Garota, interrompida

| 09 setembro 2014 | |


Trago para vocês mais uma resenha de um livro que li recentemente mas que já conhecia sua história por causa da adaptação cinematográfica. Garota, interrompida é a biografia de Susanna Kaysen, onde ela relata suas memórias no período que ficou internada numa clínica para deficientes mentais, para tratar de seu transtorno de personalidade, aos 18 anos, no ano de 1967... 

Por não seguir os padrões que a maioria das jovens de sua idade seguem, Susanna resolve se internar de forma voluntária, e acaba conhecendo outras garotas de sua idade, com problemas e distúrbios diferentes mas com um ponto em comum: fora do hospital há uma sociedade que rejeita garotas como elas, famílias que 'esquecem' suas parentes por lá e nas paredes brancas e frias é que essas jovens encontram algum refúgio para espantar os fantasmas de suas mentes... Susanna, Lisa, Daisy, Georgina e Polly logo se vêem juntas, numa espécie de convivência pacífica, onde apenas o companheirismo pode salvá-las de afundar em remédios, gritos ensandecidos e rejeições...


Susanna narra o período que viveu no Mt. Auburn Hospital, as amizades que encontrou nas outras garotas, os problemas em particular de cada uma delas, a paciência [ou falta dela] das enfermeiras e equipe médica, e ainda possíveis amores, e saídas ocasionais. Existe todo um procedimento para visitas, horários de remédios, terapias, exames, a temida solitária, uma velha TV na sala de estar e devaneios insanos. A idade de Susanna e suas amigas é aquele período da adolescência em que as pessoas escolhem uma faculdade, qual marca de carro comprar, que emprego seguir, festas a frequentar, enfim, idade de tomar decisões importantes, mas para elas só restaram comprimidos em horários determinados, lençóis brancos, eletrochoque e consultas mensais com psiquiatras, além de diálogos persuasivos [ou tentativa deles] de conseguirem permissão para sair de uma ala devida a outra ou um passeio monitorado até a sorveteria do bairro em que o hospital se situa...



Dentre as pacientes, Lisa é a paciente sociopata, é a que mais foge do hospital, calculista e que mais arruma confusão com a equipe médica. Outra tem o rosto queimado após uma tentativa de por fogo em si mesma, a outra, sonha em sair dali e ser protegida por seu pai, que atende o pedido da filha de trazer-lhe frangos fritos que lotam seu quarto... 


Daisy

Lidando com a exclusão da sociedade, Susanna precisa encontra-se consigo mesma, entender seus sentimentos, suas confusões mentais e se estabelecer num padrão apto a ser integrado à sociedade. A leitura é uma espécie de passeio ao fundo da mente da protagonista, e por vezes, você acaba se identificando com sua loucura... Ela fala sobre morte, suicídio, ânsia de liberdade... Susanna busca compreender a si mesma...

"Na verdade, eu só queria matar uma parte de mim: a parte que queria se matar, que me arrastava para o dilema do suicídio e transformava cada janela, cada utensílio de cozinha e cada estação de metrô no ensaio de uma tragédia."
Lisa, por Jolie...
O filme rendeu o Oscar de melhor atriz coadjuvante à Angelina Jolie, que interpretou de forma visceral a sociopata Lisa. É uma adaptação intensa, e considero fidedigna ao livro, com exceção de algumas situações que em nada abalam o enredo, mas trazem à tona outras perspectivas, como o drama de Daisy, por exemplo [interpretada pela finada atriz Brittany Murphy]. São 191 páginas carregadas de vidas descartadas pelo mundo além das paredes do hospital, vidas que precisam seguir adiante com a ajuda de receitas médicas, e quando algumas conseguem se recuperar para receber alta, precisam encarar o desconhecido mundo que até então as rejeitou... Mas... é preciso viver...

"Enquanto estivéssemos dispostas a continuar transtornadas, não precisaríamos arranjar trabalho ou estudar. Conseguiríamos nos esquivar de quase tudo, a não ser de comer e de tomar a medicação."


Garotas interrompidas no auge de suas vidas. Congeladas no tempo por período indeterminado enquanto a vida segue lá fora...

Winona Ryder, na pele de Susanna Kaysen

"Interrompida em sua música: tal qual acontecera com a minha vida, interrompida durante a música dos 17 anos, tal qual a vida ela, roubada e presa a uma tela; um momento congelado no tempo mais importante que todos os outros momentos, quaisquer que fossem ou que viessem a ser. Quem pode se recuperar disso?"

Garota, interrompida é uma publicação da Editora Única.

7 Comentários:

clivia lira Says:
09 setembro, 2014

Nossa Val, que resenha incrível, amei as suas impressões. O filme é realmente incrível e agora fiquei louca pra ler o livro.
Bjos :-)

Carissa Vieira Says:
10 setembro, 2014

Acredita que eu nunca vi o filme? Mas tenho vontade.
Quero ler o livro também.
ficou bem completo o post.

bjs,
Carissa

Kris Oliveira Says:
10 setembro, 2014

Pra mim ler esse livro foi recriar o filme na minha cabeça, amei demais tanto que consegui ler em ebook.
Lisa parece que foi escrita pra ser vivida pela Jolie. Amei demais toda a história, é muito interessante como naquela época coisas ínfimas eram tratadas como transtornos terríveis. Ainda bem que as coisas mudaram.
Sempre amo o teu ponto de vista ♥
Beijooo Roxaaa

Maria Valéria Says:
10 setembro, 2014

obrigada pela sua opinião, flor :D
Que bom que tenha ficado com vontade de ler, é muito bom. ^^
bjs

Maria Valéria Says:
10 setembro, 2014

sério :o
mlr, assista. É muuuito bom rsrsrs
bjs

Maria Valéria Says:
10 setembro, 2014

menina, eu comprei na AVON :D
li rapidinho ^^
que bom que gostou do post. bjs <3

Girlene Viey Says:
28 setembro, 2014

Adooooorei ! Gosto deste tipo de livro!
Tem historia incrivel! Muuuito bom!

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