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"Deixai toda esperança, ó vós que entrais!" Inferno. A divina Comédia [Dante Alighieri]

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Meus dias tem sido tão dolorosos... tento preencher o espaço da frustração com música, mas volta e meia uma delas sempre me lembra você... sabe aqueles trechos que falam de amores sofridos? Pois é... Então, me proponho a ver um filme... mas em alguma cena, sempre haverá um casal se agarrando e eu lembrarei dos nossos abraços ao ar livre, em tardes de sol... Procuro um livro na estante, mas nas entrelinhas vejo teu nome... O que fazer? Se te evito, choro de saudades. Se vou até você, choro por não ser recebida com o entusiasmo que meu coração idiota planejou. Por culpa dele eu me frustro, por causa desse coração bobo eu me machuco. Quem sabe ele se faz de bobo a fim de me pregar uma peça de mal gosto? "Sofra. Eu preciso bater com mais intensidade, adrenalina é tudo o que eu preciso. Se o resto do corpo não aguentar, paciência." Será meu coração tão infame assim? Vejo/leio coisas que me desagradam. O peito dói. Sonho com cenas que jamais acontecerão, tenho pesadelos por te ver fora de meu alcance. Acordo para não prolongar o sonho ruim, durmo para conter meu desespero da falta de você. O sono alivia, adia... Dar banho no cachorro, cozinhar um prato diferente, malhar, trabalhar, nada adianta. Não existe nada que preencha o vazio que você deixou, a lacuna que minha vida tenta desesperadamente encher até as bordas... Então,escrevo. Não pára a dor, não preenche a lacuna, não me faz te esquecer. Mas me enche de resignação, de uma sensação de aceitar o que me foi estabelecido por você, pela vida, por sua falta de amor... Afinal, que mais me resta a fazer? Aceitar, embora não seja o que eu queira... nós nunca temos tudo o que almejamos, não? Conformismo...
Meus heróis morreram de overdose, suicídio ou AIDS... alguns de CÂNCER também...
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Gare Vides...

Estações de trem vazias...
Prefiro livros usados... Pelo cheiro de páginas velhas e amareladas, pelo melhor acabamento e por saber que ele pertenceu a outras pessoas antes de mim... não tem muito encanto ele sair direto da fábrica para minha estante...
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Uma dia 'Blue'...

Olho pela janela a chuva lá fora... o quarto está aquecido, e aquele estranho roncando na cama, enrolado numa confusão de lençóis e fluídos... Não mais desordenados que meus pensamentos... Essa confusão de acordar todo dia e não saber quem você é... nem a que veio... Isso ainda vai me enlouquecer, ou quem sabe, eu já saiba a resposta e tenha medo de encará-la... Ele vira, muda de posição... qual o nome dele mesmo? Não lembro... estava bêbada demais a última noite pra lembrar nessa altura do campeonato detalhe tão ínfimo... nomes não são importantes... nunca são... você descobre nomes e o encanto finda... o anonimato é mais excitante... Vou fazer um café, mas de repente, lembro que a despensa está vazia. Jogo uma roupa qualquer no corpo, pego no guarda-roupa um casaco que ganhei de minha tia, uma das tantas irmãs de minha mãe que moram no interior... tempos atrás ganhei esse casaco, hoje surrado... resquício de um passado longínquo... Fecho a porta levemente atrás de mim... não que me importe com o sono de um desconhecido que trepou comigo a noite passada... mas... é que deu vontade, assim, meio que de repente, de tomar o café da manhã com alguém me olhando do lado oposto da mesa... Não queria voltar da rua e perceber que ele se fora... Desço o alpendre e a chuva vai diminuindo, a manhã vai ganhando ares de dia saudável, dia 'feliz'... mas ainda chove aqui em mim, uma tempestade de pensamentos [confusos]... o sol vai se mostrando aqui fora... o frio me consome aqui dentro..
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