Um medo só meu...

| 04 novembro 2010 | |

Eu queria dizer que enquanto olhava pela janela a escuridão da noite, descobri o meu maior medo pensando em seus olhos.
Seus olhos, esses dois lagos sombrios e indecifráveis, com profundidade desconhecida, revelaram coisas que eu jamais saberia... Meu maior medo? Direi a você... Tenho medo de ser esquecida. Pânico de ostracismo... Não quero morrer e com o passar do tempo, não perdurar na cabeça das pessoas com quem convivi. Tenho medo que meu nome e minha existência tenham sido meramente insignificantes. Desejo ficar marcada, como um estigma na pele de cada um dos meus. Nunca me disse santa. Não quero memórias de "como ela era uma heroína", "ela ajudou o próximo", nada muito cristão. Não preciso de tanto. Só queria ser lembrada por uma sensação, por um cheiro, por uma poeira no vento... Algo como "ela adorava cheirar livros velhos", "ela gostava de beijar barrigas de gatos", ou algo como "minha transa com ela foi inesquecível." "Sabe a flor preferida dela? um girassol." "Sorria como boba quando via um animal fofinho, quando se lambuzava com sorvete de morando ou abacaxi." "Ela gemia ao comer algo que a deliciasse." "Ela falava pelos cotovelos...".

Quero ser lembrada por pequenas coisas, por pequenos gestos, por ações bobas aos olhos de alguns, mas definitivamente importantes para uns poucos... Não quero ser lembrada por toda uma geração... Quero ser lembrada por corações sinceros... De todos os cantos do universo que criei ao meu redor... universo meu...

E seus olhos profundos, misteriosos, enigmáticos, me fizeram chegar a essa conclusão... Não que você quisesse transparecer isso, de forma determinada, premeditada... A verdade é que nem você mesmo sabia que me revelaria algo tão importante... Você nunca imaginaria que seus próprios olhos me contariam tal segredo... Mas obrigada mesmo assim...
Deixe-me beijar-te os olhos, deixe-me tocá-los, mirá-los a fim de deleitar-me com a sensação prazerosa que esse ato me proporcionaria. Não temas que eu tente decifrar o que se esconde por trás de suas pupilas brilhantes. Afinal, ninguém consegue decifrar olhos tão intensos quanto os seus... Apenas me proporcione este pequeno prazer. Certamente você lembrará de mim futuramente com isso. Um pequeno gesto, uma pequena memória, uma grande recordação... Do que você lembrará de mim lá no fim do caminho? Talvez seja essa a nossa memória mútua.
Não esqueça de mim. Por favor...


Não nos esqueça...

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De Bukowski a Dostoievski. Ana Cristina César a Lilian Farias. Deleite-se com a poesia de Florbela Espanca e o erotismo de Anaïs Nin...
Aforismos, devaneios, quotes dispersos e impressões literárias...um baú de antiguidades e pós-modernismo. O obscuro, complexo, distópico, inverso... O horror, o amor, a loucura e o veneno de uma alma em busca de liberdade...

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