trabalho. Em suma, a leitura leve e romântica é ótima para o leitor que gosta de romances rápidos e com desfechos sem muitas surpresas, porém felizes... 

Encontro Intergaláctico Aleph e Roda de Leitura [Romeu e Julieta]

| 06 outubro 2015 | 8 Comentários |
No dia 13 de Agosto houve o Encontro Intergaláctico da Editora Aleph na Livraria Cultura do Shopping RioMar em Recife, e eu não poderia deixar de ir, como apaixonada pelo catálogo deles, conferir o que eles estarão trazendo para os fãs de ficção científica para o ano de 2015 e também para o ano que vem... Adriano Fromer e Daniel Lameira passaram duas agradáveis horas conversando com os presentes, num bate-papo pra lá de informativo e instigante.

eu, Daniel Lameira, Luana, Tailany, Adriano Fromer e Carol Valeriano...


Aos fãs de Star Wars, a editora está lançando vários títulos, além de outras obras de sci-fi que leitor nenhum pode deixar de ter na estante. De todos, o mais aguardado por mim foi Alien, de Alan Dean Foster. Já no final da palestra, fizeram sorteio de alguns brindes e todos saíram do evento com uma linda ecobag do livro Eu sou a Lenda





Já em setembro tivemos a edição de número 17 da Roda de Leitura aqui em Paudalho. O tema da vez foi Romeu e Julieta, e debatemos sobre suicídio, já que setembro é conhecido pelo mês de prevenção ao suicídio. O casal apaixonado do romance foi a mote inicial de um debate que durou a tarde inteira, e apesar de tão forte temática, todos interagiram e puderam dar sua opinião a respeito... 

Depois começamos algumas brincadeiras a fim de descontrair e claro, não poderiam faltar os sorteios tão esperados. Muita gente levou um livro pra casa, e mesmo os que não ganharam, levaram alguns marcadores de brinde... 

Gostaria de agradecer novamente o apoio dos que doaram livros para o sorteio, à diretora da escola Herculano Bandeira que disponibilizou mais uma vez o espaço para nosso encontro e a presença de todos que participaram.

A próxima roda de leitura será realizada no dia 18 de outubro, com temática especial de Halloween, e o livro escolhido para ser discutido foi Horror em Amityville, de Jay Anson. Para mais informações, visite a fanpage da Roda no Facebook...

Então, estes foram os últimos eventos que participei. Espero que tenham gostado...

Syngué sabour [Pedra-de-paciência]

| 04 outubro 2015 | 10 Comentários |
Li as quase 150 páginas de Syngué sabour em poucas horas, tal a fluidez que a escrita do autor afegão Atiq Rahimi possui. E confesso, que apesar de fluído, é um livro que traz uma história profunda e que mostra a dificuldade de ser mulher num país de costumes opressores.. 

Uma mulher vela o corpo do marido, inconsciente há vários dias na cama, rezando com um terço e recitando o Corão. Duas filhas pequenas no quarto ao lado e a rotina esmagadora das horas e do mundo fora da janela... Eis a situação da protagonista, pois o seu marido tem uma bala alojada na nuca, a família os abandonou à própria sorte, enquanto a guerra desponta na cidade, ameaçando cada vez mais o refúgio sagrado dessa família...

"Longe, em algum lugar da cidade, a explosão de uma bomba. Violenta, talvez ela destrua algumas casas, alguns sonhos."

Com o passar dos dias, as bombas e ataques ocorrendo no bairro, e tendo que tocar a vida como se nada de ruim estivesse acontecendo, a mulher passa a conversar com o marido, e é nesse momento de sua existência, quando ele está quase a se despedir da vida, que ela revela segredos que guardava a sete chaves, que ocorreram antes e durante o casamento dos dois... 

"Seus dedos acariciam os próprios lábios e depois, nervosamente, enfiam-se boca adentro, como se quisessem dali extrair palavras que não ousassem sair."

Do começo ao fim do livro, a mulher não possui nome. Nem o marido. Mas o leitor não vai achar que isso seja um detalhe imprescindível na narrativa, pois a mulher poderia ser qualquer uma, por baixo daquelas vestes. Os momentos mais íntimos que ela tem com o seu marido são esses, em que ele se encontra num estado de quase-morte... E mesmo receando que ele retorne algum dia, ela conta, e segreda, desvela suas frustrações com o casamento, com a vida que levava com seus pais, com o futuro que ela não consegue prever, com o agora... 

Nessas confissões, a mulher lamenta a relação insípida com seu marido. Recorda o noivado e casamento sem o noivo, que estava guerreando quando deveria estar ao lado dela, pois a guerra parecia ser mais importante que a família. Reclama dos três anos que ele passou para finalmente consumar o casamento, da ausência, da sogra que a humilhava, da relação quase bondosa que tinha com seu sogro. Fala sobre as dificuldades de sua própria infância, com um pai violento numa casa cheia de mulheres. A medida em que ela conversa, vai cuidando da higiene do marido metodicamente, contando a respiração dele, sistematizando os movimentos do seu 'ao redor', dos barulhos da vizinhança e tendo ainda que lidar com invasões de homens perigosos. 

A mulher é um reflexo da situação feminina no Oriente Médio. Suas dores e frustrações denunciam o cotidiano de milhares de esposas e mães que vivem sob os horrores de ataques de bombas, e ao mesmo tempo lidam com o horror de uma relação de aparências e sem amor dentro dos próprios lares... Quanto ao desfecho de Pedra-de-paciência

Syngé sabour é um termo que se refere a uma pedra mágica que recebe os lamentos de quem se confidencia a ela. A mulher tem no corpo deitado do marido sua syngué sabour. Quando essa pedra está cheia demais, ela explode, estilhaça... 

É uma leitura tocante, e se você busca uma leitura leve e ao mesmo tempo algo que te deixe reflexivo, incomum e desesperançoso, Syngué sabour é o que você procura...


O livro de Ouro de Hagar, o Horrível

| 03 outubro 2015 | 6 Comentários |
Quem me conhece sabe que sou apaixonada por histórias em quadrinhos, de vários estilos, incluindo aqui as famosas tirinhas de jornal. Um personagem bem conhecido de tirinhas é Hagar, o Horrível, criado pelo ilustrador Dik Browne. O livro de ouro de Hagar, o Horrível é uma coletânea lançada pela Editora Ediouro, em que traz boa parte do trabalho de Browne publicados nas décadas de 1970 e 1980. Hagar é um viking bonachão que foi lançado pela primeira vez em 5 de fevereiro de 1973, e de lá pra cá, foi sucesso garantido. 



Essa coletânea foi dividida em vários capítulos, de acordo com os personagens mais marcantes que aparecem nas pequenas histórias. Temos um capítulo dedicado à mulher de Hagar, Helga, ao filho de oito anos, Hamlet, à filha adolescente Honi, e até ao seu cachorro, Snert. A tira começou a ser lançada em jornais nos Estados Unidos, e posteriormente, ganhou espaço em vários países, inclusive aqui no Brasil.

As piadas contidas nas tirinhas são de fácil compreensão e os diálogos são de arrancar risos do leitor a todo momento. A personalidade de Hagar é construída em torno de um viking preocupado com a família, que vive guerreando e conquistando castelos e territórios mas que sempre obedece à Helga, que é quem tem a palavra final em casa. Ele é gordo, vive bebendo cerveja e até meio bobo, mas extremamente leal às suas lutas. O foco das histórias são as lutas diárias e a família do viking. Ele e Helga são um casal em torno dos 40 e poucos anos, tem dois filhos, sendo que Hamlet adora ler e não pensa em ser um guerreiro. Já Honi, vive atrás de um marido e chega a ser mais guerreira que o próprio irmão.




Há também o sinistro dr. Zook e o melhor amigo da família, Eddie Sortudo. As tirinhas com esse personagem são hilárias. Hagar faz parte de uma safra de quadrinhos da época de Mandrake, Popeye e do Recruta Zero. Certamente os pais de vocês devem ter lido em jornais e dado umas boas risadas com esses personagens. Dependendo da sua idade, você certamente já leu, ou assistiu a adaptações de alguns deles para a TV... 

Hagar é uma HQ que pode ser devorada em alguns minutos, ou degustada aos pouquinhos, e sempre relida quando der vontade. Para os apaixonados por quadrinhos antigos, assim como eu, é uma bela aquisição para se ter na estante...



Dik Browne faleceu em 1989, vítima de câncer, mas seus dois filhos continuaram seu legado. Apesar de morto, de certa forma ele ainda vive como seu imortal guerreiro viking de bom coração.

Correios e Compras de Setembro/2015

| 02 outubro 2015 | 5 Comentários |
Olá, leitores. Como vocês estão? Curiosos pra saber o que andei recebendo nesse mês de setembro? Olha, foi muita coisa, embora algumas delas não fiquem comigo por muito tempo... Vamos à lista? 

Ganhei uma promoção no Leitor Cabuloso, de um par de ingressos para o cinema.



Lili me enviou os livros do mês para resenhar pro blog Poesia na Alma e alguns para sortear na Roda de Leitura, além de um mimo de natal super adiantado:



10 edições de Mulheres que não sabem chorar [sorteio na Roda]
Para continuar - Felipe Colbert [3 estrelas]
172 horas na lua - Johan Harstad [lendo]
77 páginas para morrer - Marcelo Almeida [3 estrelas]
Maigret e os colegas americanos - Simenon [não li ainda]

Ganhei algumas hq's de um amigo meu do Skoob [Antônio], uma de Batman e cinco de Hellblazer. Nem preciso dizer que devorei todas, não é?



Batman - Asilo Arkhan - Os subterrâneos da loucura - Grant Alcatena [5 estrelas]
Hellblazer - O filho do Homem - Garth Ennis e John Higgins [5 edições]


Cris Rodrigues me enviou uma caixa cheia de livros e quadrinhos, que logo serão sorteados nas Rodas de Leitura. Confesso que não esperava tanta coisa bacana... Peguei algumas coisas pra mim também... 


Com relação às compras, até que fui modesta este mês... 


  • Quadrinhos




Comics Star Wars #8, #9 e #10.



Grandes clássicos da literatura em quadrinhos - O livro da selva -  Rudyard Kipling [4 estrelas]
Grandes clássicos da literatura em quadrinhos - Dom Quixote - Miguel de Cervantes [3 estrelas]
Grandes clássicos da literatura em quadrinhos - O último dos moicanos - James F. Cooper [4 estrelas]



Yu Yu Hakusho #11 - Yoshihiro Togashi [4 estrelas]
Hellsing #3 - Kohta Hirano [não li ainda]
O livro de ouro de Hagar, o Horrível - Dik Browne [4 estrelas]



  • Livros




Na verdade, foram algumas trocas que fiz no sebo com uns títulos que eu tinha em casa, e ainda ganhei um de Agatha como cortesia. Então, não considero 'compras' e sim, 'trocas'...

A frança de Richelieu - Carl Grimberg [lido] 2 estrelas
A casa torta - Agatha Christie [não li ainda]
A conquista da América espanhola - Marianne Mahn-lot [lido] 3 estrelas
Gigantes da literatura universal - Lope de Vega [lido] 3 estrelas


Pois bem, essa foi minha caixa de correio de setembro... Tentei me controlar porque esse mês é bienal, e pretendo comprar mais coisas... Espero que tenham curtido... Até a próxima... ^.~
Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...
Witches Hat
Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...