O gato por Dentro - Willliam Burroughs

| 10 fevereiro 2015 | |


E hoje venho falar de uma obra encantadora, escrita por William Burroughs e publicada pela L&PM Editores. Já tinha falado sobre o autor e uma de suas obras neste post, e eu costumo dizer que O gato por dentro foi uma singela ode aos gatos que o nosso 'Old Bull Lee' escreveu. Bem, uma das peculiaridades do escritor é que ele fã incondicional dos pequenos felinos. O livro fala da relação entre o homem e o gato, pela perspectiva do próprio autor.

"Nos últimos anos, tornei-me um dedicado amante de gatos, e agora reconheço a criatura claramente como um espírito felino, um Familiar."

Burroughs fala sobre seus gatos como se fossem parte de sua família. Ele chorou quando eles morriam ou desapareciam, ele dava de comer, ninava, sentindo-se um verdadeiro Guardião desses animais. Ele frequentemente sonhava com os felinos em variadas situações. Dentre todos os gatos que passaram em sua vida, Ruski era o mais citado no livro, provavelmente foi o que mais marou a vida de Burroughs... Em alguns trechos do livro, ele critica os humanos que fazem maldade com os gatos, que sentem prazer em machucar seres tão indefesos...

"Quem poderia ferir uma criatura como essa? Treinar seu cão para matá-lo! O ódio pelos gatos reflete um espírito feio, estúpido, grosseiro e intolerante."
Burroughs faz uma comparação dos gatos como sendo elos para ligá-lo ao ser humano, embora ele mesmo seja um. É como se sua ligação com os felinos o mantivesse perto da humanidade. E chama os humanos de espécie moribunda. Os gatos seriam então, o refúgio desse mundo louco? A escrita de Burroughs é leve, parece mais uma conversa informal sobre o apreço por gatos e por isso mesmo torna a leitura agradável e deliciosa. Eu arriscaria dizer que é uma conversa à moda beat sobre gatos...

O Gato por Dentro foi escrito já na fase madura de Burroughs, em meados da década de 1980. Ele traz memórias dos gatos que teve durante sua vida, como eles o ajudaram a recuperar o equilíbrio em diversas fases difíceis de sua jornada e deixa em aberta a questão de 'o quanto um gato pode parecer com seu dono'. Aos apaixonados por gatos, esse livro é uma boa pedida. E se você for fã dos escritores beat, é mais que recomendado ter esta obra na estante...


William Burroughs ♥


4 Comentários:

Renata. Says:
10 fevereiro, 2015

Que livro sensacional Maria! Me lembrou muito Flush, Memórias de um Cão da Virginia Woolf. Gosto muito de livros nesse estilo, que falam tão carinhosamente dos bichinhos, nesse caso os gatos *-* Gostei muito!

Renata,
psychoreader.wordpress.com

Caroline Porto Says:
10 fevereiro, 2015

Ont que fofinho Val, adorei a resenha e apesar de curtir mais cachorros, também sou fascinada por gatinhos independente de raça ou qualquer outro fator. Adorei mesmo e com certeza pegaria pra ler com todo amor do mundo. Beijos

Mutações Faíscantes da Porto

POESIA NA ALMA. Says:
11 fevereiro, 2015

Burroughs é dos meus. Hilda faz parte da família também. Hoje, ela está sem falar comigo, pois não deixei ela abrir a torneira para brincar. Sério...
Acredito que a ligação com os gatos nos mantenha perto da humanidade.

Kris Oliveira - Conversas de Alcova Says:
12 fevereiro, 2015

Val, que fofura, não conhecia o livro e nem o autor.
Mas queria presentear uma amiga com esse livro é a pessoa que mais ama gatos que eu conheço.
Acho que ela iria adorar, pois só lembrei dela.
Eu também adoraria fazer essa leitura!
Beijos

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