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"Deixai toda esperança, ó vós que entrais!" Inferno. A divina Comédia [Dante Alighieri]

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É assim que te quero, amor - Pablo Neruda

"É assim que te quero, amor,
assim, amor, é que eu gosto de ti,
tal como te vestes
e como arranjas
os cabelos e como
a tua boca sorri,
ágil como a água
da fonte sobre as pedras puras,
é assim que te quero, amada,
Ao pão não peço que me ensine,
mas antes que não me falte
em cada dia que passa.
Da luz nada sei, nem donde
vem nem para onde vai,
apenas quero que a luz alumie,
e também não peço à noite explicações,
espero-a e envolve-me,
e assim tu pão e luz
e sombra és.
Chegastes à minha vida
com o que trazias,
feita
de luz e pão e sombra, eu te esperava,
e é assim que preciso de ti,
assim que te amo,
e os que amanhã quiserem ouvir
o que não lhes direi, que o leiam aqui
e retrocedam hoje porque é cedo
para tais argumentos.
Amanhã dar-lhes-emos apenas
uma folha da árvore do nosso amor, uma folha
que há-de cair sobre a terra
como se a tivessem produzido os nosso lábios,
como um beijo caído
das nossas alturas invencíveis
para mostrar o fogo e a ternura
de um amor verdadeiro."





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Eu Simplesmente Amo-te [Pablo Neruda]

Eu Simplesmente Amo-te

"Eu amo-te sem saber como, ou quando, ou a partir de onde. Eu simplesmente amo-te, sem problemas ou orgulho: eu amo-te desta maneira porque não conheço qualquer outra forma de amar sem ser esta, onde não existe eu ou tu, tão intimamente que a tua mão sobre o meu peito é a minha mão, tão intimamente que quando adormeço os teus olhos fecham-se."

Pablo Neruda, in Cem Sonetos de Amor.


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[Lançamento] Chame como quiser, de Anderson Henrique



A Editora Penalux está lançando mais uma obra incrível, um livro de contos intitulado Chame como Quiser, do autor parceiro aqui do blog, Anderson Henrique. São 13 contos recheados de niilismo e sarcasmo, explorando as vivências humanas...
Apesar de não se prender a um único estilo literário, os elementos do realismo mágico que tanto me agradam na escrita de Anderson se fazem presentes em vários dos contos que constituem a obra...

Quem for do Rio de Janeiro ainda poderá ter a chance de comparecer ao lançamento do livro no endereço descrito na imagem abaixo... Certamente é um evento imperdível, então aproveitem a oportunidade para conhecer a escrita de Anderson Henrique adquirindo seu exemplar... Em breve trarei resenha dele aqui no blog, fiquem ligados nos posts...


Sobre o autor
Anderson Henrique nasceu no Rio de Janeiro e é formado em Letras. Possui textos publicados em coletâneas e premiados em concursos literários. Seu livro de estreia, Anelisa sangrava flores, foi publicado em 2014 pela editora Penalux.


Ficha técnica

Título: Chame como quiser
Autor: Anderson Henrique
Publicação: 2017
Tamanho: 14x21
Páginas: 144 p
Preço: R$ 37


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Traz teu amor para mim e outros contos...

Em Traz teu amor pra mim e outros contos, publicado pela Livros da Raposa Vermelha temos o prazer de ler três contos de Charles Bukowski, ilustrados pelo talentoso Robert Crumb. São 3 histórias que retratam o dia a dia de personagens fracassados, viciados em álcool, presos em empregos medíocres e relações fracassadas. 

Os contos são ambientados no período da Grande Depressão americana, quando a queda da bolsa de Nova York em 1929 levou à falência inúmeros empresários, causando a demissão em massa de milhares de empregados. Com as ruas tomadas de filas em busca de um prato de sopa com pão, os valores econômicos reduzidos a insignificância e pessoas anteriormente ricas se suicidando em meio à bancarrota, Bukowski nos apresenta personagens marginalizados, que já não possuíam boas expectativas antes, e com um cenário desolador desses, pouco se mexem para mudar suas vidas...

O primeiro conto é sobre um homem que vai visitar sua mulher numa clínica, provavelmente louca ou em tratamento psiquiátrico, paranoica por achar que o marido está comendo putas em algum lugar quando não a está visitando... Ela tem noção de que não vai melhorar, embora o médico afirme o contrário, e tenha dito que ela sairia dali logo... 

"- Alô?
Era Gloria.
- Você está comendo alguma puta?
- Gloria, eles deixam você ligar tão tarde assim? Não te dão um remédio pra dormir ou algo do gênero?
- Por  que você demorou tanto tempo pra atender o telefone?
- Você nunca dá um barro? Eu estava no meio da cagada, você me interrompeu bem no meio de uma campeã.
- Claro que interrompi... Vai terminar isso aí depois de me convencer e desligar o telefone?
- Gloria, foi essa sua maldita paranoia aguda que pôs você onde está.
- Cabeça de peixe, a minha paranoia sempre foi a anunciadora de uma verdade que se aproxima."
Em Não tem negócio conhecemos Manny Hyman, que há muito deixa a desejar no palco de um salão onde trabalha para entreter o público, já cansado das mesmas piadas sem graça... Seu empregador dá um ultimato: ou ele melhora o show ou será substituído por alguém mais novo. Me parece uma crítica do autor ao show business, em que novos rostos surgem tomando o lugar daqueles que acabam relegados a uma condição de ostracismo...

"As pessoas sabem que o mundo é uma merda! Elas querem esquecer isso."
Encerrando o curto livro nos deparamos com o conto Bop Bop contra aquela cortina. É sobre um grupo de amigos que visitam um clube de strip tease. São indivíduos que buscam simples diversão, da melhor maneira que podem, em virtude de suas condições marginalizadas em meio a pobreza...

As circunstâncias em que se encontram os personagens dos contos são de lástima e revelam o lado cruel da sociedade em mantê-los em tais condições degradantes... a sociedade do 'american way of life' que alçava às alturas os vencedores e execravam os que ficavam à margem, os outsiders sociais...

O traço característico das ilustrações de Robert Crumb forma uma combinação perfeita com a escrita suja de Bukowski, mesclando-se bem a selvageria de seus riscos com os diálogos bem construídos do escritor... Traz teu amor pra mim foi o resultado de uma bela e grotesca combinação estética entre conto e imagem...





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