Provocações, com Antônio Abujamra

| 21 janeiro 2018 | 0 Comentários |



Exibido pela TV Cultura de 06 de agosto de 2000 até 28 de abril de 2015, Provocações foi um programa de TV apresentado pelo ator e diretor Antônio Abujamra, em quadros de duração média de 25 minutos, em que ele entrevistava artistas de vários nichos e por vezes recitava textos e poemas. 



Provocações possuía formato de Talk Show, e era televisionado às terças-feiras no horário noturno, tendo reprises nas madrugadas de quinta-feira. Tomei conhecimento desse programa através de um amigo e logo meu interesse cresceu em assistir alguns episódios, devido ao fato de vários entrevistados serem pessoas que admiro ou sinto curiosidade em seus trabalhos, bem como pela parte literária apresentada, críticas tecidas durante as entrevistas e ainda pelo quadro "Vozes da Rua", onde o público explanava sobre vários assuntos. 



Personalidades como Karina Buhr, Rubem Alves, Mário Prata, Fabrício Carpinejar e Elke Maravilha passaram pelo programa. Abujamra declamou Fernando Pessoa, Viviane Mosé, Cecilia Meireles e Elizabeth Bishop. Foi de Alberto Caieiro a Walt Whitman, de Ortega y Gasset a Drummond. Com uma interpretação de encher os olhos, extasiava o leitor, enlevando-o a um estágio de lirismo e plenitude, sensibilidade e reflexão...




A môça possessa, um mistério da série Carter Brown

| 19 janeiro 2018 | 2 Comentários |
Nascido na Inglaterra e tendo vivido na Austrália, Carter Brown é um dos pseudônimos literários de Alan Geoffrey Yates, um escritor famoso por seus livros policiais de ficção. Chegou a escrever western e ficção científica usando outros pseudônimos, mas foi com o nome Carter Brown que passou a ser mais conhecido, escrevendo uma série de histórias de Mistério e Crime com ambientação noir dos anos 1950/1960. 


Al Wheeler é um dos personagens que protagonizam seus livros, e em A môça possessa, ele está a investigar um caso de assassinato de uma mulher encontrada morta na área externa de uma clinica psiquiátrica. Seguindo as poucas pistas que possui, Al acaba descobrindo a verdadeira identidade da vítima e se depara com um caso repleto de intrigas, dinheiro roubado e até um culto satânico.

A trama é ambientada em Pine County, na California e a narrativa é recheada de diálogos sarcásticos típico de tiras e capangas. Os estereótipos comumente apresentados em livros do gênero estão inseridos de maneira que - para os padrões atuais - podem parecer datados, mas que certamente na época em que foram escritos, justificam a alta vendagem dos títulos em vários países. 

Com poucos capítulos distribuídos em pouco mais de 100 páginas, A môça possessa cumpre bem a sua proposta de entreter o leitor entregando uma trama limpa, com dosagens acertadas de mistério, aventura e sensualidade. A ambientação dá um clima ainda mais entorpecente aos personagens e suas ações, deixando-nos em suspenso, ávidos pelo desfecho que se revela satisfatório ao que se propõe. 

Ideal para os amantes do gênero, que certamente vão se deliciar na tentativa de descobrir junto com o detetive Wheeler a solução deste crime...




Quote - Ciranda de Pedra / Lygia Fagundes Telles

| 17 janeiro 2018 | 2 Comentários |

"devia ser fácil desfazer-se também das sucessivas Valérias nas quais se desdobrara desde a infância, desfazer-se da menininha, principalmente da menininha de unhas roídas, andando na ponta dos pés. Agarrar-se só ao presente, nua de lembranças como se acabasse de nascer. Via agora que jamais poderia se libertar das suas antigas faces, impossível negá-las porque tinha qualquer coisa de comum que permanecia no fundo de cada uma delas, qualquer coisa que era como uma misteriosa unidade ligando umas às outras, sucessivamente, até chegar à face atual. Mil vezes já tentara romper o fio, mas embora os elos fossem diferentes, havia neles uma relação indestrutível. E o fio ia se encompridando cada dia que passava, acrescido a cada instante de mais uma parcela de vida. Chegava a senti-lo dando voltas e mais voltas em torno do seu corpo numa sequencia sem começo nem fim..."


p.s: [só troquei a Virgínia do texto por Valéria...]


A metamorfose de Kafka por Peter Kuper

| 15 janeiro 2018 | 5 Comentários |
Recentemente adquiri um quadrinho que já havia lido uns anos atrás, em tempos de visita à biblioteca da faculdade, e finalmente possuo agora um exemplar em meu acervo. Trata-se de uma adaptação da obra mais famosa de Franz Kafka, feita em quadrinhos pelo americano Peter Kuper

Dono de um traço vigoroso e em preto-e-branco, cheio de sombras e contrastes que tornam a obra ainda mais sombria, a própria trama tem ares mórbidos ao retratar um diferente amanhecer na vida de Gregor Samsa, que seria a partir dali um divisor de águas em sua existência vazia: a manhã que ele acorda transformado num inseto. 

Uma publicação compartilhada por Maria Valéria - TorporNiilista (@psychokillerstrange) em

Achando ser um pesadelo, lentamente ele começa a perceber sua nova condição e logo o desespero lhe bate à porta, acompanhada do gerente de seu emprego, que foi a sua procura a fim de saber o motivo do atraso do caixeiro viajante. Sua família se atordoa ao descobrir a nova condição daquele que provem o sustento da casa e a partir desse episódio, as coisas se modificam de maneira drástica e infeliz em sua agora [?] insignificante vida. 

A metamorfose retratada por Kuper tem ares do expressionismo alemão, aliado ao estilo norte-americano das graphic novels. O conto é considerado a obra-prima de Kafka e merecia uma adaptação à altura, conseguido com grande talento pelo quadrinista. 

Interessante apontar que a obra pode agradar tanto aqueles que já leram a história original quanto aqueles que se sentirão despertados em conhecê-la após a leitura do quadrinho...


É uma história bizarra, que beira o horror mas que traz uma reflexão profunda acerca de nossa condição como humanos em sociedade, o quanto somos úteis e até que ponto servimos ao nosso 'ao redor'. Trata do abandono, da futilidade da existência e dos questionamentos que fazemos a nós mesmos sobre a rotina que esmaga nosso dia-a-dia, em profissões vazias, em relacionamentos supérfluos e seios familiares repletos de falsas convenções. O horror perante o diferente. A aceitação-negação das aparências que fogem ao comum... 

A metamorfose foi brilhantemente trabalhada em formato de HQ, tornando real nossa visualização mental ao longo da leitura...

Trocando olhares: a poesia dolorida de Florbela Espanca

| 12 janeiro 2018 | 10 Comentários |
Florbela Espanca é um dos grandes nomes da poesia lusitana do século XX. Tendo uma vida atribulada, soltou em pilhas de versos suas dores mais profundas, criando com maestria sonetos que conduzem o leitor por uma trilha de desalento, poética e melancolia...


Cantada até pelo artista Fagner, Florbela nasceu em 1894 e viveu apenas 36 anos, morrendo no dia de seu aniversário... Teve alguns casamentos conturbados, era filha ilegítima de seu pai, teve um irmão que faleceu poucos anos antes dela vir a deixar o mundo... Sua produção literária não é tão vasta, mas tornou-se imortal pelo poder de suas palavras. 

Trocando olhares é uma publicação da Editora Martin Claret, e reúne os poemas de Florbela do início de sua produção poética. Trocando olhares é uma espécie de alicerce do que viria a ser escrito posteriormente, como Livro de Mágoas e Charneca em Flor. Os poemas contidos nessa edição datam entre 1915 e 1917. 

"Escreve-me! ainda que seja só
Uma palavra, uma palavra apenas,
Suave como o teu nome e casta
Como um perfume casto d'açucenas!

Escreve-me! Há tanto, tanto tempo
Que te não vejo, amor! Meu coração
Morreu, já e no mundo aos pobres mortos
Ninguém nega uma frase d'oração

"Amo-te!" cinco letras pequeninas,
Folhas leves e tenras de boninas,
Um poema d'amor e felicidade!

Não queres mandar-me esta palavra apenas?
Olha, manda então...brandas... serenas...
Cinco pétalas roxas de saudade..."

Ao final da edição, ainda temos alguns dados biográficos sobre a poetisa, bem como algumas fotografias dela e seus parentes. O manuscrito Trocando olhares foi comprado por um empresário português, que publicou as obras completas de Florbela, além de um acervo contendo cartas, postais e afins. Contudo, o manuscrito acabou sofrendo alterações. 




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† Estou lendo...†

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