Rotina de fim de noite...

| 06 outubro 2010 | |
Saio da sala, olho as pessoas saindo apressadas, com medo de perder seus respectivos ônibus. Penso em me 'enturmar' no meio deles, mas logo depois o desânimo bate e me faz apressar o passo. Pelo caminho, conversas demais, risos sem sentido, 'pops' tentando chamar a atenção numa fileira de iguais desocupados. Passo por esse tipo de gente dando graças aos céus não ser estúpida como eles.
Olho para o lado e vejo um casal se agarrando na pracinha. Nossa, ela parece tão quieta na frente dos mais velhos, e por trás, é essa pouca vergonha, não sei nem se o cara é namorado ou só mais um desconhecido que ela encontrou na primeira esquina. Pensando bem, isso nem é da minha conta. ando me incomodando até com os suspiros alheios. Mau de gente ranzinza mesmo.
Ajeito meu mp4 no bolso (ganhei, de certa forma) e volto pra música Creep, do Radiohead. Pronto! Agora, eu que me sinto o verme cantado no refrão. Na verdade, eu fiquei com certa inveja do casal da pracinha, porque não tenho ninguém por perto pra fazer o mesmo comigo. E esses dias não dei uma sequer, tava menstruada. E o namorado sem tempo, eu idem. Vou ter que me virar na mão, se não quiser ver minha calcinha molhada, como na hora que saí da sala tossindo feito tuberculosa e tive que parar minha crise de tosse no banheiro. Lá eu me deparo com gozo na calcinha. Que situação, meu Deus. tsc tsc Preciso parar de tomar tanto açaí, dizem que é afrodisíaco...
Chegando no ônibus, não sinto vontade de entrar. Sento numa calçada, mas não passo muito tempo. Ao redor, sinto fedor de cocô de cachorro. Isso me queima as narinas, que horror.
Procuro uma caneta na bolsa, preciso escrever alguma coisa. Não acho nenhuma, só um grafite com ponta gasta. É, vou ter que ir pro ônibus. Pedir favor a alguém. ODEIO.
É, encontrei alguém com quem me relaciono bem, de certa forma. Ao menos, ele não me cheira a desagradável. NÃO AINDA. Peço a caneta, o ônibus no escuro. Chacoalha a mochila, pra lá e pra cá, procura em outro bolso. Tô quase desistindo quando ele acha uma caneta. Eu, com a desculpa de que esqueci a minha caneta. Mentira! Não sei onde está, provavelmente esqueci no trabalho. Mania de só ter uma caneta na bolsa. Ele, a desculpa é que comprou seis, mas não achava nenhuma no momento.
Enfim, aparece a caneta. Vai me servir. Mesmo sendo azul. ODEIO escrever com caneta azul. Prefiro preto, até pra isso. Preciso ser menos paranóica com cores, com números...
Escrevo para não esquecer de mim... Porra, o ônibus liga, ODEIO escrever em ônibus em movimento. Mas se não fizer agora, o fluxo vai embora. Mal de escritor amador, acho, que nunca tem memória boa o suficiente pras coisas que pretende pôr no papel. E de certa forma, eu PRECISO registrar isso, embora pareça ridículo. E É ridículo. Mas deu vontade, sei lá.
Pow, eu não consigo ouvir as demais músicas do mp4, sempre repito as mesmas, de Radiohead. Tá impossível escrever ainda. A letra tá terrível. Tá, parei.

Ainda tem carga no mp4 pra ouvir Radiohead até chegar em casa. Eu disse que ia parar de escrever porque a letra está péssima? Tá! Parei agora. Parei MESMO.



E ainda por cima manchei minha perna nua com tinta de caneta...

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De Bukowski a Dostoievski. Ana Cristina César a Lilian Farias. Deleite-se com a poesia de Florbela Espanca e o erotismo de Anaïs Nin...
Aforismos, devaneios, quotes dispersos e impressões literárias...um baú de antiguidades e pós-modernismo. O obscuro, complexo, distópico, inverso... O horror, o amor, a loucura e o veneno de uma alma em busca de liberdade...

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