"Olhos de desencanto, perdidos..." Cem anos de solidão, de Gabriel García Márquez

| 17 fevereiro 2014 | |
Uma leitura recente que fiz foi do livro Cem anos de solidão, de Gabriel García Márquez. Meu contato com 'Gabo' foi apenas por meio de trechos soltos de suas obras, que me despertaram o interesse de conhecer sua escrita. Daí resolvi começar, por indicação de um amigo, pela obra mais conhecida dele, que inclusive ganhou o Prêmio Nobel da Literatura, em 1982... 
A experiência de início foi boa, a história corre em torno de uma família e suas várias gerações, desde que montaram um povoado chamado Macondo, até as guerras/revoluções em que algumas pessoas da família  Buendía foram fuziladas por terem se envolvido nos conflitos sociais narrados no livro. 

O que achei estranho no livro foi a repetição dos nomes, os filhos vão tendo o mesmo nome do pai, que já era o nome do avô e por aí vai, e com as mulheres acontece o mesmo... A pessoa que resiste mais a passagem dos anos é Úrsula, que viveu entre 115 e 122 anos, aproximadamente. E ela distinguia traços de personalidade dos 'seus' a partir do nome dado a eles. Os José Arcádio eram sempre impulsivos, e os Aurelianos eram mais introspectivos. No decorrer da história a família que vai sendo descrita de geração em geração precisa descobrir um segredo, que consta nos escritos de um cigano chamado Melquíades, que era amigo do fundador da família, marido de Úrsula [o primeiro José Arcádio]. Nesses pergaminhos secretos está descrita toda a história dos Buendía e só serão decifrados quando o último da linhagem estiver prestes a falecer... 

A verdade é que a leitura é boa, porém um pouco cansativa, creio que devido a repetição dos nomes, o que me gerava algumas páginas relidas, a fim de tentar entender o que estava sendo narrado, e não me perder na leitura. Mas a curiosidade me levava a continuar lendo, pois não achei que valesse a pena abandonar o livro que, mesmo confuso em alguns momentos, me deixava curiosa sobre seu desfecho. O problema é que, ao terminá-lo, fiquei na dúvida se eu tinha realmente entendido o que o autor quis passar com sua obra. 

Um fator que achei interessante foram as descrições dos sentimentos e personalidades dos personagens. Cada um tem características bem parecidas mas agem de formas bem distintas, apesar de serem da mesma familia. Gabo consegue mesclar na história os amores,  os de casamento ou os de amantes, e notei também certa melancolia no modo de viver de cada Buendía. Há até uma particularidade presente em seus personagens com sangue dos Buendía: olhos de desencanto, perdidos...

A escrita de Gabriel García me lembrou um pouco a obra de Graciliano Ramos, em São Bernardo e Vidas secas. São histórias diferentes, mas a forma como foram escritas me soou familiar, bem como alguns trechos do 'enredo'... não sei bem explicar o porquê, mas me remete a lembrança dos livros de Graciliano. 

Uma coisa posso dizer sobre Cem anos de solidão: acompanhar as gerações da familia Buendía me deixaram triste, melancólica, pelo desfecho de alguns, pela desilusão de outros, como se a 'solidão' dos personagens tivesse sido transmitida a mim. Gabo escreveu de maneira bonita, apesar de ter me confundido... 
Em suma, não é um livro ruim, mas acho que o momento não foi apropriado para sua leitura... quem sabe um dia eu retorne às suas páginas, à Macondo...







P.s: Fiz um sorteio relâmpago de um Kit de Marcadores no sábado, e ontem divulguei o resultado pela própria FanPage. A ganhadora já se pronunciou e em breve farei um post aqui sobre os ganhadores de promoção e TC. Fiquem ligados que logo logo farei outro sorteio por lá.



7 Comentários:

Maura C. Parvatis Says:
17 fevereiro, 2014

Oi, Val, eu pretendo "começar mesmo" esse livro ainda esse mês - já li as primeiras páginas e acho que me falta incentivo para começar de vez o livro do Gabo.
Acredito que o que me deixa com receio de começar a ler é a sensação de que não compreenderei - alguns livros conseguem me intimidar e Cem anos de solidão é um deles, rs.

Beijos!

Tamara Costa Says:
17 fevereiro, 2014

Eu sempre quis saber qual era na real a história desse livro. Toda resenha que eu lia não me dizia nada e agora enfim eu tenho uma ideia. Tenho vontade de ler esse dele, mas é um pouco difícil de achar pra comprar em sebo.

xêro roxa!

Wesley Vasconcelos Says:
17 fevereiro, 2014

Fiquei um tanto curioso com esse negócio de segredo e tal. Deu vontade de lê-lo, espero que em breve eu possa fazer isso. Boa resenha, beijos.
http://inestantevirtual.blogspot.com/

Desbravadores de Livros Says:
17 fevereiro, 2014

Eu li esse livro quando estava no ensino médio. Achei fantástico.
Parabéns pela postagem. Amei seu blog demais :D
Bastante organizado e com conteúdo
Visite-nos, se gostar, quiser e for seguir, pode nos avisar. Seguimos de volta :D
M&N | Desbrava(dores) de livros

Ana Caroline Says:
17 fevereiro, 2014

Eu ainda não li este livro, mas acredito que vou apreciar muito a leitura. A premissa me encanta.

Beijos.

http://livrosleituraseafins.blogspot.com.br/

Italo S Says:
18 fevereiro, 2014

Olá, amiga, como vai? <3
Menina, eu comprei esse livro no sebo desde o final do ano passado, e ainda não li.
Eu quero ler dele é "Olhos de cão azul", e "memórias de minhas putas tristes."... MAS esses eu nunca vi em sebo. Na verdade, o segundo, já o vi, mas era em espanhol mesmo e tava de quase 20 reais -um valor que acho abusivo pra sebos.
Talvez, eu leia logo esse "Cem anos de solidão" pq já tá aqui em casa, e tudo o mais, sabe?
Assim que ler, venho te dizer o que achei hihi
Abraços,
Italo.

http://incriativos.blogspot.com.br/

Anônimo Says:
03 março, 2014

Hi! I could have sworn I've visited this blog before but after
going through some of the posts I realized it's new to me.
Regardless, I'm definitely delighted I discovered it and I'll
be bookmarking it and checking back often!

Stop by my web site royal revolt ii hack tool

Postar um comentário

De Bukowski a Dostoievski. Ana Cristina César a Lilian Farias. Deleite-se com a poesia de Florbela Espanca e o erotismo de Anaïs Nin...
Aforismos, devaneios, quotes dispersos e impressões literárias...um baú de antiguidades e pós-modernismo. O obscuro, complexo, distópico, inverso... O horror, o amor, a loucura e o veneno de uma alma em busca de liberdade...

Seja bem-indo-e-vindo[a]!

╬† Literatura no Mundo ╬†

╬† Autores ╬†

agatha christie Alan Dean Foster Alan Moore Álvares de Azevedo Ana Cristina César Anaïs Nin Anna Akhmatova Anne Rice Anne Sexton Antônio Xerxenesky Arthur Rimbaud Bob Dylan Bram Stoker Cacaso Caio f. Abreu Cecília Meireles Charles Baudelaire charles bukowski Charles Dickens chuck palahniuk Clarice Lispector clive barker Cruz e Sousa dalton trevisan David Seltzer Dik Browne Don Winslow edgar allan poe Eduardo Galeano Emily Brontë Ernest Hemingway Eurípedes F. Scott Fitzgerald Ferreira Gullar Florbela Espanca Franz Kafka Garth Ennis George R. R. Martin Gilberto Freyre Guido Crepax H. G. Wells H. P. Lovecraft Haruki Murakami Henry James Herman Hesse Herman Melville Hilda Hilst honoré de balzac Horacio Quiroga Hunter S. Thompson Ignácio de Loyola Brandão isaac asimov Ivan Turgueniev J. R. R. Tolkien Jack Kerouac Jack London Jay Anson João Ubaldo Ribeiro Joe Sacco Jon Krakauer Jorge Luis Borges José Mauro de Vasconcelos Julio Verne Konstantinos Kaváfis L. Frank Baum Laura Esquivel Leon Tolstói Lord Byron Luciana Hidalgo Luiz Ruffato Lygia Fagundes Telles manoel de barros Marcelo Rubens Paiva Mario Benedetti Mark Twain Marquês de Sade Martha Medeiros Mary Shelley Michel Laub Miguel de Cervantes Milo Manara Moacyr Scliar Neil Gaiman Nelson Rodrigues Nicolai Gógol Oscar Wilde Pablo Neruda Patti Smith Paulo Leminski Pedro Juán Gutierrez Rachel de Queiroz Rainer Maria Rilke Ray Bradbury Robert Bloch Robert Kirkman robert louis stevenson Roberto Beltrão Rubem Alves Sándor Márai Sófocles Stephen King Stieg Larsson Susan E. Hinton Sylvia Plath Torquato Neto Victor Hugo Virginia Woolf William S. Burroughs Ziraldo
Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...
Witches Hat
Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...