Dentro de mim...

| 29 novembro 2010 | 0 Comentários |

E eu lembro da tua voz, do teu beijo, de tuas roupas, do cheiro dos teus cabelos, do teu toque suave e encantador... E chego à conclusão que tua essência está presente em mim, como uma cicatriz que inflama minha alma desnuda e desprotegida...
Onde estarás neste momento? Meu pensamento vai até você, atravessando milhas e milhas de memória apenas para contestar que ainda vives em mim... Que ainda fazes meu corpo estremecer à simples lembrança de teu existir...
Não morras e eu não morrerei. Viva e eu viverei, embora amargando a lacuna de você...
E seja feliz, à sua maneira, à nossa maneira de enxergar 'felicidade', enquanto ser, enquanto couber dentro de mim...

Um medo só meu...

| 04 novembro 2010 | 0 Comentários |

Eu queria dizer que enquanto olhava pela janela a escuridão da noite, descobri o meu maior medo pensando em seus olhos.
Seus olhos, esses dois lagos sombrios e indecifráveis, com profundidade desconhecida, revelaram coisas que eu jamais saberia... Meu maior medo? Direi a você... Tenho medo de ser esquecida. Pânico de ostracismo... Não quero morrer e com o passar do tempo, não perdurar na cabeça das pessoas com quem convivi. Tenho medo que meu nome e minha existência tenham sido meramente insignificantes. Desejo ficar marcada, como um estigma na pele de cada um dos meus. Nunca me disse santa. Não quero memórias de "como ela era uma heroína", "ela ajudou o próximo", nada muito cristão. Não preciso de tanto. Só queria ser lembrada por uma sensação, por um cheiro, por uma poeira no vento... Algo como "ela adorava cheirar livros velhos", "ela gostava de beijar barrigas de gatos", ou algo como "minha transa com ela foi inesquecível." "Sabe a flor preferida dela? um girassol." "Sorria como boba quando via um animal fofinho, quando se lambuzava com sorvete de morando ou abacaxi." "Ela gemia ao comer algo que a deliciasse." "Ela falava pelos cotovelos...".

Quero ser lembrada por pequenas coisas, por pequenos gestos, por ações bobas aos olhos de alguns, mas definitivamente importantes para uns poucos... Não quero ser lembrada por toda uma geração... Quero ser lembrada por corações sinceros... De todos os cantos do universo que criei ao meu redor... universo meu...

E seus olhos profundos, misteriosos, enigmáticos, me fizeram chegar a essa conclusão... Não que você quisesse transparecer isso, de forma determinada, premeditada... A verdade é que nem você mesmo sabia que me revelaria algo tão importante... Você nunca imaginaria que seus próprios olhos me contariam tal segredo... Mas obrigada mesmo assim...
Deixe-me beijar-te os olhos, deixe-me tocá-los, mirá-los a fim de deleitar-me com a sensação prazerosa que esse ato me proporcionaria. Não temas que eu tente decifrar o que se esconde por trás de suas pupilas brilhantes. Afinal, ninguém consegue decifrar olhos tão intensos quanto os seus... Apenas me proporcione este pequeno prazer. Certamente você lembrará de mim futuramente com isso. Um pequeno gesto, uma pequena memória, uma grande recordação... Do que você lembrará de mim lá no fim do caminho? Talvez seja essa a nossa memória mútua.
Não esqueça de mim. Por favor...


Não nos esqueça...

o silêncio daquelas tardes...

| 02 novembro 2010 | 0 Comentários |


A lembrança do silêncio daquelas tardes ocultas pela semi-escuridão do teu quarto, atmosfera pesada... e apenas um colchão... no ar, apenas o silêncio e uma brisa de vento... vento quente, vivo, quase humano... vento único, instante eterno de torpor, calmaria, plenitude, liberdade...
E respirei...e respirei VIDA...
Então, venha. Venha e respire vida. Aspire meu perfume no ar que te permeia o corpo. Ouça o canto de meus sussurros de embriaguez... Inebrie-se em minhas carnes tenras, afogue-se em meus fluídos, sucumba aos meus encantos... E cante! Dance, grite a plenos pulmões,gire loucamente, como um lunático sem pés no chão.
Voe.
Solte-se.
Seja você, por apenas um instante. Revele-se a você. A mim. Ao nosso mundo, ao nosso pequeno recanto daquelas tardes de primavera...

pensamento sem rédeas...

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Em meu paraíso niilista, solto as rédeas de meu pensamento... e que o fluxo surreal predomine... como notas soltas em acordes desalinhados, como folhas secas pisadas no outono, como pêlos soltando-se de um gato...

acordes dispersos...

Cello...

| 01 novembro 2010 | 0 Comentários |

Quando fechei os olhos, senti a vibração das cordas sob meus dedos e a sensação que me lavava a alma... entreguei-me ao instrumento e senti seu corpo de madeira moldando-se a mim ... Tocá-lo é quase como o sexo, uma união harmoniosa, de cordas, corpos e essências...
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