Quadrinhos - Kiki de Montparnasse

| 01 abril 2013 | |
Minha edição, comprada na Bienal do Livro em Pernambuco, em 2011.


Talvez você nunca tenha ouvido falar em Alice Ernestine Prin, nascida em 1901, em Châtillon-sur-Seine, mas se eu falar Kiki de Montparnasse talvez a personagem desse quadrinho lhe soe familiar... Escrito e desenhado por José-Louis Bocquet e Catel Muller, Kiki de Montparnasse é uma biografia em quadrinhos de uma das mais famosas personagens femininas do século XX: Alice Prin, conhecida por seu pseudônimo Kiki. Foi companheira/amiga de figuras célebres do período entre guerras, tais como Man Ray, Pablo Picasso, Jean Cocteau, Amadeo Modigliani, entre outros... Viveu na Paris boêmia dos anos 20,  eternizada em quadros, curtas e fotografias... Além de musa daquela geração, Kiki foi uma das primeiras figuras femininas emancipadas do século. 

A biografia em quadrinhos retrata desde seu nascimento, o período em que passou fome, ao auge de sua existência e carreira, além dos escândalos, decadência em drogas e seu final triste e solitário... Foi modelo, cantora, pintora, amante do fotógrafo Man Ray, frequentou os cabarés parisienses do pós-guerra. Sua vida repleta de altos e baixos é ricamente trabalhada na Graphic Novel, publicada em 2010, pela Editora Record. São mais de 400 páginas contando sua história, incluindo uma Cronologia, dados biográficos e minibiografias de alguns artistas com quem conviveu. Confesso que comprei e no mesmo dia eu li. Minha edição custou R$ 32,00 mas custava R$60,00 [uma promoção na Bienal 2011]. Não é muito fácil de se encontrar, e seu preço é bem salgado [média de R$60,00 a R$80,00 em livrarias]. Assim que vi, não deixei passar, e só tinha um exemplar no estande [parecia estar me esperando pra levá-lo pra casa]. O fato é que cheguei muito cansada, à noite, e comecei a ler... só terminei depois das 2 horas da madrugada, depois de ter devorado o quadrinho. A leitura me envolveu de forma voraz. 

O traço é realmente encantador. Simples mas bem feito, a narrativa é bem limpa, e ao mesmo tempo, os balões parecem pesar em alguns trechos, de tão intensos e realistas. Fala sobre suas dificuldades na infância, a difícil relação com sua mãe, o afeto de sua avó, por quem foi criada, o período em que foi posta pra fora de casa por ter ganhado uns tostões posando nua para um artista... Se vendo sozinha no mundo, a única maneira de conseguir o que comer e um teto onde dormir era posando nua. Na época, vários artistas procuravam moças de curvas sinuosas e nenhum pudor, a fim de criarem seus quadros.  Kiki foi uma delas. E não foi apenas 'mais uma delas', ela conseguiu se sobressair às demais graças a sua esperteza, e aos locais que frequentava, juntando-se a pessoas influentes na ala artística da época. 
Sua parceria/romance com Man Ray lhe proporcionou alguns trabalhos experimentais em película [alguns estão no youtube, links no fim do post], e seu retrato mais famoso virou ícone das artes até os dias atuais. Trata-se de O Violino de Ingres, fotografia com montagem, obra que consagrou Kiki e Man Ray. 

O violino de Ingres, 1924 [Man Ray]. Kiki de Montparnasse, 1926 [Man Ray]
Blanche et Noir, 1926. O beijo, 1930  [Man Ray]
Seu apelido Kiki veio através de um pintor polonês chamado Maurice Medjisky, com quem viveu de 1918 até 1922. Ela foi modelo de inúmeros quadros desse pintor. De todos os amigos com quem viveu seus anos boêmios, os únicos que permaneceram até o fim foram André Salmon, Fujita Tsuguharu e 'Treize' [Thérèse Maure], alguns já haviam falecido e outros foram se afastando com o passar do tempo... 


Musa inspiradora, mulher independente, símbolo artístico dos anos 20, pintora, amante e Rainha de Montparnasse. Eis Kiki, um mito do século XX


"Bela, quão sensível, como uma flor de vidro...
Bela, quão formosa, como uma flor de carne...
Bela, quão cruel, como uma flor de fogo...
Bela como quem parte, bela como quem fica, bela como quem te dá uma estrela-do-mar, bela como um sonho, bela como um pesadelo, você não está sonhando.
E se você encontrar nesta terra uma mulher de amor sincero... Quão belo seria, quão belo ela era."


Links de algumas películas [curtas] de Man Ray e Kiki...



Espero que tenham curtido o post... 



2 Comentários:

Eni Miranda Says:
01 abril, 2013

Curti muito! :)
Aliás, bem escrito, Val.
Já tinha ouvido falar da graphic novel, mas juro que eu não sabia do que se tratava (apesar de já ter visto um documentário sobre os anos 20 em que mencionava Kiki), quem sabe eu dê a sorte e também encontre por um valor bem bonito como esse. rsrs

Admiro a beleza das mulheres carnudinhas e despudoradas. rs É mais uma beleza interna que se externiza em sensualidade.

Beijão querida!

Alinne Says:
02 abril, 2013

Oi.
Adorei o post.
Eu já havia ouvido falar de Graphic Novel mas não conhecia esse. Parece ser bem interessante, se um dia eu tiver oportunidade lerei.
Beijos.

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