O belo no Grotesco – Os “monstros” da vida real, do cinema e da literatura.

| 13 julho 2015 | |
Em meu oitavo período de estudos na faculdade, durante minha graduação do curso de História, em 2012, apresentei um trabalho falando sobre personagens de bom caráter que possuem aparência grotesca/monstruosa, do cinema e de obras literárias, fazendo um comparativo com exemplos reais. Procurei alguns personagens que admiro, numa espécie de compilado e resolvi mostrar esse trabalho a vocês, pois acredito que a temática que ele aborda cabe aqui - com termos mais sucintos do que os utilizados no artigo acadêmico... 

a Criatura


O personagem abordado na obra Frankenstein, de Mary Shelley, a Criatura feita por Victor Frankenstein, foi um dos objetos de análise deste trabalho, por seu aspecto grotesco e índole inicialmente bondosa, embora com o decorrer da história tenha sido corrompida por ter sido rejeitado, abandonado e deixado para morrer pelo seu criador. A Criatura pode ser considerada um símbolo dos excluídos, uma espécie de crítica da autora para com a sociedade de sua época. 

Quasímodo...


Outros personagens de livros que merecem destaque se encontram em duas obras de Victor HugoQuasímodo, da obra O corcunda de Notre Dame e Gwynplaine, de seu livro O homem que ri. Escrito em 1831, a história do Corcunda fala sobre uma criança rejeitada por sua deformidade, mas que cresce com o coração bondoso, a ponto de se apaixonar por uma bela moça, Esmeralda, uma cigana de grande beleza. Dá-se o contraste do belo com o grotesco na relação afetuosa que Quasímodo nutre pela cigana, embora esta não enxergue a beleza interior de seu salvador apaixonado, por medo de sua aparência assustadora. 

Gwynplaine, o homem que ri...

De forma parecida, seu personagem Gwynplaine, que na infância foi deformado por pessoas ambiciosas que almejavam sua riqueza. Cresceu como aberração de circo e assim como Quasímodo, nutria paixão por uma bela jovem de nome Dea, esta, cega de nascença. Mais uma vez, o contraste belo/grotesco se faz presente na obra de Victor Hugo. 

O homem-elefante


Dentre os personagens reais retratados no cinema que sofreram preconceito da sociedade em que viveram por suas deformidades destacam-se Joseph Merrick, O homem-elefante, e os personagens circenses do filme Monstros, de 1932. Joseph Merrick possuía uma doença rara que deformava praticamente todo seu corpo, homem de bom caráter que aos cuidados de um médico que o recolheu do circo onde era atração bizarra, pôde viver com dignidade e frequentou os círculos sociais do período Vitoriano, sendo inclusive, convidado a várias celebrações pela própria rainha Vitória. 

cartaz do filme Freaks [1932]


No caso dos personagens circenses de Monstros, estes eram objeto de curiosidade e repugnância pelos frequentadores dos circos que possuíam atrações bizarras, shows de horrores muito comuns no início do século XX. Por suas variadas deformidades físicas, eram considerados aberrações, que viviam à margem da sociedade. No filme, o diretor Tod Browning faz uma crítica de imagens utilizando-se de ícones de beleza de sua época, que possuíam mau-caráter, contrastando com as “aberrações” que tinham um bom coração, uma espécie de “Perfeição” suja e o Grotesco limpo. Os belos do filme eram ruins, e os deformados eram boas pessoas. 

Edward Scissorhands


Como bônus, pois não estava inserido em meu artigo, acrescento o personagem Edward Mãos-De-Tesoura, que tomou forma no ator Johnny Depp, imortalizado no filme homônimo de Tim Burton. Não poderia deixar um dos personagens do cinema que mais admiro e me identifico, fora dessa postagem...  Edward é um rapaz criado em laboratório, mas antes que seu criador concluísse o trabalho, acabou falecendo, deixando no lugar onde deveriam ter mãos... tesouras... Edward vive isolado em seu castelo, num terreno afastado da pequena cidade onde se passa a história. Até que um dia, uma senhora aparece em sua porta, e vendo seu estado de solidão [e após o susto inicial], resolve levá-lo para sua própria casa e mostrá-lo à civilização, que enxerga com surpresa aquele indivíduo tão estranho e descolado, mas que apesar da aparência,  possui um caráter gentil... 

Todos estes personagens tem um fator em comum: alguma característica física que os torna amedrontadores para a humanidade, e por esse motivo são estigmatizados, excluídos, postos à margem do convívio social. Por vezes, a índole bondosa que eles possuíam acabava se perdendo diante de tantas rejeições e preconceito por parte das 'pessoas de bem'. É fato que a estranheza causa desconforto, qualquer coisa que se sobressaia do padrão acaba por ser visto com desconfiança. Não é preciso ter mãos de tesoura, corcunda ou um sorriso que nunca se desfaz para ser marginalizado. Por nossa cor, condição social, religião, orientação sexual ou gosto musical/literário já temos fatores suficientes para muitos nos tratarmos como inferiores. Bem, fica aqui a reflexão... Por vezes, aquilo que se mostra belo e perfeito traz em seu interior uma mácula odiosa, seja ela em falta de caráter ou intolerância com as diferenças... E sim, eu prefiro os 'monstros'. Sempre me juntarei à eles, nas bordas do que chamam de 'mundo'... 


"We accept you, one of us! Gooble Gobble!"

14 Comentários:

Salada de Livros Says:
13 julho, 2015

Oie!
hahahah eu adoro uma parte esses que você citou.
Edward e o Corcunda fizeram parte da minha infância e sempre terão uma pontinha do meu coração.
Muito interessante seu post, tenho certeza que você arrasou no trabalho.
;**

www.saladadelivros.com

amanda mazzei Says:
13 julho, 2015

Também gosto muito dos monstros. Ser amedrontador por fora não pode significar ser amedrontador por dentro, certo? E tem várias histórias que mostram isso... Shrek mesmo! Ele é totalmente deformado e feio, mas é um cara super legal.

Beijos! Amanda.
Expresso de Nárnia

Mariana Oliveira Says:
13 julho, 2015

Que post diferente, adorei. Conhecia todos os personagens {acho que boa parte conhece}. Alguns deles foram citados na minha aula de cinema, por sinal. ♥
E que trabalho interessante esse que você teve que fazer hein, parabéns.
Beijos

Maiara Vieira Says:
13 julho, 2015

Oi, tudo bem?
Que texto bacana! Gostei demais, deve ter sido um ótimo trabalho esse seu, viu, adorei a temática!
Concordo com você que a rejeição e o preconceito da sociedade por muitas vezes acaba destruindo o melhor das pessoas, que mesmo tendo um bom coração, acabam nutrindo más sentimentos por conta da rejeição e do ostracismo da sociedade.


Beijos :*
http://www.livrosesonhos.com/

Kétrin Galvagni Says:
13 julho, 2015

Olá, nossa adorei o post, super criativo! Gostei bastante do seu trabalho da faculdade e que trouxe para o blog, muito legal mesmo. Confesso que conheço a história de alguns monstros, tipo o homem elefante eu não fazia ideia! mas gostei muito de conhecer todos.

Beijos

http://www.oteoremadaleitura.com

Jess Leite Says:
13 julho, 2015

Olá!
Que post interessante!
Foi uma ótima escolha de tema para seu trabalho, adorei o fato de trazê-lo para nós aqui no blog!
Conhecia alguns desses personagens e outros não. Eu simplesmente adoro o Frankenstein e o Quasímodo.
Adorei o post!
Beijos!

Déborah Says:
14 julho, 2015

Valéria,
concordo muito com você,
Normalmente eu também prefiro os "monstros" ou vilões eles são mais interessantes que os mocinhos.
Os que você falou e que eu já conhecia é verdade que eles tem alguma coisa diferente e por isso são estigmatizados.
Essa sua apresentação deve ter sido ótima.
Eu adorei.

Lisossomos

Angélica Lima Says:
14 julho, 2015

Oi Val, tudo bem?
Adorei o post!
Já ouvi falar dos outros, mas conheço mesmo é o Edward, que é uma dos personagens que marcou minha vida, pois desde que me lembro assisto sempre o filme!
Bjs

A. Libri

Juliana Garcez Says:
14 julho, 2015

Oie! Tudo bem?

Nossa, que ideia genial! O artigo deve ter sido sucesso. Adorei todos apresentados, mas confesso que gosto muito do Ed e da Criatura de Frankstein.

Beijos,

Juliana Garcez | Livros e Flores

Lumartinho Says:
15 julho, 2015

Oi Maria valeria!!
Adorei o seu post! Gosto muito do Edward e do Quasímodo! Sempre me identifiquei com o quasímodo no desenho, tinha muita pena dele por ser rejeitado desse jeito e Edward era quase a mesma coisa... E adorei conhecer os outros personagens que você citou! Um post muito interessante e muito bem elaborado, parabéns!
Beijos

LuMartinho | Face

D e s s a Says:
15 julho, 2015

Seu post ficou demais, sério! Eu adorava assistir o filme do Edward quando criança. Nunca tive medo dele, sempre percebi sua "pureza", muito lindo mesmo!
beijos
www.apenasumvicio.com

Débora Costa Says:
17 julho, 2015

Eu gosto muito de O Corcunda de Notre Dame. O Quasi é um personagem que me chamou atenção por diversos motivos, e a história do livro em si - pra mim - é muito interessante. Adorei essa publicação, sério, ficou muito interessante você explorando esse assunto.

http://laoliphant.com.br/

Luanna Silva Says:
18 julho, 2015

Ave maria!
Odeio terror, sério, tipo, odeio muito. Evito tudo que relaciona o mundo dos monstros, pois acredito que todos eles existiram e pronto.
Apesar do meu medo eterno, sua postagem foi bem criativa.

Esther Cunha Says:
19 julho, 2015

Hahaha acho mt interessante esse tema.. Pretendo ler O Corcunda de Notre Dame em breve, já até comprei o livro

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