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#MLV2017 - Os relógios, de Agatha Christie



Concluí mais um título escolhido para minha TBR da Maratona Literária de Verão 2017... A obra da vez é intitulada Os relógios, um dos romances policiais da grande autora Agatha Christie. Na casa de uma deficiente visual, um cadáver é encontrado por uma garota, que tinha ido a esse endereço chamada supostamente pela moradora para um trabalho de estenografia. Ao sair na rua pedindo ajuda, esbarra em Colin Lamb, agente do Serviço Secreto Inglês que estava nas redondezas por outro motivo, e que logo se vê investigando esse  assassinato...

Vizinhos e prováveis testemunhas são ouvidas, sem muito sucesso... Logo as coisas pioram quando mais um cadáver se junta ao primeiro. Colin se vê enredado numa espécie de beco sem saída, e é nessa hora que ele resolve contar com a ajuda de Hercule Poirot, já conhecido e famoso protagonista da narrativa de Christie... 

Apesar dos fatos se mostrarem sem nexo, logo Poirot vai amarrando os pontos a fim de se  descobrir quem está por trás destes crimes, bem como descobrir a identidade do homem encontrado morto. Tudo isso praticamente sem esforço algum por parte do detetive belga. O que pode parecer intricado para os investigadores e para o leitor, logo se debruça de  maneira óbvia no desfecho, nos deixando com as questões do tipo 'como não havia visto tal pista ali antes?'

Certamente Os relógios possui uma narrativa ágil que conduz o leitor a chegar  ao final sem querer abandonar o livro antes disso. Não chega a ser uma descoberta surpreendente, mas sem sombra de dúvidas tem coerência para se chegar a tal 'resultado'. Recomendo aos fãs da escritora e até para aqueles não familiarizados e que possuem curiosidade de iniciar em seu universo de crimes bem estruturados... 

Os relógios foi escolhido de acordo com o desafio de escolher uma obra que foi indicada por um dos canais organizadores da #MLV2017. Achei o título na estante do Skoob de Gabriel Maremoto e como possuía o exemplar no acervo, uni o útil ao agradável... Espero que tenham curtido a resenha, e me falem nos comentários se almejam fazer tal leitura. Vamos trocar figurinhas ;)
Beijos e até o próximo post...


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#MLV2017 [A falecida - Nelson Rodrigues]

Participando da Maratona Literária de Verão 2017 trago para vocês as impressões da primeira leitura concluída do desafio: uma peça de teatro apresentada pela primeira vez em 1953. Trazendo um cenário imaginário, a história se passa em três atos e conta a história de Zulmira, mulher amargurada que - sem maiores pretensões na vida - resolve encomendar seu próprio velório. Mas ela não quer poupar dinheiro nesse projeto e vai agir com suas artimanhas para fazer com que um velho conhecido pague pelo enterro.

Ela vive infeliz no casamento e tem tuberculose, sente que seu fim se aproxima... A causa mais evidente para planejar seu enterro luxuoso é provocar inveja em Glorinha, prima que ela suspeita ter um caso com seu marido... Glorinha é uma personagem envolta em mistério. Não se sabe muito dela no início da história, a não ser que ela teve câncer. 

Aos já familiarizados com a ambientação de Nelson Rodrigues em usufruir de elementos de tragédia, ambições, luxúria e ambição, A falecida não se torna exceção, mantendo esse padrão em seu desenvolvimento. Personagens obsessivos, marcados por traumas e desilusões, mistério e cotidiano se mesclam trazendo ao leitor uma carga densa que permite maior contemplação de seu enredo... Em algumas passagens, há certo tom  hilário permeando os acontecimentos...

Zulmira - Foi um altíssimo negócio essa cartomante.Agora eu sei de tudo.Essas dores nas costas... Olha: hoje eu passeio o dia inteirinho com o nariz entupido...
Tuninho - Gripe!
Zulmira - Gripe aonde? (lenta e cava) Macumba!
Tuninho - Sossega!
Zulmira - Sim, senhor! Alguma macumba que essa cara me fez! Aposto!
Tuninho - Mas a mulher é protestante!
Zulmira - "Protestante" diz você! Mas duvido!
Fingimento, máscara!Vou te dizer mais o seguinte: Glorinha tem parte com o demônio!

A falecida é uma leitura rápida, fluída e que carrega em suas entrelinhas uma crítica ácida sobre a preocupação de se viver em função do julgamento alheio, nas tentativas de sair do marasmo através de atitudes mesquinhas e frívolas... Dá um tapa na cara da hipocrisia e dos bons 'costumes' que os personagens insistem em fingir ter. Traz ainda uma reviravolta em seu desfecho, surpreendendo o leitor...


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#LendoSandman - Despertar [11º arco] - Final do Ano I







"Quando o conheci, ele era o mais galante dos amantes. Ele sabia tantas coisas... [...]Era tão gentil, e sua pele de encontro à minha, parecia seda.
E dei o que podia dar a alguém como ele. Quando fazíamos amor, era como uma labareda: eu me sentia totalmente tomada, amada e idolatrada.
Já estive com muitos poetas, muitos sonhadores... mas apenas o seu amor era gelo e fogo. Seus olhos eram estrelas."





Vindo aqui concluir um ciclo... Ao longo de 2016 acompanhei o Projeto LendoSandman organizado pela Raquel do Pipoca Musical e é com pesar que me despeço de Sandman, depois de lidas 75 edições, divididas em 11 arcos...  Devido a uma perda terrível que sofri ano passado, acabei atrasando o cronograma estipulado pela Quel, mas senti que deveria ler os dois arcos finais a meu tempo... decisão acertada... A leitura deles, inclusive, me fez  passar pelo processo de luto de maneira menos dolorosa... 

~pode conter spoiler~

Fiz algumas anotações pegando referências à trama em sua reta final, e encontrei diversas passagens que me remeteram a mitos bíblicos, tais como Caim e Abel e a Criação do Homem. De acordo com os acontecimentos do arco anterior, Entes Queridos, acompanhamos em Despertar o velório do Rei dos Sonhos, e vários personagens que apareceram anteriormente vem prestar suas últimas homenagens àquela entidade que passou em suas vidas, deixando marcas consideráveis... Entre eles Rose Walker [Casa de Bonecas], Richard Madock e Lyta Hall, além dos habitantes do Sonhar [Lucien, Mervy, etc...]

Lyta deita e sonha. Rose sonha. Alexander Burgees sonha... Essa é a maneira de entrar no Sonhar, e dessa vez  não seria diferente... Um homem de barro é criado mas não  pode sonhar nem destruir, pois foi criado de acordo com a característica dos cinco Perpétuos restantes... Num paradoxo, Morte é quem dá o sopro de vida em O'Shagnessy. [Alguém aqui lembrou da Criação de Adão?] A Morte dando vida é algo como uma fênix que ressurge das cinzas, é sobre transformação, cíclico... e é bem isso o que Despertar alude...

O corvo Matthew foi um dos meus personagens preferidos, e me identifiquei com a dor dele, pois ele não aceita a morte de seu amigo. De todos os presentes, é ele quem mais parece sentir a partida de Morpheus e reluta em enxergar na figura de Daniel o novo Rei do Sonhar. Daniel seria a versão melhorada de Morpheus, que deixou de existir em parte, mas 'retorna' na figura de Daniel de maneira mais piedosa, numa versão 'melhorada' do antigo Sandman...


É perceptível o amadurecimento de Morpheus ao longo de toda a HQ. Ele passou por uma evolução bastante significativa... Sobre a 'pessoa' cruel que ele chegou a ser até o momento em que ele passa a perdoar outras pessoas, a entender suas dores e ações sob outras perspectivas... Nós costumamos enxergar o que já vem mastigado, pronto... A gente nota que evolui um pouco como indivíduo quando passamos a enxergar as dores de outras pessoas e as tomamos para nós mesmos... é o que chamamos empatia ou solidariedade... 

Ao final temos mais três contos, e um deles fala sobre o encontro da Morte pra fechar a conta com um bem conhecido personagem... Mas ele não está disposto a cair nos braços da irmã de Morpheus... A história seguinte é sobre um homem no deserto, exilado de seu Reino e  que acaba no limiar dos limites do Sonhar. Seu encontro com o Homem da Areia nos traz reflexões profundas... 

Encerrando com chave de ouro, temos outra alusão à William Shakespeare e sua peça A Tempestade... O que pude tirar dessa referência é que 'depois da Tempestade vem a bonança'... Esperamos despertar dos Sonhos com uma injeção de esperança a fim de enfrentar o novo dia... 

Por incrível que pareça, os três contos finais não me atingiram tanto tal o impacto que o Velório me deixou... Mas achei curioso o encontro de Morte com o homem que não morre...
Confesso que fiquei com um aperto no peito, como se eu tivesse realmente me despedindo de Morpheus... Me senti despertando depois de ter vagado por outros ares... A leitura dessa HQ foi como  um [novo] divisor de águas para mim, e me deixou com muitos questionamentos, pontas que estavam soltas foram bem amarradas e novas perspectivas se desdobrando...

Desculpem a resenha' escrita de maneira tão passional, mas não poderia ser diferente diante dos impactos que a leitura me causou... Gostaria também de agradecer a Raquel pelo belo trabalho que ela fez esmiuçando todos os arcos, e nos trazendo esse Projeto maravilhoso... 
Abaixo deixarei uns links interessantes para que quiser acompanhar a discussão no blog/canal dela desde o começo... Nunca é tarde para se  iniciar no Mundo dos Sonhos...

Adeus, Sandman... ou melhor dizendo, até outras paragens... Logo eu durmo e nos encontramos novamente... :')



Discussão Lendo Sandman 
[links retirados do blog Pipoca Musical]




POEMA DO O’SHAUGHNESSY

– Ode (em inglês)
– Ode (em português)
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12 Meses de Poe Ano II



Anna Costa organizou o Projeto #12MesesDePoe ano passado e deu tudo tão certo que ela resolveu dar inicio a mais um ano. E claro que não quero ficar de fora, por Edgar Allan Poe ser um dos meus autores preferidos e que influenciam muito em minha personalidade...

Segue a lista de leituras de 2017. Como diferencial de que - este ano - iremos ler e discutir também poemas do escritor...

  1. JANEIRO: A queda da casa de Usher // O Palácio Assombrado (the haunted palace)
  2. FEVEREIRO: Os fatos do caso do senhor Valdemar // The Sleeper
  3. MARÇO: Eleonora // Annabel Lee
  4. ABRIL: A aventura sem paralelo de um tal Hans Pfaal // Sozinho (alone)
  5. MAIO: O gato preto // O corvo (the raven)
  6. JUNHO: Três domingos em uma semana // A cidade no mar (a city by the sea)
  7. JULHO: Os assassinatos na Rua Morgue // Um sonho dentro de um sonho (a dream within a dream)
  8. AGOSTO: O poço e o pêndulo // Os sinos (the bells)
  9. SETEMBRO: O mistério de Marie Roget // Sonhos (dreams)
  10. OUTUBRO: A máscara da morte escarlate // Espíritos dos mortos (spirits of the dead)
  11. NOVEMBRO: A carta roubada // Para Annie (for Annie)
  12. DEZEMBRO: O barril de Amontillado // Lines on Ale


Para mais informações, acesse o grupo no Facebook e a FanPage criada por Anna.
Alguns dos contos eu não tenho e lerei em PDF. Mas oito deles estão em minha edição do Histórias Extraordinárias. Os poemas serão lidos online também... A medida em que eu for lendo, vou resenhando por aqui.Quanto aos poemas, penso em fazer uma discussão a cada dois meses... ainda estou pensando sobre isso...

Então, espero que participem, interajam. E quem não aderiu às leituras de Poe ano passado com esse projeto, aproveite agora. ;)

Beijos a todos...
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