Ao Sul de lugar nenhum - Histórias da vida subterrânea

| 15 abril 2015 | |
Charles Bukowski nos presenteia com alguns de seus maravilhosos contos nesta edição de Ao sul de lugar nenhum - Histórias da vida subterrânea, publicada pela L&PM Editores... São 27 contos ao longo de 238 páginas, em que ele conversa com o leitor, em alguns até sobre os mais inusitados momentos de seu 'Henry Chinaski'. Em Lembra de Pearl Harbor? ele conta uma experiência na cadeia, Pittsburgh Phill & Cia marca sua jogatina desenfreada a ponto de perder valiosas quantias de dinheiro apostando em corridas de cavalo, Encontros com mulheres, experiências não tão bem sucedidas de trabalhos temporários, períodos em que ele ficou doente por causa de hemorroidas e teve que se internar e passar por cirurgia, até o momento de recuperação, entre outras coisas... Tudo isso regado a linguagem crua, mordaz e marginal.




Ele empresta sua voz a personagens excluídos da sociedade, apostadores, prostitutas e perdedores no grande jogo da vida, que se assemelham como ele por estarem numa sarjeta criada pela sociedade [pseudo] moralista. Em vários contos ele acentua a dificuldade em se conseguir dinheiro para pagar o aluguel, para comprar uma lata de sardinhas ou comprar charutos e vinho. 

"No andar de cima, tudo me custou cinco dólares, e ela me lavou antes e depois. Lavou-me em uma bacia pequena e branca na qual se via pintinhos pintados perseguindo uns aos outros ao redor da bacia. Ela, em dez minutos, ganhou o mesmo que eu tinha ganhado  em um dia e mais algumas horas. Em termos monetários, parecia mais do que certo que era melhor ter uma buceta do que um caralho."


Sim, aos que [des]conhecem a escrita de Bukowski, ela é bem suja. Se você for o tipo de leitor que se choca com palavrões e expressões escatológicas, sinto dizer que não vai apreciar a obra dele. E falar palavrão de forma poética é para poucos, e nisso Bukowski tira de letra... Os contos que mais gostei foram Solidão, Amor por 17.50, Os assassinos, Pare de olhar para minhas tetas, senhor e Todos os cus do mundo e também o meu [o melhor deles]. Os títulos dos contos já são estranhos por si mesmos, e ler cada um deles é uma experiência única...

O livro seria uma espécie de reflexão sobre os personagens que desistiram da sociedade porque ela já desistiu deles há muito tempo. E apesar de escanteados, são seres humanos que possuem sonhos e esperanças, mesmo que por vezes esses sonhos sejam completamente anormais se comparados com o 'correto', são notas avulsas numa caixa de padrões pré-concebidos. Humor ácido existe de sobra nas linhas de Ao sul de lugar nenhum. É uma viagem ao desconhecido, sem chance de retorno ou escolha de itinerário... 



Em suma, eis uma boa experiência de leitura para quem deseja se aventurar nas histórias e personagens 'outsiders' da sociedade, descritos por Bukowski em suas obras de maneira a fazer o leitor simpatizar com tais indivíduos, e por que não? Até se identificar com alguns deles...


5 Comentários:

Mariana Oliveira Says:
15 abril, 2015

Você gosta de contos né? Hehe.
É muito realista pra mim, sabe. As vezes gosto de sair desse mundinho e não entrar mais ainda nele.
Por isso não sou muito fã dessas temáticas.
Beijos.

Amanda Vieira Says:
15 abril, 2015

Val, vc e o Velho Buk são inseparáveis! Huauauauahauahuah.
Não tô boa pra ler ele não, acho que eu me cortava em duas páginas, mas quando isso passar, vou procurar este livro.

Lilian Farias Says:
15 abril, 2015

O velho Buk sempre dá show literário. Os personagens que são marginalizados socialmente são o melhores. Não há como não delirar com o velho... Adoro os textos dele!
http://www.poesianaalma.com.br

Nanda Gonçalves Says:
15 abril, 2015

Bem forte,infelizmente
não iria gostar, não sou fã de
palavrões.

Linda Noite!
beijokas da Nanda

Mamãe de Duas

Celly Nascimento Says:
16 abril, 2015

Oie, Maria Valéria!
Olha, tenho amigas apaixonadas pelo Bukowisk, mas eu realmente não me sinto atraída pelo tipo de literatura do autor. Ele é nu e cru demais, eu prefiro uma boa fantasia. Sempre ouço comentários maravilhosos acerca de suas obras, mas pelo menos o momento atual não é propício para encarar o tipo de leitura que ele pode me proporcionar.
Com carinho,
Celly.

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