Fim do amor...

| 12 janeiro 2011 | |


É triste a sensação de se ver encarada por quatro paredes. O vazio da noite se junta com o silêncio das horas para torturar quem já está morto por dentro, e respira apenas por conveniência do corpo, pois a vontade de viver já se foi há muito tempo...

É justamente nessas horas que o pensamento visualiza lentamente as fotografias das lembranças, e isso também é parte do castigo. Estar sozinha, sem bebida por perto, com chuva caindo lá fora não são presságios de memórias felizes. Ou melhor dizendo, são memórias felizes, sim. Mas a idéia de não mais revivê-las, apenas na mente, é que as torna insuportáveis.

Ao fundo, aquela antiga canção de Air Supply, que fala em você estar sozinha com a cabeça no telefone, esperando por uma ligação que não vai acontecer, enche o peito de angústia, machuca a alma e faz doer os ossos, enquanto o corpo treme, aos prantos, remoendo tantas sensações diferentes e desconexas.
O que fazer nessas horas? deitar-se embaixo do chuveiro e querer passar a madrugada toda estirada no piso do banheiro não é uma boa idéia se você sofre com o frio. Mas quem se importa se você mesma não se importa? Quando acorda com o corpo molhado, sem noção das horas e os ruídos de tempestade lá fora te assustam, o melhor é voltar pra cama, pro colchão, mesmo encharcada de água e de lágrimas...

A mesma canção, repetidas vezes, não se cansa de fazer você chorar. Seria mais simples desligar o botão azul, mas você não quer que sua dor não tenha trilha sonora, embora de uma música apenas.
As paredes ouvem com demasiada paciência seus soluços altos e frenéticos, mas ninguém está do outro lado da porta, ouvindo você. Ele não veio lhe ver, simplesmente não se importa. Você se importou com ele antes para querer cobrar cuidados agora?

Não... Sirva-se agora de remorso...

Dói, não é? Dói estar despedaçada por despedaçar o coração alheio? Dói lembrar e nunca mais ter. Dói não ter uma segunda chance, de não saber o que ele pensa de você nesse exato momento. Mas, espera: será que ao modo dele, ele também não se contorce na sua imensa cama, sozinho, enlaçando as próprias pernas, ouvindo no telhado o barulho da mesma chuva que embarga o telhado acima de você? E você conjectura, pára de soluçar, aos pouquinhos as lágrimas cessam e você respira um pouco mais aliviada... e de repente, a desesperança dá o ar de sua graça, cortando o barato de seus pensamentos mais positivos, pois ele está dormindo tranquilamente, devidamente alimentado e nem pensa mais em você, e você afunda novamente a cabeça entre as mãos e faz a única coisa que te resta nestes últimos tempos: chorar.

Chore. Esgote toda sua dor. Esgote seus pensamentos, não olhe para as fotos, desligue até seu computador...

Amanhã é outro dia, e você precisa se recompor. Nem que seja pra chorar novamente, e sofrer o que sofreu na noite anterior...
Além de chorar e sofrer, o que te resta agora? um porta-retrato vazio, sobre o criado-mudo, mal-iluminado pela luz do abajur...

Abrace seu corpo, porque os braços dele não te enlaçam mais...
Como ele mesmo disse: "é tarde demais para isso."

Ele não vai mais voltar...

0 Comentários:

Postar um comentário

De Bukowski a Dostoievski. Ana Cristina César a Lilian Farias. Deleite-se com a poesia de Florbela Espanca e o erotismo de Anaïs Nin...
Aforismos, devaneios, quotes dispersos e impressões literárias...um baú de antiguidades e pós-modernismo. O obscuro, complexo, distópico, inverso... O horror, o amor, a loucura e o veneno de uma alma em busca de liberdade...

Seja bem-indo-e-vindo[a]!

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...
Witches Hat
Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...