Correios - [Envios e recebidos] - 10

| 25 fevereiro 2014 | 13 Comentários |


livro, bottons, caneta e marcadores do blog Fala Urupês?
Olá, pessoal. E vamos aos Correios de Fevereiro. Ganhei um sorteio de marcadores no blog Fala Urupês[confira o post aqui],  um kit com bottons, caneta e marcadores dos livros de Eleanor Hertzog, Cisne e Linhagens. 
Um tempo depois, ganhei numa promoção do mesmo blog o livro O alienista, de Machado de Assis. O bom foi que a dona do blog enviou os dois ao mesmo tempo, juntos. Recebi no começo do mês.



Recebi de cortesia de Karina [Leitor Cabuloso] 6 livros pra resenhar. Os títulos foram:



  • O mundo pelos olhos de Bob
  • A cidade dos segredos
  • Tempo de mudanças
  • Dias melhores virão
  • Por toda a eternidade
  • Kit Starters


Kit Starters


Karina ainda me deu de presente o Box Trilogia Millennium e uma bag do kit do livro As violetas de Março.

bag de estopa com detalhe de florzinhas e alça roxa
Trilogia Millennium

Junto com os livros vieram diversos marcadores e livretos [alguns irão para sorteio aqui no blog]... 




Comprei a ed. número 1 de Antes de Watchmen - Coruja, pela estante virtual. Só faltava esse número para completar minha coleção [8 ao todo]. O preço saiu bem em conta e resolvi comprar logo agora, que a última edição saiu em bancas, do que esperar meses e de repente ficar mais raro encontrar...



Com a greve dos Correios a minha caixa com mais livros da Ed. Novo Conceito, enviados pela minha amiga Eni, demoraram milênios pra chegar. Mas finalmente recebi o pacotão, que veio recheado de livros e mimos...

  • O mundo pelos olhos de Bob [será o prêmio do Concurso Cultural de Fevereiro do Dose Literária]
  • Dias melhores virão [será o prêmio de outro Concurso Cultural no Dose Literária]
  • Kit Enders [adesivo para celular, poster, marcador de pagina]
  • Kit A menina que semeava [marcador de pagina e Essência de Tamarisk]
  • A livraria 24 horas do Mr. Penumbra
  • O amor mora ao lado
  • Noites italianas

Alem dos livros, vieram alguns livretos, adesivos para celular e posteres. Eni também me enviou um botton do livro Brilho e um enfeite para arvore de natal da Novo Conceito. Alguns livretos, adesivos e posteres serão parte dos prêmios do Dose Literária, que enviarei para os vencedores...

mimos, alguns meus, outros para Concurso Cultural do DL

Bom, mesmo com essa greve chata dos Correios, meus pacotes chegaram sãos e salvos as minhas mãos. 
Espero que tenham curtido minha Caixinha de Correio de Fevereiro. 
Beijinhos entorpecedores... 

Veneza, máscaras e segredos...

| 24 fevereiro 2014 | 4 Comentários |

A cidade dos segredos possui uma trama que deixa o leitor curioso até seu desfecho. Fala sobre uma garota chamada Laura, que foi enviada pelo pai para um convento, afastando-a de sua querida irmã, e quando ela pensa que vai passar sua eternidade presa naquelas paredes, algo inesperado acontece. Seu pai a manda buscar. Sem imaginar o motivo, Laura parte ansiosa para rever sua irmã. O que ela não esperava é que iria encontrá-la dentro de um caixão... Beatrice estava noiva de um homem velho, rico e asqueroso. A fim de salvar os negócios da família, seu pai havia prometido a filha para esse homem chamado Vincenzo. Mas com a morte de Beatrice, em circunstâncias misteriosas, só restou ao homem prometer a outra filha a Vincenzo, nem que para isso precisasse tira-la do convento. 

E importante dizer que no inicio do livro acontece um acidente, em que em meio aos gritos de uma mulher, um corpo é encontrado boiando no rio. Esse acontecimento tem uma ligação direta com a história... Nesse ínterim, Laura conhece seu futuro marido, numa festa em que comemora seu retorno a sociedade de Veneza. Desolada por descobrir-se noiva de um homem tão velho e decrépito, Laura vai tomar ar no terraço e se depara com um jovem pintor, por quem logo fica interessada. À principio, com uma conversa sobre arte, só que mais a frente, esse pintor misterioso de nome Giacomo também vai se revelar como parte importante do quebra-cabeça que a autora montou. 

Laura reencontra sua amiga de infância, a melhor amiga de Beatrice e outras pessoas velhas conhecidas. Acaba tendo conhecimento de vários detalhes ocorridos em seu período no convento. Entre eles, de que existe uma sociedade secreta, formada por mulheres que se reúnem às escondidas e ninguém conhece suas identidades. E qual não é a surpresa ao ser procurada por uma dessas mulheres, a fim de que elas lhe prestem um favor, de impedir seu casamento com Vincenzo? Mas pra isso, Laura terá que compartilhar um segredo com a irmandade, e ela compartilha...

Laura sabe de um segredo sobre o duque de Veneza, e não hesita na hora de contar a fim de obter a ajuda daquelas mulheres mascaradas. O grupo se chama Segreta, e Laura só passa a confiar nessas mulheres quando na manhã de seu casamento, descobre que o grupo realmente ‘mexeu os pauzinhos’ para impedir seu casório. Agora, o ambicioso pai quer que a filha encontre um bom partido para não ser arruinado. 
Entre vários acontecimentos, e mortes inclusive, Laura se apega a algumas pessoas, e passa a desconfiar de outras. Se ela falar com alguém sobre a Segreta, ela morre. Cada vez mais seduzida pelo pintor Giacomo, ela descobre que ele também mentiu pra ela. E sente que não pode confiar em ninguém. 

A trama é muito bem tecida, e em momento algum eu percebi o desfecho ante meus olhos. Os personagens são bem construídos, os cenários são bem detalhados e a narrativa é maravilhosa. Sem contar que o livro possui capítulos curtos, que a meu ver, dão mais tensão à história. 
Laura conhece o lado hipócrita da sociedade, de pessoas com dinheiro e poder, mas desprovidas de sinceridade, presas numa convivência insossa e artificial, onde todos usam máscaras para disfarçar seus podres segredos...
Nesse ambiente, ela precisa encontrar a verdade sobre a morte de Beatrice, que não foi acidental. Mas parece que a cada segredo revelado sobre sua morte, o perigo se aproxima e ela teme por sua própria vida.

Se tratando do cuidado estético do livro, a Editora Novo Conceito caprichou na obra. A capa é linda, não percebi erros de edição, e apesar da diagramação simples, o livro é lindo de se ter na estante. Outro fator que não posso deixar de citar é que o livro é o primeiro de uma série. Espero ansiosa pela continuação, pois o final deixa um gancho no mínimo curioso para um segundo livro.
De autoria de Sasha Gould, A cidade dos segredos é mais um lançamento de Janeiro da Ed. Novo Conceito. Leitura deliciosa, de prender o fôlego e que não deixa o leitor soltar o livro por um minuto sequer... 

Bem recomendado...

...livros, meu bem-querer...

| 23 fevereiro 2014 | 5 Comentários |
Comecei desde cedo a apreciar o hábito de leitura... Meus pais são os responsáveis por isso porque, mesmo sem uma carga literária na bagagem, eles encheram minha mochila com sonhos escritos em pedaços de papel... Aos 8 anos, ganhei um exemplar de Machado de Assis [Quincas Borba] do meu pai, antes mesmo dos 8 lia histórias em quadrinhos... Turma da Mônica e Disney... minha mãe conta que chegava na porta do meu quarto, e lá estavam 4 ou 5 pessoas conversando... [eu imitando as vozes dos personagens dos gibis], e na verdade era apenas eu e meus quadrinhos... À partir daí, devorava as revistas de Van Damme do meu pai, os livros de culinária e Admissão ao ginásio da minha mãe [ela aprendeu a ler em casa, nunca frequentou escola], e os livros didáticos do meu colégio... Me refugiava na Biblioteca a fim de escapar do hoje em dia chamado Bullying... E encontrava nos livros infanto-juvenis a minha companhia de recreio...

Não que não brincasse nos intervalos, mas preferia a Biblioteca... Em casa, li Goiabinha e Gisela, Monitor - a nave secreta e outros livros infantis... Conheci na escola os Irmãos Grimm, Monteiro Lobato, a coleção Vagalume, Ganymedes José, "A marca de uma lágrima" entre outras coisas da literatura infanto-juvenil... Cheguei a trabalhar como voluntária numa biblioteca próxima a meu bairro e lá conheci outras obras, outros autores e os gibis do Fantasma...lia os "Recruta Zero" da minha irmã e Homem-aranha, X-men e afins...

Revistas de anime, rock n' roll e National Geographic. Por incrível que pareça, li até Reader's Digest. Na adolescência, já li Gloss e até Capricho. E não me envergonho disso... Nessa época, conheci o maravilhoso mundo dos mangás, comecei a colecionar alguns e logo depois veio o RPG. Passava horas e horas jogando, montando fichas, criando personagens e até sonhava com as campanhas em que jogava... Comprei alguns títulos sobre o 'Role Playing Game'. Esporadicamente, pegava emprestados alguns livros de literatura brasileira e best-sellers antigos com um amigo meu, e não perdia a chance de ler contos no PC. Sabe aquelas revistas de vídeo game? Então... li também... E veio a faculdade. Mesmo fazendo o curso de História, escolhia cadeiras eletivas com carga literária pesada, a fim de conhecer mais clássicos, autores que até então só conhecia de 'ouvir falar'...

Kafka, Verne, Voltaire, Tolstói, Cervantes e Alighieri. Shakespeare, Wilde, Borges e Austen. Sem contar os acadêmicos. De um título de cada autor, passava aos demais, então encontrava os similares, que escreviam de forma parecida, os conterrâneos de tais grandiosos nomes, e por aí a lista foi crescendo... Entrei em contato com a tragédia grega, Gide, Kundera, entre outros, mesclados a mais literatura clássica brasileira. Conheci o erotismo de Anais Nïn, fui da Epopéia de Gilgamesh à Revolução dos bichos, de Orwell. Flertei com a literatura juvenil novamente, li o tão famoso [e adorável] O pequeno Príncipe, me deliciei com a escrita sofrida/dolorida de Caio Abreu... Me emocionei ao ler a história de Patti Smith e Robert Mapplethorpe [tendo conhecido Patti numa leitura anterior...]. De Agatha à Arte da Guerra, revivi a leitura daqueles romances de banca, não parava com os acadêmicos/teóricos e também os mitológicos... Quadrinhos de todos os tipos, de Sandman a Daytripper. Asterix a 300, e até uma hq sobre Agostinho de Hipona... Milo Manara, Conan, Tex e Cavaleiros do Zodíaco. Maus, Joe Sacco e a biografia de Kiki.

Li alguns absurdos em que nunca mais repousarei minha visão, e outros que de tão enfadonhos, passaram semanas para que eu chegasse aos seus finais... Mais Egito, li Karl Marx, e as pilhas de livros subindo e subindo... Nem auto-ajuda escapou aos meus olhos... Fábulas, a distopia do Admirável mundo novo, a leveza e rebeldia de On the Road, os gatos de Burroughs, o tédio de Fausto e meu 'primeiro Clarice'... a beleza na feiura do Corcunda e até o clichê Filtro solar de Pedro Bial. Me encantei com a poesia de Manoel de Barros e não achei graça nos escritos de Elizabeth Bishop. A segunda dose de Goethe e aí sim, eu gostei. Mais estórias infantis e a descoberta do maravilhoso Moacyr. A literatura suja de Gutiérrez e a trilogia de 5 de Douglas Adams... romances e faroestes, Baudelaire, Tubarão e Teorema de Mabel. Arquivo X, Amaríssimo e os grossos volumes de literatura contemporânea, os YA da atualidade. Precisava me inteirar dessa nova era de leitura. E gostei. O lirismo de Trevisan e o desconforto de ler Eliane Brum [belo soco no estômago, recomendo...]. Mais Verne, mais Manoel, outra vez Burroughs, Bukowski e Kerouac. Até García Márquez e Irvine Welsh entraram nessa 'lista'. E ultimamente ando seduzida pelas Brumas de Avalon...

Pois então...
descrevi minha 'estante' [que ainda não possuo de forma física], descrevi minhas impressões, meus devaneios loucos e inspirações que me fizeram escrever para nunca esquecer de mim... tantas lágrimas derramadas nos fins de página, tantos suspiros luxuriosos e exclamações de surpresa e indignação... Tantas viagens sem tirar os pés do chão... e me sentindo voar mesmo assim...
Há pessoas que perguntam porque eu não gosto de me divertir como todas as outras. E eu sempre respondo que nos livros, encontro a diversão. Os amores e dores, reflexões e dissabores... Paz...
Agradeço a meus pais por tudo isso.

Obrigada, dona Odete e Sr. Reginaldo... 



O erotismo entorpecente de Anaïs Nïn

| 21 fevereiro 2014 | 6 Comentários |

Hoje, 21 de Fevereiro, seria o aniversário da escritora francesa Anaïs Nïn. Nada melhor que comemorar essa data falando sobre minhas impressões sobre a obra Delta de Vênus, meu primeiro contato com a autora. Eu já tinha falado a respeito de Anaïs aqui no blog, quem quiser saber mais dela pode conferir o post

Delta de Vênus - Histórias eróticas é um livro de contos recheados de luxúria, descrições estonteantes e puro despudor. Considerada a percursora da escrita literária erótica entre as mulheres, Anaïs escrevia histórias sobre sexo sob o ponto de vista da mulher, num desafio aberto à sua época, em que apenas os homens escreviam sobre um tema tão tabu para o universo feminino. Anaïs começou a escrever contos eróticos para um colecionador de textos eróticos. A princípio eram encomendas feitas a Henry Miller [seu amigo e amante], mas quem acabou escrevendo foi Nïn. O colecionador era exigente, não queria histórias cheias de filosofia e análises, ele queria descrições sobre sexo, nada mais que sexo... 

Edição da L&PM Editores
Henry Miller sugeriu que Anaïs escrevesse no lugar dele, e ela acabou aceitando, escrevendo histórias que havia escutado de outras pessoas, colocando as aventuras sexuais das pessoas no papel. Algumas situações ela inventava, estudou o kama sutra a fim de melhorar seus contos e o colecionador apreciou o que ela escreveu. Ele deixava claro que não queria poesia nos textos. A cada contato por telefone, ele falava isso. Então Anaïs satisfez a vontade de seu 'cliente'. 
Delta de Vênus traz 15 contos lindíssimos. Entre eles estão A fugitiva, Artistas e modelos, Elena, Pierre e Marcel [meus preferidos].

"Minha umidade surge facilmente, os dedos dele são muito quente e hábeis. Às vezes estou tão excitada que sinto o orgasmo ao simples toque do dedo dele. Ele se excita ao me ver latejando e palpitando." 

Em Pierre, por exemplo, o rapaz que dá nome ao conto vaga pelo porto e encontra o cadáver de uma mulher. O corpo o excita e ele faz sexo com ela. Pode parecer bizarro, mas Anaïs consegue fazer o leitor sentir desejo descrevendo uma cena de necrofilia. rs Orgias, devassidão, modelos se despindo para seus artistas, triângulos amorosos, mulheres descobrindo o prazer no corpo de outras, personagens se tocando e se descobrindo em várias posições e práticas sexuais, em ambientes carregados de vermelho e elegância se fazem presentes na obra de Nïn. Ler seus contos é uma experiência de puro delírio e torpor... 


Para quem nunca leu Anaïs Nïn, recomendo que não perca mais tempo. Aos que chamam '50 tons' e derivados de literatura erótica, por favor... Vocês precisam urgentemente saber o que é erotismo bem escrito de verdade... hehe...

Então é isso, não posso me prolongar revelando detalhes dos contos a fim de não perder a graça... Leiam e tirem suas conclusões, deixem os pensamentos e arrepios de seus corpos falarem por si... 

Beijos entorpecedores... ^.~

Resenha do Mês - Janeiro [A maçã envenenada]

| 19 fevereiro 2014 | 5 Comentários |



Imaginem um livro que fala sobre a banda Nirvana, uma escolha que pode mudar sua vida e uma personagem com meu nome [Valéria]. Esses são alguns dos elementos que me levaram a ter esse livro em mãos. Presente de aniversário de um querido amigo, A maçã envenenada, do gaúcho Michel Laub e publicado pela Ed. Companhia das Letras, traz uma história curta, bem narrada e cheia de lirismo e melancolia. É o segundo livro de uma trilogia, em que o autor se utiliza de histórias individuais que ocorreram ao mesmo tempo que algumas catástrofes históricas. Não posso esquecer de comentar, pois não deixa de ser importante, o relato de uma garota chamada Immaculée, que consegue escapar do genocídio ocorrido em Ruanda, em meados dos anos 90. 
Laub mesca em seu livro perspectivas diferentes de uma mesma época. Simultaneamente, as histórias do jovem trabalhando num quartel, que precisa decidir se abandonar seu posto para ver o show de Kurt Cobain e sua banda com a namorada Valéria vai valer a pena. O suicídio de seu ídolo, o suicídio de sua amada, e em uma distante aldeia africana, uma jovem que luta para não morrer... 
O foco do livro é a década de 1990. Laub explora o fator 'paixão' de várias formas: através do amor por uma banda, por uma ideologia, por uma pessoa, uma época, e pela vida, embora a morte permeie os envolvidos, embora as escolhas de cada um deles resulte no fim, numa chama que arde com intensidade até queimar completamente...
Um ponto que achei bem interessante foi o fato de ter me identificado em algumas coisas com a personagem Valéria. O pessimismo dela, algumas características físicas e gostos pessoais, coisas do tipo. Mas eu não uso drogas, ok, pessoal. rsrs 

"No apartamento de Valéria havia uma estante com fitas cassete, nomes de bandas desenhados em esferográfica, variações de caracteres quadrados e fontes com sombra e símbolos góticos e pontas imitando raios. Também havia um gato e um pôster de Kurt Cobain. A sala era um sofá puído e uma geladeira reformada que servia para guardar livros. Tenho gosto de velha para decoração, ela falou. Você gosta de coisa velha? Já trepou com uma pessoa mais velha? Eu tenho a sua idade, mas décadas a mais que você."

A narrativa é excelente, em primeira pessoa, é uma leitura que flui rápido e ao mesmo tempo faz você pausar, digerir o que leu e só assim dar continuidade. A parte física do livro também é muito bonita e chamativa. Adorei a capa da edição... Os pensamentos do personagem, seus devaneios e relatos sobre sua relação com Valéria, bem como suas experiências no quartel são profundas, carregadas de morbidez e de um misto de adrenalina com pitadas de aventura. Em paralelo, a situação de Immaculée, quando ela relata os meses em que viveu dentro de um banheiro apertado com outras mulheres, se escondendo depois de ter sua família massacrada forma um oposto violento de acontecimentos abordados no livro... Sua história é um retrato cruel do massacre de seu povo. A guerra em Ruanda começou um dia após o suicídio de Kurt Cobain, mas a mídia estava com os holofotes expostos sobre a vida [e morte] do cantor, deixando Ruanda em segundo plano...

Leitura altamente recomendada para aqueles que buscam um tipo diferente de leitura, que deixa um toque de nostalgia aos que viveram nessa época. Eu passei minha infância nos anos 90, e ter lido algumas situações no livro me remetiam a um passado de 15 anos atrás... A obra simboliza uma era, uma época de perdas, renovações, esperança e medo de um futuro desconhecido...




Michel Laub é natural de Porto Alegre - RS, nascido em 1973.  Além de escritor, é jornalista e tem uma coluna no jornal A folha de S.Paulo. Tem 5 romances publicados, entre eles os livros que compõem essa trilogia. Para conhecer melhor a obra do autor, visite o seu site.

O mundo pelos olhos de um lindo e charmoso gatinho...

| 18 fevereiro 2014 | 5 Comentários |


Bom, quem me conhece sabe do meu amor por gatos e quando esse livro veio parar em minhas mãos, não imaginava que estava me deparando com uma leitura tão despretensiosa quanto interessante, em doses balanceadas desses dois elementos... O mundo pelos olhos de Bob - As novas aventuras de James e seu gato, publicado pela Ed. Novo Conceito é sobre a história de um homem e seu gato tentando ganhar a vida honestamente nas ruas frias de Londres. James Bowen era um viciado em heroína, e nesse livro ele fala como sua vida mudou depois que Bob passou a viver com ele. Ele não se aprofunda em explicar como Bob foi encontrado, pois ele fala sobre isso [provavelmente, porque ainda não li] em seu primeiro livro Um gato de rua chamado Bob. Mas pelos acontecimentos narrados, você leva a crer que o primeiro livro foca exatamente nisso...

O mundo pelos olhos de Bob é uma leitura leve, fácil e deliciosa. Li em apenas um dia suas 220 páginas repletas de patas de gatinho ilustrando suas folhas. James agora é um vendedor ambulante de revistas, e todos os dias ele enfrenta as ruas com Bob em seu ombro, ou deitado em sua mochila. E isso atrai a atenção dos transeuntes. Bob é um gato muito esperto, e sua relação com o dono é quase telepática - ele sempre sabe quando está pra acontecer alguma coisa, e com os sinais típicos dos felinos, James acaba prevendo algumas situações... Tendo que vender pilhas de revistas para sobreviver e sustentar seu gato, James encontra muitos amigos, mas também pessoas invejosas, que ao tomarem conhecimento da popularidade da dupla, acabam denunciando o vendedor por maus-tratos, agressões, a fim de prejudicar seus dias de trabalho. Mas logo que os mau-entendidos são esclarecidos, James e Bob retornam a seus pontos... 

Não tenho muito o que falar sobre a história, sem o risco de soltar algum detalhe importante, mas o que posso afirmar é que no decorrer da leitura, passamos a sentir mais amor pelos bichanos, além de descobrir o quão misterioso e esperto um gatinho pode ser. Bob foi a esperança batendo à porta de James, quando ele se encontrava sozinho e no fundo do poço. Graças a Bob, ele reage a cada dia contra seu vício, contra o desânimo de seguir em frente, sem muitas perspectivas futuras. A lealdade do animal é tanta que James passa a se cuidar melhor [com questão a sua saúde] em prol do bichano. James se sente como um pai para Bob...O charme do gato é tanto que no metrô, nos ônibus e parques que ele frequenta com seu dono, as pessoas param por um momento de suas vidas para fotografar ou filmar as peripécias inocentes de Bob. 

"Os londrinos são notórios por não se envolverem com seus companheiros de viagem, mas até mesmo o coração mais gelado se derrete um pouco quando vê Bob sentado ali, captando a atmosfera, todo interessado. Eles sacam seus celulares com câmera, depois saem sorrindo para trabalhar. Viver em Londres pode ser uma existência muito impessoal e desanimadora. Assim, a ideia de que estamos de alguma forma iluminando os dias das pessoas me faz sorrir."

Um relato emocionante, que cativa e nos faz sorrir feito bobos a cada página lida... Leitura super recomendável, para todas as idades... 
Até a próxima, pessoal. 
Beijinhos entorpecedores... ^.~  

"Olhos de desencanto, perdidos..." Cem anos de solidão, de Gabriel García Márquez

| 17 fevereiro 2014 | 7 Comentários |
Uma leitura recente que fiz foi do livro Cem anos de solidão, de Gabriel García Márquez. Meu contato com 'Gabo' foi apenas por meio de trechos soltos de suas obras, que me despertaram o interesse de conhecer sua escrita. Daí resolvi começar, por indicação de um amigo, pela obra mais conhecida dele, que inclusive ganhou o Prêmio Nobel da Literatura, em 1982... 
A experiência de início foi boa, a história corre em torno de uma família e suas várias gerações, desde que montaram um povoado chamado Macondo, até as guerras/revoluções em que algumas pessoas da família  Buendía foram fuziladas por terem se envolvido nos conflitos sociais narrados no livro. 

O que achei estranho no livro foi a repetição dos nomes, os filhos vão tendo o mesmo nome do pai, que já era o nome do avô e por aí vai, e com as mulheres acontece o mesmo... A pessoa que resiste mais a passagem dos anos é Úrsula, que viveu entre 115 e 122 anos, aproximadamente. E ela distinguia traços de personalidade dos 'seus' a partir do nome dado a eles. Os José Arcádio eram sempre impulsivos, e os Aurelianos eram mais introspectivos. No decorrer da história a família que vai sendo descrita de geração em geração precisa descobrir um segredo, que consta nos escritos de um cigano chamado Melquíades, que era amigo do fundador da família, marido de Úrsula [o primeiro José Arcádio]. Nesses pergaminhos secretos está descrita toda a história dos Buendía e só serão decifrados quando o último da linhagem estiver prestes a falecer... 

A verdade é que a leitura é boa, porém um pouco cansativa, creio que devido a repetição dos nomes, o que me gerava algumas páginas relidas, a fim de tentar entender o que estava sendo narrado, e não me perder na leitura. Mas a curiosidade me levava a continuar lendo, pois não achei que valesse a pena abandonar o livro que, mesmo confuso em alguns momentos, me deixava curiosa sobre seu desfecho. O problema é que, ao terminá-lo, fiquei na dúvida se eu tinha realmente entendido o que o autor quis passar com sua obra. 

Um fator que achei interessante foram as descrições dos sentimentos e personalidades dos personagens. Cada um tem características bem parecidas mas agem de formas bem distintas, apesar de serem da mesma familia. Gabo consegue mesclar na história os amores,  os de casamento ou os de amantes, e notei também certa melancolia no modo de viver de cada Buendía. Há até uma particularidade presente em seus personagens com sangue dos Buendía: olhos de desencanto, perdidos...

A escrita de Gabriel García me lembrou um pouco a obra de Graciliano Ramos, em São Bernardo e Vidas secas. São histórias diferentes, mas a forma como foram escritas me soou familiar, bem como alguns trechos do 'enredo'... não sei bem explicar o porquê, mas me remete a lembrança dos livros de Graciliano. 

Uma coisa posso dizer sobre Cem anos de solidão: acompanhar as gerações da familia Buendía me deixaram triste, melancólica, pelo desfecho de alguns, pela desilusão de outros, como se a 'solidão' dos personagens tivesse sido transmitida a mim. Gabo escreveu de maneira bonita, apesar de ter me confundido... 
Em suma, não é um livro ruim, mas acho que o momento não foi apropriado para sua leitura... quem sabe um dia eu retorne às suas páginas, à Macondo...







P.s: Fiz um sorteio relâmpago de um Kit de Marcadores no sábado, e ontem divulguei o resultado pela própria FanPage. A ganhadora já se pronunciou e em breve farei um post aqui sobre os ganhadores de promoção e TC. Fiquem ligados que logo logo farei outro sorteio por lá.



Tinha tudo pra ser bom, mas... Viagem ao centro da Terra, de Júlio Verne

| 14 fevereiro 2014 | 10 Comentários |
Olá, pessoas. Vamos a mais uma postagem no blog, e dessa vez venho falar de uma obra a qual nutri uma expectativa demasiada e resultou em frustração...

Costumo resenhar os livros que me encantam, mas vezemquando é necessário falar sobre os '[in]frutíferos': nesse caso, Viagem ao centro da terra, de Julio Verne. Meu primeiro contato com o autor foi com o livro Vinte mil léguas submarinas. Não sou muito adepta de literatura fantástica, não por não gostar, é mais por falta de hábito em comprar livros nessa temática. Confesso que comecei a ler receosa de não gostar e li Vinte mil léguas em pouquissimo tempo, devido a sua narrativa deliciosa, descritiva [amo] e fluída... Partindo daí, resolvi ler A volta ao mundo em 80 dias, e mais uma vez me encantei com a escrita de Verne, achei até melhor que o primeiro livro. Então, quando vi a chance de comprar Viagem ao centro da terra por 4,00 reais num sebo, não pensei duas vezes e trouxe o livro pra casa. Posso dizer que amei a leitura, me empolguei ao ponto de ler mais de 100 páginas em menos de duas horas. Só que o final do livro me deixou com a impressão que eu tinha tomado um banho de água gelada quando eu esperava uma noite de sexo quente. [ok, peguei pesado na metáfora mas foi isso mesmo...]. 

A impressão que tive foi de que Verne se empolgou escrevendo mas tinha um número de páginas X pra contar a história e quando essas folhas estavam acabando, ele percebeu que teria que encerrar ali, no 'meio do caminho', mesmo que ainda pudesse render mais umas 200 páginas pra ter um desfecho digno do restante do livro. Ele conseguiu quebrar a própria narrativa de forma broxante, e me deixou beeeem decepcionada. Viagem ao centro da terra tinha tudo pra ser um livro incrível, mas o final me decepcionou deveras. Esperava bem mais, em virtude do que já tinha lido do autor. Embora isso tenha acontecido, não vou desistir dele, claro. Vou procurar o próximo Verne para minha 'estante' e não faço idéia de qual título, mas o primeiro que eu encontrar, comprarei pra ler...
Ainda classifiquei Viagem ao centro da terra com 3 estrelas, pois o inicio da história foi ótimo, e vale a pena ressaltar isso. Mas recomendo que não esperem muito da leitura ou vocês correm o risco de se frustrar... Minha edição é da Ed. Martin Claret.

A história fala basicamente sobre um geólogo alemão, que após encontrar uns manuscritos em seus numerosos estudos e decifrar o que está contido neles, resolve partir com seu sobrinho Axel numa aventura secreta, que ninguém daria crédito se soubesse de antemão do que se tratava, pois julgariam como loucura uma empreitada dessas. Partindo para a Islândia, ambos adentram as profundezas de uma montanha em busca do ponto central do planeta, em uma viagem repleta de privações, aventuras e situações impossíveis, descobrindo coisas fantásticas a cada quilômetro terra adentro... A escrita de Verne é digna de nota, pois as descrições dos ambientes narrados não são de forma alguma cansativos. O leitor consegue visualizar as cenas como se estivesse dentro da história. Mas o desfecho dos acontecimentos ficou muito aquém do que eu esperava... 

Bom, não vou dizer algo como 'não leiam esse livro' pois cada um tem suas preferências e podem até se agradar da forma como ele termina o livro, mas já saibam de antemão, que não se deve esperar algo grandioso da obra... Ao menos pra mim, foi uma impressão literária bem simplista, que não me fascinou, mas me deixou com a sensação de 'tempo desperdiçado'... 




Blogs Parceiros + Resultado do Top Comentarista

| 13 fevereiro 2014 | 10 Comentários |
Olá, pessoas queridas. E vamos a mais um post neste mês de Fevereiro. Repararam que mal apareci por aqui? Pois é, minhas férias acabaram e eu precisei voltar ao trabalho... De qualquer forma, não me ausentei por tanto tempo assim, né? Bom, vamos ao que interessa...
Esse ano de 2014 eu já comecei com o pé direito em matéria de Parceria com Blogs e venho por meio deste post anunciar os novos blogs parceiros.

Conversas de Alcova - o blog da queridona Kris Monneska.
InEstante Virtual -  do meu caro Wesley Vasconcelos
Crônicas de um Delirante - do fofíssimo Ítalo Costa

Visitem, sigam, comentem. São blogs maravilhosos... 

















E agora, vamos ao tão aguardado resultado do Top Comentarista [confiram as regrinhas aqui]... Fiz 25 postagens ao todo [20 em janeiro e 5 em fevereiro]. As pessoas que validaram sua participação no post foram:

Edlaine 3
Lobo solitário 1
Italo Sousa  25
Keziah Raiol 11
Michelli Prado 15
Tamara 10
Carol Valeriano 12

E o vencedor foi Ítalo Sousa, de Fortaleza - CE. Ele comentou em todos os posts válidos para o TC. Parabéns, meu querido Ítalo. Dentro de 20 dias você vai estar recebendo em casa um livro + marcadores. E para os demais participantes, como fiz da vez anterior, irei sortear pelo random.org um kit de marcadores + mimos. A ordem dos números para sorteio fica pela quantidade de comentários, assim:

Michelli Prado - 1
Carol Valeriano - 2
Keziah Raiol - 3
Tamara - 4
Edlaine - 5
Lobo solitário - 6

E o segundo prêmio vai para...

Michelli Prado

Parabéns, Michelli Prado. Você e Ítalo tem 48 horas para mandar um e-mail para psychokillerstrange@gmail.com com os dados para envio dos prêmios. Continuem participando, comentando, e em breve haverão mais promoções. Aos que não ganharam dessa vez, não desanimem. Continuem tentando... 

Então é isso, pessoal. Muito obrigada a todos que participaram. Quero agradecer a quem sempre visita e comenta por aqui. Um grande beijo a vocês, até o próximo post... ^.~

Torpor Niilista nas Redes Sociais...

| 09 fevereiro 2014 | 12 Comentários |
Olá, pessoas queridas, como estão vocês nesse domingo? Bem, estou passando rapidinho aqui pra divulgar as redes sociais do blog, pra que vocês possam seguir, curtir e interagir... Sintam-se à vontade pra falar comigo em qualquer uma delas, ok? 


Aproveito para dar um aviso importante: caso eu não poste aqui com tanta freqüência, é devido ao meu trabalho. Sou professora de História e esse ano darei mais aulas que no ano passado, mas sempre estarei postando aqui quando puder. Só vou diminuir um pouco o ritmo, nada demais, ok? 

Você ainda não está participando do Top Comentarista? Não perca mais tempo, ainda dá pra comentar nos posts de Janeiro/fevereiro 2014. A disputa está acirrada. Dia 13/02 eu divulgo o[a] vencedor[a]. o/


Agradeço a todos que sempre passam por aqui, e aos que acabaram de chegar, sejam muito bem-vindos... 
Um bom domingo a todos. 
Beijinhos entorpecedores... 

Junky e Centenário do 'Old Bull Lee' de On the Road...

| 05 fevereiro 2014 | 7 Comentários |

Hoje seria o aniversário do escritor beat William S. Burroughs, nascido em St. Louis, nos EUA. Mudou-se para Nova York e conheceu Jack Kerouac e Allen Ginsberg, tendo iniciado sua carreira na literatura na década de 1940. Chegou a ser preso por traficar narcóticos, bem como por utilizar drogas pesadas. Em 1951, matou sua esposa por acidente, com uma arma de fogo. A partir desse fato, Burroughs falou que esse fator fez com que ele engrenasse na carreira de escritor. Além de Junky, outros trabalhos notáveis são Almoço nu, O gato por dentro e Cartas do Yage. Era amigo de artistas famosos, como Andy Warhol e Patti Smith. Faleceu em 1997, na cidade de Lawrence, Kansas. Uma particularidade sua é que era apaixonado por gatos.



Para comemorar seu centenário, nada melhor que resenhar uma obra sua. Junky é o segundo livro que leio dele. Sua publicação original data de 1953, depois de ter vários trechos excluídos, e fala sobre a experiência de Burroughs com as drogas. De usuário passou a traficante de morfina. No decorrer da leitura, o autor explica até como os junkies conseguiam receitas médicas para adquirir morfina. Se um local já não tinha mais como fornecer a droga, eles rumavam para outro.  

A narrativa se dá em primeira pessoa, e por vezes, é como se Burroughs falasse com você. Ele relata de maneira incisiva sua jornada em busca da droga, retrata sua infância e relações com a família, com seu 'ao redor' e de como conheceu o vício. Nascido em 1914, conheceu o junk durante a guerra, em meados de 1944 ou 45. Sua busca incansável por seringas a fim de preparar as doses e vendê-las lhe rendia situações arriscadas, em que por muitas vezes acabava sendo pego pela polícia. Outro ponto interessante no livro é quando ele fala que tentava se desvencilhar do junk e se utilizava de drogas mais leves ou comprimidos a fim de encerrar o vício. Passado algum tempo 'limpo', logo voltava a se picar. 

Os relatos sobre o meio junkie são bem crus e intensos. Sexo, drogas, propinas, a sujeira das ruas e dos médicos que vendiam às escondidas as receitas médicas, os períodos de abstinência em clínicas de reabilitação, todos esses fatores são tão bem detalhados por Burroughs que você se imagina vivenciando tudo isso. A leitura é fluída, agradável, embora tenha temática tão pesada. Ele fala sobre seus fregueses, cada qual com características distintas, sobre os 'caguetes', que fingiam comprar para consumir a droga mas na verdade, o deduravam para  a polícia. Havia a dificuldade de conseguir passar as receitas nas farmácias, que não queriam aviá-las pois sabiam que o suposto cliente era na verdade um viciado ou traficante.

Vários termos até então desconhecidos por mim me foram apresentados: o próprio termo que dá nome ao livro, junky,  fissura, nomes de drogas menos conhecidas e substâncias igualmente viciantes, bem como as 'manhas' para se conseguir a droga nas ruas e as maneiras de se injetar. O livro acaba cumprindo um papel de 'guia', embora de forma involuntária, beirando o aliciamento. [mas não vou me drogar por ter lido, ok? rs]. Mas de algum maneira, temos um paradoxo: Burroughs afirma que a droga não seria uma forma de prazer, e sim um meio de vida. Minha interpretação é de que é algo que não se faz para melhorar de vida, e sim para suportá-la. 

Um dos trechos que mais me chamaram a atenção foi quando ele falou sobre as tentativas de largar a droga. Que por mais que você tente, sempre arranja um motivo de voltar a se picar.

"Quatro dias depois eu estava em Cincinnati, eu estava sem junk e sem força para sair do lugar. Nunca soube de nenhuma cura autoadministrada que funcionasse. Você sempre acha motivo pra um pico extra, o que requer cada vez mais junk. No fim, o junk acaba antes do previsto e você ainda está dependente." 

No final do livro, Burroughs quer partir rumo ao desconhecido, e se abre a novas perspectivas de experimentação. Dá um leve prelúdio do que almeja, o Yage, outra droga que ele ouviu falar e que existe na Amazônia. Mas isso é tema para outro livro [que será minha próxima leitura do 'Old Bull Lee' - leitores de On the Road entenderão...], e quem sabe, para uma próxima resenha...  

Não poderia deixar de falar que essa edição da Ed. Má Companhia é linda. A introdução é de Allen Ginsberg [outro escritor beat] e traz uma seringa bastante sugestiva. Apesar do verde gritante, é uma edição bem bonita pra se ter na estante... 



Desafio de Férias Concluído com sucesso...

| | 6 Comentários |



Eu tinha sido indicada por um blog parceiro [Books and Movies and Things] pra fazer esse Desafio Literário de Férias, e você pode conferir o início aqui.
Como hoje é o último dia do desafio, o blogueiro teria que fazer um post comunicando se conseguiu ou não bater a meta.
Eu consegui! 


O primeiro livro que li foi Junky, de William Burroughs. Logo farei resenha dele aqui. O livro é incrível. Para quem curte Literatura Junkie é uma boa pedida. Burroughs é um dos autores da Geração Beat, e um dos meus preferidos. Em seguida li o suspense Manuscritos do Mar Morto [já resenhado], e achei a leitura bem interessante. Depois, resolvi mesclar a leitura com contos, e escolhi o russo Tchékhov pra ler, aproveitando que comprei A dama do cachorrinho e outros contos num sebo, por apenas 5 pilas... Também resenhei o livro aqui no blog e falei sobre o autor, em seu aniversário.


Logo depois, engatei em mais um título da Ed. Novo Conceito [assim como Manuscritos] chamado A casa do Céu, que foi uma leitura densa, triste e reflexiva. Sem dúvida, um dos melhores que já li da editora até então...Voltando um pouco à temática Junkie, li Trainspotting, pois já tinha visto o filme [sou apaixonada por ele] e como ganhei o livro em janeiro resolvi lê-lo de imediato. Resultado disso foi uma estrelinha linda de favoritos em minha estante do Skoob... Logo também farei resenha dele aqui... E para encerrar o Desafio, escolhi mais um beat, o mais perfeito de todos, Jack Kerouac, com seu livro Os vagabundos iluminados [mais um que ganhei de presente em janeiro], e que em breve haverá um post sobre o autor e sua obra, bem como sobre a literatura beat...
Eu curti ter feito o desafio, acho que foi uma boa meta, com títulos bacanas e alguns que eu já deveria ter lido há um tempo... Quero agradecer a Caio por ter me indicado, e espero concluir os demais desafios a que me propus em 2014. Se quiserem acompanhá-los, os links se encontram na lateral direita do blog...









Beijinhos entorpecedores a vocês e até a próxima... 




O blues Cósmico de Janis Joplin

| 04 fevereiro 2014 | 8 Comentários |
Sob o signo de Capricórnio, a 19 de janeiro de 1943 nascia Janis Lyn, mais conhecida mundialmente uns anos depois como Janis Joplin, a voz branca e rouca do Blues. A coleção Livro-clipping da Ed. Martin Claret traz uma série de livros independentes, que falam sobre algumas figuras marcantes da música, da literatura e da história universal. Repleto de imagens e informações bibliográficas para quem procura saber ainda mais a respeito da figura central de cada livro, possui leitura fácil e cativante. Possuo 2 exemplares em meu acervo, embora tenha lido outros títulos. Um dos meus é o que fala sobre a vida conturbada de Janis Joplin.


Janis teve uma infância e adolescência difíceis, em Port Arthur, no Texas. Devido a sua aparência e maneira de pensar era excluída na escola e no meio social que frequentava. Em casa, a relação com a família não era ruim, mas fora da aparente segurança de seu lar os olhares de esguelha eram demais para a garota Janis, dona de uma personalidade forte e agressiva. Ela buscava aceitação onde vivia, e quando percebeu que seus trejeitos não se encaixavam no molde daquela pequena cidade, sua frustração aumentou, e seus problemas se acentuaram... A selvageria de sua vida era uma forma de afrontar aqueles que a rejeitaram. Mas ela se envolveu com pessoas mais 'barra-pesada', e na companhia delas, se afundava cada vez mais nas drogas... 
Sua carreira começou mesmo no final dos anos 60, quando tocava ao lado de uma banda chamada Big Brother and the Holding Company, mas logo ela se tornaria 'independente'. Sua carreira foi meteórica, e apesar das multidões que iam ao show para ver sua apresentação, Janis na verdade se sentia solitária. Em meio aos shows, ela se sentia bem, gostava de ver as pessoas conectadas com sua voz, mas por trás dos palcos, nos bastidores, os problemas com álcool, depressão e drogas atormentavam a cantora, bem como seus mal sucedidos lances amorosos...


"transava com todos, é claro, ela era tão livre... Justamente, ela era livre demais, ou melhor, sozinha..." 

O livro traz várias referências musicais, mostra sua discografia e possui também uma cronologia de sua vida. Alguns trechos foram separados por mim, tanto de suas entrevistas como de phrases memoráveis, em que é possível sentir toda a dor e angústia que Janis sentia, de se sentir estranha e alheia aos olhos do mundo... Suas influências musicais iam de Odetta a Bessie Smith. 




"Nunca  fui capaz de controlar meus sentimentos, mantê-los lá dentro... Antes... isso estragava minha vida... sempre fui uma vítima de mim mesma. Eu fazia coisas erradas, fugia, ficava maluca. Agora faço esse sentimento trabalhar para mim, através da música, em vez de me destruir." 




No ano de sua morte, veio ao Brasil para conhecer o carnaval. Mal sabia que alguns meses depois, sua vida chegaria ao fim... Com o Blues, Janis se identificava, se encontrava na sonoridade rasgada, melancólica e entristecida. Para ela, "Blues é querer uma coisa que você não tem." Suas roupas e acessórios causavam estranheza para muitas pessoas, mas ela não ligava pra isso. Usava inúmeras pulseiras nos braços, a fim de esconder as marcas de picos. Possuía um visual hippie carregado que dava mais ênfase a sua personalidade arredia. A 'feinha' texana, dona de uma voz poderosa inconfundível, tinha um estilo único. 

"Todo mundo que tiver uma aparência esquisita se dana. Eu pareço bem estranha, mas faço o melhor que posso." 

No livro você pode encontrar várias entrevistas da época, e vai descobrir várias coisas a respeito da cantora branca com voz de negra. O organizador do livro, Atanásio Cosme, é o presidente do fã-clube de Janis Joplin Pearl White of Texas. Em quase 160 páginas, ele juntou um bom material sobre a vida de Janis e sua carreira, e qualquer pessoa que queira conhecer a cantora vai encontrar no livro uma boa fonte de informações. O livro possui algumas imagens de Janis, que vão desde a infância até sua aparição em palcos... Na madrugada de 4 de outubro de 1970, após ter voltado da rua onde havia ido para comprar cigarros, ela exagera na dose e é encontrada morta pela manhã... Um dia antes, ela havia acompanhado no estúdio o áudio instrumental da última música do álbum Pearl, e planejava gravar o vocal na manhã seguinte. Infelizmente, não deu... Aos 27 anos, a pérola do Blues se foi... 



"Morrera de tudo: uma dose regular de heroína puríssima, misturada a muitos anos de alcoolismo, muitos e muitos gramas de barbitúricos e anfetaminas. E algumas substâncias mais sutis como solidão, desespero, um tanto de masoquismo, um tanto de revolta, um tanto de loucura, os blues cósmicos..."




Para quem aprecia uma boa música, uma bela voz, eis uma boa pedida...

Livros que comprei em Janeiro/2014

| | 8 Comentários |


Bom, eis o primeiro post sobre as comprinhas do mês desse ano. Como havia dito neste post, minha meta seria diminuir a quantidade de livros que compro por mês, e juro que foi muito difícil em virtude de tantas opções que me apareceram, mas eu consegui cumprir até agora. Vamos ver se continuarei dessa forma pelos próximos 11 meses... Eu havia estipulado 10 livros no máximo, e cheguei a comprar 7, então não descumpri a regra. Eis os títulos:

  • A dama do cachorrinho, de Anton Tchekhov. Está no Desafio de férias e já falei sobre autor e obra aqui no blog. 
  • Gente Pobre, de Fiódor Dostoiévski. Mais um de literatura russa que na verdade não foi uma compra, e sim uma troca por um livro de Agatha Christie que comprei mês passado e descobri que faltavam páginas nele. Então retornei ao sebo e troquei por este. Ainda não li e não sei quando pretendo fazer a leitura dele.
  • As brumas de Avalon - A senhora da magia, 
  • As brumas de Avalon -A grande rainha, 
  • As brumas de Avalon - O gamo-rei
  • As brumas de Avalon - O prisioneiro da árvore, de Marion Zimmer Bradley. Há muito tempo eu queria ler essa série e consegui comprar no sebo as 4 edições novas, ainda no plástico. E não são versões econômicas, pois vieram com orelhas. Pretendo ir lendo aos poucos, dependendo da história, ir intercalando com outros livros. [ou não!]
  • Alta tensão, de Harlan Coben. Meu segundo livro do autor. Como gostei da primeira experiência que tive com ele, resolvi comprar outro título, o preço estava bem em conta, mas só depois que compro, descubro que se trata de uma série e ele não é o primeiro livro dela... Então, não lerei tão cedo...

O espetacular Homem-aranha de volta ao lar por menos de 10 pilas...


Aí, pra não perder o costume acabei comprando mais coisas no dia 31. Isso mesmo, no último dia. [Eu poderia ter deixado pra comprar no dia seguinte, pois não iam correr da banca de revistas, neh... ¬¬']
Mas não foram livros. Comprei uma revista Rolling Stone [com The Doors, por favor...] e dois quadrinhos: o último volume de Antes de Watchmen - Minutemen [só falta o número 1 pra completar minha coleção, porque perdi na época que lançaram] e um Graphic Novel Marvel [Homem Aranha] com preço promocional de R$9,90 capa dura, encadernado LINDO de morrer. Tô perdoada. u.u Além do mais, os adicionais não passaram da minha cota de 10 livros. [revistas estão fora dessa meta].


Revista, pôster grátis + Graphic novel e HQ Before Watchmen


Bom, e o que vocês andaram comprando?
Comentem a respeito.
Beijinhos entorpecedores... ^.~


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