Quadrinhos - Daytripper

| 31 janeiro 2014 | |



"- Eu não gosto de morte.- Na verdade ninguém gosta. Mas a verdade e, goste ou não... todo mundo morre." 

Fazia um tempo que eu não fazia uma postagem sobre quadrinhos e muitos que visitam o blog e me conhecem sabem da minha paixão por esse tipo de leitura, pois foi através deles que eu aprendi a ler, que criei o hábito da leitura, graças ao incentivo dos meus pais... Geralmente quando penso em fazer um post sobre uma obra específica, fico pensando sobre qual delas falar, em virtude de já ter lido algumas a um bom tempo. Nunca me atrevi a escrever minhas impressões quando estas ainda estão 'frescas'. Hoje é uma exceção. Acabei de ler em pdf a história Daytripper, de Fábio Moon e Gabriel Bá, que possui o selo Vertigo, da Ed. Panini Books e senti, vejam bem, senti a necessidade de metralhar pelos dedos tudo o que achei e me impressionou nessa obra, que até agora me deixou com uma sensação terrível de angústia no peito.
A leitura foi ruim? De modo algum. Nem tudo o que me angustia é ruim. Às vezes, entristecer não é a pior das coisas, e quando se trata de minha pessoa, é quase como se me sentir triste me fizesse bem... Pois então...

Voltando a Daytripper. É sobre a história de um homem chamado Brás, que sonha em escrever um livro mas trabalha num jornal fazendo obituários. O clima de morte permeia todo o quadrinho. E a cada capítulo [são 10 ao todo], acontece algo com Brás, em diferentes épocas de sua vida. Numa das edições, ele tem 41 anos, na outra, deu o primeiro beijo em sua prima, ainda na infância. Em outra, ele tem 76, e a linearidade da história vai se mesclando, a história não segue uma cronologia de forma ascendente [infância, vida adulta e velhice]. Apesar disso, de maneira alguma você se perde na história.


Conhecemos várias pessoas que fazem parte de seu cotidiano, mulher, pais, seu amigo Jorge [fotógrafo], o filho Miguel... A idéia de cada capítulo é de contar um trecho da vida de Brás como se fosse o último de sua vida. A morte permeia todo o capítulo, seja pelas pessoas sobre as quais ele escreve seus obituários, ou por acontecimentos em sua própria vida. Não há finais felizes, em cada capítulo a morte aparece de alguma forma...

Brás é um homem solitário, sonhador, que quer falar sobre a vida mas vive se deparando com a morte. A cada seqüência de capítulo, a história 'recomeça' de algum ponto de onde parou no quadrinho anterior pra dar continuidade à história, 'como se nada houvesse acontecido na anterior'. Sem delongar em minhas conjecturas, a fim de não soltar spoilers e fazer o leitor perder a graça da leitura, o que posso dizer é que os autores conseguem levantar uma reflexão ao leitor por meio do personagem principal: de que devemos viver nossa vida como se fosse o último dia dela; que cada momento, por mais banal que seja, traz em sua 'aparente irrelevância' algo crucial para o desfecho de nossas vidas, e que a partir de certas escolhas que fizermos em determinados pontos de nossa existência, algo será desencadeado de forma decisiva mais a frente...

Questões como livre-arbítrio e predestinação nos são jogadas de forma confusa e enigmática. Será que nossas escolhas determinam nosso destino? Ou será que apesar de tudo o que fizermos para mudar certas situações, tudo tende ao fado? Só lendo vocês poderão descobrir e daí tirar suas próprias conclusões...


Daytripper Ed. 4 - capítulo: 41


Particularmente um dos mais chocantes capítulos foi o número 4, intitulado 41 [os títulos são números correspondentes à idade de Brás naquele momento em que se conta a história]. Seu filho Miguel ia nascer. Mas nesse mesmo dia, a morte lhe bate à porta de maneira terrível... Em um dia, Brás passa por um paradoxo extremo, que deixaria qualquer um desesperado. Me identifiquei com sua confusão. Lendo esse capítulo, meio que me senti na pele de Brás a respeito do que houve com ele no mesmo dia. Uma alegria extrema por causa de um nascimento e uma tristeza infinda por uma morte inesperada...
No meu caso, não foi num único dia, e sim num ano, o último passado. 2013 foi um marco pra mim: o nascimento do meu primeiro sobrinho a quem tanto amo como se fosse meu filho [Miguel, outra coincidência pelo nome do filho de Brás se chamar Miguel] e a morte brutal de meu tio Renato, poucos meses depois... 

2013 foi pra mim um ano que não sei dizer se foi bom ou ruim. Como posso dizer que foi o pior da minha vida se Miguel veio ao mundo? E como posso dizer que foi o melhor se uma das pessoas que eu mais amava foi assassinada? 
Ler esse quadrinho DOEU. 
Ao menos, não terminei como Brás...
AINDA...

"A vida é como um livro, filho. E todo livro tem um final. Não importa o quanto goste dele... você chegará à última página... e ele vai acabar. Nenhum livro está completo sem o final. E quando você chega lá... só quando você lê as últimas palavras... você vê o quão bom esse livro é. Parece real. [...]- Bem, apenas imagine onde gostaria de estar... e leia a estória até o final."

5 Comentários:

Suelene Simplício Says:
01 fevereiro, 2014

Massa, também sou louca por HQ. Achei interessante sua resenha, senti daqui seu drama. E suas recomendações são sempre muito massa, Val. Adoro <3

Italo S Says:
02 fevereiro, 2014

Olá, Valéria hihi
Curto bastante HQ, esse parece ser bem... pesado. De acordo com o momento que a pessoa está, claro.
Como tem no comentário acima: "senti daqui seu drama." Deve ter sido uma leitura bem "pesada" pra ti. Já ocorreu isso comigo, também.
Ainda não li esse quadrinho.

http://incriativos.blogspot.com.br/

Mônica. Says:
02 fevereiro, 2014

Já ouvi falar muito em Fábio Moon e Gabriel Bá, mas admito não ter lido nada ainda D: , seu post ficou muito bom, desperta a curiosidade sobre a obra e alerta também que não é uma leitura de minutos e sim daquelas que ficam na nossa mente por um bom tempo e nos fazem repensar várias coisas! ;*
www.moniitorando.blogspot.com

Ana M. V. - Vício em Livros Says:
03 fevereiro, 2014

Nunca li quadrinhos, mas preciso começar logo ):
Adorei a sua resenha, parece ser um HQ bem tenso, deve ser lido no momento certo.
Beijos,
Ana M.
http://addictiononbooks.blogspot.com.br/

Wesley Vasconcelos Says:
05 fevereiro, 2014

Olá, conheci seu blog pelo Peregrinos da Noite, e finalmente resolvi criar o meu. Gostaria de saber se é possível uma parceria com o seu. Desde já agradeço!
Abraço. http://inestantevirtual.blogspot.com/

Postar um comentário

De Bukowski a Dostoievski. Ana Cristina César a Lilian Farias. Deleite-se com a poesia de Florbela Espanca e o erotismo de Anaïs Nin...
Aforismos, devaneios, quotes dispersos e impressões literárias...um baú de antiguidades e pós-modernismo. O obscuro, complexo, distópico, inverso... O horror, o amor, a loucura e o veneno de uma alma em busca de liberdade...

Seja bem-indo-e-vindo[a]!

╬† Literatura no Mundo ╬†

╬† Autores ╬†

agatha christie Alan Dean Foster Alan Moore Álvares de Azevedo Ana Cristina César Anaïs Nin Anna Akhmatova Anne Rice Anne Sexton Antônio Xerxenesky Arthur Rimbaud Bob Dylan Bram Stoker Cacaso Caio f. Abreu Cecília Meireles Charles Baudelaire charles bukowski Charles Dickens chuck palahniuk Clarice Lispector clive barker Cruz e Sousa dalton trevisan David Seltzer Dik Browne Don Winslow edgar allan poe Eduardo Galeano Emily Brontë Ernest Hemingway Eurípedes F. Scott Fitzgerald Ferreira Gullar Florbela Espanca Franz Kafka Garth Ennis George R. R. Martin Gilberto Freyre Guido Crepax H. G. Wells H. P. Lovecraft Haruki Murakami Henry James Herman Hesse Herman Melville Hilda Hilst honoré de balzac Horacio Quiroga Hunter S. Thompson Ignácio de Loyola Brandão isaac asimov Ivan Turgueniev J. R. R. Tolkien Jack Kerouac Jack London Jay Anson João Ubaldo Ribeiro Joe Sacco Jon Krakauer Jorge Luis Borges José Mauro de Vasconcelos Julio Verne Konstantinos Kaváfis L. Frank Baum Laura Esquivel Leon Tolstói Lord Byron Luciana Hidalgo Luiz Ruffato Lygia Fagundes Telles manoel de barros Marcelo Rubens Paiva Mario Benedetti Mark Twain Marquês de Sade Martha Medeiros Mary Shelley Michel Laub Miguel de Cervantes Milo Manara Moacyr Scliar Neil Gaiman Nelson Rodrigues Nicolai Gógol Oscar Wilde Pablo Neruda Patti Smith Paulo Leminski Pedro Juán Gutierrez Rachel de Queiroz Rainer Maria Rilke Ray Bradbury Robert Bloch Robert Kirkman robert louis stevenson Roberto Beltrão Rubem Alves Sándor Márai Sófocles Stephen King Stieg Larsson Susan E. Hinton Sylvia Plath Torquato Neto Victor Hugo Virginia Woolf William S. Burroughs Ziraldo
Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...
Witches Hat
Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...