Um relato surpreendente de uma jovem que aprendeu a conviver com a AIDS... Depois daquela viagem, de Valéria Piassa Polizzi...

| 08 abril 2015 | |
"às vezes ainda me sinto como Edward Mãos de Tesoura, preso em seu castelo, fazendo obras de arte porque não há outro jeito com o qual possa tocar as pessoas."

E eis que conhecemos a história de adaptação, batalha e superação de Valéria Piassa Polizzi, uma jovem que aos 16 anos, em sua primeira relação sexual, contrai o vírus da AIDS. Isso numa época em que ser HIV positivo era sinônimo de morte certa, em que não haviam medicamentos para todo mundo [apenas para quem pudesse pagar, como foi o caso de Valéria] e em que a doença ainda era considerada o mal dos 'gays'. Uma mulher sendo portadora do vírus era ainda mais absurdo e o preconceito e desinformação eram altos... 



Valéria nos apresenta Depois daquela viagem [publicado pela Editora Ática] como uma espécie de bate-papo informal, dando aos jovens [faixa etária alvo do livro] uma verdadeira lição de vida e de como você deve se prevenir para que não aconteça com você o que houve com ela. Ela trata do início, quando descobriu que estava doente, do choque, em ter que revelar aos pais, esconder do resto da família e dos amigos. viu suas expectativas e sonhos caírem por terra pois acreditava que não viveria muito. Foi no ano de 1986, aos 15 anos, que ela conheceu o homem que viria a contaminá-la meses depois. 

Eles se conheceram numa viagem de navio e após os contatos iniciais engataram um namoro. Com o passar dos meses, ela transou com ele pela primeira vez, e sem saber contraiu o vírus. Descobriu dois anos mais tarde, aos 18, ao fazer exames de rotina, por sentir algumas dores estomacais. Foi um baque e uma reviravolta na vida de Valéria. Ela viajou para os Estados Unidos para estudar, pois queria ao menos terminar um curso de inglês antes de morrer. Largou o teatro, a faculdade, o trabalho ao lado do pai, administrando seus negócios e passou alguns anos escondendo sua condição de soropositiva dos amigos que fez na estadia nos EUA. Ela tinha medo que as pessoas descobrissem e a expulsassem do país.

Nos primeiros anos ela não tomou o AZT, um conhecido remédio que prolonga o tempo de vida dos pacientes, mas a medida que sua imunidade vai baixando assustadoramente, e o médico que a examina regularmente praticamente implora que ela comece a se medicar, ela volta ao Brasil para começar seu tratamento. Não antes de ter uma tuberculose que quase lhe tira a vida...

Lembro quando eu era pequena e vi uma entrevista com Valéria num programa na TV, em que ela falava sua história e contava sobre a publicação de seu livro. Fiquei curiosa para saber mais a respeito dela, ainda mais por se tratar de alguém com meu nome. Isso ocorreu em meados de 1998, quando eu tinha então 12, 13 anos. E só agora, aos 29 anos, é que tive a oportunidade de ler seu livro... E pasmem - Valéria ainda é viva.

Passado um tempo, ela já namorou, morou fora do país e hoje dá palestras sobre AIDS, além de ter 3 livros publicados. Depois daquela viagem foi seu romance biográfico de estreia, escrito em fins da década de 1990. Foi colunista da revista Atrevida, lançou Papo de garota e Enquanto estamos crescendo e teve seu livro publicado em vários países, servindo como uma espécie de guia de prevenção para jovens e adolescentes. 




Já são quase 30 anos convivendo com a doença, para alguém que achava não passar de 10, Valéria é uma vencedora, uma guerreira, e hoje faz campanhas e palestras orientando os jovens a usarem camisinha e discutindo sobre Educação sexual nas escolas. Terminou a faculdade de Jornalismo. Casou. Viajou pelo mundo. Depois daquela viagem é uma verdadeira lição de vida, recomendo a todos, não apenas jovens, mas a quem gosta de uma história sensível, tocante e de superação diante das adversidades... É um livro que não aborda apenas a AIDS, mas também o preconceito, a vontade de viver, é sobre a adolescência e sobre sonhos...

Fica aqui registrada minha imensa admiração pela autora, minha xará...



Espero que tenham curtido a resenha. Já leram alguns de seus livros ou á tinham ouvido falar em Valéria? Me contem nos comentários... 

6 Comentários:

Amoras Com Pimenta Says:
08 abril, 2015

Oi Val. amora eu achoque qd alguém passa o vírus HIV para outra, deveria se enquadrar em tentativa de homicido. Talvez eu esteja falando de modo passional, mas vejo assim. Nesse caso, Valéria a autora, consegui viver e sobreviver ao que aconteceu a ela, tanto a contaminação, quanto ser contaminada elo primeiro namorado. Que bom que ela conseguiu colocar em forma de livro a sua experiencia, e que mesmo com todos os medos que ela tinha da doença, ela os venceu e assim pode ajudar outras pessoas. Parabéns a autora pelo livro, e pela lição que ela nos passa. Você pode estar doente, mas não necessariamente ser doente. Lindo, lindo lindo..........
bjs
www.amorascompimenta.com

Mariana Oliveira Says:
08 abril, 2015

Ai que linda. Doenças, são sempre complicadas e ver as pessoas superando suas dificuldades é muito bonito! Que bom que ela está bem ainda, deve ser uma história incrível.

Thelma Priscilla Domingues Says:
08 abril, 2015

Que bacana esse livro, eu não tinha visto esse livro
Gostei muito da resenha e achei muito importante, ele nos mostra a realidade e nos ajuda muito
com a prevenção
muito bom
bjs

Blog Coisas de Renata Says:
08 abril, 2015

Olá flor, não conhecia nenhum desses livros , achei a historia bem interessante e linda, Esse livro é otimo para os jovens aparender a lidar com certa situaçoes da vida, ela é mesmo vencedora e uma guerreira, e que ela continue assim que se passe 30, 60, 100 anos ajudando os jovens com suas palestras. beijos

Nanda Gonçalves Says:
08 abril, 2015

Que história de superação
maravilhosa, muito difícil para
uma menina.
Amei conhecer essa história de vida

Linda Noite!!
beijokas da Nanda

Mamãe de Duas

Kris Oliveira - Conversas de Alcova Says:
12 abril, 2015

Porra Val, que livro é esse?
CARAMBA!
Não conhecia e já quero muito lê-lo.
Tenho um caso de soro + na família e poder aprender um pouco como lidar
com essa experiência é sempre algo muito bom.
Essa autora tem a minha admiração agora, pois não é todo mundo que
tem a moral de dar a cara ao preconceito assim, não.
Perfeita resenha!

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