Inocência, de Visconde de Taunay

| 11 novembro 2014 | |

Inocência, escrito em 1872 pelo Visconde de Taunay é uma obra de temática regionalista que traz no próprio título uma homenagem à protagonista da trama, Inocência, filha de um homem de pensamento rígido, que não deixa ninguém se aproximar de sua filha, pois ela está prometida a um rapaz conhecido seu. O problema é que o viajante que o pai acolhe em sua casa se apaixona pela moça, e começa a padecer numa paixão proibida e sem a certeza de estar sendo ou não correspondido... 

Confesso que no primeiro capítulo quase desisto do livro. Eu gosto de obras descritivas, mas esse se superou. Mas segui em frente e não me arrependi pois já no segundo capítulo a leitura começa a fluir muito melhor... Taunay descreve a paisagem onde a história é ambientada, Mato Grosso, mesclada com o romance de Inocência e Cirino. A narrativa é fluida, deixa o leitor tentado a ler o capítulo seguinte, até descobrir o desfecho da história.

O pai de Inocência acaba hospedando um 'gringo' e pelo comportamento lisonjeiro desse para com Inocência, logo fica desconfiado de Meyer, achando que ele está com más intenções para sua filha, e confessa sua desconfiança a Cirino, que aproveita essa oportunidade para cortejar a moça sem que a desconfiança do pai dela recaia sobre si. Pereira passa o tempo inteiro seguindo os passos de Meyer, que na sua ingenuidade, não percebe que o pai de Inocência está lhe observando irritado...

Meyer é naturalista e passa os dias à caça de espécies raras de borboletas, e o período em que passa hospedado na casa de Pereira é longo, Pereira já não sabe o que fazer para se conter e expulsar aquele homem 'atrevido' de seu lar, a ética lhe impede de botá-lo para fora se lhe deu acolhida por tempo indeterminado. Nesse ínterim, Inocência, que vinha adoentada vem se curando graças aos remédios prescritos por Cirino, que na verdade não é médico formado, mas uma espécie de curandeiro... 

O que se pode perceber na obra é a maneira como as mulheres eram tratadas como se fossem propriedade do pai, em que o direito de escolher com quem casar lhe é negado. E uma 'desonra' ocorrendo na casa traria a morte, inclusive da própria Inocência, caso ela contestasse a decisão do pai de casá-la com Maneco, o tal noivo que estava longe e Pereira não via a hora de voltar para realizar o casamento e impedir que Meyer conquistasse sua filha... Mal sabia ele que os olhos dela estavam voltados para Cirino... O livro traduz bem a sociedade e costumes da época, numa pequena cidade de interior perdida no meio do Brasil... O desenrolar da história não pode ser contado pois seria spoiler... Não há muito mais a falar do livro, mas recomendo a leitura, não desistam por causa do capítulo Um. *risos*



Alfred d' Escragnolle Taunay, nasceu no dia 22 de Fevereiro de 1843 na cidade do Rio de Janeiro. Foi memorialista, romancista, sociólogo, historiador e político,  e um dos fundadores da Academia Brasileira de Letras.tendo criado a cadeira número 13, do qual Francisco Otaviano é patrono. De família nobre cresceu num ambiente repleto de privilégios e logo mostrou interesse nas Artes. Formado em Letras, cursou também Matemática e ingressou na Escola Militar. adotou o nome literário de Visconde de Taunay. Além de Inocência, escreveu também A retirada da Laguna, Narrativas militares, Ouro sobre azul, entre outros. Faleceu na cidade onde nasceu, em 25 de Janeiro de 1899... 


5 Comentários:

Caroline Porto Says:
11 novembro, 2014

Confesso que não gosto desse tipo de história e é um livro que eu não me interessaria. Sei lá, parece ser muito "parada", mesmo após o primeiro capítulo e sou fã de histórias com mais ação.. mesmo assim adorei a sua resenha, parabéns.

Mutações Faíscantes da Porto

POESIA NA ALMA. Says:
11 novembro, 2014

Menina, tem muito tempo que li Inocência. Nem recordava mais da história. Você me fez lembrar o tempo de escola, obrigada!
Lembrei quando apresentei o trabalho sobre o livro... nossa, que delícia de lembrança.
Inocência fez-me lembrar de quando via o mundo inocente... ^^
Também concordo com vc sobre as formas como as mulheres eram e são tratadas: como propriedade de uma sociedade machista e patriarcal.


http://poesianaalmaliteraria.blogspot.com.br/

Kris Oliveira Says:
12 novembro, 2014

Val, eu já desisti uma vez por causa do capitulo um, hauhauha
Inocência acompanha O Primo Basílio na minha lista de pés no saco por causa do
excesso de descrição. Mas se eu tiver oportunidade eu dou sim, outra chance a ele.
Gostei da resenha, sinto falta de blogs falando de clássicos nacionais, isso me passa até uma má impressão
desde o inicio em relação a blogosfera literária. :/
Essa capa do teu exemplar é muito linda!
Beijos

Maria Valéria Says:
12 novembro, 2014

vou ser sincera contigo. A capa da minha edição NÃO é essa. TT_TT
como não encontrei imagem legal do meu, e tava com preguiça de tirar photo no celular pra postar no face, escolhi no google e essa foi a que mais gostei xD
Basílio ainda não li, mas tenho ele aqui na estante...
Bem, tentarei dar mais espaço pra lit. nacional aqui no blog. Leio vezemquando mas acabo nem resenhando, preciso mudar isso rsrs
bjs

Carolina Aragão Says:
12 novembro, 2014

Olá Maria !
Achei sua resenha muito bacana. O gênero romance histórico é um dos meus favoritos,
e esse em particular me chamou a atenção pelo fato de ser nacional e mais antigo.
É bem verdade que eu não tenho muitos desses aqui comigo, mas pretendo manter um
lugarzinho para esse tipo de livro na minha estante, e preenche-lo o mais breve possível :)

Abraços

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