Eu quero apenas o que não posso ter... não mais...

| 06 novembro 2011 | |

Eu te quero, mas eu não posso... mesmo que eu corra pra bem longe, que eu desista de seguir e observar teus passos, que eu delete as photos, ande com o celular desligado... essa vontade NÃO VAI passar... essa dor não pára de doer pra que eu siga em frente... e essa vontade desesperada de ir até você... só vai ser pior pra mim, vai me trazer mais dor... melhor sair a esmo agora, enquanto ainda me resta uma gota de orgulho, que lançar-me a teus pés, como um cão indefeso implorando por teu afago... é, esgotar a dor... deixar-me aos prantos... dizem que funciona, mas pra mim, nem um porre resolveria... que se há de fazer quando livros e filmes já não enganam, quando a solidão e a ausência de sono são minha única companhia? meu refúgio é teu abraço, teu edredon... queria bater a cabeça e esquecer, apenas esquecer... queria pular a parte que a gente chora e se despreza, a parte que a gente se comove com cenas melosas de filmes açucarados, a parte em que não importo mais pra você e isso ME incomoda...

ir direto para a superação, 'já deixei pra trás', 'já passou', 'foi bom enquanto durou'... pena não poder atropelar a ordem das coisas... pena...

pra mim... que sobrei... que quis consertar o vaso quebrado antes que minha mãe chegasse das compras e visse o vaso trincado... como se a imperfeição não estivesse exposta na porcelana... e o caminho que vejo à frente é tão tortuoso, tão amedrontador, igual àqueles pesadelos de criança, com portões de ferro enferrujado, terra cinza e morta, árvores retorcidas com rostos espectrais em seus caules, e o vento sussurrando impiedoso, como um uivo de cão solitário, na noite solitária, iluminada pela bola gigante chamada lua... e a trilha desconhecida se erguendo na colina, de onde você enxerga do topo algo até então desconhecido... igual a esses pesadelos, sabe? acho que todo mundo já teve um assim... medo de encontrar no topo dessa colina uma tristeza infinda... e ainda assim, minha vida se projeta nessa direção... e caminho, a passos descompassados, mãos nos bolsos, tentando esquecer o que me vem à lembrança de você, de nós dois... do que fomos nós...

a verdade é que ainda amo você, ainda amo seus defeitos, embora os criticasse tanto, ainda amo as nossas brigas e as nossas lembranças, como ver você roncar ou babar no meu travesseiro nas minhas noites de fim de semana, dos banhos demorados em que eu esfregava suas costas... e eu preciso me desfazer desse souvenir, que soa até macabro pros que dizem que gosto de sofrer...[e acho que eles tem razão]

juntar os cacos do vaso, pôr no lixo, acordar do pesadelo de árvores assombrosas e VIVER... mesmo sem você, mesmo sem nós dois...

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De Bukowski a Dostoievski. Ana Cristina César a Lilian Farias. Deleite-se com a poesia de Florbela Espanca e o erotismo de Anaïs Nin...
Aforismos, devaneios, quotes dispersos e impressões literárias...um baú de antiguidades e pós-modernismo. O obscuro, complexo, distópico, inverso... O horror, o amor, a loucura e o veneno de uma alma em busca de liberdade...

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