Dias [não tão melhores] virão...

| 01 março 2014 | |

Tive várias leituras produtivas nesse mês de Fevereiro e algumas fogem completamente do estilo ao qual estou habituada. Antes de desanimar, encaro como um desafio ler algo que não tenho hábito, ou que possua uma temática tão diferente dos gêneros que gosto. Dias melhores virão, da autora Jennifer Weiner, publicado pela Ed. Novo Conceito, certamente foi uma delas. Antes de mais nada, devo adiantar: não é um livro ruim. A leitura segue um pouco parada no começo, mas em certa parte ele engrena e você consegue terminar torcendo pelo desfecho da protagonista. 

Ela se chama Ruth, e quando pequena, sofreu um grave acidente de carro, tendo perdido seus pais e sofrido sérios machucados que desfiguraram seu corpo e rosto. Após uma série de cirurgias e sendo cuidada pela mãe de sua mãe, Ruth cresce sem maiores problemas do que os que já tem. Sua avó cuidou dela com muito carinho, e hoje tem uma neta que escreve roteiros para televisão. A história do livro gira em torno de uma contratação para filmar um piloto para TV, em que Ruth conta a história de uma mulher comum, que foi criada pela avó, numa espécie de comédia, que serviria para levar ao público sua própria história e que ajudasse as pessoas que se sentem incapazes de que elas podem subir na vida, se identificando com sua protagonista. Quando recebe a ligação para filmar o episódio, Ruth fica muito feliz. Mas passados alguns momentos, ela começa a perceber que aquele projeto não será em nada parecido ao que ela esperava realizar...

Em paralelo com as desventuras de Ruth no meio profissional, ela conta sobre seus [poucos] casos amorosos que não deram certo e ela acredita que tudo se deve a sua aparência 'monstruosa'. Sua avó arruma um namorado, e planejam um casamento. Ruth se sente abandonada, pois terá que viver sozinha quando sua avó se mudar pra casa do futuro marido. Seu namorado acaba o namoro com ela. Ela havia tido uma paixonite no meio do trabalho e traumatizada, teme estar se apaixonando por mais um colega de profissão, um produtor boa-pinta que vive numa cadeira de rodas. 

Quando o elenco é escalado para gravar o piloto, as escolhas de Ruth sofrem 'modificações'. A história terá que ser reescrita e adaptada em alguns trechos, e o que acontece é que o roteiro inicial é praticamente anulado, substituído por outro que foge em muito na proposta dada por Ruth. E isso a decepciona. A imagem da avó fica caricaturada demais, e ela teme que ela se magoe em ver-se tão vulgarmente retratada. Os atores que ela queria que atuassem foram dispensados, pois não tem uma imagem 'muito conhecida'. Os que foram escolhidos, atores de renome em Hollywood, vão mostrando as facetas artificiais e arrogantes que Hollywood tenta esconder. Pessoas vazias, sem conteúdo. Apenas a imagem que a mídia cria sobre eles é o importante. Ruth, que desejava emplacar um programa sobre o cotidiano de pessoas comuns que vencem na vida, tem que se contentar com o falso glamour de 'estrelas vendidas'...

E o livro tem uma narrativa até interessante sobre a temática. Achei a experiência válida, mas acredito que o livro seja para um público que goste desse tipo de história... Outro fator que achei interessante no livro é que a autora entremeia o lado profissional de Ruth com suas neuras e confusões de uma mulher ['defeituosa'] caminhando para os 30 anos, e tentando se estabilizar. Funciona também como uma crítica a mídia televisiva, que trata seus 'funcionários' de forma descartável. Para alcançar o status que o 'público' quer ver na tela, o ator precisa às vezes ser apenas uma marionete bajuladora, ou seguir os padrões impostos pela TV. Nada é o que parece, e isso se reflete principalmente na parte burocrática, nos 'bastidores' da situação, em que empresários e produtores se engalfinham a fim de vender seu produto de maneira unicamente profissional, mesmo que pra isso, a qualidade do roteiro seja péssima... A beleza é o ponto chave, se você fugir do padrão hollywoodiano, você não vai muito longe... Imaginem a situação de Ruth, sendo tratada como um 'monstro' por causa das cicatrizes enormes que estampam um dos lados de seu rosto... 

Em suma, é válido ler, caso você não espere algo mirabolante ou extraordinários. É possível retirar alguma lição da história, leia de forma despretensiosa... Quem sabe você consiga até se identificar com a própria Ruth Saunders... 

Espero que tenham curtido a resenha. Até a próxima... ^.~

5 Comentários:

Felipe Matheus Says:
01 março, 2014

Ótima resenha. O livro parece ser até legal, mas não me chamou muito a atenção. Parece ser uma leitura bem meia boca, e vejo que você não gostou tanto assim também rs.

umviciadoemlivros.blogspot.com

Ítalo Costa Says:
01 março, 2014

Confesso que eu tive uma certa implicância com o nome do livro. Como o Felipe falou logo acima, parece ser uma leitura "meia boca", mas no momento eu tô precisando é de um livro arrebatador.

Maria Valéria Says:
03 março, 2014

pois é, não foi uma leitura desagradável, mas tá longe de ter sido uma das mais marcantes...

Maria Valéria Says:
03 março, 2014

hun, de arrebatador esse aqui não tem nada rsrsrs

Denise (@dnisin) Says:
07 março, 2014

Achei essa capa muito estranha e o titulo também passa outro gênero, não sei, pelos dois não leria, mas como tenho o exemplar vou ler sim. Levarei em conta a sua dica e vou ler mais tranquila, sem muitas expectativas. =)

Bjs, @dnisin
www.seja-cult.com

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