D. Baratinha da Silva Só

| 09 dezembro 2014 | |
E hoje venho falar de um livrinho que foi lido durante minha infância e que me traz boas recordações quando o folheio na estante...

D. Baratinha da Silva Só, escrito por J. Pimentel Pinto é sobre a história de D. Baratinha, que é costureira e desde pequena trabalha como gente grande. Além de costura, ela também tricotava para baratas e outros bichos. Com a boa freguesia que possuía, conseguiu juntar um saco com muitos tostões... Em determinado momento, D. Baratinha resolve se casar, mas para isso precisa encontrar um noivo...


D. Baratinha é muito boba e não sabe o caminho que terá que percorrer para conseguir um casamento, então resolve procurar o dr. Besouro Verde, que cobrava pouco pelas consultas que fazia. Na verdade ele não era doutor, mas para parecer influente usava essa alcunha...  




O dr. Besouro Verde explica a D. Baratinha que ela precisa procurar o tabelião Jabuti, responsável pela papelada de um casório. Lá chegando, D. Baratinha descobriu que precisava de uma certidão de nascimento para casar, e como ela não entendia nada dessas questões democráticas, precisou fazer sua certidão, auxiliada pelo Jabuti e por seus auxiliares Senhorita Lesma e Sr. Caracol... detalhe que em cada repartição que D. Baratinha ia, deixava o saco de tostões um pouco mais leve... 

A historinha é contada de maneira bem simples, mas fazendo uma [re]leitura dela hoje o que pude perceber é que ela trata de fazer uma crítica a toda a burocracia existente nas repartições públicas/judiciárias e o quanto de dinheiro precisamos gastar para fazer algo que à princípio seria mais simples... Pagando uma gratificação aqui, outra ali, D. Baratinha ia acabar consumindo todo o dinheiro que levou anos para juntar... E será que ela conseguiu casar? Ou o sonho dela de arrumar um marido foi todo embora pagando documentos e não sobrou nada para a cerimônia? 

Outro ponto importante a ressaltar é a ingenuidade da D. Baratinha. O mundo está cheio de fanfarrões e pilantras a postos para passar a perna e conseguir vantagens dessas pessoas bobinhas como nossa protagonista. É preciso ser esperto para não se deixar enganar por gente mal-intencionada. Mas D. Baratinha conseguiu sua certidão, e agora tem sobrenome - o Só - no fim do nome dá pra se imaginar o porquê, não é? Se não, leia e descubra... ^.~

Além da história de D. Baratinha, o livro nos presenteia também com a história da família Pasquá, que viviam numa lagoa cheia de Bagres. Fala em específico de um membro da família chamado Joãozinho Pasquá, que desde pequeno mostrava-se 'esperto'. A medida que ia crescendo, Joãozinho acumulava ambições e juntava riquezas, pois queria ser o dono da lagoa. Começou a emprestar dinheiro aos outros bichos, num claro exemplo de agiotagem, e ia se tornando mais ambicioso, cruel e prepotente, usando artigos caros de luxo. Tudo ele queria comprar e aumentar os seus domínios, mas precisava comprar uma casa enorme, em que vivia Dona Piabinha. Ela não queria vender a casa mas por uma tragédia, pensou estar viúva e precisou vender a casa, procurando Joãozinho [que agora exigia ser tratado por Don Pasquá] para pedir um empréstimo, mas ele era esperto demais e exigiu a casa como pagamento. Ela não queria ver seus filhos passando fome e acabou concordando, mesmo sentindo perder a casa onde nasceu e cresceu, e que valia mais para ela por isso do que pelo dinheiro...

Mas, toda essa ambição de Don Pasquá lhe custou muito caro. E a lição que tiramos da história é que 'quem muito quer, perde até o que tem'. Ele nunca se importava com a dor alheia, e só enxergava o próprio umbigo, e gente desse tipo nós sabemos como termina, não é? Em suma, é um ótimo livrinho para crianças, por ensinar valores de maneira divertida e com personagens animais, a fim de atrair os olhos dos pequenos leitores para o livro, que possui também lindas ilustrações... Alguém mais aqui gosta de livros infantis? Já leram ou ouviram falar desse livro em questão? Me contem nos comentários. Beijos e até o próximo post. ^.~

2 Comentários:

Caroline Porto Says:
10 dezembro, 2014

Eu posso estar enganada, mas tenho a impressão de que os livros infantis mais antigos tinham histórias bem mais educativas do que as que vemos hoje em dia. Foram esses tipos de livros que me fizeram a ter paixão pela leitura desde criança, então com certeza é um ótimo presente (ainda mais agora no Natal) ainda para os pequenos, por exemplo, rs.. e respondendo a sua pergunta, não, eu nunca tinha ouvido falar nesse, mas adorei já pela sua resenha. Beijos!

Mutações Faíscantes da Porto

POESIA NA ALMA. Says:
10 dezembro, 2014

Achei a história linda, mas tenho pânico a baratas, desde pequena.
Pânico e alergia, só em pensar, fico apavorada. :(

O enredo, por algum motivo, fez-me lembra do Castelo Rá Tim Bum hehehehehheheheeh

http://poesianaalmaliteraria.blogspot.com.br/

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