Alive, de Tsutomu Takahashi

| 23 fevereiro 2018 | 0 Comentários |
Em minhas idas periódicas à banca de revistas da cidade me deparo com um mangá de título e traço curiosos, que logo despertam meu interesse e com satisfação acabei trazendo para casa e devorando suas mais de 250 páginas em pouco tempo...

Alive traz a história de um assassino condenado à morte, que no último minuto consegue escapar da pena graças a intervenção de uma organização. Tenshu Yashiro assina um contrato com os agentes a fim de escapar da morte certa, na teoria, pois qualquer outra coisa seria mais válida que o enforcamento, mas com o decorrer da trama, Tenshu percebe que a coisa não é tão fácil assim..

A Panini comics publicou em volume único esse compilado de dez volumes publicados originalmente no Japão, e seu autor é bem conhecido  devido aos trabalhos anteriores, como Blue Heaven, Jiraishin e Skyhigh. Alive ganhou inclusive uma adaptação para os cinemas e é considerado um dos grandes ícones da indústria de quadrinhos japoneses. 


Tenshu se vê envolvo numa estranha experiência, onde é colocado numa sala com outro homem, que chegou até ali em circunstâncias semelhantes ao protagonista. Ambos estão completamente isolados do mundo, sem ter noção de tempo, sem poder ter contato com outras pessoas, a não ser por rápidas conversas' com as autoridades do local, que se mostram dispostos a testar experimentos inimagináveis nos dois ex-condenados... 

Alive possui uma narrativa elétrica e alucinante. A cada página somos inseridos ainda mais profundamente na trama, além de possuir também um traço marcante que causa maior impacto à história. Trata-se de uma publicação de 1999 mas que chegou ao Brasil recentemente, e promete agradar aos leitores aficionados do terror japonês...





[Séries] Apaches

| 21 fevereiro 2018 | 0 Comentários |

Apaches é uma série da Netflix, de apenas uma temporada, baseada no livro homônimo do escritor Miguel Sáez Carral. Estreou na plataforma em setembro de 2017 e conta com nomes de peso no elenco como Alberto Ammann [nArcos], Paco Tous [La casa de Papel] e Eloy Azorín [Todo sobre mi madre]. 


Alfredo 'El Chatarrero' e Carol [shippo muito]

A história se passa no bairro de Tetuán em Madri, em meados da década de 1990, com alguns flashbacks nos anos 1970, a fim de explicar algumas questões sobre a infância dos personagens Miguel e Sastre, amigos de infância que se separaram devido aos caminhos que tomaram na vida adulta, mas que de repente se vêem juntos novamente...

A família de Miguel está arruinada porque o seu pai foi roubado pelo sócio na empresa que eles tinham. Jornalista, ele se vê obrigado a entrar para o mundo do crime, roubando joalherias com os seus amigos a fim de salvar o pai, saldando suas dívidas. 

Sastre, Miguel, Dela y Boris

A série aborda temas como lealdade, tanto dos amigos do bando como do próprio bairro de Tetuán, onde existe uma lei que nenhum morador entrega o outro. Fala sobre amor, perdas, crimes, violência, maus-tratos na infância, traição, falta de perspectivas, acertos de contas... Além dos planos para assaltos,  a história mescla com perfeição vários aspectos sociais e nos brinda com um triângulo amoroso, quando uma mulher do passado de Miguel e Sastre volta a se envolver com eles, sendo amante atualmente de Alfredo 'El Chatarrero', homem de negócios escusos que possui um armazém que serve de fachada para seus contrabandos com mercadoria roubada.

investigador 

Carol possui uma 'dívida' de gratidão com Alfredo, pois ele a salvou num momento infeliz de sua vida. Mas a volta de Miguel para o bairro desencadeia uma paixão avassaladora que pode pôr em risco a vida do jornalista, além de fazer ir por água abaixo o pagamento das dívidas de seu pai... 

Outro ponto interessante a salientar é que em momento algum a trama se torna piegas devido ao romance - pelo contrário - as cenas entre Miguel e Carol deixam o espectador ainda mais angustiado por receio de El Chatarrero flagrar ambos, ou a polícia encontrar o bando de assaltantes, já que o novo investigador designado para o caso está 'na cola' do grupo. A série tem um ritmo alucinante, possui uma trilha sonora envolvente e personagens pra lá de humanos e reais. Em dado momento, você compreende os motivos de alguns, chega a sentir empatia por outros e torce até por quem é 'vilão'... Na verdade, não há mocinhos e vilões - todos tem um pouco de ambos em suas personalidades e trajetórias. 

Apaches é uma série completa, fechada em sua estrutura, e que promete ao espectador doses de drama e ação na medida ajustada, sem exageros ou 'lugares-comuns'. Cumpre ao que se propõe e traz um desfecho surpreendente. Fiquei muito interessada em ler o livro no qual a série foi baseada e espero que alguma editora publique aqui no Brasil... 

Miguel, Carol, Sastre y Miranda

Trevisan, O vampiro de Curitiba

| 15 fevereiro 2018 | 9 Comentários |
Com um título que carrega sua alcunha, Dalton Trevisan nos entrega uma obra repleta de experimentalismo na literatura contemporânea brasileira. O vampiro de Curitiba foi publicado pela Ed. Record e nos mostra mais uma faceta do autor, em que cada conto é carregado de fina ironia, perversidade imagística e simboliza a desesperança humana.

Há um quê de erótico em suas narrativas. Toques de absurdismo mesclados à melancolia e decadência. Utilizando-se de poucas linhas, ele nos deixa com a sensação de baque surdo, engolir em seco e mente em suspenso ao finalizar cada conto. 

"Ouça o risco da unha na meia de seda. Que me arranhasse o corpo inteiro, vertendo sangue do peito."

Conhecido como umas das grandes vozes da literatura latino-americana, representa bem um Brasil de esquecidos, marginalizados, lugares-comuns na sociedade. Mas com o esmero de fazer do simples algo pungente. 

"beijava-a raivoso, lábio inchado de mordida."

O amor ou 'fazer amor' transborda como um lampejo, sem ares de exibicionismo. Deixa o leitor à espreita, como um voyeur sedento por vivenciar tudo aquilo, colocando o desejo acima de qualquer moral ou convenção social...

"a bela enterrou-lhe a unha no pescoço:
-Me beije. Ai, meu amor - e rilhando com fúria os dentes. - Ai, me beije.".

Trevisan nos brinda com personagens crus, reais, que revelam-se verdadeiros paradoxos: chavões interessantes; ordinários peculiares, em situações de caos, miséria existencialista e desfechos secos, impactantes. Que permitem ao leitor horas de reflexão profunda sobre o que foi lido... 

Sua narrativa beira o soberbo. Sem intenções disso. 

Dalton Trevisan, o 'vampiro de Curitiba'.

Personagens Literários encontrados no Carnaval

| 13 fevereiro 2018 | 8 Comentários |
Tem pessoas que aproveitam o feriado de Carnaval para se divertir, outros preferem viajar e muitos leitores aproveitam para colocar as leituras em dia... Já pertenci às três categorias, e do ano passado pra cá, resolvi me aventurar nos blocos e frevar um pouco...

E eis que surgiu uma ideia de postagem... em meio à multidão de foliões me deparo com a criatividade de alguns em se fantasiar, inclusive de personagens que encontramos na literatura... Resolvi compilar por aqui algumas dessas figuras indicando os títulos que tais fantasias remetem...


Não há carnaval que se preze sem uma Arlequina. Muita gente se inspira no figurino da personagem vilã de Batman para se vestir durante a festividade. A própria é inspirada no Arlequim, figura da Commedia dell’Arte, originária na Itália do século XVI. Juntamente com a Colombina e o Pierrot formam um triângulo amoroso numa sátira social do teatro da época. Dentre algumas de suas características, o Arlequim é famoso por sua roupa de losangos, seu deboche e arte de pregar peças.

Arlequim [Paul Cézanne - 888/1890]

Outro personagem que pode ser facilmente encontrado num baile de máscaras ou desfile é o Zorro. Criado em 1919, seria o alter-ego de Don Diego de la Vega, que defende os fracos e oprimidos utilizando-se de um disfarce. Foi adaptado para o cinema e até em histórias em quadrinhos. Na literatura, indico o romance Zorro, de Isabel Allende e A marca do Zorro, de Johnston McCulley


Sempre tem alguém pra sair fantasiado de Cigano, outra figura emblemática do carnaval. Um dos personagens ciganos mais famosos da literatura pode ser encontrado na obra de Victor Hugo, O corcunda de Notre Dame. Esmeralda é uma cigana imortalizada na animação da Disney, mas que na obra clássica tem um desfecho mais denso do que na versão do filme, mais voltado para o público infantil...

 

Além de Esmeralda, outra personagem cigana na literatura é Carmen, do romance homônimo de Prosper Mérimée, retratada como uma mulher diabólica e sensual. Há, inclusive, uma ópera baseada na obra.


 Temos também Heathcliff, do romance gótico O morro dos ventos uivantes, de Emily Brontë. Ele é apresentado na história como uma espécie de cigano. Houveram várias adaptações do livro para o cinema... 

Ralph Fiennes, como Heathcliff, versão de 1992.

Outro personagem emblemático do carnaval é o pirata. Piratas podem ser encontrados em diversas obras literárias como A ilha do tesouro, de Robert Louis Stevenson, O Capitão Gancho de Peter Pan, Bêlit, criação de Robert E. Howard para a sua obra-prima dos quadrinhos Conan, entre outros. Trata-se de um personagem famoso e que inspira muitos foliões a saírem vestidos em troças, clubes e blocos carnavalescos...


E então, conhecem outros personagens literários que inspiram foliões? Me falem nos comentários... Beijos e até mais... ^.~


Projeto de Leitura #LendoOQueBowieLeu

| 10 fevereiro 2018 | 5 Comentários |
Olá, pessoas. Venho através deste post falar sobre a ideia que tive outro dia de começar mais um Projeto literário, mas dessa vez, sem data-limite determinada. Deixando em aberto, quem sabe eu dê conta das leituras de maneira mais satisfatória? Resolvi montar minha TBR a partir da lista de livros preferidos do cantor David Bowie, do qual eu sou grande admiradora. Bowie faleceu em 2016 deixando uma leva de fãs que apreciavam seu trabalho como músico, que influenciou toda uma geração de artistas mundiais.


Bowie era um grande apreciador das letras, recentemente seu filho publicou no twitter uma espécie de projeto para ler as obras que seu pai mais amava, e não é que várias pessoas aderiram ao projeto, criando até uma corrente de # pelas redes sociais? Inspirada nisso, listei obras que foram publicadas em português e que eu já possuo em meu acervo.  Algumas eu já tinha lido e vou reler novamente a fim de trazer postagens relacionadas a elas por aqui...

Para facilitar a interação de quem quiser participar dessa empreitada, é só utilizar a #LendoOQueBowieLeu nas redes sociais, a fim de interagirmos... Eis a lista...

  1. Laranja Mecânica -  Anthony Burgess
  2. Madame Bovary - Gustave Flaubert
  3. Ilíada - Homero
  4. Enquanto agonizo - William Faulkner
  5. O estrangeiro - Albert Camus
  6. Lolita - Vladimir Nabokov 
  7. O grande Gatsby - F. Scott Fitzgerald
  8. O marinheiro que perdeu as graças do mar - Yukio Mishima
  9. A terra desolada [poema] - T.S. Elliot
  10. 1984 - George Orwell
  11. A sangue frio - Truman Capote
  12. O amante de Lady Chatterlay -  D.H. Lawrence
  13. On The Road - Jack Kerouac
  14. O Leopardo - Giuseppe Di Lampedusa
  15. Inferno - Dante Alighieri


Lolita já foi lido e resenhado mas  pretendo trazer algum post sobre a obra, por isso ele permanece na lista. A terra desolada trata-se de um poema de Elliot e Inferno de Dante ainda penso se farei a postagem em formato de resenha ou de outra maneira, em virtude de se tratar da primeira de três partes da obra A divina Comédia.

Então é isso. Espero que todos apreciem o Projeto, participem e chamem os amigos para lermos juntos. Será um prazer discutir essas leituras com vocês... Beijos e até mais...


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