Escritores e Bicicletas...

| 16 agosto 2017 | 0 Comentários |


"Quando eu vejo um adulto em uma bicicleta, eu sinto esperança na raça humana.”
H. G Wells

Eis uma frase que resume bem a ideia dessa postagem: O hábito saudável de andar de bicicleta praticado por grandes escritores. Quem disse que bicicletas não combinam com o amor pelos livros?


Julio Cortázar posando com sua magrela...


Patti Smith, poeta, cantora, compositora e admiradora de passeios de bicicleta...


Ray Bradbury, autor de livros como o clássico distópico Fahrenheit 451...


a poeta Sylvia Plath...


Ernest Hemingway se equilibrando na bike...



Em 1895, Leon Tolstoi já era entusiasta da prática...


Registro de Arthur Conan Doyle em 1892, na companhia de sua esposa...


Famoso pelo livro Um bonde chamado desejo, que ganhou adaptação para o cinema trazendo Marlon Brando em cena, Tenessee Williams, em 1970, andando de bicicleta...


Não poderia faltar o autor da frase que deu início ao post... H. G. Wells, andando com sua esposa e um amigo... 


Marilyn Monroe e seu marido Arthur Miller, escritor...


Henry Miller pedalando em Santa Monica.



Ítalo Calvino, autor italiano.









E você, tem o hábito de pedalar como lazer ou prática de exercícios? Além de fazer bem à saúde, não polui o ambiente e dá pra se divertir com a paisagem... Andar de bicicleta traz uma verdadeira sensação de liberdade... 
O bom mesmo é encher a cesta com sacolas de livros... hehehe...


Beijos e até a próxima...


Estive em Lisboa e lembrei de você, de Luiz Ruffato

| 15 agosto 2017 | 0 Comentários |
Recentemente fiz a leitura de uma obra intitulada Estive em Lisboa e lembrei de você, do escritor Luiz Ruffato, a quem eu já tinha me familiarizado com a escrita depois da leitura de Eles eram muitos cavalos, um livro de contos que - salvo alguns textos - não me prendeu a atenção como eu gostaria... Mas eis que por insistência resolvo revisitar suas letras e me deparo com uma escrita apaixonante, que me fez ter vontade de voltar à primeira obra...


A história inicialmente é ambientada em Minas Gerais e divide-se entre o momento em que o protagonista Serginho deixa de fumar até o momento em que ele volta a fumar. Entre essa recaída, muitas coisas hilárias acontecem com o personagem, fatos corriqueiros mas que de tão inverossímeis parecem ser frutos de uma grande invenção. 

A verdade é que a partir de alguns infortúnios a vida de Serginho vai tomando rumos inacreditáveis e o destino faz com que ele vá morar em Lisboa. Ele tem esperança que as coisas vão mudar para melhor se ele for tentar ganhar a vida em terras europeias mas da teoria para a prática não é muito fácil chegar a esse intento...

Serginho se depara com um casamento após uma vida de boêmia, com a paternidade, insanidade, morte e mudança. Sua aventura rumo ao amor e prosperidade passa por humilhações e dificuldades que - contadas pelo autor - se tornam leves pela ironia que carregam. A prosa de Luiz Ruffato se revela poderosa e conduz o leitor por uma leitura frenética que almeja um desfecho inusitado. Um baque seco definiria o final de Estive em Lisboa e lembrei de você. Daqueles baques que nos deixam em suspenso ao chegar no ponto que encerra a ficção com ares de realidade crua e nua. 


O estranho [e louco, absurdo] mundo de Tim Burton...

| 12 agosto 2017 | 8 Comentários |
Publicado pela Editora Leya e relançado em outra roupagem um tempo depois, O estranho Mundo de Tim Burton é mais um titulo que tive o prazer de ter em mãos... Admiro o trabalho do diretor há muito tempo e conhecer um pouco sobre o processo de construção de sua filmografia foi uma bela e prazerosa experiência...


Escrito por Paul A. Wood, o livro nos traz uma pequena amostra da figura mítica do cinema Tim Burton, de sua estranheza desde a infância até o estrelato em que assina obras como O estranho mundo de Jack, A noiva-cadáver e Os fantasmas se divertem. Ao longo dos anos como diretor, firmou parcerias com nomes importantes como Danny Elfman, vocalista do Oingo Boingo, que compôs a trilha sonora de vários de seus filmes. Johnny Depp é outro nome que figura entre os trabalhos de Burton, dando vida a personagens icônicos que entraram para a história da sétima arte, entre eles Edward Mãos de tesoura, Willy Wonka de A fantástica fábrica de chocolate e Ichabod Crane, em A lenda do Cavaleiro sem cabeça.


"O Edward Mãos de Tesoura pode parecer o oposto do Freddy Krueger para algumas pessoas. Suas mãos são igualmente perigosas, mas ele não tem como ser mais doce e triste."

De maneira cronológica, o leitor é apresentado ao Estranho mundo de Tim Burton e seus cabelos desgrenhados à la Robert Smith do The Cure, a sua genialidade por vezes subestimada e a Fantasia que permeou seus sonhos de criança e que ganharam vida nas telas, seja com efeitos em computação gráfica, stop-motion ou interpretações surreais em cenários mórbidos.


O livro é um excelente compilado de informações sobre os bastidores de seus filmes, válido para fãs de seu trabalho, apaixonados pelo Cinema ou mesmo para aqueles curiosos que sentem fascínio em saber como funcionam os olhares por trás da câmera. Traz imagens e curiosidades notáveis, além de algumas entrevistas realizadas com o diretor ao longo dos anos... Sem sombra de dúvidas, uma obra interessante de se ter na estante...


Da Poesia de Hilst

| 11 agosto 2017 | 6 Comentários |
A poesia de Hilda Hilst foi compilada num volume lançado recentemente pela Editora Companhia das Letras e com prazer me deleitei numa leitura densa e poética de uma das mais significativas escritoras que nossa literatura já teve... 



Da Poesia reúne textos que datam desde a década de 1950 até sua obra escrita pouco tempo antes de sua morte, em 2004. Foi na poesia que Hilst começou sua carreira. Em seus versos ela retratava o amor, a amizade, sexo e morte mescladas à doses de solidão e existencialismo. Há um quê de espiritualidade e busca pelo divino pairando em sua obra. Publicada inicialmente por editoras menores, Hilda almejava ser lida, sua escrita febril e mítica não possuía irreverência. 

Fábulas, prosa, poesia são parte de sua contribuição literária. 

"Me mataria em março
se não fosse a saudade de ti
e a incerteza de descanso."

Somos ainda presenteados com desenhos criados pela própria Hilda no título Da morte. Odes mínimas, de 1980. Da Poesia traz as publicações em ordem cronológica, além de poemas inéditos e seus esboços. Hilda criou palavras, é possível encontrá-las ao longo de seus textos, tais como malassombros e vezenquando.

Lendo Hilda, sentimos o quanto ela necessitava dialogar com o leitor, indo além... Hilda desejava dialogar com a arte em si. "Hilda escreveu com a tinta da melancolia, a pena da galhofa e, sobretudo, um corpo humano. De mulher."  

"Uns ventos te guardaram. Outros guardam-me a mim. 
[E aparentemente separados
Guardamo-nos os dois, enquanto os homens no tempo
 [se devoram."


A ode de Fagner à Florbela

| 10 agosto 2017 | 11 Comentários |
Fagner é um renomado artista brasileiro, aclamado por gerações que apreciam música de qualidade e seus versos apaixonados são cantados por uma legião de apaixonados por suas canções. Seu amor pelas letras se reflete em alguns de seus trabalhos, verdadeiras odes à poesia, e nesse post falo em especial de sua relação com a obra de Florbela Espanca, uma das minhas poetas preferidas...



Em 1981 Fagner lança o álbum Traduzir-se, um de seus discos mais conceituados. O cantor musicou o poema Fanatismo, publicado em 1923, na obra Livro de Sóror Saudade

Fanatismo

Minh'alma, de sonhar-te, anda perdida
Meus olhos andam cegos de te ver!
Não és sequer razão de meu viver,
Pois que tu és já toda a minha vida!

Não vejo nada assim enlouquecida...
Passo no mundo, meu Amor, a ler
No misterioso livro do teu ser
A mesma história tantas vezes lida!

Tudo no mundo é frágil, tudo passa...
Quando me dizem isto, toda a graça
Duma boca divina fala em mim!

E, olhos postos em ti, vivo de rastros:
"Ah! Podem voar mundos, morrer astros,
Que tu és como Deus: princípio e fim!..."



No ano seguinte, ele lança o álbum Sorriso Novo, trazendo mais uma vez a poesia de Florbela musicada em duas faixas: Fumo e Tortura, sendo a primeira encontrada no Livro de Sóror Saudade e a segunda no Livro de Mágoas, publicado em 1919.

Fumo

Longe de ti são ermos os caminhos,
Longe de ti não há luar nem rosas;
Longe de ti há noites silenciosas,
Há dias sem calor, beirais sem ninhos!

Meus olhos são dois velhos pobrezinhos
Perdidos pelas noites invernosas...
Abertos, sonham mãos cariciosas,
Tuas mãos doces plenas de carinhos!

Os dias são Outonos: choram... choram...
Há crisântemos roxos que descoram...
Há murmúrios dolentes de segredos...

Invoco o nosso sonho! Estendo os braços!
E ele é, ó meu amor pelos espaços,
Fumo leve que foge entre os meus dedos...



Tortura

Tirar dentro do peito a Emoção,
A lúcida Verdade, o Sentimento!
– E ser, depois de vir do coração,
Um punhado de cinza esparso ao vento! ...

Sonhar um verso de alto pensamento,
E puro como um ritmo de oração!
– E ser, depois de vir do coração,
O pó, o nada, o sonho dum momento ...

São assim ocos, rudes, os meus versos:
Rimas perdidas, vendavais dispersos,
Com que eu iludo os outros, com que minto!

Quem me dera encontrar o verso puro,
O verso altivo e forte, estranho e duro,
Que dissesse, a chorar, isto que sinto!! 


No ano 2000, em comemoração aos seus 50 anos, o cantor incluiu em suas faixas bônus o Soneto L Charneca em flor, e no álbum Raimundo Fagner ao Vivo, ele ainda musica o poema Chama Quente.


Chama quente

Gosto de ti apaixonadamente
De ti, és a vitória, a salvação
De ti, que me trouxeste pela mão
Até o brilho desta chama quente.

A tua linda voz de água corrente
Ensinou-me a cantar... é essa canção
Foi ritmo nos meus versos de paixão
Foi graça no meu peito de descrente.

Bordão a amparar minha cegueira,
Da noite negra o mágico farol,
Cravos rubros a arder numa fogueira!

E eu, que era no mundo uma vencida,
Ergo a cabeça ao alto, encaro o sol!
Águia real, apontas-me a subida!



Postagens relacionadas:



Florbela Espanca, poeta portuguesa

Os versos de Florbela na voz de Fagner são uma verdadeira ode a beleza. Este post é dedicado aos apaixonados pela música, aos poéticos e aos que deliram de amor...

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...
Witches Hat
Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...