O Álbum

| 25 setembro 2015 | |
O Álbum foi escrito por Timothy Lewis e publicado recentemente pela Editora Novo Conceito. A primeira coisa que me chamou a atenção para a obra foi a capa, harmoniosa e com detalhes agradáveis aos meus olhos, e ao ler a sinopse, pensei se tratar de um romance envolvente, de características peculiares e uma bela viagem ao passado por meio de postais trocados entre um casal protagonista... 




O livro é dividido em três linhas de tempo, e possui escrita fluída, e foi minha sorte não ser diferente... Ao longo de suas 240 páginas me deparei com uma história morna, sem reviravoltas, com personagens que não me cativaram em momento algum e permeado de mensagens fazendo alusão à religiosidade, fé e esperança... E definitivamente, essas caraterísticas não me deleitam... Mas vamos ao enredo...

Adam é um negociante de objetos usados e encontra na casa que pertencera ao casal Alexander, um álbum antigo repleto de postais enviados ao longo de sessenta anos. Ele não resiste à curiosidade e acaba lendo o conteúdo, poemas apaixonados [eu achei bregas, perdão aos românticos de plantão], que Gabe Alexander enviava para sua amada, Huck, até a sua morte, anos atrás... Adam ainda não se conforma com o fim de seu próprio relacionamento e busca respostas que o façam entender como um amor poderia ser eterno e feliz. E é nos postais do casal Alexander que ele poderá encontrar algumas dessas respostas...

Logo ele consegue entrar em contato com uma quase parente do casal, que ao longo de uns poucos encontros, vai destrinchando para Adam o que os postais não contavam de todo... E ele vai ligando os pontos e se aprofundando cada vez mais no cotidiano apaixonado de Gabe e Huck, bem como nos fatos 'milagrosos' que ocorreram com eles, ao longo de seis décadas...

Em certo momento da trama, um ex de Huck ressurge e protagoniza uma situação que tenta soar tensa para talvez impulsionar a narrativa que já está ficando enfadonha, na tentativa de dar um 'up' na leitura... Comigo não funcionou... É como se o autor tentasse alavancar a história sem sucesso, para logo voltar à mesmice dos fatos... Em outra situação mais para o fim do livro, ocorre algo semelhante, mas a forma como o casal se livra de ambas as situações ruins acaba soando forçada, plástica...

Gabe é um homem perfeito. Do tipo que acorda antes da mulher para esquentar a água do café para ela, deixando-a dormir por alguns minutos a mais. Do tipo que se delicia em escolher um vestido para a amada, mais do que se estivesse comprando um 'carro' para ele mesmo... Gabe é apaixonado, gentil, amoroso, perdoa a mais grave falha de sua encantadora esposa como se fosse apenas por ela ter esquecido de fazer uns sanduíches para seu lanche da tarde e é corajoso, que enfrenta todos os males do mundo pela mulher, sem esquecer - claro - dos postais toda sexta-feira...

Em suma, Gabe não existe. Não é aceitável um personagem assim nem em contos de fadas. Ele é tão perfeito, o casamento e amor dos dois é tão imaculado que chega a irritar... Não tem sofrimento, não tem sabor, não possui ousadia... Insosso... Sinceramente? Eu não queria um amor desses, ainda mais por 60 anos... Morreria nos primeiros meses, de puro tédio... 

Gostaria de ressaltar algo positivo na trama, mas me perdoem... A sinceridade não permite... E mentir não é de meu feitio... Com relação à diagramação, a editora fez um trabalho impecável, pois não encontrei erros na revisão, a capa está linda. Mas isso não foi o suficiente para me fazer gostar da leitura... 

Àqueles que amam romances 'água-com-açúcar' em que nada de ruim acontece, ou para aqueles que buscam uma leitura sem exigências, podem até curtir o livro. O álbum deve ser um livro para sonhadores, não sei... Mas não do tipo de sonhos que eu costumo ter...

Ah, não poderia deixar de mencionar algo digno de nota: o álbum é inspirado nos tios-avós dele, que por sessenta anos, trocaram postais com poemas apaixonados [que não foram utilizados na obra fictícia, em que o autor criou os próprios poemas para o livro]... 


Para O Álbum, uma estrela. Porque não posso dar meia... 

8 Comentários:

Déborah Says:
28 setembro, 2015

Valéria, não faço ideia se iria gostar desse livro, pois não gosto de tanta perfeição acho muito irreal.
Gosto de reviravoltas e até discussões, pois os água com açúcar que leio tenho isso, então esse não me agradou muito.

Lisossomos

Julia Martins Says:
28 setembro, 2015

Olá!
A história desse livro me lembra muito os enredos do Sparks, não sei o motivo haha a história não me atrai, essa melosidade me entedia, já que muitas histórias tratam o amor como algo muito grande e que merece total atenção. Acho que vou deixar passar essa leitura :)

Beijos
http://www.breakingfree.blog.br/

Gabrielly Marques Says:
29 setembro, 2015

Eu achei a narrativa bem parecida com o estilo do Nickolas Sparks de escrever, como a Julia citou no comentário dela, o enredo realmente lembra os livros desse outro autor. Eu gostei bastante do livro, de todo o drama e melosidade presente, mesmo não sendo lá a mais romântica das pessoas. Senti falta de mais "ação e reação" também, mas o ritmo do livro não me incomodou. Gostei da sua resenha e da sinceridade, apesar de termos gostos bem diferentes, é legal ver outro ponto de vista. :D

Beijos!!
http://umaleitoravoraz.blogspot.com.br/

Alice Aguiar Says:
30 setembro, 2015

Oi Val.
Pow nunca tive vontade de ler esse livro, apesar de curtir um romance ou outro de vez em quando eu sou mais de livros de fantasia.
cara tbm n consigo me sentir atraída pra esse tipo de relacionamento, por isso não me interessei pela leitura. vc foi corajosa de ler hein xp
Seguindo o Coelho Branco

Gab Bastos Says:
30 setembro, 2015

Oi oi!
Quando vi o livro a capa também me chamou atenção de cara, ela é linda mesmo, mas assim que li a sinopse, sabia que não ia gostar, e que bom que não solicitei.
Não curto romances água-com-açúcar, então, zero condições!
Beijos!

Juliana Garcez Says:
01 outubro, 2015

Oi! Tudo bem?

Acho que é a primeira resenha super negativa que vejo sobre o livro. E olha, parabenizo-a pela sinceridade! Também sou assim. Se leio e não gosto, FALO MEIXMO! hahah Eu tive a mesma impressão que você: Gabe é um chato. Imagina uma vida inteira com ele? Affe... Ninguém merece!! Não sou muito fã de romance por conta disso. Falta realidade, pé no chão... A única coisa boa é a edição, que está bem bonitinha.

Beijos,

Juliana Garcez | Livros e Flores

Sabrina Finoti Says:
02 outubro, 2015

A ideia do livro é boa, principalmente por ser inspirado em alguém importante pra ele, mas infelizmente o autor não soube usar esses elementos tão bem, e por você dar nota 1 pra ele, deu pra perceber que a história ficou redondamente chata.

Aline Gonçalves Says:
12 outubro, 2015

Oie, tudo bom?
Eu gosto de romance, mas ele tem que me convencer e eu também me incomodaria com esse personagem "perfeito". Esse livro chamou minha atenção quando foi lançado, mas ele tem alguns problemas na narrativa.
Beijos,
http://livrosyviagens.blogspot.com.br/

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