O doente Molière

| 01 agosto 2014 | |


O doente Molière, publicado pela Ed. Companhia das Letras é a segunda obra que eu leio de Rubem Fonseca. E mais uma vez me encantei com sua escrita maravilhosa. O narrador é um marquês anônimo, que por ser muito amigo de Molière, tem uma relação bem sincera com o artista, e quando este lhe diz que ele não tem talento para o teatro, ele acata a decisão do amigo sem ressentimentos. Ah, deixem-me explicar uma coisa antes: o autor puxa o fio da meada para contar essa história a partir de um fato e personagem real, Molière - que no ano de 1673, algumas horas após representar uma de suas peças mais famosas [O doente imaginário] acaba falecendo em circunstâncias misteriosas... 

Voltando à narrativa de Rubem Fonseca. O marquês é a única testemunha de Molière, quando este está próximo da morte e confessa ao amigo que foi envenenado. Mas ao invés de buscar um médico que possa impedir seu amigo de morrer, ele prefere ir em busca de um padre, a fim de que ele lhe dê a extrema-unção. Mas, sentindo-se culpado por não tê-lo ajudado como podia, resolve descobrir o assassino de Molière. Os prováveis suspeitos são os indivíduos retratados nas peças de Molière, como religiosos fanáticos, mulheres de procedência duvidosa, pessoas que possuem segredos escusos e que vivem na sociedade como se fossem 'limpos', e que certamente se irritaram ao ver-se interpretados nas peças de Molière como sujeitos hipócritas na sociedade. 

Ao longo da história, dividida em quinze curtos capítulos, o leitor se aprofunda nas investigações do narrador, se depara com inúmeros personagens ao longo da trama e acaba se surpreendendo com o desfecho. Pessoas são torturadas, interrogadas, decapitadas nesse período, tão logo se descubra que o condenado assassinou alguém. O narrador se envolve com pessoas que podem ser as algozes de seu amigo, e qualquer ligação com tais indivíduos, pode ser um problema para ele... A escrita de Rubem Fonseca é fluída, te instiga a chegar à ultima página. Não pretendo me demorar a fim de não contar fatos importantes da história, mas recomendo esse livro num intervalo entre leituras mais densas... 

"constatei que nenhum homem está livre de um dia ter, não importa o motivo, a sua alma assolada por uma angústia que torna a sua existência insuportável. Entreguei-me então ao sofrimento..."

2 Comentários:

Amiga da Leitora Thais Says:
02 agosto, 2014

DECAPITADAS?? Ai amiga, isso é muito forte pra mim, eu sou uma patife para cenas fortes. hsuahsauhas

xoxo
http://amigadaleitora.blogspot.com.br/

Val Strange... Says:
04 agosto, 2014

rsrsrsr sim, mas não é algo tão forte descrito. :)

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De Bukowski a Dostoievski. Ana Cristina César a Lilian Farias. Deleite-se com a poesia de Florbela Espanca e o erotismo de Anaïs Nin...
Aforismos, devaneios, quotes dispersos e impressões literárias...um baú de antiguidades e pós-modernismo. O obscuro, complexo, distópico, inverso... O horror, o amor, a loucura e o veneno de uma alma em busca de liberdade...

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